2003-12-30

Prémio Pelourinho 2003 no Praça da República em Beja 

O Almariado acaba de ganhar, pela primeira vez, um “prémio”.
Não tendo a certeza na forma de agradecer tamanha gentileza, fico-me por um simples mas muito honesto OBRIGADO.

Sentem-se 

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Largo Dona Ana em Tavira (No coração do Centro Histórico)

Ainda o drama do PS 

A forma como os socialistas reagiram ontem à acusação de Paulo Pedroso, foi bem melhor do que aquela que fizeram na Primavera passada.
Ferro Rodrigues não apareceu aos gritos, a espumar pela boca, de forma descabelada, a vociferar contra a Justiça e a afirmar que estava a ser vítima de uma cabala. Pelo contrário. Apareceu Vera Jardim, com pose de Estado e ar tranquilo, reafirmando a certeza na inocência do arguido.
Mesmo assim, acho que já foi excessivo e comprometedor. Deviam ter-se ficado por uma afirmação lacónica do tipo: - Acreditamos na Justiça e nas suas instituições. Esperamos que esta funcione e apure responsabilidades.
Só isto tinha sido suficiente. Mais do que isto, arrasta o partido para um abismo, o qual ninguém conhece a dimensão.
Na parte que me toca e sem hipocrisias, quanto pior, melhor.

Se não é milagre é algo semelhante. 

A minha fé não é suficiente para acreditar em milagres. Por isso sou céptico em relação a algumas coisas não pondo totalmente de parte que tenham acontecido. As aparições em Fátima são uma delas. Tenho dúvidas, muitas mesmo, mas não sou capaz de afirmar categoricamente que em 1917 não se passou lá nada daquilo que hoje em dia se conta.
No entanto há momentos na vida que não sendo milagres, são qualquer coisa que apenas a sorte e o destino, se é que ele existe, podem explicar.
Encontrar um bebé de 6 meses, vivo, soterrado nos escombros do terramoto do Irão, ao fim de mais de 70 horas, não sendo milagre é algo que nos deixa a pensar nos contornos da vida de uma pessoa.

Acusado II 

Quem está acusado de mais de 1100 crimes relacionados com pedofilia merece o quê?
Aceitam-se comentários e sugestões.

2003-12-29

Acusado 

Eis a razão pela qual, Paulo Pedroso nunca devia ter voltado à Assembleia da República como o fez. Da mesma maneira, este é também o facto que o PS nunca pensou acontecer, ou se pensou, ignorou-o de imediato. Recebeu o seu camarada em ombros e com aclamação, sem ter a certeza do seu futuro a curto prazo. Comprometeu-se. Envolveu-se. Deixou-se levar.
Do ponto de vista judicial, é Paulo Pedroso que se encontra acusado. Do ponto de vista político é, também, o PS, claramente.
A partir de agora duas coisas são possíveis: ou Paulo Pedroso está de facto inocente e é absolvido e não voltando tudo à normalidade porque é difícil, ficará lá perto, ou é condenado e consigo arrastará toda a direcção do PS, cujo envolvimento no processo era a todos os títulos evitável.
A condenação, se acontecer, significará a morte política de dois dirigentes, a saber: Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues.
Nestas circunstâncias e depois de tudo o que se passou já não há a mínima hipótese de os separar. Estão presos um ao outro e só a absolvição categórica e sem sombra para dúvidas poderá desatá-los.

Ao Correr da Memória 

No meio das prendas recebidas, este ano, estava o último livro de Diogo Freitas do Amaral “Ao Correr da Memória”. Trata-se de uma compilação de pequenas histórias que ocorreram ao longo da sua vida, algumas do conhecimento público, outras nem por isso, ou seja mais reservadas e íntimas.
Algumas dessas histórias tiveram para mim um sabor a déjà vu em consequência de conhecer o primeiro volume da sua auto-biografia, que é aliás um excelente livro.
Tanto quanto sei, este “Ao Correr da Memória” é um exercício de “aquecimento dos motores” para o segundo livro que o autor irá com certeza um dia publicar.
Faço aqui uma referência a este trabalho de Freitas do Amaral para citar um texto no qual descreve António Guterres enquanto governante de Portugal. Quando li pensei para comigo: aqui está a mais certeira definição, exemplificada, daquilo que foi o governo anterior, e sobretudo a forma como o então primeiro-ministro agia.
Passo a citar:

Antes de todo o país saber que António Guterres, como Primeiro-Ministro, era muito simpático mas bastante ineficaz, já essa imagem era corrente nos meios políticos e económicos de Lisboa e do Porto.
Um dia, um ilustre ex-ministro da AD, então empresário, contou-me:

- Nunca vi um Primeiro-Ministro mais simpático: sempre que lhe escrevo a pôr um problema, ele responde logo com um cartão muito atencioso, dizendo que vai tratar imediatamente do assunto. Mas depois nunca decide nada. Que é que eu faço?


