2004-12-30

Solidariedade é isto 

O pequeno e pobre país de Timor-Leste contribuiu com 50.00 USD para a ajuda às vítimas do tsunami. São estes pequenos grandes gestos que pequenos grandes países fazem que ficam para a Históra da Humanidade. Timor- Leste sabe como ningúem o que significa a palvara SOLIDARIEDADE.
- BEM HAJAM.

Plataforma? 

O PSD constituiu uma plataforma eleitoral como PPM e o Partido da Terra e em troca disso ofereceu dois lugares elegíveis nas listas de deputados, uma para cada partido. Como toda a gente sabe estes dois partidos não têm qualquer hipótese de eleger deputados, se concorrerem sozinhos. Portanto eu pergunto: - Mas que estratégia é esta de andar a oferecer, a quem não tem nada para dar, lugares elegíveis nas listas? Isto não é uma plataforma eleitoral é um acto de caridade. O PPM e o Partido da Terra não têm expressão eleitoral. Não têm figuras de reconhecido mérito político. Mas será tão difícil ver isto? Já agora o que faz um partido eminentemente republicano coligado com um de natureza monárquica?
Nas eleições para o Parlamento Europeu o PSD perdeu dois mandatos e o seu parceiro de coligação manteve os que tinha e agora vai fazer o mesmo com estes dois micro-partidos. Se isto é estratégia política eu devo ser o rato Mickey.

2004-12-29

Sapo ADSL/PS Algarve 

No nosso Algarve os socialistas sempre se gabaram, com alguma razão, de apresentarem algarvios de gema como cabeças de lista às eleições legislativas. Desta vez isso não acontece. O PS vai apresentar alguém que não reside na região nem tem aqui qualquer actividade profissional ou política. É aquilo a que na gíria política se chama um “pára-quedista”.
Pelo contrário o PSD apresenta Mendes Bota, cuja origem e vivência é do mais algarvio possível.
Ou seja, os socialistas vão ter de engolir o sapo de terem acusado o PSD do Algarve de não ser capaz de apresentar um líder e de se sujeitar à vontade da direcção nacional do partido. Lembro-me bem o que diziam de Faria de Oliveira, António Capucho ou de Fernando Negrão. Resta saber o que vão dizer de João Cravinho. Se calhar tem uma tia em Estoi.
É óbvio que esta solução encontrada pela direcção de José Sócrates reflecte a necessidade de não contrariar as duas sensibilidades existentes no PS algarvio. A decisão é quase salomónica. José Apolinário é despromovido e Miguel Freitas não é promovido.
Se o PS acha que o PSD/Algarve está dividido internamente, ponha os olhos na sua própria casa e não se assuste com o que vê.

Que maravilha 

Alguém linkou deste blogue para o Al(maria)do. Fui ver o que era e:
- Que maravilha.

O fundamental e o acessório 

A constituição das listas de deputados, nomeadamente nos partidos que disputam o Poder, é pautada por impulsos emotivos e raramente racionais. Escolhe-se muitas vezes em função da conveniência, da transacção de interesses, da lógica do aparelho e da paga do favor. São processos dolorosos que deixam marcas e feridas profundas. Algumas dessas feridas levam anos a sarar. Outras nunca saram.
É urgente para a saúde dos partidos e da própria democracia alterar o actual sistema eleitoral, bem como a escolha interna dos candidatos. Isto como está, não está nada bem.
O pára-quedismo político é a negação do conceito de identidade regional. Mas só acontece porque o sistema assim o permite.
Conseguir discernir para além do acessório e deixar para trás o que pouca importância tem, não está ao alcance de todos. Infelizmente valorizasse mais os desencontros da vida e passa-se uma esponja pelos percursos trilhados no esforço, na dedicação e no trabalho.
Na parte que me toca, cada vez tenho menos jeito para jogar estes jogos.

A "tralha" continua 

Cabeças-de-lista do PS às legislativas são já conhecidos

Ou seja, renovação muito pouca e o mesmo vai acontecer nos outros partidos. Há um défice generalizado de novos protagonistas na política.
A má moeda afasta a boa moeda.

2004-12-28

A morte saiu à rua 


A fotografia que se encontra na capa do Jornal de Notícias, ocupa espaço semelhante noutros jornais nacionais de referência e certamente em muitos estrangeiros. Mostra uma imagem da morte. A morte, como o Zeca cantava, saiu à rua num dia assim. Esta foto, certamente, será vista muitas mais vezes ao longo das nossas vidas. A World Press Photo não deixará de a ter em conta.
O que aconteceu na Ásia é provavelmente uma das maiores catástrofes naturais de toda a Humanidade. O Público escrevia ontem que algo semelhante se passou em Lisboa e noutras zonas de Portugal, em pleno século XVIII. Talvez tenha sido assim.
Do outro lado do mundo chagam-nos imagens dramáticas e desoladoras. A mãe natureza sempre bonita mas destruidora, semeou o seu manto de morte, ceifando a vida a milhares de pessoas. Não escolheu classes. Matou os pobres e os ricos. Ela não é selectiva. Simplesmente mata.
Naturalmente que estes acontecimentos obrigam-nos a pensar como seria se fosse à nossa porta. A cerca de 200 quilómetros do Cabo de São Vicente, encontra-se uma falha geológica que ainda há poucos dias se mexeu com alguma intensidade provocando um pequeno mas sentido tremor de terra. Ou seja, o perigo mora ao lado.
Infelizmente nada nos garante que um dia não seja por cá.
Ao post que deixei ontem foi feito um comentário temendo os efeitos que uma catástrofe desta natureza teria no sector turístico. A questão está demasiado relativizada. Uma catástrofe destas não afecta apenas o turismo, afecta tudo e principalmente a vida das pessoas que de uma hora para a outra podem desaparecer. Nestas circunstâncias não se olham para sectores de actividade mas sim pela defesa e salvação de vidas humanas. A actividade turística, como tudo na vida, reconstrói-se passados uns anos. As vidas que se perdem, não.
Phuket era um dos mais belos e exóticos destinos turísticos de todo o mundo. Ninguém tenha dúvidas que de aqui a uns anos voltará a ser o que era. As vidas que se perderam, essas nunca mais regressam.

2004-12-27

Tragédia na Ásia 

Hoje não há condições para escrever.

2004-12-24

E se o Natal fosse todos os dias do ano? 

O período que estamos a viver não tem paralelo com o resto do ano em nada. No melhor e no pior. No melhor porque é nesta altura que temos uma disponibilidade maior de olhar para o próximo e de o ajudar. É no Natal que ocorrem as mais bem sucedidas manifestações de solidariedade entre as pessoas. Quem pede pouco tem, que dá pouco perde.
Entra pela televisão em nossas casas o Natal dos felizes e dos tristes. Dos felizes que aproveitam esta quadra para autênticas orgias de consumo. Compra-se o que faz falta e o que não faz. Dos tristes, infelizmente, ficamos a saber que o Natal não é como o sol. Quando chega não é para todos.
Tentando evitar a lamechice porque alguém virá dizer que é falta de honestidade intelectual e de vergonha na cara, sempre que se dizem coisas óbvias que não agradam a todos e porque esses todos acham-se sempre muito superiores a qualquer outra pessoa, resta-me dizer: ainda bem que há Natal. Mesmo para aqueles que só se lembram da palavra solidariedade nesta altura, o que já não é mau, se não existisse Natal a palavra dar sem nada receber teria muito mas muito menos sentido.
Feliz Natal a todos.

