2004-03-31

O combate ao tabagismo passivo 

O governo irlandês fixou o prazo de um ano para que os locais de trabalho, incluindo pubs e restaurantes, adoptem formas de proibir o consumo de tabaco. Esta é uma medida preventiva no sentido de reduzir o número de doenças causadas pelo fumo do tabaco que, segundo parece, na Irlanda é a maior causa de morte.

Um pouco por todo o lado começam a aparecer medidas restritivas e até proibicionistas e não será de estranhar que Portugal também aperte o crivo aos fumadores.

A questão tem dois lados. Num estão os fumadores que reclamam enquanto pessoas adultas e conscientes o direito de fumar, do outro estão aqueles que optaram por prescindir desse vício mas cuja vida social e profissional os obriga a serem fumadores passivos.

No meio está também uma outra parte que não pode ser esquecida na discussão do problema. Os proprietários dos restaurantes, bares e pubs que vêm o seu negócio a diminuir em consequência destas restrições.

A Grécia, considerada a maior nação fumadora da Europa, adoptou a partir de 2002 medidas semelhantes no sentido de reduzir os casos de cancro no pulmão. É também este o país que detêm o maior número de mortos em consequência deste problema. Estimam-se, anualmente, cerca de 5.000 a 6.000 gregos mortos.

Voltando ao caso da Irlanda, foram os próprios empregados de bares e restaurantes que apoiaram esta medida restritiva. Por ano morrem cerca de 150 destes profissionais vítimas do fumo passivo. São na sua maioria pessoas que não têm o hábito nem o vício de fumar, embora sejam vítimas dos outros.

Sem querer entrar em fundamentalismo, julgo que esta questão deve ser discutida. Os Estados europeus gastam por ano verbas muito avultadas no combate às consequências do tabaco e provavelmente pouco no combate às causas. Um doente vítima de cancro do pulmão, salvo raras excepções, está condenado a morrer. Até o dia do seu falecimento o Estado afecta recursos financeiros para diminuir o sofrimento o que está absolutamente correcto.

A questão pertinente é saber se não seria mais benéfico encontrar medidas a montante do problema em vez de se intervir apenas a jusante. Ou seja, se o Estado pode influenciar o número de doentes cancerígenos através de medidas pedagógicas e paralelamente repressivas, porque não o faz?

Para quem estiver interessado em reflectir sobre esta matéria, proponho a leitura deste site. Nele podemos encontrar a situação na grande maioria dos países europeus, no que respeita à protecção dos trabalhadores ao tabagismo passivo.

Hospitais SA permitiram poupar 113 milhões em 2003 

Com a ajuda preciosa e bem fundamentada do Laranja do Algarve, gostava de suscitar alguma conversa em redor desta notícia.

- Esta poupança significa menores cuidados de Saúde ou apenas a melhor afectação de recursos?

- É absolutamente necessária, uma política de rigor na administração dos hospitais?

- Pelo contrário a Saúde deve ser um sector onde não pode haver rigor nem austeridade orçamental?

- Se este era o caminho porque só agora foi tomado?

2004-03-30

O Caso de Vila Real de Santo António 

Apesar de hoje ter dado nota da notícia do Público acerca do caso judiciário envolvendo o Presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, António Murta, pouco mais direi sobre o assunto.

Não vou fazer comparações com outras situações também conhecidas nem cair na tentação de entrar na chicana política pelo facto do autarca ser do PS. Como toda a gente sabe este tipo de fenómenos, a serem verdadeiros, não têm partido certo.

Sublinho apenas isto: há políticos que não se cansam de levantar a suspeita sobre os seus adversários. Ainda no outro dia fiz uma demonstração disso mesmo, no caso particular de Tavira. Imagino que aqueles que têm muita experiência em apontar o dedo acusador, repetidas vezes, a quem está inocente, tenham também agora uma opinião sobre esta matéria. Espero um dia poder ouvir essas mesmas opiniões, sendo certo que quem tem telhados de vidro, deve ter cuidado com as pedras que atira ao vizinho.

Por fim uma nota sobre uma suposta declaração pública de António Murta. O autarca atribui toda esta situação em que está envolvido a uma “orquestração entre a Polícia Judiciária e a oposição camarária de Vila Real de Santo António – PCP e PSD.” Esta frase é de uma enorme gravidade. A Polícia Judiciária, goste-se ou não, é uma autoridade que deve merecer o respeito de todos nós. Acusá-la de participar num jogo partidário, ou se têm a certeza absoluta do que se está afirmar com provas na mão, ou então é melhor manter o silêncio.

E sobre isto, nem mais uma palavra.

Poder Local Algarvio 

Mais uma núvem escura a pairar sobre o Poder Local.

Já tenho 

Serve o presente post para informar que já tenho o Ensaio sobre a Lucidez. Para mim não há confusões. Uma coisa é a obra, outra é a opinião política e para poder falar bem ou mal, primeiro é necessário ler.
Hoje mesmo ouvi uma pessoa no Fórum TSF a dizer precisamente a mesma coisa. Saramago enquanto escritor, muito bem. Enquanto político, muito mal. Mas também aqui são opiniões, apenas isso…

Os BONS e os MAUS 

Volta e meia vem à liça no Almariado, a conversa que os portugueses estão muito arrependidos de terem votado no PSD e que afinal António Guterres e o PS é que eram bons. Mais do que isso, fazem-se afirmações sem qualquer legitimidade falando em nome dos eleitores, sem mandato especial para o efeito.

Tirando as sondagens que na sua larga maioria reflectem uma situação normal para quem está a meio do mandato - a viver uma crise económica conjuntural bastante difícil - onde algumas dessas sondagens até dão resultados positivos para o PSD, não há nenhuma forma objectiva de aferir a insatisfação generalizada do eleitorado. Mesmo no resultado das próximas Eleições Europeias, não é liquido que possa ser feita uma leitura tão clara desse sentimento.

Mas vamos ao cerne da questão: se o governo do PS era muito melhor do que este; se o Guterres estava consciente da sua forma de governar; se Portugal estava tão bem financeiramente; se a população estava satisfeita e feliz; se o resultado que o fez demitir era autárquico e não nacional; se as contas públicas não pediam qualquer cuidado especial; se a União Europeia não tinha qualquer questão de maior importância em relação às mesmas; se o desemprego era baixo e assim se iria manter nos próximos anos com as políticas socialistas; se havia muito menos pobreza em Portugal do que há hoje em consequência do Rendimento Mínimo Garantido; se, se, se, se, se…então porque se foi embora? Porque fugiu? Porque não cumpriu o mandato?

Eu vou fazer uma afirmação irresponsável e contra os interesses nacionais, mas totalmente consciente:
- Que pena ele se ter demitido. Oxalá tivesse cumprido o mandato até ao fim (Outubro de 2003). Oxalá, ele – Guterres – tivesse estado no Governo quando não era mais possível disfarçar o estado das contas públicas. Oxalá, ele fosse primeiro-misnistro quando as fábricas começaram inevitavelmente a fechar. Oxalá, ele tivesse que explicar à União Europeia a forma como aumentou a despesa pública e o défice, da maneira como aumentou. Podem ter a certeza que nem tão cedo o PS voltava a ser Governo neste país.

Por mais que se denuncie a situação que o país estava a viver, não é a mesma coisa que ver os seus principais responsáveis a resolver os problemas que criaram.

Mas este Governo também criou os seus próprios problemas e tomou opções erradas. Pois com certeza que sim. Mas governar é isto mesmo, é fazer opções que no momento se julgam correctas. Um governo, seja do PS seja do PSD, quando está em funções deseja sempre tomar as medidas acertadas. Em democracia ninguém governa contra as pessoas. Então para quê este discurso desculpabilizador de quem não assumiu as suas responsabilidades até ao fim? Todas as medidas que Guterres tomou enquanto primeiro-ministro são discutíveis, tal como as de Barroso. O que não é discutível é alguém ter-se comprometido a governar e ter fugido a meio da legislatura. Isso sim é faltar ao compromisso com o eleitorado.

Leiam este post no Jaquinzinhos. Com poucas palavras o seu autor disse tudo sobre o assunto.

2004-03-29

A entrevista do Juiz Rui Teixeira ao DN 

O nosso leitor Ramos sugere um debate em redor da entrevista de hoje dada pelo Juiz Rui Teixeira ao Diário de Notícias e salientou uma frase que, segundo ele, poderia ser o motivo da conversa, ou seja o facto existirem pessoas de outros partidos envolvidos no processo.

Julgo que não estarei a ser injusto se concluir o seguinte: o nosso amigo Ramos, a julgar pelos comentários que tem deixado no Almariado, é simpatizante ou mesmo militante do Partido Socialista. Com a frase que sublinha pretenderá passar a ideia que militantes e dirigentes do PSD ou do CDS/PP, podem estar igualmente implicados sem que isso tenha vindo para a praça pública.

Sobre esta matéria posso dizer-lhe apenas isto: se por acaso houver provas que indiciem pessoas do PSD no crime de pedofilia no Caso Casa Pia ou noutro qualquer; se a Justiça investigar e concluir da sua culpabilidade, acredite que eu ainda bato palmas em cima.

Para mim o PS não é um partido de pedófilos. Para mim o PS é um partido como outro qualquer, composto por milhares de pessoas onde uma ou mais podem ter tido um qualquer desvio. Até prova em contrário o Dr. Paulo Pedroso é inocente e se vier a ser condenado por um dos crimes mais hediondos que o ser humano pode praticar, isso não significa que todos os seus camaradas sejam igualmente pedófilos. Parece-me evidente.

A grande questão do PS nesta matéria foi sobretudo a forma como a direcção política se deixou enredar em todo o processo, aliás com a critica generalizada dentro do próprio partido e a eventual tentativa de alterar o rumo das coisas, nomeadamente, interferindo nas investigações, conforme pareceu ter acontecido.

Já agora, fique sabendo que também não é bonito um candidato a primeiro-ministro dizer que “se está cagando para o segredo de Justiça”. O Dr. Ferro Rodrigues pode cagar-se para muitas coisas, nomeadamente para o Benfica ou para o Porto, sendo ele do Sporting, mas para a Justiça, convenhamos que não pode e se de facto está, não deve dizê-lo a ninguém e muito menos pelo telefone.

O PS está a colher aquilo que semeou e a possibilidade do Dr. Pedroso ser condenado constituirá a tempestade que até há algum tempo atrás era possível evitar. O partido em peso manifestou-se pela inocência do seu camarada e amigo, tudo bem. Mas e se ele for condenado, com que cara fica todo o PS? Que opinião terão os portugueses acerca daqueles que tantas juras de inocência fizeram. Repare-se que não estamos a falar de um crime de corrupção nem de alguém que roubou o Estado. Isso, as pessoas até já dão de barato. Estamos a falar de adultos que supostamente violaram sexualmente crianças, algumas delas órfãs. Ora isto é muito grave.

De uma coisa tenha a absoluta certeza: se ele e os outros estão inocentes e o que está a acontecer não passa de uma “cabala” acredite que eu fico muito satisfeito com a absolvição, mas o contrário também se aplica.

Gosto versus opinião 

Quero esclarecer uma coisa que por momentos poderá ter ficado implícita em comentários feitos aqui no Almariado, sobre as posições de José Saramago, na semana passada.
Quem lê este blogue desde o seu início ou perto disso, sabe que eu não tenho complexos nem de esquerda nem de direita e não faço depender os meus gostos, as minhas ideias ou as minhas escolhas pelo facto de estas poderem parecer tradicionalmente de um ou outro espaço ideológico. Na verdade estou-me nas tintas para essa conversa a que alguém um dia chamou e bem: tralha ideológica.
José Saramago é o mais brilhante escritor português da actualidade, na minha opinião. Esta é uma apreciação estética altamente subjectiva. Compro e leio os seus livros abstraindo-me do facto de ser comunista, amigo de Fidel Castro – ou era – entre outras coisas que não me agradam tanto. Quando procuro um livro ou um CD vou à procura de um prazer estético que a ideologia não consegue balizar. Sinceramente estou-me nas tintas para isso. Se gosto, compro, leio, ouço e tento recomendar se for caso disso.
Esta é uma questão.
A outra é no plano das ideias e daquilo que é o discurso público de um determinado artista. Para mim Saramago até pode defender a pena de morte ou a castração dos pedófilos que isso não me leva a deixar de apreciar a sua obra enquanto escritor. Zeca Afonso se fosse vivo jamais seria da minha área política mas garanto-vos que eu continuaria a comprar os seus discos se eles fossem da mesma qualidade dos anteriores.
Por isso vamos com calma quando se diz que por estarmos contra a opinião de uma determinada pessoa, isso significa que somos estúpidos ou incultos. Cultos e ao mesmo tempo incultos somos todos nós porque os conceitos a que estes termos estão associados são tão diversos, subjectivos e indecifráveis, ao ponto de ninguém pode dizer que é 100% culto ou inculto.
Fiz-me entender?

4.º Prémio VISÃO de Fotojornalismo  

Recomendo uma visita ao site da Visão, nomeadamente ao 4º Prémio Visão de Fotojornalismo que contou este ano com a presença de um dos meus fotografos favoritos como júri, o brasileiro Sebastião Salgado.
As fotografias premiadas estão disponíveis para consulta.

Excelente reportagem 

A SIC transmitiu ontem à noite uma notável reportagem, sobre o trabalho social, também ele notável, feito em Montemor-o-Novo por um grupo de Assistentes Sociais e Psicólogas, ao nível do acompanhamento de casais de risco, alguns deles a viverem em condições de pobreza extrema ou com deficiências do foro psíquico.
Apenas uma curiosidade: a Cristina (Assistente Social) que apareceu na reportagem a acompanhar o casal Elisa e Manuel, é minha cunhada.

O segundo canal 

Tomei a liberdade de disponibilizar aos leitores do Almariado mais uma opção musical, desta feita só com música estrangeira.
São mais de meia centena de músicos e bandas que fazem parte de uma selecção feita a meu gosto. Por aqui podem ouvir-se coisas muito distintas desde os Pink Floyd aos Beatles e aos Doors, passando por Leonard Cohen, Sting, Rolling Stones, Metallica, Diana Krall ou mesmo Miles Davis e John Coltrane.
As músicas são escolhidas aleatoriamente pelo computador com base na escolha dos seus autores.
Para os que não se interessam tanto por música portuguesa ou cantada em português, fica mais esta sugestão que aos poucos vai sendo completada com novas opções.
Espero que gostem.

2004-03-28

Definição  

Definição de cobardia segundo Ferro Rodrigues:

“António Guterres tirou conclusões políticas das eleições autárquicas com toda a legitimidade, com toda a nobreza, entendendo que o país devia ser chamado a pronunciar-se".

(Em entrevista ao Canal 2 da RTP, Rádio Renascença e Público)

O Prof. Franco veio ao nosso Algarve 

O, para alguns, "coveiro" das finanças públicas de Portugal, esteve ontem no Algarve perante uma plateia que não foi capaz de se entusiasmar com o homem que pior falou de Guterres nos últimos anos e neste rol já estou a incluir os dirigentes e militantes dos outros partidos que estavam na oposição ao governo dos socialistas.
O professor catedrático que já teve responsabilidades na área das finanças em Portugal veio exigir menos rigor ao actual governo no controle das contas públicas, imagine-se.
Insistiu que este Governo só pensa em cortar as despesas e controlar o défice. O dele só pensava em esbanjar recursos e fazer passar a ideia que os portugueses podiam e deviam viver acima das suas possibilidades.
Mas a cereja em cima do bolo, pelo menos para mim, foi o Prof. Franco a pedir o “Fim do Governo já nas próximas eleições”. Ou seja, como ele está habituado a um primeiro-ministro que desistiu de governar no dia em que o seu partido teve um resultado menos positivo, pensa que o actual é igualmente cobarde e vai atirar a toalha ao chão se as coisas correrem mal nas próximas eleições.
- Desengane-se Prof. Franco. Este Governo tem a palavra que aquele que o senhor tanto criticou nunca teve. A legislatura é de 4 anos e é para cumprir.

Ensaio sobre a cobardia 

Falta de condições? Essa é boa. E só reparou nisso a meio do segundo mandato?
Leiam isto.

2004-03-27

Olha, olha 

Ele quer uma democracia sem partidos mas depois alinha nisto.

O filho. 

- Papá, quero ser secretário-geral do PS como tu.

A democracia sem partidos 

Sobre a questão levantada por Saramago – democracia sem partidos – apareceram alguns comentários de grande pertinência. Coloco aqui duas posições antagónicas do Daniel Tecelão e do Michael Oakeshott que poderão merecer mais debate.

