2006-10-31
Liga dos Últimos
2006-10-30
Meia Maratona do Algarve
Ontem participei numa prova de atletismo. A última vez que me tinha aventurado em semelhante coisa foi para aí há uns 25 anos numas comemorações do 25 de Abril aqui em Tavira. Depois de alguns treinos, fiz-me à estrada com outros amigos, atleta da circunstância como eu, no meio de muitas centenas de pessoas. Percorri a distância em 1H:23m. Para terem uma ideia do tempo que fiz, o vencedor da 2ª Meia Maratona do Algarve, Eduardo Henriques da equipa Conforlimpa terminou a prova com o tempo de uma hora, um minuto e 41 segundos (1:01:41). Ou seja, o vencedor só chegou 22 minutos antes de mim. A diferença verificada está na distância percorrida. É que ele fez aquele tempo em 21 quilómetros (Meia Maratona) e eu em 12 (Mini Maratona). Vendo bem as coisas, até há uma certa diferença.
Não trouxe nenhum Skoda para casa. Apenas umas valentes dores musculares. Não se pode ter tudo.
O grande campeão Francis Obikwelu deu a partida.
Não trouxe nenhum Skoda para casa. Apenas umas valentes dores musculares. Não se pode ter tudo.
O grande campeão Francis Obikwelu deu a partida.
RTPG
Ontem à noite (Domingo) a RTP abriu o seu telejornal com duas notícias muito breves as quais seriam desenvolvidas mais tarde. Tratava-se de dois acidentes de aviação, um na Nigéria com uma centena de vítimas e outro no Algarve na Avenida 125 (também conhecida por EN 125) sem vítimas mortais. Passadas estas duas notícias que estavam de certa forma encadeadas uma na outra, eis José Sócrates na sede do Rato para falar do resultado que teve numas eleições que disse serem sinal de grande vitalidade para o PS. Não reparei na SIC mas a TVI só transmitiu a mesma notícia já o seu noticiário ia a meio.
Ou seja, a primeira notícia com desenvolvimento na RTP foi de facto a vitória completamente "inesperada" de Sócrates. A propaganda continua. Isto no tempo de Santana Lopes dava para uma semana de conversa, pelo menos.
Ou seja, a primeira notícia com desenvolvimento na RTP foi de facto a vitória completamente "inesperada" de Sócrates. A propaganda continua. Isto no tempo de Santana Lopes dava para uma semana de conversa, pelo menos.
Mensalão contra ataca
Os camaradas de Lula da Silva envolvidos em sucessivos casos de corrupção devem ter suspirado de alívio ontem à noite. A coisa estava a ficar preta.
Ouvindo

Música para ouvir numa serena noite de Outono algarvio com uma temperatura exterior de 19º por volta das 23:00, depois de uma tarde quente. Nada mau.
Sobre o FCP-SLB quero escrever o seguinte:
1 – O SLB a defender parece uma barata tonta. Ninguém sabe muito bem quem deve marcar e os golos acontecem ou por nós difíceis de desatar com remates defensáveis ou por pura displicência dos centrais, como foi o último do jogo. Já vi disto anteriormente.
2 – O lance de Katsouranis não me pareceu de má-fé. Não tenho dúvidas que ele atinge o jogador brasileiro Anderson mas o objectivo é jogar a bola. Lamento a paragem demorada de um dos melhores jogadores a actuar em Portugal neste momento, mas o futebol também é isto.
3 – Vi finalmente, depois de muitos jogos, 20 minutos de grande futebol benfiquista, que tiveram como resultado dois golos e consequentemente o empate. Não me recordo nos últimos seis meses de ver o SLB jogar daquela maneira e muito menos com o actual treinador.
4 – O golo de Nuno Gomes é a consequência de uma jogada que representa um verdadeiro hino ao futebol. Lance de contra ataque todo ele ao primeiro toque fica bem em qualquer estádio do Mundo.
6 – Já que o Deco se naturalizou português, não via com maus olhos se o Helton fizesse a mesma coisa. O homem é de facto o melhor guarda-redes a actuar em Portugal.
7 – O SLB não pode ter um senhor malcriado no banco de suplentes. Já basta o Petit a chamar nomes na cara dos árbitros. José Veiga não tem lugar num clube como o SLB como roupeiro ou cortador de relva (profissões que naturalmente respeito) quanto mais como director. Esse senhor, tal como parece ser o caso do Presidente, não é benfiquista, muito pelo contrário. Duvido que saiba o que significa a mística do clube, já para não falar na mais elementar regra de educação e responsabilidade para enverga um emblema como o da águia. Uma instituição como o Sport Lisboa e Benfica, a maior de Portugal, merece muito mais. Os gestos e as provocações de Veiga estão ao nível da taberna mais suja e mal frequentada da cidade de Lisboa. Se José Veiga quer ter comportamentos semelhantes aos que teve no sábado à noite, tem uma coisa a fazer: inscrever-se nos No Name Boys e passar do banco para a bancada. Vai sentir-se muito melhor ambientado.
8 – Vi esta manhã um comunicado do FCP claramente xenófobo em relação ao jogador Katsouranis. Num clube internacional como é, com jogadores provenientes de várias latitudes, esperava-se um pouco mais de decência e sentido de responsabilidade. Ok, talvez seja pedir demais.
9 – Os meus pais conheceram pessoalmente, há umas semanas atrás, o Engenheiro Fernando Santos e ficaram encantados com a sua simpatia e simplicidade. Não duvido que seja uma excelente pessoa. Mas como treinador não me convence. Não vejo com regularidade o SLB jogar um futebol bonito e com brilho. Não se percebem soluções e muito menos disciplina táctica. Exceptuado os 20 minutos da segunda parte no Dragão e o jogo em Leiria, tudo o resto é uma imensa desilusão. Sinto muito Senhor Engenheiro mas é mesmo assim. Vai melhorar? Faço votos para que isso aconteça depressa.
Caros defensores das greves e manifestações
É-me igual se há mais ou menos manifestações coladas ao fim de semana, contra este governo. Só lá vai quem quer. O PS vai governar até 2009, com mais ou menos manifestações, porque foi leito, não só mas também, por aqueles que agora se manifestam.
Tenho a certeza que no meio de tanta agit-prop bem estudada existe muita gente séria e honesta preocupada com o estado da arte a que este governo nos está a obrigar. Mais do que isso: tenho contacto directo, como nunca antes tinha tido, com funcionários públicos, excelentes profissionais, alguns deles com condições para trabalhar em qualquer empresa privada de sucesso no nosso país. Conheço alguns que não passam o dia a olhar para o relógio à espera da hora da saída e dão o melhor de si por uma profissão e por uma carreira que abraçaram. Se for necessário, por uma questão de interesse público, estão disponíveis para ajudar a resolver problemas a qualquer hora do dia e a qualquer dia da semana. Não viram a cara ao trabalho em nenhuma circunstância. Mas também conheço outras realidades e essas por decoro não as vou relatar aqui.
As manifestações são organizadas de modo profissional por pessoas que só se dedicam a isso. Não fazem muito mais. Vivem instaladas nos sindicatos há muitos anos e só aparecem nos locais de trabalho para contactar com os colegas que estão efectivamente a trabalhar, em altura de eleições internar e pouco mais. Nos outros dias em que não há nem eleições nem manifestações de rua, chegam cedo ao sindicato, a horas de ir almoçar. Na parte da tarde saem igualmente cedo porque a vida não é só “trabalhar”. Isto existe em sindicatos que não se renovam nem são capazes de gerar novos dirigentes, de preferência jovens. Liguem a televisão e abram os jornais e digam lá se não são sempre as mesmas caras. São, nalguns casos, a tralha que sobrou do PREC e não se adaptou, nalguns casos porque não lhe apeteceu, ao mundo do trabalho. Vivem agarrados a chavões de liberdade e fraternidade, na luta contra o grande capital. Alguns deles votaram no PS nas últimas eleições mas agora arrependidos só lhes resta barafustar na rua.
Tenham paciência mas não sendo contra o direito de manifestação, muito pelo contrário, o que assisto nos dias que correm é a um estado de podridão nos movimentos sindicais que andam por aí a defender a inutilidade e a preguiça. Estas manifestações e greves são uma brincadeira. Marcam-nas por um dia, no máximo dois, e vão para a rua gritar. Quando elas acabam os governos, sejam eles quais forem, ficam-se a rir às gargalhadas com mais euros nos cofres. Se querem ser levados a sério, façam as coisas de outra maneira e com outro impacto. Do que vi até agora, não me admira que o Sócrates responda com um sorriso nos lábios. Deve estar morto de gozo.