Expresso ou Público? Quem está melhor informado? 

Quercus diz que ministério não conduziu em segredo processo de co-incineração em Outão

O cabeça de lista 

O Expresso escreve hoje que João Cravinho será o cabeça de lista pelo PS no Algarve, nas próximas eleições legislativas. Se isso for verdade, cá o esperamos para uma conversa muito séria.

2004-12-23

Ainda a conversa ao balcão de um café 

Isto era para ser um comentário mas transformou-se em posta a propósito deste assunto.
Eu tenho consciência da minha dimensão que não é suficiente para criar incómodo a quem quer que seja e muito menos ao Sócrates, conforme foi escreito com exagero pelo Daniel Tecelão. Isso (viver ou não com uma pessoa do mesmo sexo, conhecida ou não) é uma assunto que só a ele, Sócrates, diz respeito. Agora como figura pública é normal que surjam comentários a esse propósito. Como tal, limitei-me a transcrever uma conversa de balcão de café à qual achei muita piada pela forma como foi dada a resposta.
As pessoas só vêm fantasmas se quiserem. Para mim é indiferente saber se o senhor é gay ou se é um garanhão. Não me aquece nem me arrefece. O Santana Lopes, por exemplo, está sempre a ser massacrado pelo facto de ter fama de andar com muitas mulheres, o que pelos vistos é uma grande anormalidade. Aliás nalguns sectores, nomeadamente à esquerda, o que é anormal é um tipo ser heterossexual. Uma coisa posso garantir: fosse a conversa de café em relação ao Paulo Portas e isto seria um festival de comentários dos que agora se ofendem, quais virgens pudicas violadas por 5 cabo-verdianos ao mesmo tempo.
Tenham um Feliz e Santo Natal…todos.

Louçã prefere proposta do Governo  

Francisco Louçã afirmou ontem que a "solução do governo (PSD/PP) para a redução e reciclagem de resíduos perigosos é melhor que a co-incineração", proposta pelo líder socialista José Sócrates.
"A queima de resíduos nas cimenteiras só é desejada porque é um negócio das Arábias. Em vez de se criar a "ghetização" de uma parte do país - Souselas e Setúbal -, acho que é melhor ter um plano sério de diminuição da produção de resíduos perigosos e de reciclagem", defendeu à Lusa o dirigente bloquista, durante uma acção de rua, no Largo da Misericórdia, em Setúbal.
Para o BE, o problema está no facto de se ter perdido muito tempo, uma vez que o "governo anunciou os centros de reciclagem durante três anos, mas não as executou". "Ainda não existe nenhum que esteja construído e operacional", frisou Francisco Louçã.
in Jornal de Notícias 23/12/04

Uma conversa que ouvi ao balcão de um café. 

- Epá, então disseram-me que o Sócrates vive com um gajo. Sabias?
- Qual é o problema? Eu quando estive a estudar em Lisboa vivia com dois e sempre nos demos bem.

Arraso 

Alguém viu o arraso que a deputada Helena Roseta levou ontem na Sic Noticias, no debate com o líder parlamentar do PP, Nuno Melo? Até tive pena da senhora.
Foi para lá com o encarte que o governo distribuiu ontem, alegando ilegalidades e fazendo uso desse instrumento fundamental que é a moralidade política, que muitos apregoam mas que poucos praticam. Mal se calou, o deputado de Braga de quem eu não sou grande apreciador, mostrou-lhe um encarte semelhante feito pelo PS numa altura em que o governo estava também de saída. A deputada social democrata/socialista nem queria acreditar. Até pediu para ver ao perto. Começou por dizer que desconhecia, que não tinha reparado, que não prestou atenção na altura, meteu os pés pelas mãos, enfim uma confusão absoluta com a faces a corarem de vergonha. Depois o deputado Nuno Melo ainda mostrou mais umas declarações da sua colega em que fazia duras críticas a José Sócrates, bem ao estilo dela, as quais teve que engolir em seco.
Foi aquilo a que se chama em português popular e futebolístico: “levou todas pelo mesmo lado”.
Gostei, sim senhor. Afinal o PP é capaz de produzir momentos políticos interessantes.

2004-12-22

Vacina para todos 

Neste governo existem situações que correram mal e são noticiadas, amplificadas e até adulteradas de modo a que pareçam pior aos olhos da opinião pública. Por outro lado existem outras que são muito significativas e importantes mas que ninguém ou pouca gente fala.
Hoje foi tornada pública a decisão de incluir a vacina da meningite C, no Programa de Nacional de Vacinação, ou seja de administração gratuita para todos os cidadãos.
Para quem não sabe esta era uma vacina fundamental mas que não estava ao alcance de todas as pessoas. O Estado comparticipava com 40% e o restante, cerca de 35€ cada dose, era suportado pelos pais. Salvo erro, esta vacina é dada às crianças em três fases e competia aos pais irem à farmácia comprar a dita vacina. Ou seja estamos perante um encargo da ordem dos 100€, aproximadamente. Infelizmente há, em Portugal, quem não possa pagar.
Por ano morrem em todo o país algumas dezenas de crianças que são subitamente afectadas pela doença, que se propaga por contágio. Outras tantas sobrevivem mas ficam com sequelas para o resto da vida. Por tudo isto é de realçar esta medida que já devia ter sido tomada há mais tempo e eventualmente por outros protagonistas e não foi. Isso agora também importa pouco. O que interesse é que as crianças que vão nascer em 2005 vão poder usufruir da vacina de forma gratuita.

The party is over 

Bagão Félix parece ter sido um excelente ministro da Segurança Social. Na pasta das Finanças, é discutível.
Não se trata de avaliar as opções políticas que tomou em relação ao Orçamento de Estado, mas à forma como justifica as dificuldades em controlar o défice.
Ainda ontem acusou a anterior ministra das Finanças do governo ao qual pertenceu e onde deve ter tido várias oportunidades de contestar as opções de Manuela Ferreira Leite, de ter tomado opções erradas, as quais inviabilizam agora o controlo do défice abaixo dos 3%. O verdadeiro problema é como diz o ditado: casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. E quem não a tem seguramente é Bagão Félix que aceitou o discurso da descompressão em vez da contenção. De facto, de pouco serve ter o défice controlado e os problemas para resolver com as pessoas a reclamar de bolsos vazios, mas pelo menos seria mais politicamente honesto assumir que ao contrário do que devia ter acontecido, gastou-se acima do previsto. O dinheiro não tem asas. Se se gastou é porque alguém assim o decidiu.