Quero desde já dizer que estou totalmente de acordo com a posição do Michael sobre esta matéria. Sucumbir aos argumentos anti-partidários é na minha opinião um rude golpe na democracia. Os partidos são aquilo que as pessoas querem que eles sejam. A sua inexistência levaria ao fomento de movimentos anti-democráticos sob a capa da mais completa anarquia. A forma das pessoas se organizarem politicamente deve estar devidamente regulamentada conforme já está e todos os fenómenos que ultrapassem o razoável são punidos por lei.

Se se pretende acabar com os partidos então que se acabe com todos as formas de organização colectivas que directa ou indirectamente podem influenciar as principais decisão do Poder.

Entretanto as opiniões para debate são estas:


Caro Fernando;
O que Saramago quis dizer, não foi exactamente isso, embora em minha opinião fosse uma óptima ideia acabar com o embuste destes partidos.
O que ele refere, e é um facto, é que cada vez menos as pessoas se revêem em partidos que se dobraram ao poder económico, desprezando miseravelmente as suas bases eleitorais.
Governam contra uma maioria que os elegeu em favor de uma minoria que os sustenta, compra, corrompe, alicia, tudo isto debaixo da capa da democracia!!!
Daniel Tecelão


Caro Daniel,
Por vezes fico absolutamente siderado com as suas posições acerca do nosso sistema político.
1.- A democracia pode ser imperfeita, pode implicar a tirania da maioria sobre as minorias (a pior das tiranias, segundo Lord Acton), etc, etc, etc. É, no entanto, e sem a menor das dúvidas, o melhor dos sistemas já experimentados para o governo dos povos;
2.- O discurso recursivo acerca da “corja”, do “lodaçal”, entre outros, apenas favorece o aparecimento de fenómenos anti-democráticos, nas franjas esquerda e direita do eleitorado, como sejam a Front National em França, ou o Bloco de Esquerda em Portugal, partidos de pessoas “impolutas” e “superiores”;
3.- O povo pode ser boçal e pouco esclarecido (como refere), mas rege-se pelos seus próprios interesses, tendo oportunidade de, de 4 em 4 anos, mudar o rumo do país, mudando quem o governa.
4.- A melhor maneira de aperfeiçoar o actual estado de coisas é reduzindo o peso do Estado, tornando-o um mero árbitro e o garante das funções de Poder Público: Justiça, Defesa, Segurança Interna. Tudo o resto pode e deve ser privatizado, diminuindo-se drasticamente o incentivo à corrupção, ao compadrio, ao mau uso de dinheiros públicos;
5.- Saramago pode ser muito bom escritor (devo confessar que, tirando o “Memorial do Convento”, os seus livros tendem a dar-me uma incomensurável vontade de dormir), mas de democrata nada tem, como a sua própria experiência pessoal o demonstra inequivocamente (vide, experiência no Diário de Notícias). A sua ideia do partido único está por demais requentada para alguém a querer engolir. Fico sem perceber é o interesse em entrevistar alguém que ainda lê pela cartilha que lia há 40 anos atrás.
Michael Oakeshott


Nota: Eu sou leitor assíduo de José Saramago. Apesar da sua literatura algo densa, as histórias que narra são de alguma forma extraordinárias.

2004-03-26

All lies 

Para os que acham que Jorge Coelho dará um grande Primeiro Ministro para Portugal depois de conseguirem correr com o Ferro Rodrigues, leiam esta pérola.

Sondagens ao gosto de cada um 

Alguns comentários que são deixados aqui no Almariado, merecem debate. Ainda bem que é assim. Eu não tenho qualquer pretensão em discutir só o que me dá jeito. Além disso, se os temas forem colocados por pessoas que estão de boa-fé só vêm valorizar este blogue.

O nosso leitor Ramos respondeu à minha provocação sobre a última sondagem do Expresso que dava uma vitória escassa à coligação PSD/PP às eleições europeias, desta forma:

Ena, ena! Em Portugal, já estamos a seguir o exemplo dos nossos vizinhos espanhóis. Lá era e ainda é (por mais uns dias)o Aznar a manipular as televisões, cá já se vai fazendo com a imprensa. O que vale é que não são as sondagens que ganham eleições. São os eleitores! E cá, tal como em Espanha, o povo não é estúpido e na hora de escolher acredito que os portugueses não vão voltar a cair na asneira de há dois anos atrás!

Três comentários sobre o assunto:

Manipulação da Comunicação Social
Dizer que o PSD manipula a comunicação social é, como todo o respeito, de cair para o lado a rir. Não se esqueça que a derrocada do PSD em 1995 foi sobretudo provocada pelo desgaste da comunicação social e não pelos lindos olhos do Guterres. Acredite que é verdade. Mais do que isso: caso não saiba foram os governos do PSD que libertaram a comunicação social das garras do Estado e foram também eles que abriram as televisões à iniciativa privada, com os resultados que são conhecidos. Nenhum governo de esquerda fez mais pela liberdade de imprensa do que os do PSD.

Sondagens
Tem toda a razão, não são as sondagens que ganham as eleições e até lhe digo mais, algumas delas são pura fantasia. Fique sabendo que até existem empresas conhecidas por trabalharem para este ou aquele partido. Sabia disso? Eu não estou certo que o PSD vá ganhar estas eleições nem é uma sondagem que me vai fazer acreditar nisso. Acho que tanto o PSD/PP como o PS, podem ganhá-las mas tudo depende de muitas coisas que neste momento ainda não são conhecidas. Repare que a lista do PSD/PP ainda não foi divulgada e também ninguém sabe como a abstenção influenciará o resultado final. Porém, sou obrigado a reconhecer que maioria das 2000 pessoas que responderam à sondagem do Expresso, escolheram a coligação PSD/PP como merecedora do seu voto, por muito que isso custe aos partidos da oposição. E sabe que mais? Em matéria de sondagens ou aceitamos todas ou não aceitamos nenhuma, mas nada como olhar para quem as fez e como as fez. Não podemos é dizer que esta é boa ou aquela é má, apenas em função se o resultado nos convém.

Eleitores estúpidos
Mais uma vez tem toda a razão: o povo não é mesmo nada estúpido. Por isso o PSD é o partido que durante mais anos governou Portugal, a seguir ao 25 de Abril de 74. Por isso o PS foi para o olho da rua em Março de 2002. Por isso o PSD está de novo a governar numa altura de grande dificuldade para o país.
Olhe, tenho um amigo que costuma dizer uma coisa deste género: O PS vai para o governo nas alturas melhores, para gastar o que o Portugal ganhou e poupou nos anos anteriores e o PSD vai a seguir para pagar a factura das loucuras e do regabofe dos socialistas. Quero lhe dizer que eu não penso assim, mas esta é uma dedução possível. Mas sabe que mais? É o eleitorado que determina quem governa e quem faz oposição e a nossa melhor atitude é respeitar a vontade dele.

A pior asneira que existe em política é pensar que a maioria do eleitorado se enganou a votar. Quando alguém se engana, pede outro boletim à mesa. Quando votamos, fazemo-lo na certeza que estamos, naquele momento, a escolher o melhor.

Entre os Rios II 

Ontem levantei a questão da decisão do debate instrutório da queda da ponde de Entre os Rios sem fazer demasiados comentários.
O Daniel Tecelão fez um comentário, a essa mesma questão, que me deixa alarmado sobretudo porque pode ter razão. Falou de jogo combinado.
Eu não tenho dados suficientes para entrar demasiado no tema com o rigor que ele merece, mas parece-me bastante estranho que após tanta investigação, tanta constatação em relação ao estado da ponte, tanta certeza sobre as consequência da extracção de areias junto aos pilares da mesma, o juiz de instrução venha dizer que as causas da queda se tenham devido apenas a “causas naturais”. De facto no dia em que se deu a catástrofe não estava um bonito dia de sol, mas não estou absolutamente certo que a corrente do rio e o mau tempo sejam a única justificação.
Esta decisão pode abrir um precedente grave. Qualquer infra-estrutura pública que no futuro venha a ruir e em consequência disso provocar vítimas mortais, se a situação ocorrer num dia de tempestade, independentemente do estado de conservação da mesma, as causas serão sempre naturais. Daí não se pode extrair qualquer consequência prática e punitiva para quem tinha a obrigação de a conservar ou interditar a sua utilização. A isto chama-se a culpa morrer solteira nesta caso com a nuance de em último caso poder sempre casar-se com o mau tempo.
Até parece que nunca ninguém tinha alertado para o estado em que a ponte se encontrava.
Com este meu comentário não quero entrar em qualquer trica política de quem tem a maior culpa, até porque pelos visto isso agora é o menos importante. O problema arrastou-se durante muito tempo e ninguém foi capaz de o impedir ou intervir em tempo útil. Os areeiros foram sucessivamente autorizados a trabalhar naquela zona e provavelmente nunca foram fiscalizados de forma a impedir o descalçar dos pilares da ponte. Logo aí, culpa do Estado. Mas por amor de Deus, não me venham dizer que foi só e apenas a chuva e o mau tempo que provocou uma das maiores catástrofes ocorridas no nosso país porque nisso ninguém acredita.

Saramago 

José Saramago deu ontem uma entrevista em directo à RTP1. Incomodado com as perguntas sobre o seu ex-amigo Fidel Castro, tentou passar uma ideia na minha opinião completamente absurda: a democracia sem partidos.

O jogo de ontem 

O meu pessimismo confirmou-se. Como não vi um só segundo do jogo nem sequer o resumo, vou deixar para quem viu os comentários.
No entanto parece confirmar-se a falta de serenidade após marcar o primeiro golo e no início da segunda parte a juntar à mais absoluta falta de rigor no sector defensivo. Marcar 3 golos ao Inter de Milão é de facto notável, sofrer 4 é que não tem notabilidade nenhuma.

2004-03-25

A final da Taça de Portugal não vai ser disputada no Algarve 

Tentei persuadir o responsável federativo do futebol português, no sentido da Final da Taça de Portugal ser disputada no Estádio do Algarve, mas não obtive sucesso. Este foi o diálogo:

FV- Como vai Doutor, fala o FV.
GM- Olá FV estás porreiro?
FV-Tudo bem. Olhe, a malta aqui no Algarve tem uma reivindicação a fazer.
GM- Ai sim, então qual é?
FV- Gostávamos que a final da Taça de Portugal entre o Benfica e o Porto fosse disputada aqui no Estádio do Algarve.
GM- Não pode ser.
FV - Não pode? Mas porquê? Então um estádio tão bonito, tão funcional, tão seguro. Não me diga que é por causa daquela treta do jornalista que entrou com um isqueiro dentro do sapato?
GM- Não, não é isso…
FV- Então o que é? Já sei…os acessos.
GM- Também não.
FV- Então o que é?
GM- O estádio é pequeno.
FV- Pequeno? 30.000 pessoas, é pequeno?
GM- Sim, muito pequeno. Não te esqueças que é o Benfica que vai disputar a final.
FV- Eu sei mas e depois?
GM- Imagina o que seria a grande família benfiquista a rumar toda ao Algarve. Já não basta no Verão em que fica tudo entupido?
FV- Mas a malta queria ver o futebol cá.
GM- Vêm na televisão, alem disso imagina o que não diriam as pessoas que vivem perto dos outros estádios do Euro...
FV- Mas essas pessoas podem ver frequentemente futebol da 1ª divisão e nós não.
GM - Pois, eu sei…mas…não pode ser.
FV - Mas vá lá….nós prometemos que não deixamos entrar nenhum jornalista com um isqueiro dentro do estádio.
GM - Não pode ser. A final vai ser jogada no Jamor.
FV- Mas então o que nós fazemos com este estádio?
GM- Bem, de aqui a uns meses sempre tens aí três jogos do Euro 2004.
FV- Pois, eu sei mas e depois?
GM - Olha depois…não sei…logo se vê…façam concertos de rock ou emprestem ao Moto Clube de Faro para fazer a concentração das motas.
FV - Então não há mesmo hipótese?
GM- Não, tenham paciência.
FV- Está bem…olhe…obrigado na mesma.
GM- Tchau.
FV - Tchau.

Ao nosso leitor e amigo Ramos 

Um leitor do Almariado, que se identifica nos comentários com o nome Ramos, deixou umas questões que eu, por distracção, só hoje reparei, acerca das questões do terrorismo as quais constituem um repto aos comentadores de direita (palavras dele).

Não sei de quem se trata mas presumo que esteja de boa-fé e que apenas queira discutir os temas apresentados neste blogue. Com tal vou tomar a liberdade de colocar as suas questões em debate e eu próprio darei as respostas que correspondem à minha visão do problema, sendo certo que a dicotomia direita/esquerda é algo sobre a qual tenho as maiores dúvidas:

1 - Será que os ataques ao Afeganistão e ao Iraque tornaram o mundo mais seguro?

2 - Será a melhor forma de combater o terrorismo, exterminar líderes terroristas?

3 - Terá Bush, Blair, Aznar, Barroso e outros falado verdade aquando do ataque ao Iraque?

4 - Qual seria a intenção do Aznar em mentir aos espanhóis, acerca dos atentados, ao dizer tão convictamente que tinha sido a ETA?

Minhas respostas:

1 –Não. Naturalmente que não. Mas tiveram um lado que eu considero muito positivo. Acabaram com dois regimes ditatoriais, opressivos e assassinos que insistiam em aniquilar os que não o veneravam e gozar com o resto do Mundo. Tanto o regime talibã como o de Saddam eram incubadoras de terroristas e o seu desmembramento abre a médio-longo prazo a possibilidade de se atacar pela raiz uma das causas do movimento terrorista islâmico, através da constituição de estados democráticos livres.

2 – É uma das formas mas não é a única, sendo certo que o diálogo a este nível e nestas circunstâncias não tem condições de sucesso. O terrorismo islâmico tem por base os seus líderes que curiosamente nunca se disponibilizam para o sacrifício da sua própria vida, só para mandar matar e/ou morrer também. Alguém é capaz de me dizer se entre os suicidas bombistas que atacam em Israel ou no resto do mundo, existe algum líder? Nem pensar, são apenas operacionais. Os líderes ficam escondidos a ver as consequências dos seus actos. Quem morre são os “coitados” que vão nas suas conversas. Recordam-se das histórias das virgens que esperam no Paraíso pelos suicidas? É disso mesmo que falo: faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

3 – Não sei se Bush falou a verdade, como também não sei se a ele lhe estavam a contar toda a verdade. Sei que a o maior perigo que existia no Iraque chamava-se Saddam Hussein e esse foi capturado. E sei também que quem viu morrer milhares de cidadãos compatriotas no 11 de Setembro não pode ficar indiferente.

4 – O que Aznar fez foi um erro imperdoável, partindo do princípio que sabia que não tinha sido a ETA a autora do atentado, insistindo na sua culpabilidade. Se foi assim que as coisas aconteceram, teve o que merecia. Julgo que hoje deve estar tremendamente arrependido das suas atitudes. Manchou dois mandatos de grande nível como chefe de governo, saindo pela porta pequena, como se diz em Espanha. É conveniente não esquecer que teve um percurso como governante muito acima da média, levantando o seu país do caos económico e financeiro deixado pelos governos do PSOE.

Estas são as minhas respostas que, com toda a certeza, vão merecer muitas críticas da parte do nosso amigo e leitor Ramos. Em todo o caso agradeço o repto que aqui deixou e desafio outros leitores de direita a responderem também.

Entre os Rios 

Afinal a culpa vai mesmo acabar por morrer solteira. Paz à sua alma já que a das suas vítimas, jamais terá.

Inter-Benfica 

Quase todos os benfiquistas com quem falei ontem e hoje estão optimistas para o jogo desta noite. Eu, infelizmente, não consigo partilhar desse sentimento. Não porque não acredite na possibilidade da vitória ou empate com golos, mas porque sei que ao Benfica, falta alguma serenidade nos momentos decisivos. Por isso tem perdido muitos pontos para o campeonato, deixando-se empatar ou até mesmo derrotar, em cima do último apito do árbitro.

Dizem-me:
- Se jogarmos como jogámos cá ganhamos o jogo.
Eu respondo:
- Se jogarmos dessa maneira, se calhar até acabamos eliminados. Podemos até não jogar tão bem, desde que a bola entre na baliza adversária.

Depois um segundo problema. O Benfica joga esta noite toda a sua temporada. Naturalmente que é possível vencer a Taça de Portugal e até ficar em segundo no campeonato, mas a passagem à eliminatória seguinte é de longe aquela que mais galvanizará a equipa e os seus adeptos. Por isso o Benfica está obrigado a eliminar o Inter de Milão se quiser continuar a respirar alguma tranquilidade e a manter acesa a chama. Uma boa carreira nas competições europeias fará esquecer o muito desânimo que assola a família benfiquista.