Tenho a certeza que no meio de tanta agit-prop bem estudada existe muita gente séria e honesta preocupada com o estado da arte a que este governo nos está a obrigar. Mais do que isso: tenho contacto directo, como nunca antes tinha tido, com funcionários públicos, excelentes profissionais, alguns deles com condições para trabalhar em qualquer empresa privada de sucesso no nosso país. Conheço alguns que não passam o dia a olhar para o relógio à espera da hora da saída e dão o melhor de si por uma profissão e por uma carreira que abraçaram. Se for necessário, por uma questão de interesse público, estão disponíveis para ajudar a resolver problemas a qualquer hora do dia e a qualquer dia da semana. Não viram a cara ao trabalho em nenhuma circunstância. Mas também conheço outras realidades e essas por decoro não as vou relatar aqui.
As manifestações são organizadas de modo profissional por pessoas que só se dedicam a isso. Não fazem muito mais. Vivem instaladas nos sindicatos há muitos anos e só aparecem nos locais de trabalho para contactar com os colegas que estão efectivamente a trabalhar, em altura de eleições internar e pouco mais. Nos outros dias em que não há nem eleições nem manifestações de rua, chegam cedo ao sindicato, a horas de ir almoçar. Na parte da tarde saem igualmente cedo porque a vida não é só “trabalhar”. Isto existe em sindicatos que não se renovam nem são capazes de gerar novos dirigentes, de preferência jovens. Liguem a televisão e abram os jornais e digam lá se não são sempre as mesmas caras. São, nalguns casos, a tralha que sobrou do PREC e não se adaptou, nalguns casos porque não lhe apeteceu, ao mundo do trabalho. Vivem agarrados a chavões de liberdade e fraternidade, na luta contra o grande capital. Alguns deles votaram no PS nas últimas eleições mas agora arrependidos só lhes resta barafustar na rua.
Tenham paciência mas não sendo contra o direito de manifestação, muito pelo contrário, o que assisto nos dias que correm é a um estado de podridão nos movimentos sindicais que andam por aí a defender a inutilidade e a preguiça. Estas manifestações e greves são uma brincadeira. Marcam-nas por um dia, no máximo dois, e vão para a rua gritar. Quando elas acabam os governos, sejam eles quais forem, ficam-se a rir às gargalhadas com mais euros nos cofres. Se querem ser levados a sério, façam as coisas de outra maneira e com outro impacto. Do que vi até agora, não me admira que o Sócrates responda com um sorriso nos lábios. Deve estar morto de gozo.
Nota: Peço desculpa pelo meu atrevimento, nomeadamente aos que acham que eu não posso expressar a minha opinião Prometi que não o faria nas próximas 24 horas mas não resisti. Não havendo a PIDE nem o lápis azul, fica mais uma vez a possibilidade de constatar o vosso critério através dos comentários que poderão aparecer.
Mudam-se os tempos...
José Sócrates, recentemente entronizado no cargo de secretário-geral do PS (voltaremos ao assunto) tem razão numa coisa: as manifestações e os apupos que tem sido alvo, têm a mão do PCP e naturalmente da CGTP e como tal não são 100% genuínas para além de não reflectirem o sentimento generalizado da população. Só que há uma questão que Sócrates não deve esquecer. Estas mesmas manifestações quando foram organizadas contra os governos do PSD mereciam da parte dele a interpretação de genuínas e demonstrativas do pulsar da população. Pois, pois…
As minhas "sinceras" desculpas
Peço imensa desculpa por ter escrito a minha opinião sobre os “profissionais” das manifestações e o sentido de oportunidade das datas em que elas ocorrem. Apesar de vivermos em democracia e liberdade, sei que não tenho o direito de tocar no assunto nomeadamente por tratar-se de um “vaca sagrada “ de alguma esquerda que não aprecia este tipo de assunto. Prometo que não voltarei ao mesmo nas próximas 24 horas como forma de penitência pela minha infracção.
2006-10-29
RTPG
"O Estado vai atribuir 169 milhões de euros de indemnizações compensatórias à RTP e à agência Lusa no próximo ano, revelou hoje à Lusa o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva.".
2006-10-28
Via Verde para a aldrabice
Para além do facto de já toda a gente ter percebido que o governo não tem pejo de quebrar compromissos eleitorais passando à opinião pública uma imagem de aldrabão, o que mais me espanta é ver o secretário de Estado que tem o dossier das SCUTs, a afirmar os mesmos argumentos que o anterior governo do PSD utilizou e que foram combatidos de forma contundente pela oposição na altura, nomeadamente pelo PS. Veja-se o que o governo diz a esse respeito afirmando ser um factor de justiça a implementação de portagens nas SCUTs, exactamente o que antes contrariou.
Entretanto hoje o semanário SOL faz uma peça muito interessante sobre o tal grande estudo independente que o governo encomendou para tomar a decisão de colocar portagens em três SCUTs. E ainda a procissão vai no adro.
Entretanto hoje o semanário SOL faz uma peça muito interessante sobre o tal grande estudo independente que o governo encomendou para tomar a decisão de colocar portagens em três SCUTs. E ainda a procissão vai no adro.
2006-10-27
E agora?
GREVE GERAL NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA A 9 E 10 DE NOVEMBRO
O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) e a Frente Sindical da Administração Pública (FESAP) convocaram uma greve nacional para os dias 9 e 10 de Novembro em protesto contra a política negocial do Governo.
Vai crescendo a indignação dos trabalhadores» e «há um grau de descontentamento cada vez maior dos trabalhadores portugueses», disse Nobre dos Santos, indicando que, independentemente da greve agendada para 9 e 10 de Novembro, «todas as formas de luta são possíveis».
Função pública em greve a 9 e 10 de Novembro
Estas duas cedências não são, no entanto, suficientes para afastar o tom de protesto dos sindicatos, admitindo a Frente Comum que nos dias 9 e 10 de Novembro se verifique uma greve geral da Função Pública.
Deve ser algum tipo de dislexia...
O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) e a Frente Sindical da Administração Pública (FESAP) convocaram uma greve nacional para os dias 9 e 10 de Novembro em protesto contra a política negocial do Governo.
Vai crescendo a indignação dos trabalhadores» e «há um grau de descontentamento cada vez maior dos trabalhadores portugueses», disse Nobre dos Santos, indicando que, independentemente da greve agendada para 9 e 10 de Novembro, «todas as formas de luta são possíveis».
Função pública em greve a 9 e 10 de Novembro
Estas duas cedências não são, no entanto, suficientes para afastar o tom de protesto dos sindicatos, admitindo a Frente Comum que nos dias 9 e 10 de Novembro se verifique uma greve geral da Função Pública.
Deve ser algum tipo de dislexia...
A missa está para começar - I
Sócrates é bom quando vai ao ringue. Ir para cima dele sozinho, com as bancadas cheias de homens e de mulheres-banana a babarem-se, atentos, venerandos e obrigados, só o diminui.
João Gonçalves
Portugal dos Pequeninos *
* - Do melhor que se pode ler actualmente na blogosfera.
João Gonçalves
Portugal dos Pequeninos *
* - Do melhor que se pode ler actualmente na blogosfera.
Pela boca morre o peixe
Ministra da Cultura anuncia fim das capitais nacionais da cultura
Segundo as palavras da ministra, "não houve retorno" do investimento feito. "As cidades não se renovaram através da cultura", afirmou.
Será que os artistas, os actores e os promotores da Cultura estão pensando em barricar-se, por tempo indefinido, no Ministério da Cultura? Tenho a certeza que a ministra ia achar uma forma de luta original.
Segundo as palavras da ministra, "não houve retorno" do investimento feito. "As cidades não se renovaram através da cultura", afirmou.
Será que os artistas, os actores e os promotores da Cultura estão pensando em barricar-se, por tempo indefinido, no Ministério da Cultura? Tenho a certeza que a ministra ia achar uma forma de luta original.
Então porquê?
Se não for pedir muito
Gostava, muito sinceramente, que as empresas que exploram as salas de cinema em Portugal ponderassem a possibilidade de algumas das sessões diárias poderem ser interditas ao consumo de pipocas e refrescos. É que existem pessoas que também pagam o bilhete parra assistir ao filme e gostariam de o desfrutar sem o barulho constante do mastigar de pipocas ou o sorver do refresco quando este chega ao fim. Já não falo dos arrotos estridentes porque esses estão no âmbito da javardice e como tal são capazes de cair na liberdade de cada uma das pessoas. E num país de liberdades cada um escolhe o comportamento que quer ter, caso contrário ainda leva com alguma autoridade moral a prevenir que cada um faz o que bem entende.