Renovadores nas Listas do Bloco  

É isto que o PCP não vai conseguir parar: a fuga de alguns dos seus ex-militantes para as listas do Bloco de Esquerda.
A progressão eleitoral dos bloquistas não está relacionada com a maior ou menor capacidade de governação dos partidos que disputam o Poder, neste caso o PS e o PSD, mas sim na sangria desatada em que se transformou o PCP, com condições para se agravar.
Militar no PCP nos dias que correm, não é para todos, pelas piores razões.

Prémio “Cabala contra ataca” 

Carlos Silvino Envolve Pedroso e Deixa Abrantes de Fora

2004-12-21

Síndrome BANANA 

José Sócrates está apostado em mostrar que com ele a música toca de forma diferente. Quer que os portugueses vejam que apesar de ter pertencido a um governo com um primeiro-ministro que tinha com principal imagem de marca o medo de decidir e chatear o Zé Povo, ele é diferente.
Como tal insiste com coisas que podem, aos dias de hoje, estar numa fase completamente diferente, como parece acontecer com a co-incineração. A preocupação não é saber se este é o melhor método, é demonstrar que é capaz de tomar uma decisão difícil mesmo que desadequada e fora de tempo.
Eu não conheço o processo, o suficiente, para dizer se co-incinerar é bom ou mau. Estou convencido que não deve ser a melhor vizinhança. Parece-me no entanto que existem outras formas de tratar os resíduos industriais perigosos e que este governo não deixou parar o assunto. Está até em curso um concurso público para resolver o problema. Mas o Sócrates não está preocupado com isso. Mais importante é demonstrar que com ele vamos ter decisões e até quem sabe alguma austeridade.
Ou seja, o homem não quer ser conhecido como o BANANA - Build absolutely nothing anywhere near anybody"
Como tal decidi apresentar três coisas que, apesar de parecerem absurdas, podem ser prometidas aos portugueses para que percebam que com o Sócrates a primeiro-minsitro, não há lugar a “bananices”. As coisas fazem-se independentemente de não fazerem falta ou de chatearem a vizinhança:

1 – Construir uma Central Nuclear no Rossio em Lisboa ou em alternativa na Avenida da Boavista no Porto.
2 – Construir uma estação espacial para enviar foguetões e afins para o espaço, na Costa da Caparica
3 – Construir mais estádios de futebol porque os que existem não chegam. (No barlavento algarvio faz falta pelo menos um, entre Portimão e Silves, algures ao pé do rio Arade para aproveitar a água para regar a relva)

Este blogue está aberto a mais sugestões.

2004-12-20

Novidades cor-de-rosa 

Ontem, os distritos de Setubal e Coimbra ficaram a saber que a co-incineração estará de volta na eventualidade de uma vitória do PS nas legislativas de Fevereiro.
Hoje, o Algarve ficou a saber que a construção do novo Hospital Central do Algarve, não faz parte das prioridades de um governo socialista.
Ena, ena, são só novidades. Continuem assim que eu estou a adorar.

2004-12-19

"Fabulástico" 


Um espectacular CD de música portuguesa, criada pelo génio, precocemente desaparecido, de António Variações.
São 12 temas inéditos que conheçem a luz do dia através das vozes de Manuela Azevedo, Camané e David Fonseca.
Uma excelente prenda de natal.

2004-12-18

Pelourinho de Bronze 


O grande Janeca de Beja, autor de grandes imagens e bonitas palavras, decidiu distinguir o Al(maria)do mais uma vez, através dos seus Prémios Pelourinho. Desta vez foi o Bronze o que muito me honra.
Muito obrigado e um abraço.

Alguém sabe? 

A que propósito é a curiosidade de José Luis Arnaut, em entrevista ao Expresso de hoje, em querer saber o que pensa José Sócrates sobre o casamento entre homossexuais?

Gato por lebre 

No site olhares.com onde tenho algumas fotografias publicadas, está-se a passar uma cena hilariante. Apareceu recentemente um novo membro que dá pelo nome de Patrícia Ribeiro da Costa da Caparica. Alguns dos fotógrafos/membros que comentam as fotografias, têm-se deliciado com a beleza da jovem loura. Eu comecei por achar um pouco estranho. As feições da “rapariga” tinham qualquer coisa de diferente. Tive uma sensação déjà vu. Achei esquisita grande parte das fotografias que mais pareciam de alguém a tentar promover-se, nomeadamente em trajes menores. Eis se não quando, fez-se luz. Eu bem me parecia que já a tinha visto e num programa de televisão, mais concretamente no Herman Sic. A “rapariga” é um rapaz. Um transexual. A maça de Adão numa fotografia em que aparece de biquini cor-de-rosa é inconfundível.
O que estarão a pensar nesta altura os machos que deixaram comentário à “moçoila” do tipo:

- super sensual parabéns!
- Jesus, queres matar-nos do coração, isso não se faz!...belissimo;)
- Vê-se que te orgulhas do corpo que tens. Parabéns Patricia, tens motivos para isso e além desse belo corpo tens uns olhos expressivos que mostram alegria de viver. Ganhaste mais 1 fan.
- Bonita modelo!
- Bom retrato parabéns és muito bonita!Bem vinda ao Olhares!

Pois é rapazes. Isto nos dias que correm o melhor é pensar duas vezes antes de dizer alguma coisa. E se tiverem dúvidas, o melhor é não dizer nada.

2004-12-17

Prémio “E no Pai Natal? Também acreditas?” 

Pôncio Monteiro acha possível candidatura de Pinto da Costa

TC chumbou pergunta do referendo à Constituição Europeia 

Clap, clap, clap, clap. (São aplausos)
Acho muito bem.
A pergunta tal qual como estava feita só merecia esta decisão.

Prémio "Candidatura dourada" e "povo que lavas no Rio" 

Pinto da Costa não exclui candidatar-se à Câmara
in Correio da Manhã (17/12/04)

Prémio "Vai e não voltes" 

Cinha vai para a estrada
in Correio da Manhã (17/12/04)

2004-12-16

Prémio “para o PSD correu mal, para nós correu muito bem” 

Coligação nas Europeias e Açores «correu mal», diz Portas

Desatento 

Fiquei a saber que o actual PS, em determinadas matérias, já não pode criticar o PP e o seu líder.

Prémio “Vão à missa e portem-se bem” 

"As pessoas de centro-direita têm de perceber que têm de ser disciplinadas"

Paulo Portas in Público 16/12/04

Pequeno almoço 

Nada como acordar cedo, ligar a televisão e assistir a um “interessante” debate ocorrido na Assembleia Regional da Madeira com os líderes das bancadas do PSD e do PS a enxovalharem-se um ao outro. Não me venham dizer que a culpa é só de um ou do outro. É dos dois. São ambos maus, muito maus.