Acho que não vale a pena acrescentar mais nada. Está aqui um retrato daquilo que foi a governação socialista ao longo de seis anos em Portugal.

2003-12-26

O que também sobra do Natal 

Muito para além das bonitas imagens que o Natal proporciona, há um outro lado da moeda que também é visível e que está directamente relacionado com os azares da vida, o desemprego, a miséria, a dor e a mágoa.
Os azares da vida, são de uma maneira geral tudo o que não corre bem, embora hajam situações que não podem estar apenas relacionadas com o azar.
Três situações que marcaram o ano de 2003 e que não estão apenas dependentes da sorte ou do azar são: a violência infantil, o desemprego e a sinistralidade na estrada.
Estas três coisas aconteceram ou acontecem, não por efeitos do destino, mas pela acção directa do homem.

A violência infantil
A violência infantil é dos piores crimes que o ser humano comete. Ao fim e ao cabo é o não ter respeito pela própria espécie. Não é apenas a pedofilia uma manifestação de violência, sendo certo que é a mais mediática e incontornável. A violência manifestada nos maus-tratos, no abandono ou na fome, são igualmente momentos de manifesta regressão humanista. Quem provoca sofrimento numa criança, consciente ou não daquilo que está a fazer deve ser, naturalmente punido de forma exemplar. Talvez por nunca isso ter acontecido, exista hoje em Portugal uma imensa nuvem negra sobre as cabeças dos mais pequeninos. Aqui o Estado nem sempre tem estado bem, para não dizer que nalguns casos tem estado bastante mal, não estranhando que um dia acabe também no banco dos réus.
Há mesmo um caso da flagrante demissão do Estado do seu poder de punir os culpados. Lembram-se do padre Frederico da Madeira? O tribunal condenou-o por homicídio de um rapaz. Mais tarde numa saída precária abandonou o país, rumo ao Brasil, onde vive tranquilamente sem que as autoridades tenham conseguido actuar.
Um país que não defende as suas crianças é um país votado ao desprezo internacional, ao subdesenvolvimento e à ignorância generalizada. Por essa razão, se no caso mais mediático de crimes cometidos contra as crianças em Portugal, existem culpas provadas contra algumas figuras cujo comportamento social e político deve ser exemplar, entendo que a pena deve ser também ela, dissipadora de repetições seja por parte de indivíduos com reconhecimento público ou simples desconhecidos.

Desemprego
O desemprego é outro drama social e económico, amplificado nas suas consequências, na altura do Natal. Ontem mesmo, julgo que a TVI, passava uma reportagem de uma família cujo pai se encontrava desempregado após três meses a trabalhar sem receber. Logo o Natal foi muito pobre, quase imperceptível. Valeu a atenção e a solidariedade dos vizinhos e amigos.
Num clima de recessão económica como aquele que se vive em Portugal, o espectro do desemprego é de tal forma incontornável que, por muita boa vontade que exista, é difícil combatê-lo. São situações verdadeiramente dramáticas, umas a seguir às outras que nos deixam à beira de um precipício onde ao cair, pouco há a fazer. A “deslocalização” das multi-nacionais, a falta de competitividade das nossas empresas, a pouca produtividade de alguns sectores, o culto da preguiça aliada à grande dificuldade em moralizar e até punir alguns empresários com comportamentos selvagens, faz de Portugal um país onde as contrariedades económicas são transformadas em momentos de grande agonia para os trabalhadores e em consequência, para as suas famílias. Mesmo não defendendo a intervenção do Estado na economia privada, não posso deixar de achar que a sua demissão em absoluto deixa no limbo do razoável uma margem muito grande a quem não tem o mais absoluto bom senso e escrúpulos.