Note-se que não estou contra nada. Quem quer comer pipocas e beber refrescos pode fazê-lo à vontade. Mas deixem pelo menos uma ou duas sessões para os que querem apenas ouvir o filme e mais nada. Eu sei que vender um balde de pipocas é um negócio da China se tivermos em conta o seu custo de produção versus o que o cliente paga sem se dar conta antes de entra na sala. Mas há que nivelar um pouco a coisa e permitir que quem gosta realmente de cinema possa continuar a desfrutar dos 35 mm e do dolby digital surround.
Note-se que não estou contra nada. Quem quer comer pipocas e beber refrescos pode fazê-lo à vontade. Mas deixem pelo menos uma ou duas sessões para os que querem apenas ouvir o filme e mais nada. Eu sei que vender um balde de pipocas é um negócio da China se tivermos em conta o seu custo de produção versus o que o cliente paga sem se dar conta antes de entra na sala. Mas há que nivelar um pouco a coisa e permitir que quem gosta realmente de cinema possa continuar a desfrutar dos 35 mm e do dolby digital surround.
Lobo Antunes
António Lobo Antunes deu ontem uma excelente entrevista a Judite de Sousa a propósito do lançamento do seu último livro. Numa das respostas, questionou-se com inquietação q.b., sobre a existência do comunismo nos dias que correm.
O funeral das Cidades Capitais da Cultura
A mesma ministra da Cultura que há uma semana atrás achava «original» o episódio das pessoas barricadas dentro do Teatro Rivoli aparece agora a fazer o funeral das Cidades Capitais da Cultura. Fala em falta de retorno e formação de públicos, imagine-se. O que antes não parecia, agora é. Ou seja o governo no fundo vem reconhecer que a Cultura não pode ser um sorvedouro de dinheiro público, nomeadamente em tempo de vacas magras como aquele em que vivemos. Mas sé é assim, porque razão se deu ao triste espectáculo do Rivoli quando estava fartinha de saber o que está em causa? De facto se Sócrates colocar esta senhora na lista dos remodeláveis ao lado de Manuel Pinho, não será de estranhar.
2006-10-26
Vá para fora cá dentro
Nos próximos dias 9 e 10 de Novembro, quinta e sexta-feira respectivamente, vai ter mais uma greve convocada por alguns sindicatos da Função Pública. Esperam os grevistas que o tempo melhore para não terem de ficar em casa a assistir com melancolia às gotas da chuva a bater nos vidros. Como o São Pedro é um santo generoso e pode ajudar, ficam aqui algumas sugestões para um belo fim-de-semana de quatro dias em pleno mês de Novembro. Como é óbvio, o Algarve é sempre uma boa opção.
Os Grandes Portugueses

Ontem assisti ao programa da RTP que tem como objectivo escolher o Melhor Português de sempre. Isso levou-me ao site do programa e consequentemente a querer entrar na brincadeira. Como tal vou votar. Mas em quem?
Tal como não tenho um músico, escritor, político, desportista, actor preferido, ao ponto de dizer que é daquele que gosto mais, na medida em que gosto de muita coisa sem conseguir no limite decidir o que em determinado momento é melhor ou pior, em casos extremos de importância pública (do tipo saber se Camões foi melhor ou pior do que Pessoa, ambos foram muito importantes), decidi escolher alguém que tenha tido um nobre acto de coragem, sacrificando-se pessoalmente para ajudar os outros. Assim tudo ficou mais claro. Relativizando a questão e dado que não é possível escolher pessoas por sectores de actividade, nem dizer que todos foram muito bons e importantes, decidi votar em Aristides de Sousa Mendes. Foi um homem notável que acabou por morrer na miséria vítima do ostracismo do regime de Salazar, porque em plena 2º Guerra Mundial, salvou das mãos dos homens de Hitler, milhares de refugiados que por outras vias acabariam provavelmente nos campos de concentração nazis, altura em que desempenhava as funções de Cônsul de Portugal em Bordéus..
Sousa Mendes passou mais de 30.000 vistos a judeus e outras minorias perseguidas, contrariando a vontade do ditador português.
Não tem a notabilidade de Camões ou de Pessoa. Provavelmente até há muita gente que nunca ouviu falar do seu nome. Pois também por essas razões a minha escolha vai para ele.
Tal como não tenho um músico, escritor, político, desportista, actor preferido, ao ponto de dizer que é daquele que gosto mais, na medida em que gosto de muita coisa sem conseguir no limite decidir o que em determinado momento é melhor ou pior, em casos extremos de importância pública (do tipo saber se Camões foi melhor ou pior do que Pessoa, ambos foram muito importantes), decidi escolher alguém que tenha tido um nobre acto de coragem, sacrificando-se pessoalmente para ajudar os outros. Assim tudo ficou mais claro. Relativizando a questão e dado que não é possível escolher pessoas por sectores de actividade, nem dizer que todos foram muito bons e importantes, decidi votar em Aristides de Sousa Mendes. Foi um homem notável que acabou por morrer na miséria vítima do ostracismo do regime de Salazar, porque em plena 2º Guerra Mundial, salvou das mãos dos homens de Hitler, milhares de refugiados que por outras vias acabariam provavelmente nos campos de concentração nazis, altura em que desempenhava as funções de Cônsul de Portugal em Bordéus..
Sousa Mendes passou mais de 30.000 vistos a judeus e outras minorias perseguidas, contrariando a vontade do ditador português.
Não tem a notabilidade de Camões ou de Pessoa. Provavelmente até há muita gente que nunca ouviu falar do seu nome. Pois também por essas razões a minha escolha vai para ele.
O seu legado é hoje muito actual, numa altura em que a intolerância, o racismo e a xenofobia, marcam presença no nosso dia a dia e são alimento para confrontos e ódios.
O estado do Estado
O actual mandato autárquico começou com uma série de alterações à Lei dos Eleitos Locais. Nesta lei, no que diz respeito a descontos para efeitos de reforma e assistência médica, são mais as dúvidas do que as certezas. No meu caso particular assim aconteceu. Por dificuldades na interpretação aos meus descontos para efeitos de assistência médica, a Câmara Municipal de Tavira solicitou esclarecimentos a CCDR Algarve a 21 de Junho de 2006.
No passado dia 20 de Outubro, recebi a cópia de um ofício enviado pela CCDR, acusando a recepção do ofício de Junho (quatro meses depois), informando a autarquia que o meu assunto faria parte da agenda da reunião de coordenação jurídica inter-CCDR´s/DGAL/IGAT/CEFA/SEAL, a realizar no dia 23 de Janeiro de 2007 (oito meses depois do primeiro ofício e três meses a partir da data da comunicação da CCDR).
O resultado dessa reunião será presente ao Senhor Secretário de Estado da Administração Local, o qual homologará o despacho resultante da reunião de Janeiro.
Isto não é anedota. É a verdade. Até lá estou vedado de fazer descontos para efeitos de assistência médica, conforme sempre aconteceu, porque cometi o “crime” de ter sido eleito. O Estado como não se dá ao respeito, trata os assuntos desta maneira com estes prazos que podem dar muito jeito a quem tem o assunto em mãos para resolver e não sabe como o fazer, mas que a mim deixa uma sensação de incerteza e desconforto.
Será isto normal?
No passado dia 20 de Outubro, recebi a cópia de um ofício enviado pela CCDR, acusando a recepção do ofício de Junho (quatro meses depois), informando a autarquia que o meu assunto faria parte da agenda da reunião de coordenação jurídica inter-CCDR´s/DGAL/IGAT/CEFA/SEAL, a realizar no dia 23 de Janeiro de 2007 (oito meses depois do primeiro ofício e três meses a partir da data da comunicação da CCDR).
O resultado dessa reunião será presente ao Senhor Secretário de Estado da Administração Local, o qual homologará o despacho resultante da reunião de Janeiro.
Isto não é anedota. É a verdade. Até lá estou vedado de fazer descontos para efeitos de assistência médica, conforme sempre aconteceu, porque cometi o “crime” de ter sido eleito. O Estado como não se dá ao respeito, trata os assuntos desta maneira com estes prazos que podem dar muito jeito a quem tem o assunto em mãos para resolver e não sabe como o fazer, mas que a mim deixa uma sensação de incerteza e desconforto.