Boas notícias na blogosfera marafada 

O Notas Soltas e o Quadrante parecem estar de volta e como tal regressam às Recomendações de onde saíram por falta de actividade.
Força moços.

2004-12-15

Acordo e lealdade 

A direcção do PSD está convencida que o acordo ontem assinado é vantajoso para o seu partido porque amarra o CDS a um compromisso de não viabilizar um eventual futuro governo PS. "O PP é morto se fizer acordos pontuais com o PS", diz um dirigente do PSD, que defende que quem ganha em toda a linha com o acordo ontem assinado são os sociais-democratas. A tese é a de que, em caso de obterem maioria nas eleições, têm garantida a governabilidade e, no caso de o PSD passar à oposição, julgam ter a garantia de que o PP não viabiliza um governo PS, ou orçamentos do governo PS.
in Publico – 15/12/2004

É exactamente isto o que eu penso sobre o acordo de ontem. Aliás alertei na semana passada para o facto de o PP “à solta” e o PS sem maioria absoluta e tínhamos as condições necessárias para uma mistura explosiva que muitos acham improvável mas eu acho possível. Assim fica o compromisso que podendo ser rasgado, deixaria os populares numa situação de grande fragilidade.

Há quem diga que o PP foi leal na acção governativa e na própria estabilidade da maioria parlamentar. Era só o que faltava que não fosse. Foi para o governo em condições que não estava à espera, foram-lhe dadas pastas importantes, teve a oportunidade de nomear militantes seus para a administração pública, contratou assessores a peso de ouro, nas eleições europeias manteve o número de mandatos ao contrário do PSD que foi severamente prejudicado, na constituição do governo após a saída de Durão Barroso reforçou a sua presença e ainda ficou com a pasta das Finanças, obrigou o PSD a não resolver a questão do aborto, ou seja, o PP teve tudo a seu favor e de acordo com a sua conveniência. Recebeu muito mais do que deu em troca. Teve condições que pelos seus meios nunca as alcançaria. Assim não admira que tivesse mantido a lealdade.
Faz-me lembrar a malta a discutir futebol nomeadamente quando os jogadores da sua equipa não jogam bem e ganham muito: - Eu? Com o dinheiro que eles ganham por mês até comia a relva.
Naturalmente. Mais faltava.

Cuspir na sopa 

Na falta de oportunidade de ontem, digo-o (escrevo-o) agora.
Há uma coisa que dificilmente alguém um dia ouvirá da minha boca: dizer aquilo que não penso e gostar daquilo que não gosto, só por conveniência.
O politicamente correcto nos dias que correm dentro do PSD é não hostilizar o CDS/PP e atacar o Presidente da República. Isso dá palmas e proporciona bons discursos. Acontece que não é essa a minha opinião e não vou mudá-la.
Só cospe na sopa quem a aceitou comer. Eu nunca a comi. Recusei o “prato” quando me puseram em cima da mesa. Desde a primeira hora que digo o mesmo sobre o CDS/PP e não serão as actuais circunstâncias que me farão mudar de opinião. Até fiz mais. Visto que tinha pertencido à lista de candidatos nas últimas legislativas, disse, antes do tempo, que não estava disponível para as integrar de novo, numa lógica de coligação. Hoje acrescento que quem tem reservas sobre o que se está a passar deve dar o seu lugar a outros que se sentem mais à vontade e em consciência para aceitar esse desafio.
O meu lugar será a fazer campanha como sempre fiz, pelo partido em que acredito, independentemente de quem são os candidatos. Isto, para mim, é que é militar num partido. Eu não fico em casa só porque o candidato é o Manuel, o António ou o Francisco.
Como tal meu caro Nuno, cuspir na sopa, nunca. Não a comer, naturalmente que sim. Mas a sopa é apenas um dos pratos. Existem outros. E esses eu como. Por exemplo a sobremesa: laranja algarvia.

Nota: Eu nem para o chão cuspo, quanto mais para a sopa.

2004-12-14

José Sócrates desmente possível entendimento com Bloco de Esquerda 

Porra que nem deixam um gajo respirar.
Das duas uma. Ou Sócrates leu o Al(maria)do e percebeu que um acordo com o Bloco de Esquerda lhe daria uma conotação estranha na defesa daqueles que têm um grão de areia na asa, ou então está convencido que pode chegar à maioria absoluta sozinho. Se calhar aquele seu camarada de partido que faz sondagens segredou-lhe alguma coisa ao ouvido.
Ainda há uma outra possibilidade. O Sócrates percebeu que mostrar o Bloco de Esquerda ao eleitorado, antes das eleições, é meio caminho andado para a asneira. Também existe a possibilidade do tal socialismo católico, aquele que se opôs à despenalização do aborto e que olha para o Bloco com muitas reservas, ter feito ver ao secretário-geral do PS que este acordo lhe retiraria qualquer possibilidade de ascender ao Reino dos Céus.
São tudo suposições. Mas uma coisa é certa: o PS nem deixou a notícia respirar. Matou-a à nascença. O Bloco de Esquerda que tente perceber o porquê.

Socialistas rejeitam PCP mas aceitam Bloco 

Isto corresponde, grosso modo, à coligação que governou o país nestes últimos dois anos, mas à esquerda. Ainda assim pago para ver.
O Bloco de Esquerda depois de ter passado a fase da sua implantação, aspira agora a ser Poder. Quer governar, quer ter ministros e secretários de Estado. Quer ter Chefes de Gabinete, assessores de imprensa e outros cargos inerentes às funções governativas. Ao fim e ao cabo quer tudo aquilo que nunca teve e sempre contestou.
Se isto não fosse um assunto sério eu até achava alguma piada ver esta mistura explosiva entre socialistas e bloquistas, nomeadamente quando o PS tem como secretário-geral uma pessoa distante da linha dura, agressiva e por vezes insolente do Bloco de Esquerda.
Gostava de ver as ruas do meu país transformadas em Gay Parades bem ao jeito bloquista, perante o olhar boquiaberto de um PS refém a fazer de contas que o problema não lhe diz respeito. A ala guterrista do socialismo católico deve achar muita piada a esta possibilidade de entendimento.
Quem acha que vai ter estabilidade governativa com o Bloco de Esquerda, deve também estar convencido que o Moreirense vai ganhar a Super Liga este ano.
Esta possibilidade de coligação com o Bloco pode também ter outra leitura, na captação de eleitores para os socialistas. Qualquer coisa do tipo:

- Se não queres ver o Bloco de Esquerda no Governo, vota PS e dá-nos uma maioria absoluta. Assim já não precisamos do Chico Anacleto Louçã para governar.

Faz sentido.

2004-12-13

Pequeno abalo sísmico registado em Lisboa e Vale do Tejo 

E no Algarve também, onde aliás parece ter sido o epicentro.

Certeza 

A única certeza que existe sobre as próximas eleições legislativas é que o próximo primeiro-ministro não será de esquerda, ganhe o PS ou o PSD. E isso já não é nada mau.