A sinistralidade nas estradas
Cada vez que o Código da Estrada é alterado, impondo-lhe regras coercivas maiores, cai o Carmo e a Trindade. No fundo aquilo que toda a gente quer é conduzir conforme lhe apetece. Preferem achar que as causas directamente relacionadas com a sinistralidade são sobretudo de ordem estrutural. Más vias de comunicação, à cabeça.
Ninguém assume como também sua, a culpa e a origem do problema.
Eu confesso que todas as vezes que conduzo um carro, sem me aperceber, infrinjo o Código da Estrada. A velocidade excessiva aos limites impostos é o maior dos meus pecados. O problema é que eu sou apenas um entre muitos. Ou seja, quem está habilitado a conduzir, fá-lo de forma consciente apenas quando entra na viatura. Muitas vezes quando roda a chave já está a cometer um acto irresponsável. Ou porque bebeu um pouco a mais da conta e não dá por isso, ou porque está com poucas horas de sono mas tem de se deslocar, ou porque está atrasado e a pressa de chegar é a única solução. Enfim, é uma colecção de situações que abundam no nosso dia a dia sem darmos por isso.
Depois nas estradas é o regabofe completo. Há os que não aceitam ser ultrapassados, há os que estiveram a ver uma corrida de automóveis na televisão e ficaram entusiasmados, há os que não têm a mínima noção do que é conduzir e por fim aqueles que estão absolutamente convencidos que a virilidade e masculinidade está directamente relacionada com o números de asneiras que se faz ao volante. As senhoras não entram neste último capítulo, mas entram num outro de alguma falta de desembaraço. Aquilo a que por vezes chamam prudência, nalguns casos, tem outro nome.
Por tudo isto as nossas estradas são um imenso calvário onde todos os dias se ceifam vidas às famílias portuguesas. O pior é que a única forma de acabar com a sinistralidade, era acabar com os automóveis. Como isso não é possível, restam-nos duas coisas: a primeira é a esperança de isto um dia mudar, a outra é o desejo que hoje ou amanhã, não sejamos nós a ficar na estrada ou a chorar o desaparecimento de alguém de quem muito gostamos.
Ver a morte nas estradas na altura do Natal, nomeadamente de pessoas que apenas desejam juntar-se à família distante, é tudo aquilo que faz falta para que esta quadra se transforme num momento terrível, até ao fim das nossas vidas.

2003-12-24

Uma reflexão natalícia 

A Mui Digna blogosfera lusa, hoje e amanhã não deverá ter grande movimentação. Digo isto em função do número de visitantes deste meu querido blogue, o qual há muito não passava tanta fome. Julgo que se trata essencialmente das prendas Natal. Não creio que haja outra razão.
A propósito desta quadra festiva e correndo o risco que este post não seja lido por quase ninguém durante o dia de hoje, gostaria de chamar à atenção, sem qualquer intenção moralizadora (quem sou eu para o fazer) de um comentário muito interessante que ouvi esta manhã na Antena 1. Tratava-se de uma conversa a dois, neste caso entre o jornalista António Macedo e o mediático sexólogo português, Júlio Machado Vaz.
Falavam do Natal.
Às tantas, Machado Vaz, salta com uma frase que é no mínimo perturbadora. Merece pelo menos uma reflexão.
Dizia ele que a voracidade com que os miúdos pedem prendas de Natal, bem como a reverência que alguns pais têm em relação aos pedidos dos rebentos (minhas palavras), só encontra paralelismo com a de um toxicodependente à procura de uma dose que o retire da agonia da ressaca (mais uma vez são minhas as palavras, embora a mensagem seja coincidente com o que foi dito).
Achei a comparação, no abstracto, dramaticamente verdadeira.
Para onde caminham os pais hoje em dia, nessa corrida de fundo sem meta à vista que é agradar os meninos e os seus mais complicados caprichos?
Há dias regozijei-me aqui com as compras que fiz para a minha filha. Como é uma sensação nova, talvez daí a minha satisfação, mas não estou certo que esta alegria se renove todos os anos, nomeadamente quando for ela a impor as regras do jogo.
Como não tenho o hábito de dizer que desta água não beberei, ainda que hajam quatro ou cinco coisas na vida que dificilmente farei, uma delas é, naturalmente, gritar: - Vivó Sporting (desculpa Jaquim, espero que a sardinhada que prometeste continue de pé, depois deste meu desabafo) estou tentado a ser bastante prudente em relação a esta questão, porque nenhum pai, com a possibilidade económica de comprar prendas de Natal aos filhos, está a salvo desta imposição legitimada pelos próprios.
Há dias atrás o Quadrante, publicava um post, que eu já conhecia, sobre os hábitos que as pessoas que agora estão na casa dos 30 anos tinham enquanto crianças, comparados com as de agora. Nós ainda apanhámos a era dos jogos informáticos. Aliás, nessa matéria, temos muito para contar, mas simultaneamente pertencemos a uma geração que adorava jogar à bola na rua, brincar às escondidas, à deserta, ao apanha e a outras traquinices da época. Na minha rua, onde passavam muito poucos carros, quatro pedras era o suficiente para fazer duas balizas e ali estava armado um Benfica/Sporting que no fim acaba, inevitavelmente, à estalada, sendo certo que no dia seguinte estava tudo sanado.
Hoje a malta prefere o FIFA 2004 para a PS2 (que eu também tenho e gosto) e pratica desporto se for empurrado. Estou a generalizar, bem sei. Mas isto hoje acontece com mais frequência e a culpa não pode ser só dos miúdos, sendo o Natal, um dos momentos chave desta questão.
Bem, em todo o caso, hoje vai ser um dia muito especial cá em casa. A última criança da família tem agora 26 anos. Por isso imaginem o que isto vai ser com uma pequenota de 17 meses que não diz praticamente nada a não ser: papá, mamã, já está e, num português claro e sem dificuldade, Pai Natal.