Será isto normal?
RTP-G
Ontem à noite os noticiários das televisões em prime time abriram naturalmente com o temporal e o rastro de destruição que deitou. A TVI e a SIC foram as estações que abordaram o tema com mais profundidade e tema. A RTP, passou uns minutos de imagens, constatou o facto e passou à frente. Será que o assunto não é importante ou a propaganda do governo precisa de mais tempo de antena do que é costume?
Nem mais
Entre-os-Rios: «Culpa vai morrer solteira», diz Jorge Coelho
Talvez ainda venha o dia em que alguém se lembre de dizer que a culpa foi das pessoas que se lembraram de ir passear naquela data fatídica em vez de ficarem em casa.
Talvez ainda venha o dia em que alguém se lembre de dizer que a culpa foi das pessoas que se lembraram de ir passear naquela data fatídica em vez de ficarem em casa.
2006-10-25
Este PCP é um espectáculo
Pyongyang quer a paz mas não teme a guerra
Nota: Digam lá que não é a anedota do século a Coreia do Norte auto-proclamar-se, com o apoio inequívoco do PCP, "República Popular Democrática da Coreia". Democrática no quê? Só se for na distribuição da fome e da miséria pela população.
Nota: Digam lá que não é a anedota do século a Coreia do Norte auto-proclamar-se, com o apoio inequívoco do PCP, "República Popular Democrática da Coreia". Democrática no quê? Só se for na distribuição da fome e da miséria pela população.
A minha dúvida
O que o José Sócrates e o PS disseram nas últimas eleições legislativas em relação às SCUTs e escreveram no Programa de Governo foi o seguinte:
Quanto às SCUT, deverão permanecer como vias sem portagem enquanto se mantiverem as condições que justificaram, em nome da coesão nacional e territorial, a sua implementação, quer no que se refere aos indicadores de desenvolvimento sócio-económico das regiões em causa, quer no que diz respeito as alternativas de oferta no sistema rodoviário.
Tudo bem. Mas o que mudou desde Fevereiro de 2005 até Outubro de 2006 nas regiões que vão passar a ter portagens nas SCUTs? Os indicadores de desenvolvimento sócio-económico alteraram-se significativamente desde essa altura até agora? Foram construídas novas vias alternativas? Ou será que tudo se mantém como estava e o que mudou foi o discurso do governo?
Quanto às SCUT, deverão permanecer como vias sem portagem enquanto se mantiverem as condições que justificaram, em nome da coesão nacional e territorial, a sua implementação, quer no que se refere aos indicadores de desenvolvimento sócio-económico das regiões em causa, quer no que diz respeito as alternativas de oferta no sistema rodoviário.
Tudo bem. Mas o que mudou desde Fevereiro de 2005 até Outubro de 2006 nas regiões que vão passar a ter portagens nas SCUTs? Os indicadores de desenvolvimento sócio-económico alteraram-se significativamente desde essa altura até agora? Foram construídas novas vias alternativas? Ou será que tudo se mantém como estava e o que mudou foi o discurso do governo?
2006-10-23
Perdeu uma oportunidade de ficar calado
Luis Filipe Menezes sugeriu ou vai sugerir aos deputados do PSD, que apresentem uma moção de censura ao governo. Há nesta iniciativa um certo ar de triste espectáculo. As moções de censura apresentadas a governos com apoio parlamentar maioritário transforma-se rapidamente em moções de confiança, por razões óbvias. Para além disso Menezes sabe que esse tipo de iniciativas são mais de natureza carnavalesca do que outra coisa qualquer, que acabam por ridicularizar quem as apresenta. A este propósito lembro-me da primeira vez que entrei na Assembleia da República para assistir a um debate parlamentar em Janeiro de 1995. Cavaco Silva era primeiro-ministro e o PCP, revoltado com uma coisa qualquer que já não consigo precisar, apresentou uma moção de censura através do seu líder de bancada, Octávio Teixeira. Pacheco Pereira estava no lado da maioria e fez da oposição gato-sapato, nomeadamente o PCP. O mesmo aconteceria hoje com o PSD se fosse atrás das ideias mirabolantes de Menezes. Num político com a sua experiência, aspirante a líder do PSD, esperava-se outra coisa. Talvez o autarca de Gaia ainda não tenha percebido que um dos maiores benefícios da democracia actual é o factor da estabilidade governativa, a qual Menezes defendia há dois ano atrás, quando Santana Lopes era primeiro-ministro e Jorge Sampaio se preparava para lançar a “bomba atómica”.
O PS deve governar até ao final do seu mandato e ser julgado nessa altura, independentemente dos disparates que fizer. É isto que um partido com vocação de poder como é o PSD deve defender.
O PS deve governar até ao final do seu mandato e ser julgado nessa altura, independentemente dos disparates que fizer. É isto que um partido com vocação de poder como é o PSD deve defender.
Habilidades
Micolli não vai jogar no Dragão porque foi habilidosamente expulso no jogo de ontem, onde foram distribuídos 15 cartões amarelos e três vermelhos num jogo sem grandes picardias entre os jogadores. Há de facto árbitros que sabem ter dias menos felizes nas alturas certas.
2006-10-20
?????????
Que sinal emite o PS para o país quando convida o Partido Comunista Chinês para estar presente no seu próximo Congresso?
Manif
A Joaninha que é bonita e tem boa presença em qualquer salão bem frequentado, terá convocado os seus amigos da esquerda moderna e progressista para se juntarem numa manifestação quando a Coreia do Norte se lembrou de fazer ensaios nucleares, condenados por toda a comunidade internacional? E eu convencido que uma ex-mandatária presidencial tinha noção do que é o Estado de Direito.
Um dia mau
Secretario de Estado Adjunto diz que teve um “mau momento” ontem
Esta é uma atitude louvável e que se aceita. O que o secretário de Estado afirmou em relação aos aumentos da electricidade está seguramente no top tem dos comentários pouco lúcidos que já se produziram em Portugal. Mas fica-lhe bem reconhecer que teve um mau dia e emendar a mão. Mas pelos vistos não é de estranhar. No Ministério da Economia a imaginação para dizer disparates anda a par da velocidade a que o senhor ministro se desloca nas auto-estradas.
Esta é uma atitude louvável e que se aceita. O que o secretário de Estado afirmou em relação aos aumentos da electricidade está seguramente no top tem dos comentários pouco lúcidos que já se produziram em Portugal. Mas fica-lhe bem reconhecer que teve um mau dia e emendar a mão. Mas pelos vistos não é de estranhar. No Ministério da Economia a imaginação para dizer disparates anda a par da velocidade a que o senhor ministro se desloca nas auto-estradas.
2006-10-19
O referendo
Ouvi nas notícias esta manhã qualquer coisa do estilo: se o referendo à despenalização da IVG tiver uma participação inferior a 50% dos eleitores, mas o resultado for o SIM, o PS altera a lei no Parlamento. Mas com que direito, perguntarão os que defendem o NÃO? Um referendo com menos de metade de participação não tem valor jurídico e não é factual que o resultado corresponda à vontade colectiva das pessoas, que tanto preocupa o PS, ainda mais num país onde a palavra cidadania não é bem compreendida. Mal por mal, ónus por ónus, era preferível resolver o assunto no Parlamento e de preferência rapidamente. É que o assunto, ao contrário do que alguns querem fazer crer, é sério.
Se o resultado for o NÃO, presumo que não se faça nada e fique tudo como está.
Eu acho muito sinceramente que o dinheiro que vamos gastar com o referendo à IVG servia para fazer outras coisas. Não sei exactamente quanto é mas presumo que seja muito. Na minha opinião, mal empregue.
Se o resultado for o NÃO, presumo que não se faça nada e fique tudo como está.
Eu acho muito sinceramente que o dinheiro que vamos gastar com o referendo à IVG servia para fazer outras coisas. Não sei exactamente quanto é mas presumo que seja muito. Na minha opinião, mal empregue.