Pastelaria Restelo Azul 

Grande promoção nos pastéis de Belém: Pague 1, Leve 4.

2004-12-12

FCP 

O Futebol Clube do Porto sagrou-se hoje, pela segunda vez, campeão da Taça Intercontinental. É um feito notável e que não pode deixar nenhum português de bom senso insatisfeito, mesmo os que não gostam e até detestam futebol.
Esta vitória acontece numa altura em que o FCP, nomeadamente o seu presidente, vivem sob suspeita de crimes de corrupção no plano desportivo. E isto serve para dizer o seguinte:

1 – Ninguém põe em causa que o FCP foi, nos últimos 15 anos, o clube de referência em Portugal. Foi o que venceu mais títulos nacionais e internacionais. Em duas épocas consecutivas sagrou-se campeão da UEFA e da Liga dos Campeões o que se resume a um grande feito desportivo.

2 – Durante estes mesmos 15 anos, o FCP revelou alguma supremacia mas nunca deixou de transparecer que em momentos chave do seus percurso a nível nacional, aconteciam coisas estranhas nos jogos em que entrava ou nos dos clubes que contra si disputavam o título de campeão nacional, nomeadamente o Benfica e o Sporting. Eram casos a seguir a casos, onde até uma criança de 6 anos era capaz de perceber que, em determinadas circunstâncias, o FCP era beneficiado e os outros dois rivais eram prejudicados.

3 – Em altura determinantes em que estavam em causa resultados que podiam decidir o posicionamento dos clubes rivais em detrimento do FCP, lá surgiam aquelas arbitragens que entre outras coisas permitiam que: os jogadores portistas jogassem à vontade sem serem castigados e o contrário em relação às equipas adversárias que eram carregadas com cartões amarelos e vermelhos; os lances duvidosos de grandes penalidades que só o árbitro via fossem apontadas e o contrário para as equipas adversárias; golos validados precedidos de fora de jogo ou faltas mais ou menos notórias.

4 – Não é correcto dizer que só o FCP era beneficiado pelas arbitragens. Regra geral os três grandes clubes de Portugal são mais vezes beneficiados que prejudicados. É quase uma questão de mentalidade. Mas é nítido para qualquer pessoa, que o FCP foi o mais beneficiado ao longo destes anos todos, mesmo quando não lhe fazia falta.

5 – Não é por acaso que Pinto da Costa foi constituído arguido. Pode até nem acontecer nada. Pode até não se conseguir provar a sua culpabilidade. Mas perante o olhar atento da opinião pública e perante aqueles que olham para o fenómeno desportivo, é por demais evidente que este fumo deve corresponder a algum fogo. Faça-se um apanhado do que foram os principais casos na arbitragem nacional nos últimos 15 anos e analise-se quem foi beneficiado e prejudicado e em que condições.

6 – O FCP tem revelado em campo que é a melhor equipa portuguesa. Mas as circunstâncias têm-nos provado igualmente que existe na memória de cada um de nós mais do que um momento em que, numa fase capital, as coisas correm bem sempre para o mesmo lado. Os títulos internacionais que o FCP venceu são de grande mérito. Alguns campeonatos nacionais em que terminou em primeiro lugar, não.

7 – Espero que a Justiça apure toda a verdade sobre as razões que só os bastidores sombrios do futebol português conhecem. Mesmo que isso implique o FCP nem tão cedo voltar a ter o percurso de glória que teve nos últimos 15 anos. É melhor termos uma competição disputada com o rigor da verdade desportiva mesmo que o seu vencedor não seja capaz de almejar os títulos internacionais que o FCP consegue do que o contrário. Pelo menos existe verdade.

8 – Em todo o caso: PARABÉNS FCP POR MAIS UMA GRANDE VITÓRIA.

Clarificação 

A demissão do governo é uma medida acertada. Apenas peca por tardia. Devia ter acontecido no dia a seguir em que o país ficou a saber, pela boca do primeiro-ministro, que o Presidente da República ia dissolver a Assembleia. A encruzilhada era muito maior, mas a clarificação política também.
Assim assistimos a um triste espectáculo parlamentar da aprovação de um orçamento que está comprometido se o PSD não vencer as eleições. Um orçamento que aumenta as pensões de reforma e os funcionários públicos, medidas contra as quais a oposição votou.

2004-12-10

Para debate 

É possível debater a decisão de Sampaio sem o atacar de forma desproporcionada. Um leitor deste blogue deixou este comentário que me parece pertinente e por isso decidi transformá-lo em post para que o debate sobre a decisão do presidente possa prosseguir.

Concorde-se ou não, com a decisão do presidente, esta terá sempre que ser aceite.Ainda assim, parece que ficam no ar algumas questões e dúvidas.Temos que:

1º- Os dois partidos que suportam a maioria, disseram ao Senhor Presidente que não concordam com a dissolução da Assembleia da República, e estes representam a maioria dos votos expressos pelos eleitores, nas últimas eleições.- Claro que esta opinião nada pesa já que a decisão está tomada e anunciada.

2º- O Conselho de Estado, composto por reconhecidas figuras, vai ser escutado e vão dar a sua opinião. Em termos meramente teóricos, poderia acontecer um empate de opiniões, entre os seus membros e alguns ou a metade poderiam não concordar com a dissolução da Assembleia da República.

- Claro que esta opinião nada pesa já que a decisão está tomada e anunciada.
Não sei realmente o que vai este pessoal lá fazer, já que num contexto de dissolução a sua opinião é irrelevante.


Por outro lado, o Sr. Presidente nem sequer pensou na possibilidade de demitir o Executivo para «assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas». Foi directo para a medida mais grave, ainda que a maioria parlamentar estivesse estável e em plenas funções.

Sem choros a coisa vai mesmo acontecer, mas não se pode apagar tudo com uma borracha; a decisão pode ser atacada, pode ser contestada; existiam outras formas de “ salvar o pais “, e o PR não é o dono de toda a verdade nem de toda a razão.A memória é curta, enquanto candidato do PS a diversos cargos e nos que ocupou cometeu erros, disse o que não devia, perdeu eleições, foi atacado e contestado internamente.

O facto de se ter tornado PR não mudou o homem nem o político, a capa de PR não apaga anos e anos de combate político, de convicções nem afasta as amizades e simpatias

RH


Olhos que não vêem 

Tenho alguma pena que o PSD não entenda que os ataques que produz contra o Presidente da República, revertem em seu (PSD) prejuízo.
Morais Sarmento atirou ontem mais uma acha para a fogueira. Ainda ninguém lhe explicou, com muita pena minha, que por cada ataque ao Chefe do Estado, o PSD perde votos que lhe vão fazer muita falta. Se o PSD tem a ambição de conquistar algum espaço ao centro não é desta forma. Quem está contra a decisão de Sampaio é o eleitorado tradicional do PSD e do PP e esse, à partida, não mudará o sentido de voto.
É impossível que a generalidade dos estudos de opinião estejam viciados nomeadamente quando concluem que os portugueses concordam com a dissolução do parlamento e que Jorge Sampaio é o mais considerado político do nosso país, por quem as pessoas têm mais respeito e admiração o que também deriva da natureza do cargo.
Insistir nos ataques ao Presidente da República é um erro estratégico que trará consequências inevitáveis. Não é contra Sampaio que o PSD vai disputar as eleições.