2003-12-23

FIGURA DO ANO 2003 


Decidi fazer aqui uma homenagem a uma figura que tivesse, na minha opinião, marcado o ano de 2003.
Escolhi Sérgio Vieira de Mello.
A sua morte em circunstâncias tão trágicas comoveu o Mundo e revoltou os principais inimigos do terrorismo.
O diplomata brasileiro estava a viver um momento muito especial da sua vida. Cumpria uma das últimas missões da sua carreira e preparava-se para constituir nova família.
Estava no Iraque a pedido do secretário-geral da ONU, com um espírito de sacrifico que lhe era muito próprio. O mesmo que tivera anteriormente em Timor-Leste quando a situação interna na ilha ainda era bastante frágil e perigosa.
Ao longo do seu percurso como alto funcionário da ONU, demonstrou ser um acérrimo defensor da paz e dos direitos humanos. Por isso nunca se acomodou e as suas malas estiveram sempre feitas para embarcar para os mais diversos e complicado cantos do Mundo.
Por tudo isto e por muito mais coisas que havia para dizer deste grande ser humano, deixo aqui a minha humilde homenagem, escolhendo-o como a FIGURA DO ANO.

Ainda o Aborto 

Recebi este comentário de um amigo, sobre a posição pública do Padre Anselmo Borges em relação à questão da despenalização do aborto, publicada no Público de 18 de Dezembro.


O Padre Anselmo Borges é um grande Teólogo da nossa praça. Quanto às questões levantadas, o cerne reside na definição de quando é que podemos falar do estatuto de pessoa humana: Na altura da fecundação? Com o Desenvolvimento do Sistema Nervoso Central? Quando se nasce? Como afirmar o antes e o depois?
A posição da Igreja é a seguinte: Como não se pode definir com precisão o momento em que surge a pessoa humana, o mais correcto será considerar desde o início. Daí que o aborto seja visto como um atentado contra a vida, pelo menos contra uma pessoa humana em "potênica".
No entanto, considero que toda a pessoa humana deve nascer num meio de amor e de saúde, daí que o aborto, em situações limite, pode ser ponderado, nomeadamente em casos de violação ou quando o nascimento pressupõe um grave risco para a mãe (neste último caso é sempre uma opção pela vida!).

Como se diz, o aborto não se pode tornar numa questão leviana e a sua despenalização apenas conduz a isso. O facto de constituir uma pena tem uma clara vertente pedagógica: nas questões sobre vida há que ponderar bem! Não deve ser uma ferrameta que se use a belo prazer, de forma irresponsável e inconsequente. Nestes casos, a Igreja coloca-se do lado dos mais fracos e daqueles que ainda não tem voz para se defender: a futura criança!


Aceitam-se mais comentários.

2003-12-22

Isto é jornalismo??? 

A cena dos jornalistas atrás do carro celular que transportava Jorge Ritto do TIC para a PJ é mais uma prova do vale-tudo no nosso país televisivo e informativo.
Em cima de umas motas, sem parar em sinais vermelhos e pondo em perigo aqueles que também circulavam, respeitando o código da estrada, iam jornalistas convencidos que a imagem de um carro celular a transportar um arguido do caso Casa Pia, constitui notícia. Quem ganha com isto???
Os profissionais da informação bem se esforçam para fazer crer que a única classe em crise neste país é a dos políticos. Mas olhem que a deles já conheceu melhores dias.
Veio-me à memória o acidente de Diana em Paris, quando fugia dos fotógrafos. Não sendo a mesma coisa, revela a inconsciência informativa que grassa pelo mundo inteiro com as consequências que são conhecidas.