A Praça das Pessoas
A Praça da República em Tavira, esteve hoje durante o dia cheia de pessoas (turistas provenientes de excursões) que aproveitavam os lugares do anfiteatro ao ar livre para descansar, tirar fotografias ou simplesmente contemplar a vista. Muitas delas circulavam a pé calmamente, tanto na praça como nas ruas mais próximas, nomeadamente na Rua José Pires Padinha e no Jardim do Coreto. No ano passado por esta altura, a Praça da República estava cheia de carros a circular ou estacionados, numa barafunda colectiva. Hoje o barulho era o das pessoas que é bem mais agradável. E ainda há quem queira meter trânsito a circular, em dois sentidos, onde agora só existem pessoas a passear. É de facto uma visão futurista de vistas largas e de alcance estratégico quem quer devolver a Praça da República aos carros.
Curto circuito
Se um secretário de Estado de um governo do PSD tivesse a ousadia de dizer que os aumentos da electricidade se devem ao consumo das pessoas, jogando para cima delas a culpa dos mesmos, caía o Carmo a Trindade, mais os santos que o céu comporta.
Portagens
Tenho um pressentimento que não o consigo dissipar. O governo, mais cedo ou mais tarde, vai colocar portagens na Via do Infante. O que vão fazer os militantes do PS que são dirigentes regionais e estão em cargos de nomeação política ou apenas e só na Assembleia da República graças ao facto de terem participado na lista de candidatos? Vão para a estrada protestar como foram muitos dirigentes do PSD no passado dia 12 de Novembro de 2004.
Acabou
Como não podia deixar de ser, terminou o episódio do Teatro Rivoli com a saída das pessoas que estavam barricadas no seu interior. Pecou por tardio.
Neste post tentei dar o meu ponto de vista, não da situação em concreto mas da questão mais geral que se prende com a sustentabilidade e por vezes sobrevivência de alguns actores e/ou espectáculos. Para mim a situação continua a resumir-se a quem tem público e quem não tem. A gestão privada do espaço, ao contrário do que é dito, não significa a “morte” daquela sala de espectáculos nem dos artistas que lá trabalham. Uma gestão rigorosa de um espaço significa sobretudo que é preciso haver retorno do investimento feito e isso tem as suas virtudes, nomeadamente não sobrecarregando o erário público. Em todo o caso e como foi escrito num comentário, nada impede os artistas de se organizarem e concorrerem à gestão do Rivoli. Isso permitir-lhes-ia manter uma actividade cultura adequada sob o seu ponto de vista, organizando espectáculos e mantendo o Rivoli a fervilhar de actividade. O problema é que existe um conceito instalados nalgumas cabeças da elite bem pensante do espectáculo e das artes que fica enervada com espectáculos que muita gente queira assistir. É como os críticos de literatura, cinema ou música: só gostam daquilo que mais ninguém gosta. E isso é de facto um problema porque para haver espectáculos é preciso haver público. Não havendo…
Uma última palavra para a desastrosa tentativa de intervenção da Ministra da Cultura. Meteu o nariz onde não era chamada e acarinhou a iniciativa ilegal dos artistas barricados. Deve ser uma forma original de estar no governo. É que normalmente a atitude de um governante perante uma ocupação de um espaço público tende a ser no sentido de a condenar porque objectivamente colide com as mais elementares regras do Estado de Direito. Como a ministra não gosta do presidente da Câmara do Porto, preferiu agir desta maneira. Ao que uma ministra se presta para mostrar que existe…
Neste post tentei dar o meu ponto de vista, não da situação em concreto mas da questão mais geral que se prende com a sustentabilidade e por vezes sobrevivência de alguns actores e/ou espectáculos. Para mim a situação continua a resumir-se a quem tem público e quem não tem. A gestão privada do espaço, ao contrário do que é dito, não significa a “morte” daquela sala de espectáculos nem dos artistas que lá trabalham. Uma gestão rigorosa de um espaço significa sobretudo que é preciso haver retorno do investimento feito e isso tem as suas virtudes, nomeadamente não sobrecarregando o erário público. Em todo o caso e como foi escrito num comentário, nada impede os artistas de se organizarem e concorrerem à gestão do Rivoli. Isso permitir-lhes-ia manter uma actividade cultura adequada sob o seu ponto de vista, organizando espectáculos e mantendo o Rivoli a fervilhar de actividade. O problema é que existe um conceito instalados nalgumas cabeças da elite bem pensante do espectáculo e das artes que fica enervada com espectáculos que muita gente queira assistir. É como os críticos de literatura, cinema ou música: só gostam daquilo que mais ninguém gosta. E isso é de facto um problema porque para haver espectáculos é preciso haver público. Não havendo…
Uma última palavra para a desastrosa tentativa de intervenção da Ministra da Cultura. Meteu o nariz onde não era chamada e acarinhou a iniciativa ilegal dos artistas barricados. Deve ser uma forma original de estar no governo. É que normalmente a atitude de um governante perante uma ocupação de um espaço público tende a ser no sentido de a condenar porque objectivamente colide com as mais elementares regras do Estado de Direito. Como a ministra não gosta do presidente da Câmara do Porto, preferiu agir desta maneira. Ao que uma ministra se presta para mostrar que existe…
A casa da herdade
2006-10-17
Prós e Contras
Estou genericamente de acordo com esta opinião sobre o debate de ontem do Prós e Contras e acrescentaria o seguinte:
1 - Ribau Esteves, Presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, o qual conheci nos Congressos da JSD há uns anos atrás, foi de uma lucidez espectacular na forma como debateu a questão. Entrou em grande e saiu ainda maior. Esteve melhor que Fernando Ruas no aspecto em que este se deixou levar pela má-criação e deselegância do ministro Costa que faltando-lhe argumentos válidos e com a objecção de muitos autarcas do seu partido, fugiu-lhe a conversa para o chinelo. Ribau Esteves foi o mais esclarecido nos argumentos e sobretudo na forma de comunicar. Foi o melhor do debate.
2 – Saldanha Sanches não gosta do Poder Local nem dos autarcas. Se pudesse acabava com eles por decreto. Do Terreiro do Paço a vista é mais global sobre o país. Tenho comigo uma carta deste senhor a elogiar o trabalho e a seriedade do presidente da Câmara Municipal da minha terra, o qual distingue de uma série de autarcas que na sua opinião são corruptos. Mas ontem esteve francamente mal porque se colocou do lado do contra e não do lado da verdade. E a verdade é que o Poder Local é fundamental para o desenvolvimento do país, apesar de ele achar que não é. Fez afirmações de mau gosto de forma um tanto ou quanto cobarde, na medida em que não foi capaz de concretizar em português corrente o que queria dizer. É um estilo já conhecido.
3 – José Apolinário esteve muito acima das minhas expectativas, contrastando com o autarca de Resende e a de Odivelas que muito provavelmente vão ter mais dinheiro para gastar nos próximos anos, para além de um cartão de militante do PS na carteira. O presidente da Câmara de Faro colocou-se no lado certo: o lado dos munícipes que vão ser claramente prejudicados com a nova Lei das Finanças Locais. Ter ganho a autarquia de Faro, aparentemente, fez-lhe bem. E este novo fato fica-lhe melhor do que aquele que o aparelho socialista lhe “emprestou” para vestir durante os últimos anos. Gostei. Sinceramente.
4 – Fernando Ruas esteve sempre por cima do ministro Costa e só esteve menos bem quando respondeu directamente às provocações do governante e às do autarca de Resende que levava a lição bem estudada e encomendada. Não lhe devia ter dado essa importância. As pedradas com que um dia ameaçou os técnicos de Ambiente do seu distrito não devem ser muito diferentes das ameaças que um dia Jorge Coelho publicitou a quem se metesse com o PS. São metáforas, bem entendido. E se as de Coelho são mais difíceis de entender, as de Ruas não são mais do que a interpretação da vontade daqueles que são sistematicamente perturbados na sua vida pelos burocratas e fundamentalistas do Estado.
5 – António Costa? Nem sei o que diga. O melhor é não dizer mais nada. Talvez um dia desça à terra e se candidate a uma autarquia. Se por acaso ganhar, talvez saiba o que é ser autarca. Esteve perto de Loures, com um burro pela arreata, mas ficou às portas dos Paços do Concelho. Fazia-lhe bem essa experiência. A forma descompensada como tentou demonstrar a sua representatividade e legitimidade política, foi de um autoritarismo que eu pensava já não existir na classe política actual. E ainda falam do Alberto João Jardim…
Desta vez concordo
Jerónimo de Sousa disse ontem uma coisa muito acertada (cruzes canhoto): o PS usa a maioria que tem no Parlamento para tudo e na questão do aborto faz de conta que não a tem. O discurso do primeiro-ministro sobre a despenalização do aborto é tão fundamentada e convicta que outra coisa não seria de esperar se não apresentar um projecto de lei na Assembleia da República para resolver o assunto. O PCP, o BE e, estou convencido, alguns deputados do PSD, não deixariam de votar a favor.