Camarate 

As coisas que se vão sabendo relacionadas com o Caso Camarate que vitimou Sá Carneiro e Amaro da Costa são arrepiantes.
Cada vez parece mais provável a tese de atentado onde o alvo a abater era o então Ministro da Defesa e não o Primeiro-Ministro.
É uma pena que passados todos estes anos as investigações estejam na fase em que estão. O que seria razoável era, na presunção que houve de facto um crime, que os culpados estivessem há muito a cumprir a pena. Pelos visto andam por aí à solta, a rir-se de tudo isto e, se calhar, com os bolsos cheios de dinheiro.
Mas como alguém uma vez disse: a verdade não prescreve.

2004-12-09

Férias 

O sindicato dos trabalhadores dos Correios marcou uma greve para hoje e para amanhã.
Naturalmente que o facto de ontem ter sido feriado é apenas uma coincidência, conforme acontece com todas a greves convocadas para vésperas de feriados e dias seguintes ou ainda junto ao fim-de-semana.
O movimento sindical só tem um objectivo: dignificação da classe operária, nada mais.

Escadas 

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(Praia do Barril - Outubro de 2004)

2004-12-08

A consequência 

Na política os actos devem estar associados a consequências. Se o PSD ganhar as eleições em Fevereiro, Jorge Sampaio deve tirar daí as devidas consequências de ter dissolvido o parlamento. Seria uma situação inédita, é certo, o Presidente da República não chegar ao fim do seu mandato.
Até lá só nos resta respeitar a sua decisão sem cair no erro de o atacar publicamente, como os seus amigos de esquerda fizeram em Julho passado.

2004-12-07

Silêncio 

Há uma semana atrás o país ficou a saber, através do primeiro-ministro, que o Presidente da República ia dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas.
Passaram oito dias e ainda ninguém ouviu uma explicação em concreto das razões que na minha opinião são subjectivas, conforme já tive a oportunidade de escrever.
Acho que nem o pior governo merece uma situação destas, de silêncio gerido ao milímetro, em que aparentemente tudo está como sempre esteve.
A decisão de Jorge Sampaio não me surpreendeu. Mas surpreende-me e muito, esta gestão do tempo feita com contornos desconhecidos. É certo que o Conselho de Estado ainda não se reuniu e que os partidos ainda não foram ouvidos. Mas o que importa isso para uma decisão que já foi tomada e comunicada a todo o país pelo primeiro-ministro?
Vai por acaso Jorge Sampaio mudar de opinião? Não seria mais correcto dizer: vou dissolver a assembleia por estas e aquelas razões? Isto é que é o normal funcionamento das instituições do Estado?
Por fim a questão fundamental: Fosse um governo do PS e as coisas estariam tal e qual como estão com o Presidente da República a agir desta forma?
Quem quiser que responda. A minha imaginação não dá para mais.
O que Sampaio merecia era que o PSD ganhasse as eleições de Fevereiro, o que é naturalmente difícil. Se fosse fácil ele, Sampaio, não dissolvia a Assembleia da República.

Caro amigo Álvaro Viegas 

Vi os teus comentários em jeito de resposta a quem citou o teu nome e fez um relato do teu percurso político, associativo e profissional.
Eu sou de alguma forma testemunha do teu percurso político e associativo, até porque já nos conhecemos há alguns anos. Quanto a divergências, elas são naturais. Não te tenho por má pessoa, muito pelo contrário.
O teu nome surgiu aqui por razões que provavelmente não desconheces. Não fui eu que o coloquei.
Em relação aos comentários e às repostas que decidiste dar, dou-te metade da razão. Uma pessoa não identificada decidiu fazer o historial, um pouco pela negativa, do teu percurso. Reagiste. Foi a tua vontade. Estás no teu direito. Mas o problema é outro.
Como deves saber a Internet deixa rastro. As plataformas digitais têm esconderijos mas também têm alguma transparência. Por esse motivo fico triste ao ver que o teu IP, aquele que utilizaste neste comentário, é precisamente o mesmo que aprece neste e neste e também neste. Se tiveres dúvidas posso te mostrar. Tenho isso guardado e não te escondo que não fiquei surpreendido, porém triste.
Não percebo o interesse e muito menos a razão. Não tenho a pretensão de comparar a minha falta de currículo ao teu que é muito vasto conforme foi aqui demonstrado por ti. Sou apenas um militante de base e tu um deputado da nação. Não há lugar a comparações. Nunca as fiz, de resto.
Também não percebo porque insistes em pedir que me demita de cargos para os quais fui eleito democraticamente e por voto secreto. Deixa-me ser eu a tomar essa decisão. Não preciso que me empurres.
De resto na política nunca me preocupei demasiado com currículos e percursos bonitos. Procurei sempre estar tranquilo com a minha consciência e manter a independência de dizer o que sinto e o que penso. Acredita que teria sido muito mais fácil para mim apoiar uma lista diferente para a Distrital e ficar calado perante este cenários quase dantesco em que se transformou o PSD na última semana. Mas eu não sei fazer isso. Talvez me falte inteligência. Mas se eu, tal como tu, tinha sérias reticências em relação à anterior Distrital, porque haveria de a apoiar?
Em todo o caso quero te dizer que apesar destes comentários que foram feitos, não os levo a mal. Para isso tinha que ter levado a mal o e-mail que foi entregue por ti à secretária do Drº Durão Barroso em Agosto do ano passado. Para mim tudo isto são incidentes envolvendo sempre a mesma pessoa mas como viste na última vez em que nos encontrámos, estendi-te a mão e cumprimentei-te educadamente. E é isso que vou continuar a fazer se estiveres de acordo.
De uma coisa podes ter a certeza, se alguém roçar o insulto em relação à tua pessoa, assim que tiver conhecimento, retirarei o comentário.
Um abraço.