Por último, o Benfica vai encontrar um verdadeiro “inferno” assim que entrar em campo. O estádio, certamente, estará cheio porque o Inter também está numa situação que o obriga a passar à próxima eliminatória. Por isso deve manter uma serenidade própria dos profissionais que o são e não se deixar amedrontar com o ambiente escaldante.

Vamos ver quem terá o privilégio de festejar esta noite.

Editorial do Público 

O eidtorial do Público de hoje, escrito por José Manuel Fernades, foca de forma extraordinária a pertinência e a eficiência do combate ao terrorismo pela via do diálogo. Vale a pena ler.

Como eu o entendo... 

O Presidente da Câmara Municipal de Olhão, Francisco Leal, em entrevista ao Jornal do Algarve fez a seguinte afirmação:

- Não me revejo no Estádio do Algarve.

O meu comentário a esta frase está no título deste post.

A prática da conspiração 

O desempenho de um cargo público implica um sentido de responsabilidade acrescido, se tivermos em conta a exposição pública e por vezes mediática, a que os titulares são sujeitos.

O Presidente da Câmara de Tavira, ao longo do seu mandato mas com particular incidência para o período anterior ao das eleições de Dezembro de 2001, foi alvo de uma marcação cerrada por parte dos seus mais directos adversários que, vistas as coisas hoje, merece uma análise às motivações e comportamentos de alguns intervenientes.

Ao seu desempenho, enquanto autarca, foram levantadas as mais diversas suspeitas fazendo pairar sobre a sua cabeça a nuvem da suspeita e do crime.
Tratam-se de factos onde são conhecidos os nomes, as datas e as atitudes. Não são situações subjectivas ou imaginárias.

1 – A 4 de Julho de 2000 o PS/Tavira, em comunicado, acusava o Presidente da Câmara de ter cometido diversas ilegalidades. No mesmo mês, um cidadão “fantasma” escrevia ao Governador Civil de então, relatando situações de licenciamentos urbanísticos ilegais. Estranha coincidência. Esta carta escrita por alguém de quem não se conhece identificação, endereço ou contacto telefónico, mereceu um parecer jurídico dos serviços do Governo Civil, pedindo a dissolução do órgão autárquico. Paralelamente, um vereador do PS, à época, escreveu ao Governador Civil sobre as mesmas questões, depois de já ter apresentado uma proposta em reunião do executivo, solicitando uma inspecção ao município. Resultado: o Ministério Público (MP) ordenou o arquivamento e sublinhou o facto de não ter conseguido identificar o cidadão “fantasma” António Miguel Campos. Não conseguiu nem vai conseguir. Esta pessoa não existe. Trata-se de uma invenção de cabeças talentosas e criativas.

2 – Em Março de 2001, uma deputada eleita pelo Algarve, denunciava ao Secretário de Estado da Administração Pública, eventuais ilegalidade vindas a publico em órgão de comunicação social. Estava em causa o licenciamento de um loteamento na “Quinta do Morgado” – Nora Velha. Como não existiam nenhumas ilegalidades o processo foi arquivado.

3 – A 6 de Novembro de 2001, a um mês das eleições autárquicas, o Governador Civil de Faro apresentou uma queixa ao Secretário de Estado da Administração Local acerca da construção da Escola Fixa de Trânsito. O assunto fez correr muita tinta. Foi assunto de campanha eleitoral e de muitas páginas de jornal, mas não foi suficiente para contrariar o rumo dos acontecimentos. Três meses mais tarde, os vereadores do PS, recentemente eleitos, voltaram a pegar na questão através de uma queixa para a IGAT, devido ao reinício dos trabalhos que haviam sido parados por ordem política superior. Sobre este assunto chegou-se a pedir a perda de mandato do órgão autárquico. Resultado: a obra está feita, é frequentada por muitas crianças e o processo decorrente das queixas foi arquivado. Mais tarde o governo declarou aquele espaço de Utilidade Pública.

4 – Às “portas” da campanha eleitoral, o PS/Tavira colocou uma faixa partidária em local onde, anteriormente, foi decidido por unanimidade que permanecesse limpo de materiais propagandísticos. A faixa foi retirada e posteriormente colocada após parecer da Comissão Nacional de Eleições, cujo conhecimento sobre os locais nobres da cidade de Tavira é semelhante ao que eu tenho sobre a vida cultural do Burkina Fasso. Mais tarde, foram os próprios autarcas eleitos pelo PS que apresentaram em reunião de Câmara uma proposta no sentido de reforçar os locais que deveriam ficar livres de propaganda eleitoral. O processo foi parar ao Ministério público e o resultado foi o arquivamento.

5 – Em Dezembro de 2001, já depois das eleições autárquicas, o Governo Civil de Faro, através dos seus serviços jurídicos, deduziu ilegalidades na construção de uma aldeia columbófila em Cabanas que é, nos dias de hoje, considerado um caso exemplar de organização e higiene ao ponto de ter sido premiado como o caso mais nobre a nível nacional. Dessa dedução foi dado conhecimento à tutela. Resultado: o assunto foi arquivado.

6 - A 15 de Fevereiro de 2002 os vereadores socialistas apresentaram mais uma queixa à IGAT. Desta vez devido ao licenciamento de um estabelecimento comercial na zona da Porta Nova, junto à EN125. Alegavam violações graves ao Plano Geral de Urbanização. Após análise do processo, este foi arquivado e o estabelecimento comercial está aberto ao público.

7 – Por fim as lojas do Mercado da Ribeira. Um mês depois da abertura daquele espaço recuperado pela Câmara Municipal, o Postal do Algarve fez notícia de ilegalidades praticadas pelo Presidente da autarquia. O Governador Civil de então apanhou a “boleia” e fez queixa à IGAT. De lá o processo foi para o MP. Ao fim de três anos o assunto foi mandado arquivar pelo MP, com a decisão de não ter havido por parte do autarca a vontade de desrespeitar o cumprimento da lei. Diz o MP que o Presidente da Câmara agiu no sentido de dar vida e utilidade a um espaço que não podia permanecer encerrado. O bom-senso reforça a decisão da Justiça.

Estamos portanto, perante sete casos onde o Presidente da Câmara Municipal foi acusado de ter cometido diversos crimes, dos quais saiu incólume, mas onde foram gastos milhares de euros do erário público, horas em interrogatórios e tempo perdido para nada. Bem se pode dizer que: todos diferentes mas todos iguais. Ou seja, são sete situações distintas mas com uma única motivação e envolvendo sempre os mesmos protagonistas.

Mas isto não é tudo. Durante estes 6 anos de mandato o Presidente da autarquia esteve pessoal ou institucionalmente envolvido em outros processos criminais. Destaco três: o do arquitecto condenado por crime de corrupção que trabalhou na Câmara Municipal de Tavira durante os mandatos do PS. O do sequestro que foi vítima num caminho municipal nas imediações de uma pedreira que terminou com a condenação dos réus e, por último, o do anterior líder do PS/Tavira condenado por difamação ao Presidente da Câmara.

Estes são factos da vida política de Tavira nos últimos anos. Qualquer grão de pó fora do lugar era suficiente para a apresentação de uma queixa. Nada do que aqui está escrito é inventado e existem documentos que o podem provar. Cada um dos leitores tirará agora as suas ilações. Não sei se se trata de um clima de conspiração, mas que tudo é muito estranho, disso não tenho dúvidas.

(Artigo de Opinião publicado no jornal Postal do Algarve a 25/3/2004)

2004-03-24

Hamas, Israel, terrorismo e o resto... 

Calculo que este post não terá reacções e comentários pacíficos mas reflecte aquilo que penso. Não tenho a pretensão de ter toda a razão, mas reservo-me o direito de pensar que não existindo fórmulas mágicas no combate ao terrorismo, o diálogo misturado com alguma passividade talvez não acrescente grande coisa, neste momento, à escalada de terror que existe no nosso planeta. De boas intenções está o inferno cheio.

1. O líder do Hamas morto esta semana, está a passar por uma fase de branqueamento absolutamente incrível. Já vi e li de tudo. O mais significativo, pela negativa, é quando se afirma que apenas se tratava de um idoso tetraplégico preso a uma cadeira de rodas, morto sem compaixão por um helicóptero sofisticado. Era de facto alguém desprovido de eficiência motora mas com uma actividade psíquica abominavelmente activa. Era um senhor da guerra, general de um exército sem quartel que foi morto numa acção militar.

2. Ahmad Yassin era uma raiz do ódio islâmico contra o mundo ocidental. A sua morte, não é mais do que um acto de retaliação à vaga de terror que o Hamas tem semeado um pouco por todo o lado. Terá consequência mortíferas no curto prazo – Israel sabe disso melhor do que ninguém - mas retira poder e liderança nas cúpulas do fanatismo religioso islâmico no médio-longo prazo. Se eu fosse israelita, não tenho a mínima dúvida que estaria do lado do governo nesta circunstância. Se tivesse um familiar ou amigo morto às mãos de um suicida do Hamas, estaria muito mais.

3. Algumas coisas se têm escrito na blogosfera sobre este tema e existem diversas correntes de pensamento sobre o assunto. Existem os que falam no prolongamento da escalada de terror e se comovem com a morte do líder do Hamas e outras que olham para a situação como uma consequência inevitável no conflito israelo-árabe. À esquerda aparecem os primeiros e à direita os segundos. Apesar da minha resistência em relação à dicotomia esquerda/direita, não tenho sequer hesitações em situar-me nesta matéria. Se olhar para o desaparecimento de um dos maiores protagonistas do terrorismo internacional - responsável pela morte de inocentes civis cujo único pecado que cometeram foi terem estado na altura errada perto de um suicida bombista - é ser de direita, então eu sou. Claramente.

4. Vejo muita gente a falar de diálogo com os principais grupos terroristas mundiais como se isso representasse uma qualquer acção diplomática normal, nas actuais circunstâncias. No fundo estamos a falar de criminosos perigosos que matam indiscriminadamente e que lançaram muito recentemente atentados de grande escala contra civis inocentes. Este tipo de terrorismo a que alguns querem chamar, erradamente, de político, não é selectivo. Ataca pelas costas de forma cobarde sem olhar a quem. Foi assim no 11 de Setembro e no 11 de Março e nos vários acontecimentos trágicos em território israelita. Só aceito uma forma de tratar com esta gente: perseguindo-a enquanto existir.

5. Os terroristas não são diplomatas nem aceitam jogar o jogo da diplomacia. Para eles não existem canetas, papéis ou acordos de paz, mas sim espingardas, metralhadoras e bombas. O plano das suas ideias é, quase sempre, indiciador de uma manifesta intolerância em relação aos que não perseguem os seus princípios. Isto não deixa margem de manobra para ninguém.

6. Eu não compreendo, juro que não compreendo mesmo, esta manifesta consternação em relação à morte de um dos mais perigosos fomentadores do terrorismo mundial, muito menos da parte daqueles que se manifestaram tão constrangidos com os atentados de Madrid. Não percebo esta forma de estar com um pé fora e o outro dentro. Revoltam-se contra as mentiras do governo espanhol e comovem-se com a morte de um dos ideólogos e líderes dos executantes desses mesmos atentados. Haja bom senso.

7. A intervenção no Iraque e no Afeganistão tem relacionamento directo com os atentados que já aconteceram e os que ainda estão para acontecer. Mas antes destas intervenções já havia terrorismo e nada nos garante que um dia termine. Enquanto houver um fundamentalista islâmico ao cimo da terra, continuarão a existir fenómenos terroristas um pouco por todo o lado. A esquerda diz que o problema está nos governos de direita. Triste sina a da esquerda que quando esteve no poder nunca resolveu o problema – nem a de Israel. Vejamos o que vai acontecer aqui mesmo ao lado em Espanha. Ou se põe de cócoras perante as pressões dos terroristas internos e externos – estou convencido que não o fará - ou pagará bem caro o seu atrevimento de o combater, independentemente do que disse ou defendeu recentemente. Já agora um aparte: se Tony Blair é de direita então eu sou um marxista-leninista.

8. Se amanhã a vítima deste conflito bélico for o Senhor Ariel Saron, pago para ver as reacções da esquerda que tão consternada e comovida ficou com a morte do líder do Hamas. É que por vezes fico com ideia que o problema não está nas causas mas sim nos protagonistas. Por vezes fico com a ideia que existe terrorismo bom e mau. Os israelitas podem até não ser grande exemplo para o mundo e não o são com certeza, mas viver dia-a-dia, permanentemente com este problema, deve ser um desgaste brutal. Mal do chefe de governo que vire as costas ao problema e abdique dos mais fundamentais direitos de viver em liberdade.

I Festival de Gastronomia Serrana do Concelho de Tavira - VII (continuação) 

Por fim os dois últimos “altares” da comida serrana tavirense.

No sítio da Cabeça Gorda, freguesia de Cachopo, encontra-se o:

Restaurante Ti Rosa
Cabeça Gorda - Cachopo

Tel: 281 326 088
Dias do Festival: Quintas-Feiras dias 25 de Março e 1 de Abril e fins-de-semana

Entrada: presunto, chouriço, queijo com mel € 4,00
Prato principal: Galo estufado € 4,00
Sobremesa: Bolo de água (bolo de água com mel) €0,60
Vinho: Vinho caseiro (1 litro) €3,00
Digestivo típico da casa: Medronho, Figo € 1,00
Sem qualquer desprimor para os demais a cozinheira deste restaurante – a Dona Rosa Teixeira Justo – é provavelmente a melhor cozinheira da serra tavirense e um das melhores na sua área em todo o Algarve. Foi inclusive homenageada pela Câmara Municipal de Tavira no dia 24 de Junho de 200, a propósito das comemorações do Ano Internacional da Montanha.
Para lá chegar é relativamente fácil. Sobe-se pela estrada em direcção a Cachopo. No sítio da Portela da Corcha, volta-se à direita em direcção ao Beliche. Um pouco mais à frente encontra-se o desvio, à esquerda, para a Cabeça Gorda. As vistas até ao local são deslumbrantes.
O galo estufado marca a sua presença à mesa, confeccionado a preceito.


Por fim :

Restaurante Taberna “Toca do Mocho”
Estorninhos - Conceição

Tel: 918213860
Dias do Festival: Quartas-Feiras dias 24 e 31 de Março e fins-de-semana

Entrada: Chouriça, queijo e azeitonas € 3,00
Prato principal: Perdizes com cogumelos/pão € 15,00
Sobremesa: Pudim ovos € 1,00
Vinho: vinho caseiro ½ litro € 1,25
Digestivo típico da região: Medronho € 1,50

Fica no sítio dos Estorninhos na freguesia da Conceição de Tavira e existem três maneira de lá chegar. A primeira, subindo em direcção aos próprios Estroninhos através da estrada que vem do Almargem em direcção ao Perímetro Florestal da Conceição de Tavira (Mata de Santa Rita). A segunda, através da nova Estrada do Cabeço do Boi que liga a mesma Mata até ao Fazfato e daí em direcção aos Estorninhos que fica ali bem perto. A terceira, seguindo pela Estrada da Fonte Salgada, passando o Curral de Boieiros, voltando uns quilómetros mais à frente em direcção aos Estorninhos.
Qualquer um destes itinerários propicia excelentes paisagens.
Na Toca do Mocho, a perdiz é a rainha do repasto.

Ficam assim as sugestões deste I Festival da Gastronomia Serrana do concelho de Tavira. São 8 restaurantes distantes da loucura do litoral e das filas de espera para conseguir uma mesa. Para melhor atendimento, é recomendável telefonar a reservar, tendo em conta a especificidade das matérias-primas a confeccionar.
Esta é uma forma simpática de promover o interior e as coisas boas que lá se fazem. Melhor que muita conversa, só mesmo alguma acção. A nós cidadãos, compete-nos a parte mais fácil e apetitosa. Ir aos locais e comer.

Nobel da Paz 

Ontem à noite na entrevista periódica que António José Teixeira faz a Mário Soares na SIC Notícias, pareceu-me ter ouvido o euro deputado português a não enjeitar a hipótese de um dia Bin Laden poder vir a ser galardoado com o Prémio Nobel da Paz, como aconteceu com Arafat.
Por favor sosseguem o meu espírito. Digam-me que não foi nada disto que ele disse.

Rádio Al(maria)do 

Quero agradecer a ajuda dos amigos Manuel e Asulado, pelas sugestões de html que me enviaram.
A Rádio Al(maria)do já está em emissão desde ontem e no ranking das mais ouvidas do Cotonete.iol, subiu da 354ª posição para a 43ª.
Ontem à noite acrescentei mais uns artistas lusófonos e outros se seguirão. Aceitam-se sugestões sendo certo que a pimbalhada está censurada.

Blair em Lisboa 

O espinho cravado na garganta da esquerda moderada europeia estará hoje em Lisboa.