O estado da arte
Alguns artistas em Portugal não conseguem ter público. Nem por isso merecem menos consideração. Escolheram talvez uma arte mais difícil e as pessoas não entendem. Logo a continuidade da sua arte está em grande parte dependente do apoio do Estado que pode ou não apoiar.
A fasquia a que o Estado está disposto a apoiar os artistas que não têm público é discutível. Haverá quem pense que os artistas devem ser apoiados porque têm um contributo importante para a educação cultural das pessoas, mas há também os que pensam que, como tudo na vida, deve haver bom-senso e alguma contenção.
Uma coisa é certa, quando há público as salas de espectáculos são rentáveis e os artistas têm trabalho. Logo, tanto faz se a iniciativa é privada ou pública.
Assistir a um espectáculo deve pressupor sempre o pagamento de um ingresso, de modo a valorizar o próprio espectáculo e a arte do artista. Dar borlas significa duas coisas: a banalização da arte no seu pior sentido e um custo acrescido para alguém, neste caso para o Estado. Porque no mundo do espectáculo também não há almoços grátis. Tudo tem um preço. E para uma peça de teatro ou um concerto de música ou outra coisa qualquer, a subida ao palco acontece porque alguém investiu nisso.
Não conheço com rigor a situação dos artistas que estão barricados dentro do Teatro Rivoli no Porto. Mas estou em crer que estão receosos de um futuro menos risonho. Pelo que percebi nas suas declarações, acham que a arte e a cultura é uma função essencial do Estado e por isso deve ser este a subsidiar para que tudo seja tendencialmente gratuito. Ora isto na minha perspectiva não valoriza o espectáculo e a arte. Porventura torna a vida dos artistas mas fácil sem os responsabilizar demasiado e com muito pouca preocupação em relação ao dia seguinte. Podem dar-se ao luxo de realizar espectáculos que o público não tem qualquer interesse em assistir na medida em que os seus honorários estão garantidos. Eu acho que não pode ser assim. O Estado tem obrigações nomeadamente na formação de artistas e na promoção da arte e do espectáculo, mas deve haver sempre a preocupação de não vulgarizar as coisas de tal modo que nos deixem a nós a única opção de contribuir para algo que ninguém quer ver ou assistir. Porque a vida custa a todos.
A fasquia a que o Estado está disposto a apoiar os artistas que não têm público é discutível. Haverá quem pense que os artistas devem ser apoiados porque têm um contributo importante para a educação cultural das pessoas, mas há também os que pensam que, como tudo na vida, deve haver bom-senso e alguma contenção.
Uma coisa é certa, quando há público as salas de espectáculos são rentáveis e os artistas têm trabalho. Logo, tanto faz se a iniciativa é privada ou pública.
Assistir a um espectáculo deve pressupor sempre o pagamento de um ingresso, de modo a valorizar o próprio espectáculo e a arte do artista. Dar borlas significa duas coisas: a banalização da arte no seu pior sentido e um custo acrescido para alguém, neste caso para o Estado. Porque no mundo do espectáculo também não há almoços grátis. Tudo tem um preço. E para uma peça de teatro ou um concerto de música ou outra coisa qualquer, a subida ao palco acontece porque alguém investiu nisso.
Não conheço com rigor a situação dos artistas que estão barricados dentro do Teatro Rivoli no Porto. Mas estou em crer que estão receosos de um futuro menos risonho. Pelo que percebi nas suas declarações, acham que a arte e a cultura é uma função essencial do Estado e por isso deve ser este a subsidiar para que tudo seja tendencialmente gratuito. Ora isto na minha perspectiva não valoriza o espectáculo e a arte. Porventura torna a vida dos artistas mas fácil sem os responsabilizar demasiado e com muito pouca preocupação em relação ao dia seguinte. Podem dar-se ao luxo de realizar espectáculos que o público não tem qualquer interesse em assistir na medida em que os seus honorários estão garantidos. Eu acho que não pode ser assim. O Estado tem obrigações nomeadamente na formação de artistas e na promoção da arte e do espectáculo, mas deve haver sempre a preocupação de não vulgarizar as coisas de tal modo que nos deixem a nós a única opção de contribuir para algo que ninguém quer ver ou assistir. Porque a vida custa a todos.
2006-10-15
Coisa estranha
Se não tiver nada para fazer, mas mesmo nada, sugiro que passe pela página do PCP na internet e ao chegar vá à procura dos autarcas comunistas ou eleitos nas listas da CDU (aquela coisa que eles utilizam para não dizerem às pessoas que são comunistas) e terá uma surpresa. O ex-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Carlos Sousa, o tal senhor que o PCP obrigou a dar de frosques porque andava com um discurso muito renovador, ainda lá está com um ar bem disposto, bem diferente daquele que foi obrigado a utilizar quando teve de dizer em conferência de imprensa que o seu partido não lhe deixava cumprir o mandato até ao fim, conforme tinha sido vontade do povo.
Das duas uma: ou o PCP anda distraído e não renova a sua página ou então deixa lá estar a fotografia para as pessoas de Setúbal não ficarem ainda mais aborrecidas. Há ainda uma terceira hipótese mas essa parece-me pouco provável: a actual presidente não quer que a sua fotografia conste na página do PCP.
Das duas uma: ou o PCP anda distraído e não renova a sua página ou então deixa lá estar a fotografia para as pessoas de Setúbal não ficarem ainda mais aborrecidas. Há ainda uma terceira hipótese mas essa parece-me pouco provável: a actual presidente não quer que a sua fotografia conste na página do PCP.
Cores do Alentejo
O ministro gosta de contar chalaças
Será que o Sócrates não está pensado já algum tempo em mudar o seu ministro da Economia? O homem num dia diz que a crise acabou (provavelmente por algum decreto publicado no Diário da República assinado pelo próprio). No dia anterior, aparecem nas ruas de Lisboa 70.000 pessoas a queixarem-se e entre aquelas que são crónicas no queixume e fazem-no porque alguém as manda fazer (PCP/CGTP), algumas haverá que se queixam mesmo a sério. Depois disto tudo, o país fica a saber pela boca do senhor que afirmou peremptoriamente que a crise tinha acabado, que afinal era «infantil» afirmar que a crise já não estava a sobrevoar os céus de Portugal. Depois de se ter escapado a uma multa de excesso de velocidade, este senhor anda mesmo com muita imaginação e criatividade.
Anedota coreana escrita a vermelho
Há dias li, algures, uma anedota que dava para morrer a rir se o assunto não fosse sério. Alguém defendia os testes nucleares da Coreia do Norte como um direito à ciência e à experimentação, porque os cientistas coreanos não são menos importantes que os do resto do mundo. Isto é stand-up comedy foleiro, é certo. Mas sempre dá para rir uns segundos.
As manifs e as sondagens
Errado. A questão vertida nos dois posts não está no facto de ter havido manifestação que como se sabe é o prato predilecto de alguns trabalhadores muito zelosos para não fazerem nada nesse dia, a mando de umas centenas, quiçá milhares, de sindicalistas que estão enfiados nos sindicatos anos a fio a fazerem de contas que defendem os trabalhadores. O que está em causa é que nessa manifestação estão de facto militantes do PCP, arregimentados pelo PCP e trabalhadores que passam a vida a usar expedientes para fazerem pouco. Haverá também com certeza outros que estão preocupados com os seus postos de trabalho e com direitos adquiridos que alguém os quer retirar, mas está sobretudo muita gente que votou no Sócrates e no PS nas últimas eleições e que se sente enganada.
Por outro lado é muito estranho ver tanta gente na rua em manifestações sucessivas e as sondagens continuarem a dar José Sócrates em alta. Já vi este filme noutra altura. O protagonista era o “homem do diálogo”, o tal que levou o país para o pântano. As sondagens também lhe eram muito favoráveis, até àquela célebre noite em Dezembro de 2001 em que, com ar soturno, veio dizer ao país que era incapaz de continuar a governar.
Por outro lado é muito estranho ver tanta gente na rua em manifestações sucessivas e as sondagens continuarem a dar José Sócrates em alta. Já vi este filme noutra altura. O protagonista era o “homem do diálogo”, o tal que levou o país para o pântano. As sondagens também lhe eram muito favoráveis, até àquela célebre noite em Dezembro de 2001 em que, com ar soturno, veio dizer ao país que era incapaz de continuar a governar.