2004-12-06

Às pessoas que se preocupam comigo 

O Al(maria)do sofre cada vez que o PSD entra em convulsão. Primeiro foram as eleições para a Distrital do Algarve. Agora é pela crise política surgida.
Mais uma vez estão a aparecer comentários anónimos com referências a pessoas bem identificadas. Espero que pelo menos não desçam ao ponto do insulto como aqui já aconteceu, sem o meu conhecimento prévio.
No entanto há um comentário que me parece interessante porque se revela repetitivo e visa a minha pessoa. Este.
Ou seja, alguém (que eu estou careca de saber quem é) acha que eu devo demitir-me da Distrital por não concordar com a coligação. Já antes, esse alguém, tinha-me desafiado a uma demissão da concelhia, se a Drª Isabel Soares vencesse as eleições para a Distrital, nomeadamente em Tavira. Não só não ganhou como foi na concelhia tavirense que obteve o seu pior resultado em termos proporcionais o que deixou essa pessoa (o alguém que faz comentários anónimos) muito desgostosa e inconsolável.
Eu normalmente não me demito das coisas que faço e para as quais fui eleito em função de resultados que não dependem de mim. Para me demitir tenho que sentir que estou a mais ou que a minha participação não é a suficiente para atingir determinados objectivos colectivos.
Na Distrital Alargada do PSD/Algarve na sexta-feira passada, disse tudo o que pensava sobre estes assuntos da actualidade, nomeadamente a coligação com o PP. Estive praticamente isolado nas minhas preocupações, mas não deixei de as dar. Votei até contra a posição do PSD/Algarve sobre estas matérias, sem qualquer reserva de consciência. Ter uma opinião diferente não é delito. Eu sou militante de um partido, aceito os seus estatutos e a sua disciplina e como já disse vou à luta.
Eu preferia que o PSD fosse sozinho às urnas mas se não for, é porque a maioria das pessoas decidiram de maneira diferente. Em democracia isto é normal.
Também já o disse que, na minha opinião e apesar dos problemas que aconteceram, Pedro Santana Lopes é melhor que qualquer um dos líderes da oposição. Logo, qualquer um deles, dará um pior primeiro-ministro que o actual.
Agora, também acho que o líder do PSD tem pela frente um grande molho de brócolos, o qual não sei se conseguirá dar conta. Talvez tivesse sido mais razoável ter-se afastado pelos seus próprios meios abrindo a possibilidade a uma outra opção menos emotiva e mais racional.
Como vêm, não há dramas. Tudo claro, tudo transparente e com a minha assinatura em baixo para que não haja dúvidas no que escrevi.

No Abrupto 

Estou inteiramente de acordo com o que escreveu Pacheco Pereira aqui.
A reacção das distritais é mais emotiva que racional.
Quando chegar a altura de arrumar as listas, a coisa vai complicar-se e muito. Já o escrevi um pouco mais abaixo.

Levanta-te e ri 

Talvez muita gente ache este cenário absolutamente surrealista ou sem sentido. Mas, se não houver entendimento pré-eleitoral com o PSD, eu acho que:

O PP é partido para se coligar com o PS, caso este não tenha maioria absoluta.
O PP não o precisa de o fazer a título da formação do governo mas se o fizer também não me espanta.
O PP alinha com quem lhe der corda.
O PP não é flor que se cheire.

Podem os socialistas vir agora dizer que o PP é de extrema-direita e que com ele, jamais. Eu não estou tão certo disso e os últimos tempos têm-nos mostrado que a política é um fenómeno imprevisível com desfechos inesperados.
Num caso de incerteza e instabilidade, o actual PS está mais próximo do PP do que do PCP ou do Bloco de Esquerda.
Isto sim. Dava para rir durante seis meses de seguida.

Façam a vontade ao menino 

O que se lê na imprensa de hoje sobre as exigências de Paulo Portas para fazer um acordo pré-eleitoral, não me espanta. Só tenho pena que o PSD esteja de mão estendida à espera de uma decisão do Largo do Caldas, como se isso fosse importante.

Ele, Paulo Portas, quer 14 deputados, salvo erro os mesmos que tem agora. Obviamente que estes 14 deputados estão muito acima daquilo que obterá se concorrer sozinho. Mas isto revela bem o que tem sido esta coligação e o que Portas pensa sobre a mesma. Só interessa se lhe trouxer benefícios partidários. Quando fala no país e nos superiores interesses do Estado não está a falar mais do que nos do seu partido e do seu umbigo.

Um acordo pré-eleitoral para as legislativas de Fevereiro será um golpe de misericórdia na história e no orgulho das bases do PSD. Os conselheiros nacionais que aprovaram esta estratégia fizeram-nos numa reacção emotiva de quem quer estar ao lado do líder nesta hora particularmente difícil. Racionalmente, esta decisão não faz sentido.

Já estou a ver o PP a tentar colocar em lugar elegível militantes seus. Provavelmente no Algarve, onde não conseguem eleger ninguém, tudo farão nesse sentido.

Quando aqueles que têm expectativas de ir nas listas se aperceberem que não têm lugar porque foi necessário satisfazer as condições do PP, nessa altura não me admira que também sejam contra a coligação. Eu já o sou e não vou mudar de ideia.

2004-12-05

Vejam como são as coisas 

Há menos de um mês, o Congresso do PSD levantou-se em peso quando o nome de Cavaco Silva foi citado como o melhor para se candidatar a Belém.
Um pouco antes, no Algarve, Mendes Bota era visto como o inimigo público número um de Cavaco e mereceu até honras de carta aberta escrita por um ex-assessor do ex-primeiro-ministro. Dizia-se que a vitória do actual líder do PSD/Algarve prejudicava a candidatura presidencial de Cavaco Silva.
Hoje, abrimos os jornais e lemos isto.
Como um amigo meu costuma dizer: quem não tem memória não tem futuro.

Listas coligadas 

Em 2002 fui candidato a deputado nas listas que o PSD no Algarve apresentou às eleições legislativas. Fui num lugar modesto, apesar de ter tido mais votos dentro do partido do que algumas pessoas que foram à minha frente, bem como de uma que está actualmente em funções na Assembleia da República.
Como não tinha quem fizesse pressão junto do líder em Lisboa, aceitei ir no lugar que me foi proposto, sendo certo que não estava nas minhas prioridades e ambições mais imediatas deixar o que estava a fazer na altura. Compromissos são compromissos.
Hoje, num cenário de listas coligadas com o PP e depois de tudo o que disse sobre essa matéria ao longo deste tempo, como é óbvio não estou disponível para participar na lista de candidatos e digo-o agora quando o assunto ainda não está em cima da mesa. Não vou à procura de saber sequer, quais são as minhas possibilidades.
Em política a coerência tem um preço. Eu estou disponível para pagar esse preço.

Masoquismo 

Conselho Nacional dá luz verde a coligação pré-eleitoral

2004-12-04

A minha visão da "Crise Política" II 

1 – Se o que levou Jorge Sampaio a decidir-se pela dissolução da Assembleia da República é apenas o que se sabe, na minha opinião parece pouco. Logo estou convencido que existem outras circunstâncias que um dia a história se encarregará de contar. A saída de Henrique Chaves, por si só, não é motivo para mais que não sejam umas páginas de jornais no dia seguinte. O problema é que este foi apenas mais um episódio de uma percurso demasiado comprido de coisas menos felizes.

2 – A decisão do PR parece ter contornos sui generis. Primeiro avisa que vai dissolver, depois decide ouvir os partidos e o Conselho de Estado. Para que servem estas consultas após a decisão tomada? Não teria sido preferível fazer ao contrário, ou seja ouvir primeiro e decidir depois? Vamos colocar a situação hipotética e meramente académica que o Conselho de Estado opinava na sua maioria em sentido contrário. Que faria Sampaio? Voltaria atrás? Mantinha a decisão?