2004-03-23

Chegou a Rádio Al(maria)do 

Caros leitores
Tristezas não pagam dívidas e quem canta seus males espanta.
Sendo assim, permitam-me que vos dê alguma música. Basta clicar no link do Cotonete aqui mesmo ao lado.
Escolhi, de início, 22 artistas/grupos lusófonos da minha preferência. As músicas vão surgindo aleatoriamente e não é de estranhar que a seguir a um rock português dos Xutos & Pontapés, venha uma bossa nova do João Gilberto ou do Tom Jobim, ou a seguir a uma música de intervenção do Zeca venha uma outra do Chico Buarque.
O importante é ouvir música portuguesa ou em português e se aparecer uma morna ou um funáná da Cesária ou do Tito Paris, também marcha.
Espero que desfrutem da Rádio Al(maria)do, sobretudo quando os textos forem de caixão à cova ou de manifesto mau gosto. O importante é manter a malta bem disposta, até porque os blogues servem para nos divertimos…caso alguém ainda não saiba disso.

Nota: O meu html anda pelas ruas da amargura. Se alguém souber me explicar como se coloca o símbolo (Cotonete) certinho com as palavras de cima e de baixo, agradecia bastante.

Algarvios amantes do futebol, vamos unir-nos. 

Nós queremos que a final da Taça de Portugal seja disputada no Estádio do Algarve por cinco razões objectivas:

Primeira: Porque o estádio tem que ter utilidade, de preferência futebolística.

Segunda: Porque ao contrário do que muitos possam pensar, ele não serve apenas para distrair a atenção aos automobilistas que circulam na Via do Infante junto ao nó nascente de Loulé.

Terceira: Porque já que o temos de pagar, pelo menos queremos ver futebol ao vivo e a cores.

Quarta: Porque nos próximos 15 a 20 anos, se não forem mais, estaremos privados de ver futebol nacional de primeira qualidade na nossa região.

Quinta: Porque sim.

Por tudo isto queremos a final aqui.

Quem estiver de acordo, faça o favor de se manifestar.

Senhora Justiça 

Eu confesso o meu desconhecimento em relação aos trâmites judiciais, às disposições processuais, aos decretos, às leis, à jurisprudência, aos acórdãos, aos recursos, ao sorteio dos processos e a todas as outras coisas que compõem o seu mundo. Eu de si não percebo quase nada, limito-me a respeitá-la e a acreditar na sua independência, na sua razão e na sua capacidade de absolver os inocentes e condenar os culpados. Por tudo isso permita-me que lhe coloque algumas questões que atormentam o meu sossego e perturbam a minha percepção da quão justa é a sua actuação e o seu equilíbrio perante os Homens.

Olho para o mais “complicado” caso que circula nos tribunais deste nosso querido Portugal. Esse mesmo, o «Processo Casa Pia». Permita-me que lhe diga que quanto mais leio e ouço notícias sobre o assunto, mais baralhado fico.

Não sei se é impressão minha - certamente será - mas o desenrolar dos acontecimentos anda mais à volta das questões processuais do que propriamente no apuramento da verdade, seja ela qual for. O aparecimento de pormenores relevantes para travar o andamento do processo, quase transforma tudo isto numa guerra do gato e do rato

De há uns tempos para cá, tenho sentido que a suposta inocência dos arguidos é feita mais na base de incidentes processuais, do que propriamente nos álibis e nas provas factuais do seu não envolvimento em todas esses episódios lamentáveis de abuso sexuais a menores. Talvez seja eu que não esteja à altura de perceber os caminhos que o Direito pode trilhar ou se apenas esses caminhos são de tal forma sinuosos que até abrem a hipótese de alguém, mesmo culpado, ser absolvido, apenas porque um papel estava fora do sítio num determinado momento.

Como eu, muitos outros cidadãos estão a interrogar-se do seguinte:

- Mas quando é que isto acaba?

- Estaremos perante um caso onde a Justiça não tem meios para fazer justiça?

O nosso Portugal fica pasmado quando ouve que o processo pode voltar à “estaca zero”. Imagino o que isso significará, sobretudo para as vítimas que coitadas não têm culpa nenhuma da Senhora Justiça ser assim tão complexa. Estou convencido que os miúdos que foram humilhados, violentados e diminuídos na sua liberdade de crescerem sem sequelas físicas ou psíquicas, apenas querem que os culpados sejam encontrados e justamente punidos.

Imagino como se sentirá uma criança que foi vítima de maus-tratos sucessivos, ao ver o seu carrasco a “surfar” em cima da onda dos contornos processuais, sem que isso o faça cair da prancha.

Perdoar-me-á a Senhora Justiça este desabafo, mas ainda que eu presuma a inocência de todos aqueles que estão indiciados, presos preventivamente ou não, também sou obrigado a presumir que não há fumo sem fogo e que no meio de tanto presumível inocente, hajam também efectivos culpados.

Olhe Senhora Justiça, vou esperar pacientemente. Eu sei que isto não é fácil. Eu nem tenho outro interesse ou motivação diferente dos muitos milhares de portugueses que apenas querem ver o caso resolvido. Mas por favor, peço-lhe que faça tudo o que estiver ao seu alcance para que amanhã não se repitam mais casos de abuso sexual a menores sob a sombra da impunidade.

Antecipadamente grato pela Vossa atenção, subscrevo-me com os meus respeitosos cumprimentos.

Homenagem a Carlos Brito 

Esta notícia merece um comentário
O ex-deputado algarvio Carlos Brito, militante histórico do Partido Comunista Português e combatente anti-fascista, vai ser homenageado pela Câmara Municipal de Alcoutim, presidida pelo social-democrata Francisco Amaral.
Em Tavira, quando o actual Presidente da Câmara tomou posse pela primeira vez, também ele homenageou uma larga lista de autarcas de todos os partidos pelo contributo que tinham dado, ao longo de muitos anos, à vida do município. Entre os homenageados houve quem não tivesse achado muita piada e um deles até recusou a homenagem.
Ora aqui está uma forma de demonstrar como a democracia quando é exercida com respeito pelos outros e pela diferença de ideias, reforça o conceito de participação política e serve de exemplo para as gerações vindouras.
Curiosamente são dois autarcas do PSD que não têm qualquer receio em agradecer a pessoas que não sendo do seu partido, tiveram em alturas da vida um contributo importante para a solidificação do edifício democrático e pelo desenvolvimento das autarquias locais.
No plano mais ideológico, temos a direita a homenagear a participação de homens de esquerda. Curiosamente o contrário, raramente acontece. A esquerda se não é incapaz anda lá muito perto de reconhecer a políticos ou autarcas de direita a sua participação na vida democrática do país e dos concelhos.
No caso de Alcoutim, é de estranhar que os vereadores do PS – supostamente de esquerda – nem mesmo assim tenham sido capazes de votar a favor. Isto torna pequeninos os políticos sem capacidade para distinguir o fundamental do acessório e se agem assim perante alguém mais perto da sua área ideológica, imaginem o que fariam se se trata-se de alguém de direita ou do PSD…

A longevidade 

Esta é apenas uma questão pessoal mas tem uma particularidade tão pouco comum que não levarão a mal que fale dela aqui.
As pessoas hoje em dia casam-se mais tarde e têm o primeiro filho, muitas vezes, já na casa dos trintas e tal. Antes não era assim. As mulheres, sobretudo, casavam-se muito novas, por vezes sem ainda terem atingido a maioridade.
Na minha família o casamento precoce, tal como em muitas famílias portuguesas, foi uma realidade e tanto a minha bisavó como a filha dela, casaram-se relativamente cedo. A vida não é o que era hoje e não havia televisão. Consequência dessa quase regra tão trivial levou a que a minha filha tenha tido até Domingo passado, uma trisavó. Estamos portanto a falar de 5 gerações vivas e já comigo se passou o mesmo. Até sensivelmente um ano de idade também tive trisavó.
Este caso de longevidade comporta alguma anormalidade naquilo que é a composição de uma família hoje em dia e ainda que a esperança de vida esteja progressivamente a aumentar, em consequência dos avanços da medicina, não será muito fácil no futuro que casos como este aconteçam com regularidade. A vida conjugal dos portugueses está a começar cada vez mais tarde e o nascimento do primeiro filho, também.
A avó Lucília (93 anos) chegou ao fim dos seus dias em completa agonia e praticamente sem qualquer sentido se estava viva ou não. Mas não deixa de ser um caso invulgar de resistência que a toda a família deixa um grande orgulho e mágoa por a ver partir.

2004-03-22

O eixo 

Tenho fundadas dúvidas que exista melhor forma de exemplificar o termo “populismo” do que estas declarações de Francisco Louçã.
O eixo da verdade a que o Bloco de esquerda pertence, já não deve ser o mesmo que se manifestava com grandes reservas em relação à União Europeia e que agora desdenha um lugarzinho no Parlamento Europeu, junto da burguesia bem paga da política de Bruxelas.

Esquerda e Direita II 

Os telejornais de ontem à noite passaram uma notícia onde Ferro Rodrigues acusava este governo de ter aniquilado - a palavra é minha, a dele já não me recordo qual foi – com alguns instrumentos de combate à pobreza, nomeadamente o Rendimento Mínimo Garantido (RMG).
Esta talvez seja uma boa forma de distinguir o que é governar à esquerda ou à direita. Enquanto uns defendem que a forma de combater a pobreza é distribuindo subsídios às pessoas e pelo meio há muita gente a receber sem merecer, outros acham que o combate a essa mesma pobreza é feito através do apoio às empresas e à criação de emprego e de riqueza, disponibilizando subsídios apenas aos casos extremos, nomeadamente a pessoas que não podem trabalhar.
Convém não esquecer que o auge do RMG coincidiu com a altura em que Portugal recebeu um grande número de emigrantes do Leste e do Brasil. Pelos vistos havia trabalho, o que não havia era pessoas para trabalhar, mas elas estavam cá. Viviam então do quê algumas delas?
Eu não sou contra os subsídios de combate à pobreza, muito pelo contrário, o problema é que entre muita dessa pobreza, também existe muita preguiça e isso a mim já me chateia um pouco mais.
O RMG terá resolvido alguns casos mais dramáticos mas também serviu, segundo voz corrente, como arma política e eleitoral no pior sentido da palavra, paga com o dinheiro dos contribuintes.
É caso para relembrar um velho ditado chinês que dizia qualquer coisa parecido com isto: Se alguém te pedir um peixe porque tem fome, dá-lo, mas a seguir ensina-o a pescar.

Menos um 

No imediato a morte do líder espiritual do Hamas Ahmed Yasín, significará mais uns atentados em Israel e mais umas dezenas ou até mesmo centenas de civis inocentes mortos. Resta saber o que significará no futuro.

2004-03-21

Sessão de autógrafos 

Ontem percebi porque a sessão de autógrafos do Professor Cavaco Silva não foi realizada no Estádio do Algarve. Havia uma final do Mundialito de Futebol Feminino à mesma hora. No entanto hoje em Loulé na Biblioteca Municipal, há mais uma possibilidade de ter a o Volume II da Autobiografia Política, autografada.
Eu já tenho.

4 vezes 

Ontem à noite num restaurante na Altura o empregado de mesa teve que dizer 4 vezes o resultado do SCP para que eu e as pessoas com quem estava acreditássemos.

2004-03-20

All lies 

Os jornais portugueses estão cada vez pior. Imaginem que o Expresso publica hoje uma sondagem que dá a lista conjunta do PSD/PP à frente da do PS para as eleições europeias. Mas do que isso, dá uma clara queda dos socialistas em relação às últimas europeias.
Por estranho que pareça não fala de nenhuma hecatombe dos partidos da coligação.
Mais de 2000 pessoas responderam a esta sondagem e só disseram foi aldrabices.
Vou deixa de comprar jornais.

Esquerda e Direita 

Nestes últimos dias tem sido motivo de debate os governos que são de esquerda ou de direita, nomeadamente em consequência dos resultados eleitorais em Espanha.
As minhas questões são simples e objectivas:

- Partindo do princípio que o actual governo PSD/PP é de direita, pode afirmar-se categoricamente que o anterior era de esquerda?

- Foi António Guterres um primeiro-ministro que governou à esquerda?

- E já agora, para os mais entendidos, o que é governar à esquerda ou à direita?

Se alguém tiver opinião sobre esta matéria, faça o favor de se pronunciar.

2004-03-19

I Festival de Gastronomia Serrana do Concelho de Tavira - VI (continuação)  

De volta à estrada. A próxima etapa é bem perto da cidade de Tavira. Fonte Salgada é o local onde se encontra o:

Restaurante Taberna da Fonte Salgada
Sítio da Fonte Salgada – Santa Maria

Tel: 281 322 412
Dias do Festival: Segundas-Feiras dias 22 e 29 de Março e fins-de-semana

Entrada: Paio caseiro, azeitonas, queijo, presunto €2,00
Prato principal: Açorda de Galinha € 6,00
Sobremesa: pudim caseiro €1,50
Vinho: vinho regional do Alentejo – Branco e Tinto €4,50/€6,00
Digestivo típico da casa: Aguardente de figo e Medronho €0.50 / €1.10

Numa sala renovada, está à nossa espera a famosíssima Açorda de Galinha, feita com um galináceo de origem doméstica.
Para aqui chegar é bastante simples. Imagine que está a circular na EN 125 em direcção a Vila Real de Santo António. Ao passar a ponte sobre o rio Séqua, irá encontrar um cruzamento onde neste momento está a ser construída uma rotunda. Vire à esquerda nesse mesmo cruzamento e siga em direcção à Fonte Salgada. Irá encontrar o Restaurante com o mesmo nome, uns 3 quilómetros mais à frente, do lado esquerdo da estrada.
Não tem nada que enganar.
A próxima etapa é na muito bonita freguesia de Cachopo, mais concretamente na Cabeça Gorda.

Recordar é Viver 

Frases de Sousa Franco em relação ao PS e ao seu Governo.

«esta política é tão medíocre que até dói»

«é urgente pôr fim a este Inverno do nosso descontentamento»

«este (2º governo de António Guterres) é o pior governo desde o tempo de D. Maria I»

«Já fui 'força de bloqueio', posso ser 'profeta da desgraça'»

«a euforia psicológica e o complexo pré-eleitoral responderam com a preguiça do esforço e a paralisia reformadora» - referindo-se à capacidade reformista do 2º governo de António Guterres

No hard feelings, please!!!

Hoje é o Dia do Pai. 

tabela_f Para uns é apenas mais um dia de grande consumo semelhante ao da Mãe, dos Namorados, da Mulher e por aí fora. Mas para mim, que não faço questão em receber prendas, é um dia de reflexão sobre a mais fantástica experiência alguma vez vivida.

O dia em que a minha filha nasceu, recordo-o com muita saudade e ainda não há dois anos. Como foi tudo devidamente planeado, não houve nenhuma correria para o Hospital nem dores de parto nem águas a rebentar. Foi como marcar uma cirurgia. É naquele dia e naquela hora.

Estava num corredor quando vi pela primeira vez a minha filha no colo de uma enfermeira, enrolada numa manta térmica. A imagem da sua face enrugada e os olhos bem cerrados foi um momento extraordinário. Poucos minutos depois, já no berçário, tive o privilégio de lhe dar o primeiro biberão. Depois, foi espalhar a notícia pela família e os amigos.

Hoje, ela já anda, já corre, já diz as primeiras palavras e faz as primeiras asneiras. Já tratou de arranjar uma pequena cicatriz na testa que a acompanhará pela vida fora.

A Rita é o meu maior orgulho. É aquela alegria que não consigo disfarçar. É a vaidade de querer mostrá-la a toda a gente. Por isso, de vez em quando, aparece aqui no Almariado.

Espero comemorar muitas vezes este dia e poder partilhá-lo com os outros pais que se sentem igualmente felizes pelas mesmas razões.

O mistério da vida e do nascimento de uma criança é a experiência mais notável e mais enriquecedora que um homem pode ter. Aos que ainda não são pais, nem sabem o que estão a perder.

Poupe-nos 

Isto é o que não pode acontecer. Quem defende isto, está a cavar um calvário ainda maior para o mundo ocidental. Com criminosos terroristas que matam indiscriminadamente não se dialoga, combate-se. Isto é o mesmo que pegar num serial killer, pedófilo ou não, e dizer-lhe assim:

- Olha meu querido, o que tu fizeste não está certo. Não podes andar a fazer maldades destas às pessoas. Olha que não vais para o Céu. Tens que te portar bem. E agora vai lá à tua vidinha. Nós não te vamos prender nem castigar, mas tens que prometer pela alma da tua mãezinha que não voltas a fazer disparates, Está bem? Percebes-te?

Dr. Soares, poupe-nos!