2006-10-13
Há aqui qualquer coisa que não bate certo
O clima de contestação ao governo que se vê nas ruas, quase todos os dias, difere dos resultados das sondagens que os jornais vão publicando. Então há aqui qualquer coisa que não bate certo, na medida em que as manifestações são reais e visíveis. Os resultados das sondagens, são aqueles que nos dizem ser. Nós acreditamos…
Só agora é que viram?
O que o PS dizia quando estava na oposição
Em declarações à TSF, o candidato à liderança socialista José Sócrates afirmou que a intenção do Governo não é a de promover a justiça social mas “criar um novo imposto sobre a saúde”. “Se o primeiro-ministro quer aumentar as receitas tem uma forma fácil de o fazer que é combater a fraude e evasão fiscal”,
Por seu lado, Manuel Alegre sublinha que a intenção do Governo “visa descapitalizar os serviços públicos de saúde” e “põe em causa o princípio da universalidade” do SNS previsto na Constituição.
João Soares diz concordar com o princípio de “que quem não tem dinheiro não paga”, mas sustenta que a verdadeira intenção do Governo é “abrir a porta para que os serviços de saúde passem a ser pagos”. “O Estado tem que assegurar, e tem todas as condições para assegurar no quadro de uma gestão equilibrada dos recursos, a saúde aos nossos concidadãos e aos imigrantes” que residem em Portugal, concluiu.
Por seu lado, Manuel Alegre sublinha que a intenção do Governo “visa descapitalizar os serviços públicos de saúde” e “põe em causa o princípio da universalidade” do SNS previsto na Constituição.
João Soares diz concordar com o princípio de “que quem não tem dinheiro não paga”, mas sustenta que a verdadeira intenção do Governo é “abrir a porta para que os serviços de saúde passem a ser pagos”. “O Estado tem que assegurar, e tem todas as condições para assegurar no quadro de uma gestão equilibrada dos recursos, a saúde aos nossos concidadãos e aos imigrantes” que residem em Portugal, concluiu.
Autismo
As declarações do Ministro Correia de Campos ontem em entrevista à RTP 1 merecem uma valente repreensão. É que nem toda a gente que ganha pouco ao fim do mês, fuma ou frequenta salas de cinema. O exemplo é infeliz porque é generalizado e mal enquadrado na situação a que se refere.
Mestre Kasparov
Foi de facto um privilégio ver e ouvir a entrevista com o Mestre Garry Kasparov ontem no SAP Forum Business. O ex-campeão do mundo explicou aos presentes a relação que existe entre uma partida de xadrez e as decisões que são necessárias tomar nos negócios e na gestão pública. Para além da sua visão muito concentrada na estratégia e na táctica onde um bom plano tem como sequência uma boa estratégia e uma decisão correcta, Kasparov dissertou sobre a constante inconformidade que um vencedor deve ter na vida. Porque existem muitos mais perdedores do que vencedores, quem vence não deve ver na sua vitória um patamar onde já não é necessário fazer mais nada. Antes deve ser ambicioso e procurar defender essa sua vitória com novas conquistas. Deu como exemplo o momento em que perdeu o campeonato do mundo de xadrez para um seu pupilo. Como ganhou durante muitos anos de seguida, parou de aperfeiçoar a sua técnica, acabando por ser derrotado por quem tendo aprendido consigo, foi capaz de evoluir mais do que o mestre em determinada altura.Por outro lado defendeu a máxima: pior que uma má decisão é não tomar qualquer decisão. Ou seja, de uma má decisão podemos aprender qualquer coisa, nomeadamente o que não fazer. Mas de uma indecisão nunca se aprende nada.
Por fim e em jeito muito informal, Kasparov brincou com a Teoria das Complexidades de José Mourinho (coisa que eu desconhecia) a propósito de uma questão vinda do público. Kasparov acha que o Chelsea ganha muito títulos à custa de «dinheiro roubado do seu país» e que não existe grande criatividade nem mérito a partir do momento em que se tem muito dinheiro para contratar os melhores jogadores do mundo. Segundo ele o mérito é aferido pela criatividade e pela capacidade de criar algo e não através do factor financeiro. Ou seja, não é adepto do Chelsea nem acha que Mourinho seja assim tão bom.
2006-10-10
Para o ano já não vens à Festa do Avante
As bombas deles não são assim tão más
Apesar de não haver nenhuma manifestação programada, o Bloco de Esquerda lá escreveu um comunicado semi-envergonhado condenando os testes nucleares da Coreia do Norte. Digo semi-envergonhado porque a delicadeza das palavras nada tem a ver com a contundência de outros comunicados produzidos quando o visado era o governo dos Estado Unidos da América.
O PCP por seu lado nem uma palavra sobre os seus amiguinhos do peito norte-coreanos. Nem uma vírgula quanto mais uma palavra. Haja coerência e honestidade.
O PCP por seu lado nem uma palavra sobre os seus amiguinhos do peito norte-coreanos. Nem uma vírgula quanto mais uma palavra. Haja coerência e honestidade.
O ruído do silêncio
Eu estava profundamente convencido que o Bloco de Esquerda, o PCP e a ala mais à esquerda do PS (será que ainda existe?) não deixariam passar em claro os testes nucleares norte-coreanos sem convocar uma manifestação ruidosa, algures em Lisboa. A gravidade do ensaio e a ameaça que isso constitui para o mundo ocidental, assim o exigia. Mas estes manifestantes que temos por cá só se incomodam a enviar SMSs a convocar manifestações quando o bombo da festa é George W. Bush. Se calhar concordam com os disparates do presidente iraniano quando afirma que os testes são por culpa do Bush. Afinal de contas, o gato que encontrei atropelado ainda há pouco na Estrada Nacional 125 é da responsabilidade exclusiva do regime bushista e dos seus apaniguados. E de quem mais podia ser?
E por este preço o passageiro vai sentado nas asas?
Faro e Madrid à distância de 1 euro
O negócio das low-costs é surpreendente. O preço dos bilhetes estão cada vez mais parecidos com os de autocarro ou de comboio e nalguns casos são inferiores. No entanto, como dizia há tempos o residente da companhia aérea Portugália, não existem voos de baixo custo, na medida em que colocar um avião no ar, seja de uma low-cost seja de uma companhia de bandeira (TAP; Iberia; Air France; etc…) exige sempre um elevado investimento para que tudo corra bem. É verdade que há um conjunto de serviços que não são prestados a bordo nem em terra que torna o preço do bilhete mais económico, mas os combustíveis, as manutenções, as taxas, os slots, as tripulações e tudo o resto inerente a um voo comercial, tem de ser suportado, independentemente do tipo de companhia aérea. Para falar com sinceridade, não sei se confio nestes esquemas tremendamente baixos. Espero que o facto do bilhete ser muito baixo, não seja à custa de menos cuidado em aspectos vitais para um voo comercial.
O negócio das low-costs é surpreendente. O preço dos bilhetes estão cada vez mais parecidos com os de autocarro ou de comboio e nalguns casos são inferiores. No entanto, como dizia há tempos o residente da companhia aérea Portugália, não existem voos de baixo custo, na medida em que colocar um avião no ar, seja de uma low-cost seja de uma companhia de bandeira (TAP; Iberia; Air France; etc…) exige sempre um elevado investimento para que tudo corra bem. É verdade que há um conjunto de serviços que não são prestados a bordo nem em terra que torna o preço do bilhete mais económico, mas os combustíveis, as manutenções, as taxas, os slots, as tripulações e tudo o resto inerente a um voo comercial, tem de ser suportado, independentemente do tipo de companhia aérea. Para falar com sinceridade, não sei se confio nestes esquemas tremendamente baixos. Espero que o facto do bilhete ser muito baixo, não seja à custa de menos cuidado em aspectos vitais para um voo comercial.
2006-10-09
Ele come tudo e não deixa nada

De facto é uma pergunta interessante. É que à excepção do "grande" líder norte coreano, o resto da população é de facto muito magra. Porque será?