3 – O Governo, sem intenção, deu um conjunto de motivos, subjectivos, ao PR para dissolver a Assembleia da Republica. Pedro Santana Lopes formou uma equipa governamental heterogénea com bom e menos bons ministros e secretários de Estado. Se por um lado conseguiu trazer para a linha da frente do combate político um conjunto de personalidades de grande valor, misturou-as com outras cujo único motivo para integrarem o Governo foi o facto de serem amigas do primeiro-ministro. Há, no meio de gente de grande qualidade, pessoas que não são capazes sequer de ganhar as eleições para administradores do condomínio do prédio onde vivem.

4 – O primeiro-ministro, em determinadas circunstâncias, esteve aquém daquilo que é exigido para o desempenho do cargo. Por vezes pareceu ter havido pouco sentido de Estado e de responsabilidade. Usar a tribuna de uma autarquia numa cerimónia em que está em funções de Estado para responder aos críticos do seu partido, é um acto pouco feliz e, provavelmente, completamente inédito. Não faltam a Pedro Santana Lopes locais onde fazer aquele tipo de intervenções.

5 – O Governo nestes últimos quatro meses não teve coordenação política, muito pelo contrário. Organizou mal as tomadas de posse, em tempo de contenção formou um Governo enorme cheio de mordomias e muitas nomeações controversas, poucos dias depois de tomarem posse alguns ministros e secretários de Estado abalaram para férias depois do país ter vivido o flagelo dos incêndios, o início do ano lectivo foi marcado pela completa balbúrdia num processo que vinha de trás e que continua mal explicado, alguns ministros fizeram mais disparates do que coisas certas nomeadamente Gomes da Silva e Nobre Guedes, foi pedida a intervenção da Alta Autoridade para a Comunicação Social afim de se pronunciar sobre os comentários de Rebelo de Sousa na TVI mas depois não se aceitaram as conclusões num processo que fragilizou o governo e o PSD, o PP em vez de ficar quieto perante o sentir das bases do PSD respondeu com ultimatos o que levou o primeiro-ministro a segurar a coligação in extremis, foi feita uma remodelação ministerial inconsequentes com o objectivo de resguardar um ministro que cada vez que aparece em público surge um sarilho e, por último, poucos dias depois um desses ministros remodelado bateu a porta com estrondo e chamou mentiroso e desleal ao primeiro-ministro. Em abono da verdade cada uma destas coisas não chegam para dissolver a Assembleia, mas todas juntas aliadas a uma divergência notória na política financeira e orçamental do país, formaram a gota de água que fez transbordar o copo de Sampaio.

7 – O artigo de Cavaco Silva é tão pertinente quanto real. Há muitos políticos incompetentes na hierarquia do Estado que acabam por afastar outros mais competentes. A consequência mais correcta deste artigo era a disponibilidade para agarrar a situação. Cavaco Silva não está disponível, para grande sorte da oposição e grande azar do PSD. Ao contrário do que vi escrito nos últimos dias, o ex-primeiro-ministro não prestou um mau serviço ao partido. Talvez tenha até feito o contrário mas isso, só o tempo o dirá. A ideia de o fazer passar de bestial a besta é um erro crasso de falta de imaginação e de argumentos capazes de rebater aquilo que honestamente pensou e escreveu.

6 – Aquilo que Pedro Santana Lopes devia estar a fazer nesta altura era a arrumar a casa e começar a governar. Não é isso que vai acontecer. Vai disputar umas eleições em circunstâncias muito difíceis. Tinha como alternativa sair pelo seu próprio pé e dar lugar a uma alternativa que não passasse pela emotividade circunstancial das bases mas antes pela frieza e serenidade de uma decisão que não sendo imediata permitia olhar o futuro com outra perspectiva.

7 – A ideia de uma coligação pré-eleitoral com o PP é o maior dos erros. Mais do que nunca, o PSD deve concorrer sozinho. Se a legislatura tivesse chegado ao fim, faria sentido analisar a questão. Hoje, o PSD tem uma oportunidade de se ver livre de quem tanto o prejudicou nas eleições para o Parlamento Europeu, cujos resultados são por todos conhecidos, bem como na possibilidade de resolver um conjunto de problemas sociais onde o melhor exemplo é a despenalização do aborto. Listas coligadas não serão mais do que levar a reboque candidatos populares que em listas separadas teriam votações ridículas e nunca seriam eleitos. É o pior dos erros.

8 – Posto isto quem está, está. Quem não está, o melhor é não atrapalhar. O PSD deve disputar as próximas eleições como se fossem as mais importantes de sempre. O que surge do outro lado da barricada é a tralha guterrista que ficou à superfície do pântano e não se afundou no escuro das trevas, aliada à extrema esquerda ortodoxa do comunismo e à anarquia, insolente e irresponsável de um bloco da esquerda chique e urbano.
Por tudo isto vou à luta. Esta não é a situação ideal mas para quem aceita os estatutos e a disciplina do partido e se propõe como dirigente local e regional, não pode agora ficar em casa a assistir às eleições pela televisão.

2004-12-03

A minha visão da "Crise Política" 

Este blogue não é, nem nunca foi, partidário. É meu. Pessoal e intransmissível.
Hoje tenho mais responsabilidades partidárias do que tinha há umas semanas atrás. Sou militante e dirigente do PSD de Tavira e do Algarve. Como tal, antes de dizer aqui o que penso sobre a situação que o país vive, tenho que o fazer noutro sítio e é já esta noite.
Depois sinto-me livre para expressar aqui a minha opinião e até discuti-la com quem estiver disponível. Até lá, só o silêncio é mais puro.

Apito Dourado 

A verdade desportiva deste país está a ser ouvida pela Polícia Judiciária do Porto. Parece que ainda falta alguém que anda a passear por Espanha.
E eu a pensar que era só o Major…

2004-12-01

Escolher o melhor 

Há dias atrás achei um despropósito quando Pacheco Pereira escreveu que Cavaco Silva faz mais falta como Primeiro- Ministro do que como Presidente da República. Hoje, dissolvido o parlamento, já não tenho a mesma certeza.
Se ser Presidente da República é uma coisa muito importante para um cidadão, ser Primeiro-Ministro é muito mais para todo o país.
De uma coisa tenho absoluta certeza: Cavaco é o adversário mais temido pela oposição, qualquer que seja a eleição.

A dissolução 

A partir de ontem Portugal ficou a saber duas coisas:

1 – Uma maioria absoluta na Assembleia da República eleita pelo povo democraticamente, não é suficiente para que a legislatura chegue ao fim, nomeadamente nos casos em que o Presidente da República não pertence à mesma família política do Governo.

2 – O Governo fez quase tudo o que estava ao seu alcance para que o Presidente da República tivesse argumentos subjectivos para dissolver a Assembleia da República.

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