O Programa 

Este é o título do artigo de opinião de Vasco Pulido Valente no Diário de Notícias de hoje. É de ler.
Retrata, por coincidência, uma coisa que já foi dita neste blogue. Muito cuidado com as cedências ao Islão fundamentalista.
Se lhe dermos um dedo eles apanham-nos o braço e vão querer mais, muito mais.
Atrás de uma qualquer cedência a troco de tréguas, virá um qualquer fenómeno de supremacia religiosa. Os islâmicos que compõem as principais células terroristas pelo mundo fora, são gente intratável. Não se sentam à mesa das negociações nem dão hipóteses de diálogo.

Durão Barroso na RTP1 

Acabei de ver a entrevista ao Primeiro-Ministro.

Durão Barroso esteve ao seu melhor nível perante uma linha de jornalistas de grande gabarito. Foi seguro nas respostas, sem recurso a papéis, revelando uma auto-confiança de acordo com a posição que ocupa.

Pelo que percebi, no capítulo das presidenciais, Barroso já sabe quem o PSD deve apoiar. Quando afirmou que o candidato do PSD teria o apoio de todo o partido, só se pode estar a referir a uma pessoa, o Professor. Resta agora esperar pela altura própria para que o tema seja colocado em cima da sua secretária, sendo certo que não será após as eleições europeias, conforme alguns querem.

Gostei muito particularmente da explicação que deu da discriminação positiva que fez em relação ao PS em matéria de segurança de Estado. Estou convencido que falar sobre esta matéria com Francisco Louça e Carlos Carvalhas é o mesmo que comprar uma bicicleta sem saber andar nela. Não faz sentido. Os assuntos de Estado falam-se com aqueles que têm uma posição moderada e responsável em relação a matérias tão sensíveis como são a segurança e a ameaça do terrorismo e não com políticos de extrema-esquerda ou saudosistas do Muro de Berlim.

Resta-nos agora esperar pelos diversos comentários, sendo certo que muita gente não deve ter ficado muito satisfeita com a excelente prestação do nosso Primeiro-Ministro.

Calculo que na blogosfera, esta entrevista dê trabalho a muitos teclados.

2004-03-18

Resistir à mediocridade  

Conforme já referi anteriormente, continuarei a resistir à mediocridade intelectual daqueles que vêm diariamente ao Almariado com o único objectivo de me atacar e ofender, tudo sob a capa do anonimato. Deixo à consideração dos outros que por aqui também passam algumas vezes e comentam com elegância, consideração e honestidade intelectual o que por aqui se escreve, a avaliação deste comportamento maníaco de um indivíduo parolo e abananado.

Não tenho a pretensão de ter razão em tudo o que escrevo. Apenas dou o meu ponto de vista sobre os assuntos e sujeito-me às críticas e às considerações daqueles que apenas têm interesse no debate de ideias honesto.

Quem faz comentários anónimos e de má-fé, está ao nível psíquico daqueles que põem bombas em comboios e destroem a vida a pessoas inocentes. O terrorismo intelectual, assim caracterizo este tipo de comportamento demente que há uns meses vem acontecendo nos comentários do Almariado, não é mais do que a intolerância de um indivíduo falhado, sem ideias, intolerante, mal criado, desacreditado e sem reconhecimento público. Aquilo a que na gíria se chama: um imbecil.

Não desejo ter neste blogue comentários de concordância e politicamente correctos. Desejo isso sim, a diversidade de opiniões porque com elas também aprendemos muito.

De uma coisa podem ter a certeza, eu não desisto.

Para casos psiquiátricos como os que por aqui passam, existem médicos. Basta consultá-los.
Por último, o meu muito obrigado a todos os outros que se comportam com dignidade e respeito democrático.

Tropas espanholas 

José Luis Zapatero tem em mãos uma faca de dois gumes. A Al-Qaeda aguarda a retirada das tropas espanholas do Iraque e o candidato Democrata John Kerry pediu para que não o fizesse.
Kerry tem razão no que diz. Uma saída das tropas de nuestros hermanos nesta fase do campeonato podia constituir um rude golpe na firmeza como se encara o problema do terrorismo. Estou convencido que Zapatero arranjará uma justificação para dar o dito pelo não dito, sendo certo que nunca deveria ter respondido a esta questão nem na noite das eleições nem nos dias imediatamente a seguir.

O Terrível Mundo Novo 

De Pacheco Pereira. Para ler e reflectir.

Quem tudo quer, tudo perde. 

Ontem à noite, fiz uma ginástica desgraçada com os dedos no comando da televisão. Tentei ver o jogo do meu SLB, bem como o dos galácticos contra o Zaragoza na Final da Taça do Rei (corresponde à nossa Taça de Portugal para os menos entendidos na matéria). Obviamente que aconteceu o inevitável: em directo, só vi o terceiro golo do SLB, o único do Belenenses (o meu terceiro clube em Portugal depois do Olhanense) e o fantástico terceiro golo do Zaragoza que lhe deu a vitória no jogo e na competição.
Logo, não há grandes comentários a fazer porque na tentativa de seguir os dois, não vi suficientemente nenhum. Fiquei apenas com uma ideia que o SLB na primeira parte jogou bem e na segunda mal. Também percebi, infelizmente, que lances de bola parada contra o glorioso, é quase a mesma coisa que uma grande penalidade. É como o código postal: é meio caminho andado.
Moral da história: o SLB vai à final do Jamor com o FCP – só isso já é uma péssima notícia, antes fosse com o Braga – e os galácticos do Real Madrid não foram capazes de fazer aquilo a que uma equipa com tantos jogadores de elite está obrigada a fazer, ou seja, não perder.

2004-03-17

2 anos 

Não, não me esqueci. Fez hoje dois anos que Durão Barroso e o PSD ganharam as eleições legislativas.
Bem sei que as coisas não estão como todos nós, alguns, gostaríamos que estivessem. Mas governar é isto mesmo: fazer opções, trilhar caminhos, definir objectivos.
O PSD não está em primeiro nas sondagens e dizer que a população está satisfeita é não querer ver a realidade. Mas as contas fazem-se no fim e em Março de 2006 lá iremos de novo a votos. Estou certo que Barroso não fará o que Guterres fez. Não fugirá cobardemente com medo das consequências das suas políticas.
Ainda falta fazer muita coisa. Na educação, na saúde, no combate à pobreza e ao desemprego, na administração pública e sobretudo na nossa capacidade de dar a volta aos problemas e às contrariedades. Também é verdade que nalgumas coisas o PSD tem vindo a repetir erros do passado, cometidos por quem não teve unhas para governar Portugal. A forma com a administração pública está organizada no seu patamar dirigente e o método como se têm gerido algumas nomeações, traz-nos à memória o pior do guterrismo. Espero que o Primeiro-Ministro tenha a consciência - com certeza que a tem - da forma como alguma hierarquia intermédia usa o Poder que dispõem.
O país que recebemos dos socialistas não foi o mesmo que a eles deixámos em 1995. Veja-se o capítulo das grandes obras estruturais para o país e facilmente se perceberá que foram realidades distintas. Mas a hora é de olhar em frente. Dos fracos não reza a história e esses atiraram a toalha ao chão numa noite de Dezembro em que estava tudo em causa menos a política do governo. Tiveram esse pretexto e não o quiseram desperdiçar.
Por tudo isto resta ter a esperança que os sacrifícios pelos quais nos fazem passar hoje, tenham consequências e resultados positivos amanhã.
Sou muito optimista em relação ao Primeiro-Ministro e à sua capacidade de governar Portugal e não é de agora. Em Fevereiro de 1995, quando o Coliseu dos Recreios, sobrelotado, discutia uma nova liderança para o PSD, já eu tinha uma ideia clara daquilo que o partido e o país precisava. Alguns, só chegaram a essa conclusão mais tarde. Não importa. O que importa é que o PSD esteja unido em volta do seu líder no sentido de o apoiar neste grande desafio que é PORTUGAL.

Bons ventos de Espanha 

Espanha continua a ser um foco de notícias, umas a seguir às outras. A mais significativa que ouvi dá conta do compasso de espera feito pelos terroristas islâmicos, concedendo a Zapatero um estado de graça para ver o que fará em relação às tropas espanholas estacionadas no Iraque.
Tanto quanto foi possível saber, a sua intenção é ordenar o regresso dos militares, indo ao encontro das pretensões da Al-Qaeda.
Mas porque de Espanha não chegam apenas coisas más, sugiro aos apreciadores da boa música celta, uma visita a este site.
Chamam-se Luar na Lubre, são galegos, têm uma vocalista fantástica e um som ainda melhor. Vale a pena ouvir os seus trabalhos, sendo certo que é necessário apreciar o estilo.
Eu gosto...e muito.

I Festival de Gastronomia Serrana do Concelho de Tavira - V (continuação) 

Voltamos a Santa Catarina da Fonte do Bispo, mais precisamente aos Morenos local onde vamos encontrar mais um “altar” da boa comida serrana.

Restaurante Snack - Bar “ Flor da Serra”Morenos
Santa Catarina da Fonte do Bispo

Tel: 281 971 212
Dias do Festival: Sextas-Feiras dias 26 de Março e 2 de Abril e fins-de-semana

Entrada: Pão, Manteiga, Azeitonas, Chouriço; Queijo € 4,00
Prato principal: feijoada serrana €6,00
Sobremesa: Pudim à casa €2,00
Vinho: Cepa da Mota tinto €4,50
Digestivo típico da casa: Aguardente de figo €1,25

À nossa espera estará o Sr. Costa e a esposa que tudo farão para nos servir com a qualidade e o tempero já habitual. Com uma sala de refeições renovada, o Restaurante Flor da Serra tem para nos oferecer uma magnífica feijoada serrana onde não faltarão os condimentos para a tornar irresistível.
Chegar à esta “Flor” não é difícil. Para os que vêm do lado de Tavira, basta ter em atenção ao cruzamento para os Morenos que se encontra no lado direito. Sensivelmente 3 a 4 quilómetros mais à frente vão encontrar o restaurante numa subida bastante denunciada.
Amanhã vamos direitinhos à Fonte Salgada.

Apresentação do último livro do Professor 

Estive a pensar sobre o assunto e cheguei à seguinte conclusão:
A Bertrand não deve ter medido bem as consequências do problema e certamente não sabe onde se está a meter ao organizar na sua livraria no Algarve Shopping, a sessão de autógrafos referente ao último livro do Professor Cavaco Silva. Esta grande superfície comercial não é suficientemente grande para acolher um acontecimento desta natureza.
Julgo que os organizadores do evento deveriam contactar, o mais depressa possível, a administração do Parque das Cidades, no sentido de ser disponibilizado o Estádio do Algarve, para aí ser feita a sessão de autógrafos. Julgo que 30 000 lugares serão suficientes para todos aqueles que desejam ter uma dedicatória do Professor.
Esta é uma boa oportunidade para dar alguma utilidade ao estádio, para que não esteja sempre de portas fechadas.

MFL 

Não leiam isto porque é mentira.

Escutei mal de certeza 

O Canal 2, transmitiu ontem à noite, conforme é seu hábito, o programa Parlamento. Os convidados eram os líderes parlamentares, à excepção do PP.
Julgo ter ouvido, mas não tenho a certeza que o deputado António Costa dizer o seguinte:
- O défice dos governos do PS era realista o do PSD tem por base uma situação que não é real.
Corrijam-me, por favor, se não foi isto que foi dito.

Case study 

A vitória do PSOE tem sido motivo de muita conversa. Na blogosfera nacional constitui já um case study.
Chamo a atenção para os comentários deixados no post de baixo "As minhas dúvidas", sendo certo que outros irão aparecer.

2004-03-16

As minhas dúvidas 

Alguns sectores têm comentado a derrota do PP em Espanha como a consequência de um conjunto de coisas, nomeadamente o apoio à intervenção militar no Iraque e à omissão propositada da verdade em relação aos atentados de Madrid. Eu concordo em absoluto com a segunda e duvido bastante da primeira. Para acreditar que a primeira terá feito a diferença era necessário conhecer os resultados eleitorais sem os trágicos acontecimentos da semana passada. Como isso não passa de um exercício académico, fico-me pela questão da gestão da crise que, conforme já disse, foi catastrófica.
Na área socialista portuguesa vive-se um clima de euforia a este propósito e não vou aqui sequer dizer aquilo que desconfio poder passar pela cabeça de algumas senhoras e senhores mais afoitos em regressar ao Poder no nosso país. Basicamente existe uma presunção de o apoio à intervenção militar no Iraque poder continuar a fazer estragos em mais países. O que os socialistas ainda não referiram, ou preferem silenciar, é que um desses países é governado pelo “trabalhista” Blair, esse sim um contribuinte líquido para a deposição de Saddam Hussein.
Mas a minha questão continua a não ser essa. Aquilo que eu julgo ser verdadeiramente pertinente em todo este enredo é aferir até que ponto o terrorismo pode fazer cair governos e eleger oposições. Se uma coisa está directamente relacionada com a outra, tenho algumas perguntas que gostaria de deixar no ar:

- Até que ponto estamos todos dispostos a abdicar das mais fundamentais conquistas e direitos democráticos, em troca de um clima de aparente tranquilidade?

- Vale a pena não chatear os terroristas, optando por uma atitude passiva em relação ao problema do terrorismo, em troca de paz dentro das nossas fronteiras?

- Vale a pena continuar a assobiar para o ar e dizer que o terrorismo é combatido à mesa das negociações?

- Alguém está convencido que os “Senhores do Terrorismo” estão interessados em dialogar, fazer concessões ou exigir iniciativas, em troca de tréguas?

- Já alguém pensou que o motivo principal do terrorismo islâmico é o fundamentalismo religioso e isso significa uma infinita jihad, a qual apenas se sabe onde começa, mas nunca onde acaba?

Cavaco Silva no Algarve 

O Professor Cavaco Silva estará no Algarve no próximo dia 20 de Março para uma sessão de autógrafos, do seu mais recente livro, Autobiografia Política II.
O encontro decorrerá na Livraria Bertrand (Algarve Shopping) pelas 16:30 de Sábado.

Cuba Libre 

Descobri há uns dias atrás este site, o qual gostaria de recomendar aos leitores do Almariado.

I Festival de Gastronomia Serrana do Concelho de Tavira - IV (continuação)  

Depois de duas experiência reconfortantes em Santa Catarina da Fonte do Bispo e uma outra na serra da Conceição de Tavira, vamos rumar um pouco mais a sul para encontrar o:

Restaurante “A Destilaria”
Sítio da Igreja – Santo Estêvão

Tel: 281 961 562
Dias do Festival: Sextas-Feiras dia 26 de Março e 2 de Abril e fins-de-semana

Entrada: Manteiga e chouriço caseiro €1,50
Prato principal: lombo de porco com castanhas e batatas €4,00
Sobremesa: pudim da casa €1,50
Vinho: vinho da casa, Jarro ½ litro €2,00
Digestivo típica da casa: Medronho €1,00

Santo Estêvão, em termos de aglomerado urbano, é daquelas aldeias onde a igreja fica ao meio e as casas à sua volta. Por isso a toponímia é quase toda ela a mesma. Neste caso falamos do Sítio da Igreja que dá para quase tudo.
Na verdade “A Destilaria” não é bem ao lado da igreja. Se por acaso estiver no centro da aldeia, deverá optar pela estrada que nos leva à Luz de Tavira. Um pouco depois do cemitério ai está, do lado direito, o quarto “altar” da gastronomia serrana de Tavira.
O prato recomendado para o Festival é o lombo de porco com castanhas e batatas. A castanha, conforme é sabido, não é algarvia, naturalmente. Mas a mistura com o lombo do suíno promete.
Chamo a atenção para os que vêm de fora para mais duas sugestões importantes nesta freguesia. A primeira delas uma visita “obrigatória” ao Pego do Inferno. Trata-se de uma pequena queda de água que evolui através de uma formação geológica a qual proporciona um espaço de grande beleza. No Verão é um local bastante concorrido, nomeadamente por aqueles que não gostam de areia.
A outra é, naturalmente, uma ida ao centro da aldeia onde, para além da Igreja existem alguns exemplos, muito bonitos, de platibandas em casas antigas e tradicionais.
Amanhã regressamos a Santa Catarina da Fonte do Bispo.

Para consumo local 

Mais um processo arquivado envolvendo o Presidente da Câmara Municipal de Tavira como principal arguido e com os queixosos a serem, também eles, quase sempre os mesmos.
Por aqui se vê as motivações que algumas pessoas tinham na altura, quer os que desempenhavam cargos públicos, quer os que faziam, premeditadamente, notícias de uma veracidade e honestidade intelectual surpreendente.
Talvez as tardes passadas no Mercado da Ribeira e os líquidos ali consumidos tenham toldado o espírito a alguns.
Depois do arquitecto acusado de corrupção, assunto sobre o qual o PS/Tavira, estranhamente, nunca emitiu a sua opinião, seguem-se os vários casos em que um homem inocente é acusado, apenas e só por motivações partidárias e elitoralistas.
E depois admiram-se da “cabazada” que apanharam.
Nunca mais aprendem.