Ele gosta de bombas grandes
Foi há um ano
Faz hoje exactamente um ano que se realizaram as eleições autárquicas. Os resultados são conhecidos e não merecem grandes reparos. Aqui em Tavira, sem surpresas, o PSD ganhou sem margem para dúvidas o que nunca chegou sequer a constituir novidade. A campanha eleitoral foi interessante com muitos melões à mistura. Caiu um mito que na minha opinião nunca chegou a existir. Os partidos ditos pequenos com candidatos mais ou menos conhecidos e desconhecidos, ficaram-se pelas suas pequenas quintas a disputar votos entre si, num desafio que tinha como objectivo ver quem não ficava em último. Os resultados em percentagem foram estes:
Câmara Municipal
PSD – 53,85%
PS – 35,39%
PCP-PEV – 2,90%
BE – 2,14%
CDS/PP – 1,49%
Assembleia Municipal
PSD – 48,65%
PS – 36,87%
PCP-PEV – 4,26%
BE – 3,85%
CDS/PP – 1,56%
Juntas de Freguesia
PSD – 4
PS – 4
Independentes – 1
Câmara Municipal
PSD – 53,85%
PS – 35,39%
PCP-PEV – 2,90%
BE – 2,14%
CDS/PP – 1,49%
Assembleia Municipal
PSD – 48,65%
PS – 36,87%
PCP-PEV – 4,26%
BE – 3,85%
CDS/PP – 1,56%
Juntas de Freguesia
PSD – 4
PS – 4
Independentes – 1
A miopia
No jogo de sábado entre Portugal e o Azerbeijão e não Azarbeijão como aparecia escrito na televisão, ficou com ideia que o árbitro era o Senhor Olegário Benquerença (sem dúvida alguma o nome mais bonitos os árbitros portugueses) mas depois percebi que não podia ser porque uma das equipas era portuguesa e o jogo não era amigável. Mas aquela miopia de não ver a bola bater dentro da baliza fez-me lembrar outros grandes golos que não chegaram a ser validados. O Cristiano Ronaldo merecia melhores vistas porque o golo era de facto fantástico e ficaria para a História do futebol português e da sua carreira.
PGR
Hoje é dia de tomada de posse do novo Procurador-Geral da República. Aquilo que se deseja ao novo titular do cargo é mais sorte do que aquela que teve o anterior mas também mais contenção verbal e sobretudo discrição.
Os tiros da GNR
Não se conhecendo ainda os detalhes do que aconteceu em Gaia entre a GNR e um grupo de jovens que seguia numa viatura roubada, é bom que não passe para a opinião pública a ideia que as forças de segurança apesar de andarem armadas não podem utilizar essas mesmas armar, ainda mais numa situação de impunidade como parecia ser esta. Por se isso acontecer quem sai a ganhar são os prevaricadores e a perder os cidadãos que querem viver tranquilamente e em segurança.
2006-10-05
Congresso da ANMP
Chegar ao Congresso Extraordinário da ANMP e dar de caras com a Fátima Felgueiras não é a coisa mais interessante que nos pode acontecer. Vá lá que a seguir não vi nem o Valentim nem o Isaltino. Se isso tivesse acontecido era caso para dizer que o dream team estava presente.
Quanto ao Congresso propriamente dito foi uma espécie de exorcização governamental, com raríssimas excepções de alguns autarcas que levavam o discurso treinado e encomendado. Muito poucos por sinal. A esmagadora maioria dos autarcas presentes, incluindo os do PS, votar a favor da resolução que contesta a proposta de Lei das Finanças Locais que sobe em breve ao Parlamento para ser votada.
Dos autarcas de Tavira com direito a voto – Presidente da Câmara, da Assembleia Municipal e da Junta de Freguesia da Conceição (autarca do PS eleito em reunião da Assembleia Municipal para participar no Congresso – todos votaram a favor da resolução o mesmo é dizer contra a proposta do governo.
Naturalmente que há um sentimento no ar de que pouco ou nada ira acontecer de positivo. O governo está confortavelmente instalado na maioria absoluta que detém e pode dar-se ao luxo de praticar o quero, posso e mando. O que tanto criticou no passado, nomeadamente nos governos de Cavaco Silva, vai agora exercitar com contornos muito mais gravosos para o Poder Local.
Os tempos que aí vêm vão ser muito duros para as populações locais. As verbas disponíveis não vão ser suficientes para fazer face ao volume de coisas que são necessárias realizar. O Estado como toda a gente sabe, gasta muito e mal. Não é capaz de garantir alguns compromissos que são seus e que os transfere para as autarquias. Coisas ridículas como papel de fotocópias, combustíveis, aparelhos de ar-condicionado, pequenas e grandes manutenções de edifícios estatais, lavagem de viaturas e mil e uma coisas mais. É uma espécie de nó cego que se dá nas autarquias ou como alguém escrevia por aqui: um corte cego para fazer face ao défice.
A ver vamos, como dizia o cego.
Quanto ao Congresso propriamente dito foi uma espécie de exorcização governamental, com raríssimas excepções de alguns autarcas que levavam o discurso treinado e encomendado. Muito poucos por sinal. A esmagadora maioria dos autarcas presentes, incluindo os do PS, votar a favor da resolução que contesta a proposta de Lei das Finanças Locais que sobe em breve ao Parlamento para ser votada.
Dos autarcas de Tavira com direito a voto – Presidente da Câmara, da Assembleia Municipal e da Junta de Freguesia da Conceição (autarca do PS eleito em reunião da Assembleia Municipal para participar no Congresso – todos votaram a favor da resolução o mesmo é dizer contra a proposta do governo.
Naturalmente que há um sentimento no ar de que pouco ou nada ira acontecer de positivo. O governo está confortavelmente instalado na maioria absoluta que detém e pode dar-se ao luxo de praticar o quero, posso e mando. O que tanto criticou no passado, nomeadamente nos governos de Cavaco Silva, vai agora exercitar com contornos muito mais gravosos para o Poder Local.
Os tempos que aí vêm vão ser muito duros para as populações locais. As verbas disponíveis não vão ser suficientes para fazer face ao volume de coisas que são necessárias realizar. O Estado como toda a gente sabe, gasta muito e mal. Não é capaz de garantir alguns compromissos que são seus e que os transfere para as autarquias. Coisas ridículas como papel de fotocópias, combustíveis, aparelhos de ar-condicionado, pequenas e grandes manutenções de edifícios estatais, lavagem de viaturas e mil e uma coisas mais. É uma espécie de nó cego que se dá nas autarquias ou como alguém escrevia por aqui: um corte cego para fazer face ao défice.
A ver vamos, como dizia o cego.
2006-10-04
Congresso
2006-10-02
Momento infeliz
Este é claramente o tipo de insinuação intelectualmente desonesta, que visa tão somente lançar lama sobre o nome de uma pessoa (Manuela Ferreira Leite) que para o autor da dita insinuação tem um defeito grave: é do PSD.
Eu não sei quem é o capitão Ferreira Leite, nomeadamente se se trata de um familiar da Presidente da Mesa do Congresso do PSD. Mas e se for? Isso faz de Manuela Ferreira Leite culpada ou arguida de alguma coisa que tenha ocorrido na Armada? De facto o ódio corrói a serenidade e por vezes até o sentido da responsabilidade das coisas que escrevemos.
Eu não sei quem é o capitão Ferreira Leite, nomeadamente se se trata de um familiar da Presidente da Mesa do Congresso do PSD. Mas e se for? Isso faz de Manuela Ferreira Leite culpada ou arguida de alguma coisa que tenha ocorrido na Armada? De facto o ódio corrói a serenidade e por vezes até o sentido da responsabilidade das coisas que escrevemos.
Lulas congeladas
Lula da Silva vai ser obrigado a uma segunda volta nas eleições o que corresponde de certa forma a um cartão amarelo ao seu mandato, que foi salpicado por casos graves de corrupção e tráfico de influência por parte de pessoas muito próxima do chefe de Estado brasileiro. Ainda ente fim-de-semana, dois analistas insuspeitos, Carlos Magno e Carlos Amaral Dias, falavam com propriedade que o Watergate de Nixon era uma brincadeira de crianças comparado com as patifarias de alguns dirigentes do PT brasileiro. Mas no Brasil já tudo parece normal e sendo Lula da Silva um homem de esquerda, tudo lhe é desculpado ou então relativizado, ao ponto de a as próprias autoridades serem hoje acusadas de “empastelar” as investigações para não prejudicar o candidato do PT nas eleições.
Provavelmente Lula da Silva vai vencer na segunda volta mas pelo menos ficou o susto e a notória certeza que não só não é diferente de alguns antecessores seus, como nalguns casos é bem pior.
Provavelmente Lula da Silva vai vencer na segunda volta mas pelo menos ficou o susto e a notória certeza que não só não é diferente de alguns antecessores seus, como nalguns casos é bem pior.