2004-03-15

I Festival de Gastronomia Serrana do Concelho de Tavira - III (continuação)  

Voltamos ao nosso roteiro da gastronomia serrana, conforme foi prometido na semana passada.
Depois da Açorda de Galinha da Dona Fernanda, é hora de rumar à freguesia de Santa Catarina da Fonte do Bispo.

Restaurante Constantino
Sítio Montes e Lagares – Santa Catarina

Tel: 281 971 217
Dias do Festival: Terças-Feiras dias 23 e 30 de Março e fins-de-semana

Entrada: queijo de cabra com mel; presunto; peixe Alimado; €4,00
Prato principal: Galo caseiro estufado com batatas €4,50
Sobremesa: Doce da casa com amêndoas €1,25
Vinho: vinho da casa (jarro – 1 litro) €3,50
Digestivo típica da casa: Algarve café (Medronho, café, natas) €2,00

Este é um restaurante fácil de encontrar. Na estrada de Santa Catarina da Fonte do Bispo para São Brás de Alportel, encontra-se um cruzamento à direita, logo à saída da aldeia, com direcção ao Porto Carvalhoso, Bemparece, Alcaria Fria e por aí fora. O Restaurante Constantino é poucos metros depois desse mesmo cruzamento.
A especialidade apresentada é o já famoso galo caseiro estufado com batatas. Aqui não há nitrofuranos. O dito cujo é criado com todo o carinho e assim deve ser tratado na hora de ser degustado.
Em Santa Catarina da Fonte do Bispo a refeição deve terminar, se possível, com uma aguardente de medronho para empurrar o que não quer ir para baixo. Nem todas são boas mas os amigos do Restaurante Constatino têm um bom "medicamento" para o efeito.
Amanhã há mais, na freguesia de Santo Estêvão.

Aos amigos do Sábado à tarde em Faro (private joke) II 

A JSD/Algarve produziu um documento "demolidor" cuja destinatária era e é, presumo, a Comissão Política Distrital do PSD/Algarve.

Na tarde de Sábado, o mais normal era ver e ouvir alguém dos "laranjinhas" a defender o documento e a confrontar as pessoas, olhos nos olhos. Nada disso aconteceu.

Fique a saber hoje, de fonte segura, que o principal dirigente da JSD/Algarve não esteve presente na reunião vespertina de Sábado por afazeres pessoais num centro comercial da região. Perdeu-se um bom momento de diversão e debate.

Ainda em relação ao documento, devo dizer que algumas das coisas que lá estão escritas têm a minha concordância, mas suscitam-me duas questões:

- E o que fez a JSD/Algarve de diferente em relação ao imobilismo que acusa na acção do PSD/Algarve?
- Se algum dirigente da JSD/Algarve tivesse sido nomeado para um cargo na administração pública regional, teriam escrito aquilo que escreveram?

Praça da República em Beja para o país inteiro 

O nosso amigo João Espinho teve este fim-de-semana um momento de glória, na minha opinião, muito merecido.
O seu Praça da República em Beja, que é uma das minhas recomendações, foi notícia de destaque na Única, a revista do Expresso, pela “pena”do Paulo Querido. À conta disso, aparece uma fotografia do seu blogue e o respectivo endereço o que fará aumentar o número de visitantes, creio eu.
Para além da qualidade do que lá é escrito, convém não deixar de visitar a sua galeria fotográfica virtual. Por tudo isto, renovo as minhas recomendações e deixo um abraço de felicitação ao João.

Regresso das tropas espanholas 

Zapatero afirmou que as tropas estacionadas no Iraque vão regressar antes de 30 de Junho.

A Paixão de Cristo 

Numa sala cheia de pessoas, grande parte delas a “ruminar” pipocas, assisti este fim-de-semana, ao filme de Mel Gibson “A Paixão de Cristo”.
Alguns comentários sobre o filme:

1 – Todo o filme é uma verdadeira “orgia” de violência. São cenas verdadeiramente chocantes sem roçar a parolice. Ou seja, é uma violência nua e crua que nos causa ainda maior impressão por, parecendo excessiva, aproximar-se demasiado da realidade ou pelo menos daquilo que temos idealizado na nossa mente como uma cena verdadeiramente violenta. Eu diria mesmo que os mais sensíveis não devem assistir a este filme.
A cena em que Cristo é flagelado pelos soldados romanos é de cortar a respiração.

2 – A história é a história de sempre, contada com um ou outro pormenor diferente mas são de facto as últimas horas de Jesus Cristo. Ao contrário do meu vizinho do lado que no início dizia para a sua esposa – suponho: - dizem que foi assim que aconteceu; a mim resta-me a comparação daquilo que me foi dito ao longo da vida na educação católica que tive. De facto Cristo foi morto, tudo o resto é discutível.

3 – A cara das pessoas no fim do filme é impressionante. Ninguém apresenta sequer um sorriso, mais que não seja: ainda bem que chegou ao fim. É uma sala inteira impressionada com o que viu e calculo que durante a exibição houve lágrimas à solta. Na saída mesmo à minha frente, duas senhoras diziam uma para a outra: - se eu soubesse que era assim não tinha vindo cá.

4 – O facto do filme não ser falado em inglês, mas sim em hebraico, é uma vantagem para o lado do realismo.

5 – O desempenho dos actores é marcante apenas no que respeita à representação de Jesus Cristo.

6 – A banda sonora é fabulosa. Não tenho mais nada a dizer sobre ela.

7 – O guarda-roupa e os cenários são de grande qualidade.

8 – Em resumo, o filme tem tudo para ser um sucesso de bilheteira. É polémico, violento, bem feito e toca na religiosidade de muita gente que não será capaz de separar o direito à sua fé, do direito às interpretações que cada um entende fazer. Os judeus, por exemplo, não saem bem tratados do filme. Resta saber se com razão ou sem ela.

Ou seja: vi, não é o filme da minha vida, dificilmente o esquecerei e não fiquei com vontade de o ver pela segunda vez como acontece noutras ocasiões.

Cambio II 

No dia em que se deu o atentado em Madrid, o mundo inteiro, teve uma reacção imediata: - Foi a ETA!
O Harri Batasuna primeiro e a ETA depois desmentiram a origem da culpa. Ninguém acreditou, até haver uma prova mais aproximada e concludente da autoria dos factos. A ETA tem as mãos sujas de sangue e ao contrário do que foi dito, já praticou atentados contra alvos civis inocentes. Logo, estaria entre os principais suspeitos e era necessária alguma imaginação para nos recordarmos em primeiro lugar da Al-Qaeda e só depois da ETA, sendo o “teatro das operações”, Madrid.
A ETA neste caso era uma espécie de menino que está sempre a mentir e quando fala a verdade ninguém acredita. O que o governo espanhol deveria ter feito quando pairou pela primeira vez a hipótese de não ser a ETA, era informar os cidadãos da realidade, alertando para a possibilidade de outras mãos criminosas. Não o fez por medo e por calculismo. O medo é um sentimento normal na vida mas dispensável na política. A mentira nem na vida nem na política e muito menos quando estão em causa vidas humanas que se perderam.
Ou seja, o pecado não foi ter suspeitado da ETA. Isso toda a gente fez e a comunicação social muito particularmente. O pecado foi o que dessa suspeita derivou.
Por tudo isto o PP entregou em bandeja de prata a governação do país. Agora os socialistas terão a oportunidade de por em prática a sua política face ao terrorismo interno e externo. A primeira medida deverá ser a retirada imediata das tropas espanholas que estão a operar tanto no Afeganistão como no Iraque. Assim a Al-Qaeda fica satisfeita e o PSOE ganha um patamar de coerência. A Espanha e o Mundo é que eu não sei o que ganharão.

Cambio 

Por manifesta burrice e falta à verdade, o governo espanhol entregou de bandeja as eleições ao PSOE.
Espero que lhes tenha servido de lição.

2004-03-14

Aos amigos de ontem (Sábado) à tarde em Faro (private joke) 

Devemos portanto concluir que aquilo que o PS/Algarve ganhou foi juízo, o que aliás é uma coisa que já lhe vai fazendo alguma falta.

Que rico negócio 

Os EUA estão no Iraque apenas a troco de petróleo. Esta é uma das frases mais comuns.
Essa pode até ser uma possibilidade, mas esta é já uma realidade.
Que rico negócio.

2004-03-13

Os mais terroristas... 

Nesta semana que passou, no meio de alguma tensão em consequência dos ataques terroristas de Madrid, foi afirmado que George Bush era o maior terrorista ao cimo da terra. Noutros locais (blogues) apareceram igualmente referências terroristas a Aznar, Blair e até Durão Barroso.

Como eu tenho dúvidas sobre esta matéria, ou seja, não estou certo que líderes de países democráticos estejam na lista dos maiores terroristas, gostava de auscultar a sensibilidade dos restantes frequentadores do Almariado, no sentido de apurar se alguém mais partilha da mesma convicção. Sugeria, se não é pedir muito, que as respostas/comentários fossem feitas com a máxima honestidade.

Da lista que vos deixo, a qual pode ainda ser acrescentada, sugiro que escolham três nomes, colocando-os pela ordem do pior para o menos mau. No fim faremos as contas.

E os nomeados são:

Ali Atwa – Membro do Hezbolá
Ariel Sharon – Primeiro-Ministro israelita
Ayman Al Zawahiri - fundador da Jihad islâmica no Egipto.
Billy Wright – Membro do IRA
Durão Barroso – 1º Ministro de Portugal
ETA – toda ela com todos os seus operacionais.
George W. Bush – Presidente dos Estados Unidos da América
José Maria Aznar – Presidente do Governo de Espanha
Moammar al-Qadhafi – Ditador Líbio
Mohammed Atta – membro da Al-Qaeda e um dos operacionais do 11 de Setembro
Muhammad Atef – Membro da Al-Qaeda
Mullah Omar - Líder Talibã
Omar Al-Bashir - Presidente do Sudão
Ossama Bin Laden – Líder da Al-Qaeda
Otelo Saraiva de Carvalho – mentor das FP-25, condenado a 18 anos de prisão, dos quais só cumpriu 5 e amnistiado por um parlamento maioritariamente de esquerda por proposta de Mário Soares.
Saddam Hussein – Ditador Iraquiano deposto
Saif Al-Adel – membro da Jihad islâmica no Egipto e um dos membros principais de Al-Qaeda no Afeganistão
Sheikh Yassin – Líder espiritual do Hamas
Tony Blair – 1º Ministro da Inglaterra
Yasser Arafat – Líder palestiniano


É interessante verificar que acabou por se misturar líderes políticos eleitos democraticamente com gente do mais reles que o mundo já conheceu. Mas o desafio está feito. Se Bush, Aznar, Blair e Durão, para alguns, são terroristas, eu acrescentei aqueles que fazem partes das listas dos “Mais Procurados”, bem como outros que já foram inclusive condenados em tribunal ou estão para ser.

Isto parece de facto ridículo, mas agora que haja coragem e sinceridade para classificar esta lista de nomes e, se não for pedir muito, justificar a escolha. Eu próprio darei também a minha opinião mais tarde, para não influenciar a escolha.

Volto a afirmar que quem quiser acrescentar mais algum nome, pode fazê-lo.

Ainda em resposta às correcções feitas pelo Descrédito 

Nas minhas procuras na Internet, descobri mais alguma informação que julgo ser relevante para algum debate que por aqui houve em relação ao posicionamento ideológico da ETA.
Acho claro como a água o que aqui está escrito.
A ETA não só foi fundada sob uma matriz ideológica marxista, como chegou a ser apoiada por regimes comunistas, tais como Cuba, bem como por outras nações terroristas.


2004-03-12

Tomar posição 

Além da tal senhora Ana Gomes que aponta o dedo a Bush pelo massacre de ontem em Madrid, começam a aparecer outras considerações de culpabilidade que incluem Durão Barroso, por ter participado na Cimeira das Lajes ao lado de Aznar e Blair.

Ora isto coloca-nos, na opinião de alguns, na rota dos alvos preferenciais da Al-Qaeda. É então sustentável a ideia que o melhor e não termos opinião nem posição sobre as coisas que vão acontecendo no planeta. Optar por aquela posição típica do guterrismo: nem somos contra nem a favor. Somos assim-assim. Porque se somos contra o terrorismo, transformamo-nos num alvo a abater. Se somos a favor, temos a opinião pública à perna. Se não tivermos opinião, nada nos acontece.

Extraordinário.

Ainda bem que os Estados Unidos da América, não pensaram assim quando tiveram de auxiliar a França e a Inglaterra durante a II Guerra Mundial. O Hitler, que era tão louco ou mais que o Bin Laden, também não deve ter ficado satisfeito quando viu os Yankees a entrar pela Europa a dentro, até porque isso significou a sua queda.

Acontece que os americanos tomaram uma posição…a da razão.

Esquerda abertzale 

Li no Abrupto que o Harri Batasuna se identificou como «esquerda abertzale» tendo a SIC traduzido, erradamente, para esquerda radical. O JCD também já tinha deixado essa correcção aqui no Almariado, com uma consideração que está absolutamente correcta: quem é radical não se considera como tal. Tal como ele disse e eu reafirmo, temos no Bloco de Esquerda português a prova disso mesmo.

Tendo sido a ETA ou não, este momento trágico tem servido sobretudo para branquear a acção terrorista que ela tem levado a efeito todos estes anos, bem como a ilegalização do Harri Batasuna. Estão aqueles que gravitam no mesmo espaço ideológico do radicalismo destas duas células anti-democráticas, interessados em deslocar os acontecimentos para direita. Acho isso imprudente.

O Srº Louçã diz que os atentados são fascizantes. Será que são? E porque são? E os que a ETA tem cometido ao longo da sua história, principalmente aquele ocorrido na década de 80 em Barcelona numa grande superfície comercial?

Desvario 

Existem já algumas opiniões sobre o contexto ideológico do atentado de Madrid, sem que ainda se saiba em concreto quem o praticou. Eu próprio admito, poder ter-me precipitado, à imagem do que aconteceu com o governo espanhol e a esmagadora maioria dos seus cidadãos.
Para mim a ETA e o Harri Batasuna, estão muito mais próximos da extrema-esquerda do que da direita, por muito que o Sr. Louçã e companhia queira contrariar.
Na própria conferência de imprensa de ontem os dirigente do Batasuna, afirmaram-se da esquerda radical ao condenarem o atentado. Se eles o dizem quem sou eu para contrariar.
O que eu jamais suponha era ouvir alguém dizer que a culpa do atentado é do Bush. E não suponha justamente porque não me lembrei que no PS existe uma pessoa que dá pelo nome de Ana Gomes.
Agora que me recordo que os socialistas têm alguém com esse nome e com um perfil de intervenções a roçar o desvario, então sou obrigado a reconhecer a minha falta e para a próxima colocarei todas as hipóteses, mesmo as mais irracionais, antes de fazer suposições.

O Massacre de Madrid 

Os atentados de ontem não só não foram reivindicados pela ETA, como surgiu a notícia da sua autoria por parte de uma célula da Al-Qaeda. O melhor é aguardar e não fazer muitas mais especulações.
Em Espanha a ETA é de facto a principal suspeita em acções deste género. No entanto, pode, desta vez, não ser assim. Eu, tal como li na imprensa espanhola, também desconfio da organização separatista basca, mas a coincidência da data e a forma de actuar dos terroristas, abrem a possibilidade do atentado ter sido perpetrado por um grupo fundamentalista islâmico. A ser verdade, a primeira dedução a retirar deste caso é que o problema deixa de ser apenas espanhol e passa a ter contornos e implicações mundiais.
Pior do que isso, com a realização do EURO 2004 em Portugal, não há razão nenhuma para pormos de lado um atentado dentro do nosso próprio território.

O jogo de ontem 

O SLB vulgarizou o Inter de Milão no jogo de ontem à noite. No entanto, tal como aconteceu no primeiro jogo entre o FCP e o Manchester, o resultado é demasiado incerto e obriga o SLB a marcar em San Ciro, se quiser passar a eliminatória.
Estou convencido que se o nível futebolístico em Itália for semelhante e se o SLB tiver a pontinha de sorte que lhe faltou ontem à noite, as hipóteses de passar à próxima eliminatória são grandes.
O Inter, tal como o Manchester no Dragão, podia ter saído de Lisboa com um saco cheio de bolas às costas. Mas ao SLB falta-lhe um ponta-de-lança daqueles que raramente falham. Enfim, pelo menos não saímos envergonhados e quem foi ao estádio deu o dinheiro por bem empregue.
Em Milão o Inter já pode contar com Vieri e o SLB com Nuno Gomes. Se para o primeiro isso é uma boa notícia, para o segundo ficamos sempre na expectativa de ver um lance de baliza aberta com um avançado português a preferir atirar-se para o chão em vez de marcar o golo.
A ver vamos.

Luto Nacional 

Foi decretado hoje Dia de Luto Nacional, em solidariedade com o vizinho povo espanhol.
Não posso estar mais de acordo.

2004-03-11

Os assassinos da democracia espanhola IV - Reacções 

O Descrédito lançou um post não concordando com o facto de eu ter colocado a ETA na extrema-esquerda. Confesso que ao longo destes anos todos, nunca percebi que fossem de extrema-direita e se o são, para mim dá o mesmo. São assassinos.

Uma coisa parece-me claro: se alguém disser que o Harri Batasuna – braço político da ETA – é uma organização de direita, é capaz de ofender os seus dirigentes.

Acompanho, não tanto como gostaria, a vida política do país vizinho e nunca vi qualquer referência à ETA como organização com orientação ideológica à direita. À extrema-esquerda, vi e ouvi muitas vezes, tanto por dirigentes do PSOE como do PP.

Hoje ao ler algumas das coisas sobre os acontecimentos de Madrid, verifico que a análise que faço quanto ao posicionamento ideológico da ETA é geralmente identificado como de extrema-esquerda e quem é de esquerda não deve sentir-se incomodado com esse facto. Ser de esquerda não significa ser extremista, muito pelo contrário, e o mesmo se aplica à direita.

Sugiro uma visita ao Jaquinzinhos, onde podem ler-se alguns comentários no post Freedom Fighters que, na minha opinião, são de algum interesse.

I Festival de Gastronomia Serrana 

Hoje, não há ânimo para falar de petiscos. Amanhã darei continuidade às sugestões gastronómicas do interior tavirense.

O 11 de Setembro espanhol 

De manhã eram “apenas” 60 vítimas mortais. À hora do almoço já estavam contabilizadas mais de 170. É o maior atentado terrorista em todo o continente europeu. Ainda sem confissão de autoria oficial, tudo indica que a ETA seja a causadora deste massacre.
É sem dúvida o 11 de Setembro espanhol, curiosamente no dia 11 de Março.
Os partidos já anularam todas as acções de campanha previstas para hoje e amanhã. O Herri Batassuna, por sua vez, veio dizer em conferência de imprensa que garante a inocência da ETA no atentado desta manhã. O problema é que ninguém acredita.
Seja quem for, merece ser castigado exemplarmente.

Os assassinos da democracia espanhola III 

Reacções:
'Que sepan los terroristas que voy a por ellos'
Mariano Rajoy líder do Partido Popular Espanhol e candidato à Presidência do Governo

Os assassinos da democracia espanhola II 

Para aqueles que ainda possam ter dúvidas em relação terrorismo político, cliquem aqui.

Os assassinos da democracia espanhola 

Eu sou um apaixonado pela vizinha Espanha. Não alinho nos comentários, quase sempre invejosos, contra os nuestros hermanos. Acho um povo fantástico, amigo, divertido e com um estilo de vida bem diferente do nosso, na minha opinião para melhor.
Para além disso gosto de paella, do presunto pata negra, dos secretos, dos calamares, da rioja, da manzanilla, do flamenco, das sevilhanas, dos pueblos blancos, das corridas de toiros, entre outras coisas. Não gosto muito de monarquias mas também não me incomodam demasiado. Agora há uma coisa que eu não gosto mesmo nada: do terrorismo.
Nós, felizmente, não vivemos com esse espectro constante da expectativa de um atentado, como aquele que aconteceu esta manhã em três estações de comboios em Madrid. Ainda sem confirmações já se falava, poucos minutos depois dos atentados, em mais de 60 vítimas mortais. Ou seja, gente inocente que sucumbiu às mãos do sangrento terrorismo de extrema-esquerda. É assim que alguns se comportam a poucos dias do povo espanhol ir às urnas para escolher os seus governantes, ou seja, matando pessoas inocentes.
O nosso sentimento com Espanha tem sido sempre muito difícil de explicar. Olhamos para ela com desconfiança ao mesmo tempo que caímos na tentação de dizer que ali é que é bom e que aqui não presta. Nós de facto em muitas coisas estamos vários pontos abaixo dos nossos vizinhos, mas a tranquilidade de não termos, agora, um grupo terrorista que periodicamente ceifa a vida a civis inocentes, é, só por si, é uma grande vantagem.
Ao povo espanhol nesta hora difícil, só nos resta a nós portugueses democratas e civilizados, transmitir a nossa profunda solidariedade.

2004-03-10

Um ano atrás 

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Há um ano atrás eras assim. Paro o ano como serás?

I Festival de Gastronomia Serrana do Concelho de Tavira - II (continuação) 

Segundo dia de divulgação aqui no Almariado.
Continuamos para bingo, desta vez na zona oriental do concelho, freguesia da Conceição de Tavira, a caminho da Corte António Martins ou do Fazfato. Bem ao pé da estrada lá está mais um "altar" da boa comida serrana.

Casa de Pasto Fernanda
Corte António Martins - Conceição

Tel: 281 951 770
Dias do Festival: Segundas-Feiras dias 22 e 29 de Março e fins-de-semana

Entrada: Presunto ou queijo €3,00
Prato principal: açorda de galinha €7,50
Sobremesa: pudim de amêndoa e gila €2,00
Vinho: jarro pequeno (meio litro) €2,00
Digestivo típico da casa: Medronho caseiro. €1,50

Este restaurante, para alguns, já é conhecido. A açorda de galinha é a rainha do repasto. O local é acolhedor e a cozinheira uma grande artista na arte do tacho e da panela.
Para que a digestão não seja um problema, se a visita for ao almoço, proponho um passeio pela Mata da Conceição, ali bem perto. Aos que vêm das grandes cidades, aproveitem para encher bem os pulmões de ar puro já que no estômago não caberá mais nada.

Amanhã regressamos a Santa Catarina da Fonte do Bispo.

Que sirva de emenda 

O terrorismo intelectual que invadiu algumas escolas do nosso país na semana passada, com origem num padre responsável pela associação SOS Vida, chegou aos ouvidos das autoridades de Taiwan. Como seria de prever, o consumo de fetos humanos foi totalmente desmentido e o dito senhor já apresentou ou vai apresentar desculpas ao Embaixador da China em Lisboa, depois de reconhecer a precipitação.

Sobre este assunto apenas uma nota muito simples:

As fotografias de Taiwan circularam de forma livre e indiscriminada por milhares de endereços electrónicos em todo o mundo, suponho eu. Antes de as ver na televisão, por acaso já as conhecia porque alguém fez a “gentileza” de mas enviar. Ora sabendo qualquer um de nós, o lixo informático que circula de e-mail em e-mail, que muitas vezes não passa de montagens fotográficas bem conseguidas, como é que uma associação, supostamente responsável, utiliza este tipo de material para fazer passar a sua mensagem?

Acreditem, isto não é coisa de gente inteligente. Estou mesmo convencido que alguns indecisos em relação à questão da despenalização do aborto ficaram mais esclarecidos sem que isso signifique uma posição definitiva em sentido contrário. Virou-se o feitiço contra o feiticeiro.

Espero que este episódio tenha servido de emenda ao tal senhor padre e que na próxima vez tenha mais cuidado na forma como se dirige às outras pessoas. Se eu fosse pai de uma criança que tivesse recebido o folheto das mãos desse senhor, garanto que não ficava mesmo nada satisfeito.

Por esta é que eu não esperava 

Sem querer provocar a sensibilidade canhota de quem quer que seja, gostava que este assunto fosse motivo de debate.

Os que não constam 

No índice remissivo do segundo volume da Autobiografia Política do Professor Cavaco Silva, constam apenas, salvo erro, dois políticos e um assessor algarvios.
Os políticos são, José Macário Correia ex-Secretário de Estado do Ambiente e actual Presidente da Câmara Municipal de Tavira e Joaquim Vairinho, ex-Presidente da Câmara Municipal de Loulé e actual euro-deputado do PS. O assessor era Teófilo Carapeto Dias.
Procurei outros nomes que pudessem constar e não encontrei, apesar de não os ter visto todos. Pelos vistos, muitos daqueles que idolatraram o Professor e se diziam perto dele não constam da sua autobiografia política.
Não deixa de ser curioso.

Good Bye “Chester” 

Que ninguém se admire se o FCP for um dos finalistas este ano da Champions League.
Apesar do golo limpo que foi anulado ao Manchester (o Fergusson deve ter ficado verde de raiva) o FCP revelou uma frieza cerebral fantástica que lhe valeu a eliminatória.
Fez aquilo que outros não são capazes de fazer em circunstância semelhantes: acreditou.

2004-03-09

I Festival de Gastronomia Serrana do Concelho de Tavira 

Conforme prometido, vou dar início à divulgação dos restaurantes participantes no I Festival de Gastronomia Serrana do Concelho de Tavira, iniciativa da Câmara Municipal.

O primeiro "altar" a visitar é:

Restaurante Cantinho da Serra
Bemparece – Santa Catarina

Tel: 281 971 557
Dias do Festival: Quartas-Feiras dias 24 e 31 de Março e fins-de-semana

Entrada: pão, manteiga, azeitonas, queijo fresco € 2,00
Prato principal: Ensopado javali € 9,00
Sobremesa: pudim de canela €1,50
Vinho: reguengos tinto €5,50
Digestivo típica da casa: Medronho, fabrico próprio €1,00

As vistas deste restaurante são de cortar a respiração. Situa-se na freguesia de Santa Catarina da Fonte do Bispo, na estrada que liga o Porto Carvalhoso à Alcaria Fria (um dos pontos mais altos do concelho), mais concretamente no sitio de Bemparece. O prato recomendado é o Ensopado de Javali.
De comer e chorar por mais.

As virgens ofenderam-se. 

Sir Alex Fergusson disse em conferência de imprensa que os jogadores portugueses faziam muito “teatro” dentro de campo, simulando faltas inexistentes, na tentativa de ludibriar os árbitros. Alguns jornalistas portugueses ficaram revoltados com a afirmação. Acharam-na injusta.
E eu pergunto: - Mas qual foi a novidade que o treinador do Manchester disse?
Basta ver um jogo da Premiere League e outro da Super Liga Galp e as diferenças são notórias. Isso não nos impede de dizer que o Manchester teve muita sorte de não ter sido goleado no Estádio do Dragão na primeira eliminatória. Mas que algum futebol praticado em Portugal é de uma mediocridade gritante no que toca ao anti-jogo e à batotice, isso é verdade.
Logo, em vez de nos comportarmos como virgens ofendidas, é preferível começarmos a pensar em mostrar um outro tipo de espectáculo nos nossos estádios. O FCP, o SLB e o SCP, além de todos os outros que participam na mesma competição, recorrem sistematicamente a este tipo de expedientes.
Para quê tanta surpresa e indignação?

A birra continua 

Já, mais do que uma vez, fiz referência ao “debate de ideias” entre Mário Soares e Paulo Portas. Ontem aconteceram novos episódios desse mesmo debate que na minha opinião desprestigia ambos. Porquê?

Primeiro porque Paulo Portas, apesar de ser um líder partidário, é um governante com o estatuto de Ministro de Estado. Ora quem ocupa estes cargos não pode entrar em bate-boca com terceiros, mesmo que esse terceiro seja Mário Soares. Portas tem gente dentro do seu partido para responder, com educação e elevação, ao líder histórico dos socialistas. Ao assumir a afronta da maneira como o faz, diminui a sua posição de homem de Estado. Aliás, não seria mau Durão Barroso pedir-lhe para parar com as respostas.

Segundo porque Mário Soares não acrescenta nada de positivo com esta polémica à sua vida de político. Soares deveria estar a um outro nível. Não está. Deixa-se entrincheirar num debate inconsequente que só o fragiliza, mesmo nas alturas em que os seus argumentos ferem o “adversário”. Depois saem-lhe tiradas do tipo “cresce e aparece” que, sendo certeiras, não lhe acrescentam prestígio.

Em terceiro porque, não sendo aqueles que se interessem pelo fenómeno da política, muito poucos são os que retiram alguma coisa de positiva desde confronto. Não está em causa nada de substancial. A questão está reduzida apenas a uma pessoa que chama reaccionária a outra e essa responde, à primeira, no mesmo tom. Alguém pode sair triunfante deste debate?

O Livro do Ano II 

Tal como se previa. Uma sala apinhada de jornalistas à espera de uma palavra do Professor que indiciasse uma vontade em candidatar-se a Belém.
É incontornável, Cavaco Silva será de certeza candidato a Presidente da República, com ou sem Santana Lopes na corrida. Esperamos agora para ver quem a esquerda tira da cartola, sendo certo que António Guterres, apesar dos desmentidos, é a mais provável hipótese com o destino já marcado. Em 1996 não foi diferente com Cavaco Silva.

2004-03-08

Um dia grande para a Europa 

Ontem foi mais um dia em grande para a Europa. Na Grécia caiu mais um governo socialista.
Costas Caramanlis é o novo primeiro-ministro grego.
Com o tempo a "coisa" vai ao lugar.

Livro do Ano 

O livro do ano é lançado hoje em Lisboa.

O Senhor dos Anéis 

Fui finalmente ver o último filme do Senhor dos Anéis – O Regresso do Rei, sem ter visto o segundo e com uma ideia muito vaga de como tinha sido o primeiro.

Três palavras para o classificar:

Magnífico – Em relação à história, à realização, à produção faraónica, aos cenários, aos actores, à fotografia, à caracterização, aos efeitos especiais, às aldrabices que acabamos por tolerar e a um conjunto de outras coisas absolutamente inolvidáveis que o filme encerra.

Longo – Por muito bom que seja o filme, três horas e meia é muito. Já me saía o Senhor dos Anéis pelos olhos. Estava uma família mesmo ao meu lado que já não sabia o que fazer aos miúdos. No intervalo ainda lhes compraram pipocas para os entreter, mas as pipocas acabaram e o filme continuou.

Desejo – Tenho uma lista com mais de cem lugares no Mundo onde gostava de ir. No top das preferências mantêm-se o Nepal mas há outros locais igualmente interessantes em espera. A Nova Zelândia é mais um. As paisagens e as vistas, mesmo exageradas, são fantásticas. É um local deslumbrante. Gostava de lá ir.

O Manel 

Os jornais desportivos de hoje são unânimes em colocar o jovem avançado do SLB, Manuel Fernandes (nome mítico no futebol português) nos píncaros da lua, por este ter feito o golo da vitória ontem à noite. Como não vi nem um segundo do jogo, reservo-me aos comentários. Em relação ao rapaz, só espero que de aqui a uns anos não esteja a jogar no FCP pelo facto do SLB não o ter aproveitado e tê-lo encostado à prateleira. Ou seja, uma repetição dos casos Maniche e Deco, sobre os quais os adeptos do clube devem reflectir na forma como o clube tem sido gerido do ponto de vista técnico e empresarial.

Dia da Mulher 

Hoje é o tal dia em que as mulheres aproveitam para fazer os disparates que não fazem nos restantes dias do ano. Ou seja, discriminam-se a elas próprias. Porque será?

2004-03-06

Terrorismo intelectual 

Os panfletos distribuídos pela associação SOS Vida nalgumas escolas do país, são um exemplo claro de terrorismo intelectual que afasta as pessoas da razoabilidade e transtorna o debate sério e esclarecedor que deve existir em torno da questão do aborto.
Estes são os tais argumentos que anteriormente referi que apenas servem para baralhar.
Pior do que isso é a forma pouco esclarecida com um dos autores do folheto justificou a revelação de fotografias horríveis de uma suposta carnificina em Taiwan com indivíduos a comer fetos humanos. Não só não foi capaz de garantir a veracidade das imagens que circularam pelo mundo através de e-mail, como também não foi suficientemente inteligente para perceber que este episódio não está relacionado nem de perto nem de longe com a realidade do nosso país.
Nos países do Oriente é comum comer carne de cão e de gato. Isso não faz com que Portugal adira a esse tipo de gostos. E refira-se que estamos a falar de animais e não de pessoas ou fetos humanos.

2004-03-05

Mais uma para debate 

O Daniel Tecelão é o garante da picardia e da discórdia neste blogue. Fico muito satisfeito que assim seja e já o disse várias vezes. Se não fosse ele, o Almariado tinha menos leitores porque ele é um provocador nato, no bom sentido, e chateia a molécula à rapaziada mais à direita. Tirando um caso ou outro em que a conversa subiu de tom e baixou de nível, ele tem sido um excelente compagnon de route.
Entretanto há tiradas do Daniel nos comentários que merecem um debate mais alargado. Recentemente houve uma que me divertiu imenso:

PPD é por essência um partido de poder, aliás é o partido que mais tempo o exerceu pós 25 de Abril e foi o herdeiro natural da tralha do antes 25 de Abril.

Esta merece debate e eu jogo a primeira acha para a fogueira:

Lembra-se do Prof. Veiga Simão? Sim, aquele que foi Ministro da Defesa Nacional do Engº António Guterres e que por coincidência também foi Ministro da Educação do Prof. Marcelo Caetano. O tal que tinha os "gorilas" à porta das faculdades para fiscalizar os movimentos estudantis subversivos da época. Lembra-se dele?

Então e já agora lembra-se também em que mares navegava o Drº Sousa Franco antes do 25 de Abril? Consta que partilhava a mesa do almoço com o Prof. Marcelo Caetano. Acha isso possível?

Já viu onde andam ou andaram estes ilustres portugueses?

Abram-se as hostilidades.

2004-03-04

O debate de ontem sobre a despenalização do aborto 

Depois do que vi e ouvi ontem, estou convencido que na próxima oportunidade, provavelmente noutra legislatura, a despenalização do aborto será finalmente uma realidade.

Entretanto algumas notas sobre o assunto:

1 - Na próxima legislatura, na minha opinião, teremos novamente um governo de coligação ou apenas o PSD sozinho. Não estou a ver o PS com fôlego suficiente para aguentar até 2006 os resultados, escassos para a época, que tem obtido nas sondagens. Com a situação económica do país a evoluir e com os estilhaços que o caso Casa Pia ainda pode causar ao PS, tudo indica que Durão Barroso renovará a confiança dos portugueses. Digo isto sem facciosismo e se pensasse o contrário também o dizia. Assim sendo, a chave da solução deste problema está, exclusivamente, no PSD. É ele que pode resolver a questão, mais nenhum. Partindo do princípio que existe uma inflexão no posicionamento e na vontade dos seus dirigentes e deputados, o que não acontece no PP, será de prever que mais cedo ou mais tarde, tudo se resolverá. No dia em que não houver um clima de disciplina partidária nesta matéria, o que aliás me parece um erro, dificilmente se conseguirá manter a situação actual. Até lá vamos ter a situação ridícula de haver uma lei sem consequência prática. Do mal, o menos.

2 - A questão do aborto nunca irá ficar resolvida através de um referendo. A esquerda insiste em realizá-lo, na minha opinião, erradamente. A despenalização do aborto resolve-se na Assembleia da República (AR), com liberdade de voto no PSD, onde existem alguns deputados que podem fazer a diferença.

3 - Um referendo, a vir a acontecer, será uma repetição jurídica do anterior, independentemente do resultado. Como a abstenção voltará a ser elevada, qualquer que seja o resultado, será sempre coxo. Se por acaso sair um sim à despenalização num eventual próximo referendo, teremos os partidários do não a contestar a validade do referendo. Logo o melhor é tentar resolver isto na AR. Invertem-se as posições actuais.

4 - O referendo arrasta consigo uma carga emocional enorme a qual deve estar ausente na resolução desta questão. Para além de colocar a nu um conjunto de realidades, representa um choque entre a esquerda e a direita. Enquanto a questão do aborto for colocada no plano ideológico como uma vitória ou uma derrota de um dos lados, mais difícil será chegar a uma situação definitiva que impeça as mulheres portuguesas sem meios financeiros apropriados a recorrer ao aborto clandestino. É bom que, sobretudo a esquerda, entenda isto.

5 - Outra coisa que desprestigia o debate em redor da despenalização do aborto é o radicalismo dos argumentos, de parte a parte.À direita (entenda-se PP e alguns sectores do PSD) com argumentos de uma tristeza humana gritante. À esquerda com slogans ridículos e que não deixam na cabeça dos indecisos outra ideia se não a errada. A barriga de uma mulher, só a ela pertence mas a questão não se resume apenas a isso.

6 - À posteriori e num cenário de despenalização, há um conjunto de coisas que pouca gente fala mas que são na minha opinião bastante importantes. Onde fazer os abortos? Quem os faz? Quantos foram feitos pela mesma mãe? Quem os paga? Que prioridade têm ao nível da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde?

7 - Entenda-se uma coisa: fazer um aborto não é um desporto, mas é preciso não o banalizar de forma generalizada e inconsequente. Uma mulher não pode cair no engano de pensar: se ficar, faço. Isto é justamente aquilo que jamais pode suceder e que dará uma legitimidade reforçada aos que são contra a despenalização. Por isso, muito calma e bom-senso.

8 - Por fim, volto aos meus motivos de fundo pelos quais sou partidário da despenalização do aborto:

- Ter um filho deve ser um acto reflectido de amor e de vontade, apenas e só.

- Prender uma mulher em consequência de circunstâncias que só ele conhece e só a ela afectam, é uma violência. A mulher, na maior parte dos casos, é vítima não é criminosa

- A vida é para ser vivida com dignidade. Basta de pobreza e miséria humana. O combate à exclusão social, ao contrário do que se possa pensar, começa muito antes de um cidadão vir ao mundo.

Petiscos do Interior de Tavira 

De 20 de Março a 4 de Abril, quem gosta da boa comida tradicional da serra algarvia, vai ter oportunidade de a provar no I Festival de Gastronomia Serrana, organizado pela autarquia de Tavira.
Darei mais informações sobre este evento um pouco mais à frente, com o nome dos restaurantes participantes, localizazões, ementas e outras sugestões.
A não perder.

Capaz do melhor e do pior 

Esta é a frase que encontrei para caracterizar a actual época do Benfica.
Ontem deu mais uma prova disso mesmo. Aos 15 minutos tinha a eliminatória perdida. Pouco depois, marcou um golo e desequilibrou a contenda a seu favor. A terminar a primeira parte, podia ter resolvido de vez a questão mas o jogador que seguia isolado para a baliza, em vez de fazer aquilo a que está obrigado, fez o que alguém muito entendido em futebol um dia lhe ensinou: jogou-se para o chão sem ninguém lhe tocar com a agravante de já ter visto um cartão amarelo. Deixou a sua equipa fragilizada, duplamente, não só porque não fez o golo, mas também porque a reduziu a 10 jogadores. Foi o pior momento do jogo de ontem.
Na segunda parte, sem jogar um futebol bonito ao qual estava impedido de fazer, defendeu com grande espírito de sacrifício. Os jogadores que ficaram em campo demonstraram merecer a camisola que envergam, sendo certo que noutras ocasiões bem recentes a envergonharam.
Depois, bem depois foi a constatação de uma realidade. Uma das peças mais importantes deste SLB é o seu guarda-redes. Fez-me lembrar um outro que também por lá passou muitos anos e se chamava Manuel Bento. O Moreira, feito nas escolas da Luz, será, se quiser, guarda-redes do SLB nos próximos anos sem que isso possa merecer contestação. Espero que no início da próxima época não lhe façam o que fizeram nesta, colocando em causa o seu valor. Ricardo do SCP é um excelente guarda-redes, mas Moreira não lhe fica assim tão atrás.
Em relação ao resto da equipa, não há muito mais a dizer. É uma formação inconstante com actuações muito diferenciadas o que nos leva a pensar se será a mesma a equipa que jogou contra o Nacional da Madeira e o Moreirense, daquela que enfrentou o Rosemborg em Lisboa e na Noruega.
Para a história fica a passagem aos oitavos de final e a certeza que a próxima eliminatória é, de certeza, muito difícil

2004-03-03

A mais absoluta confusão 

Esta ultrapassou a minha capacidade de entender os fenómenos internos do Partido Socialista. Uma das intervenções feitas na Assembleia da República esta tarde no debate sobre a despenalização do aborto, coube a Maria do Rosário Carneiro, ilustre deputada eleita pelo o Algarve (caso os algarvios não saibam é verdade) que tem uma posição anti-despenalização, para que tudo fique como está, com mulheres no banco dos réus por terem abortado.
Das duas uma: ou voltámos ao velho PS de Guterres cujo objectivo político principal era agradar a gregos e a troianos, como se isso fosse possível, ou então os socialistas, mais uma vez, estão reféns do tal socialismos cristão (que eu nem sei bem o que isso significa).
Deixo ainda uma terceira hipótese: Ferro Rodrigues não tem mãos nos seus deputados. Uma coisa é haver pessoas no grupo parlamentar que são contra ou a favor, outra, completamente diferente, é por deputados a discursar no sentido inverso da estratégia adoptada pela direcção do partido, numa matéria como esta em que o secretário-geral fez várias intervenções públicas num só sentido.
Para quem andava aos gritos contra a posição cristalizada da bancada do PSD sobre esta matéria, o PS acaba de dar um espectáculo triste e confuso.
Já sei: vão dizer que é a infinita liberdade e diversidade política do PS. O deputado Manuel Alegre deve estar satisfeitíssimo.

A cabala continua a Norte 

Avelino Ferreira Torres está a ser julgado por uma série de crimes enquanto presidente de Câmara de Marco de Canaveses.
Só pode ser mais uma cabala da Justiça portuguesa.

Joss Stone 

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Descobri, tardiamente, esta menina e este CD. Ouvi e não tenho dúvidas: é seguramente das grandes vozes da música mundial da actualidade.
Recomendo vivamente. Comprem, ouçam e divulguem aos amigos.

Crise no sindicalismo ou apenas novas formas de luta? 

Decididamente o mundo sindical português está mergulhado numa crise profunda.
Já não bastava a tendência para marcarem as suas greves para as sextas-feiras, que tanta controvérsia causa na opinião pública. Agora mais um episódio estranho que contamina a causa nobre dos trabalhadores em Portugal.
Esta notícia publicada ontem no Correio da Manhã não deixa margem para dúvidas. Os trabalhadores têm formas de luta inovadoras que não se compadecem com os velhos ditames do sindicalismo.
Julgo que esta situação merece uma profunda reflexão por parte dos dirigentes sindicais. Quem sabe não se encontram novas formas de intervir, colocando na boca dos trabalhadores, novas palavras de ordem.

2004-03-02

3 arcos 


(Ponte Romana - Tavira)

Semelhanças 

Com as devidas distâncias que vão do futebol à política, cada vez mais curtas, o episódio em Marco de Canavezes, trouxe-me à memória o de Felgueiras e o mau bocado que Francisco Assis foi obrigado a viver em Felgueiras.
No fundo o que está em causa são os mais elementares e básicos exemplos de caciquismo local, rodeados de gente suficientemente louca que lhes confere força e autoridade (i)moral. Tanto num caso como noutro, a braços com a Justiça.

A GNR que temos e merecemos 

As nossas forças de segurança (PSP e GNR) vivem realidades muito distintas, no interior das suas próprias estruturas. Na minha opinião mais a GNR do que a PSP.
O caso do hooligan de Marco de Canaveses é bem a prova disso. O dito cujo, pelo que disse ontem na SIC, estava sentado na bancada VIP do estádio, desceu até ao relvado, entrou em campo, pontapeou o que estava à sua volta, enxovalhou o árbitro e a GNR o que fez?
Ou seja, a mesma GNR que tem na sua corporação homens e mulheres bem treinados a prestar serviço no Iraque, os quais enfrentam perigos diversos e lidam com situações que podem chegar à extrema violência, são camaradas de outros que, pagos para asseguraram as condições necessárias ao decorrer de um simples jogo de futebol, nem isso são capazes de fazer.
Mas não é apenas esta a questão. O que sucederia se em vez do hooligan ter sido o presidente da Câmara Municipal, fosse o Zé dos Anzóis? Teria a GNR o mesmo comportamento passivo? Teria havido ordem de prisão? Pedido de identificação?
E o que tem a tutela a dizer sobre este assunto? E o comando-geral?

A Remodelação do Governo II 

Este texto foi promovido a post, quando era apenas um comentário a um outro inserido no “A remodelação do Governo” e segue em jeito de resposta ao nosso amigo Daniel Tecelão.

1- Remodelação: Ferro só a pede por falta de alternativas. Se tivesse mais alguma coisa de substancial para dizer, não pedia a remodelação. Ou seja, é o vazio de ideias para o país. Repare que dentro do PS começa a ser cada vez mais visível a estratégia ou a falta dela, bem como a postura de “One man show” por parte do secretário-geral. Não falta quem o acuse de não partilhar decisões, deixando-as no seio de um grupo muito restrito de colaboradores, isto quando não as toma na mais absoluta solidão.

2 - Substituição: Este Governo está mandatado pelo povo para governar uma legislatura completa, ou seja 4 anos. Ao contrário de preferência pessoais, não consta que Barroso vá fugir com o "rabinho entre as pernas" como o outro o fez. Também não consta que Jorge Sampaio, mil vezes mais sensato que Mário Soares, venha para a opinião pública pedir a dissolução da Assembleia da República. Bem sei que a esquerda, da moderada à extrema, vive mal com um governo que não precisa dela para governar, nem lhe faz concessões. Isso dói ainda mais quando o Poder estava na “casa” dessa mesma esquerda e foi mandado pela janela. Azar.

3 - Respeito: É disso mesmo que se trata. Respeito por quem foi mandatado para governar numa legislatura que só terminará em 2006. Aí sim, será possível perceber o que este Governo prometeu e não cumpriu e em que condição é que isso aconteceu. Já agora não se esqueça, mais uma vez, que o Guterres também prometeu ao povo português que ia governar o país e nos dois anos de mandato, diga-me honestamente o que ele fez, para além de andar a passear-se pela Europa?

2004-03-01

3 notas sobre as Eleições Europeias 

1 - Tenho ouvido durante os dias de ontem e hoje, diversas reacções à escolha do PS para cabeça de lista às eleições ao Parlamento Europeu.
Subtraindo a opinião de Ferro Rodrigues, mais nenhuma é feita com entusiasmo. Nem os próprios socialistas ficaram contentes e a entrada triste e discreta que o ex-ministro das Finanças de Guterres fez no passado sábado na Convenção, é bem o resultado de alguma decepção.
Sem qualquer margem para dúvida, reconheço que o PS tem nas suas fileiras melhores opções que foram preteridas em nome de uma estratégia que não é assim tão fácil de compreender. O PS quer ganhar votos ao centro e à direita, apesar de se ter esquecido, que esses mesmos eleitores vão ser os principais responsáveis pelos elevados valores que a abstenção terá, conforme disse ontem Marcelo Rebelo de Sousa.
Eu, pessoalmente, acho que a escolha não foi a mais feliz, ou por outra, foi felicíssima para as pretensões do PSD e do CDS.

2 - A escolha do slogan do PSD e do CDS para estas eleições é, também ela, pouco feliz. Não porque faça lembrar Berlusconi, mas porque é repetitiva e está gasta, não acrescenta nenhuma novidade.
Sem perceber grande coisa do assunto, resta-me aquilo que é o bom-senso e o bom-senso apontava para uma fórmula que estivesse mais próxima daqueles que são os novos desafios de Portugal no contexto europeu. A afirmação como Estado membro de pleno direito há quase 20 anos, com uma ideia clara para a União Europeia, fazendo valer o esforço e o rigor que é necessário manter para continuarmos a pertencer a esse grupo privilegiado. “Força Portugal” pode crer dizer muita coisa, mas também pode não querer dizer nada em concreto.
Calculo que este tenha sido o menor denominador comum entre duas realidades e formas de pensar a Europa completamente distintas. Não é fácil juntar, no mesmo cesto, ovos tão distintos.

3 - O cabeça de lista da lista da coligação governamental ainda não está definido. Existe porém já uma certeza, aquele que vier a ser escolhido, parte fragilizado. As notícias vindas a público de “primárias” no interior do PSD são precisamente aquilo que nunca deveria acontecer. Faz-me lembrar a fórmula que algumas concelhias por vezes praticam para encontrar um candidato à autarquia local. Fazem um referendo, “sangram” os candidatos a candidatos derrotados, dividem e fragilizam o partido e depois o resultado é o mais previsível, ou seja: a derrota.

Não se excedeu. 

Avelino Ferreira Torres, ao contrário do que a opinião pública pensa, não se excedeu ontem durante um encontro de futebol onde participava a equipa de Marco de Canaveses.
Segundo o Almariado pode apurar, o autarca do CDS/PP, apenas estava a convidar o árbitro da partida para tomar um “cimbalino” logo após o término da partida e pelo meio queria mostrar-lhe a sua grandiosa obra autárquica no concelho, nomeadamente na área da construção civil.
A comunicação social de esquerda tentou passar a ideia que Ferreira Torres pretendia agredir verbal e fisicamente o árbitro, mas isso não corresponde à realidade. É que afinal de contas, o homem está vivo, carago…

Terrorismo 

A polícia espanhola conseguiu interceptar um veículo da ETA com meia tonelada de explosivos, que se destinava a mais um atentado na cidade de Madrid ou nas suas imediações.
Mais um dia triste para o Bloco de Esquerda.

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