Para todos 


2003-12-20

Cavaco entra na corrida a Belém 

Estas notícias trazem água no bico. Talvez pretendam o efeito contrário. Se calhar o Dr. Balsemão também não desdenha colocar-se na grelha de partida.

2003-12-19

Mudar, por vezes, vale a pena. 

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A análise dos números deve ser fria, objectiva e pragmática. Em política pode haver várias interpretações, vários contornos e múltiplas entrelinhas. Mas números são números.

O estudo elaborado pelo Professor Daniel Bessa, baptizado de Programa de Recuperação de Sectores e Áreas Deprimidas (PRASD) o qual deu algumas pistas no que toca a resolução de diversos problemas de natureza económica e social em áreas desfavorecidas, revelou pormenores interessantes, os quais merecem uma análise atenta.

Nesse mesmo estudo, a equipa que o elaborou usou informação diversa da qual salta à vista, no caso específico do Algarve, a tabela que aqui vos apresento.

Nessa mesma tabela, onde estão os valores relativos ao poder de compra dos algarvios nos seus 16 concelhos, entre os anos de 1997 e 2002, é possível constatar algumas questões interessantes.

Em primeiro lugar é necessário referir que durante este período, Portugal foi governado pelo Eng. António Guterres. Em 1997 houve eleições autárquicas, as quais vieram a repetir-se em 2001 e com elas a queda do governo, por vontade do primeiro-ministro. No ano a seguir o PSD assumiu a governação de Portugal.

Durante grande parte deste período verificou-se o seguinte:

- Dez concelhos obtiveram um crescimento positivo no que respeita ao poder de compra dos seus munícipes. Desses dez, seis foram governados pelo PSD e três pelo PS. A saber: Alcoutim, Castro Marim, Lagoa, Silves, Tavira e Vila do Bispo. Os outros três com variação positiva mas com gestão autárquica socialista foram: Faro, Olhão e Portimão. Acrescenta-se a este grupo, Aljezur que entre 1997 e 2001 foi governado por um executivo CDU.

- Dos dez que tiveram este comportamento, quatro foram conquistados pelo PSD ao PS e à CDU em 1997, ou seja: Castro Marim, Tavira, Vila do Bispo (ao PS) e Silves (à CDU). Quanto aos outros, mantiveram-se até 2001 no mesmo partido, tendo Faro mudado de cor política nas últimas eleições (do PS para o PSD). Aljezur, em 2001, mudou o partido que governava a autarquia mas o presidente é o mesmo. Mudou apenas de “clube”.

- Os restantes seis concelhos tiveram uma quebra ou por outra, uma evolução negativa no poder de compra dos seus munícipes. Dos seis, um foi governado, nesse período, pelo PSD, Lagos, e 5 pelo PS. A saber: Albufeira, Loulé, São Brás de Alportel, Vila Real de Santo António e Monchique.
Destes que tiveram comportamentos menos favoráveis, metade mudaram de partido nas eleições de 2001. Foram: Lagos (do PSD para o PS), Albufeira e Loulé (do PS para o PSD). Os restantes mantiveram a mesma cor política ao nível do executivo camarário.

Como é possível verificar, entre 1997 e 2002 a variação do poder de compra dos algarvios teve uma evolução na ordem dos 2,31.
No entanto, há concelhos onde este valor é suplantado de forma categórica: Vila do Bispo, Castro Marim, Tavira e Silves. Ou seja, todos concelhos de gestão PSD, conquistados em 1997 ao PS, à excepção do último (era CDU).

Sendo assim, a mudança nestes concelhos trouxe um factor positivo para os seus munícipes, traduzido na sua capacidade no momento de adquirir um conjunto de bens e serviços. Isto significa, claramente, um progresso económico que não pode estar associado ao governo central, mas sim à forma como os autarcas souberam dinamizar a economia local.

Em sentido inverso, os concelhos onde a sua população perdeu mais poder de compra, os executivos foram castigados, neste caso Albufeira e Loulé que mudaram do PS para o PSD. Chamo até a atenção para a variação verificada nestes dois concelhos, com valores na casa dos dois dígitos. O caso de Vila Real de Santo António é a excepção em matéria de mudança de governação. Apesar da quebra do poder de compra, a população renovou o mandato ao PS, em 2001.

Esta é uma leitura pragmática que deixa uma conclusão muito simples. Na maior parte dos casos, a população começou a sentir a economia local a estagnar e mudou o seu sentido de voto. O resultado prático disso foi um crescimento da economia, no que respeita ao poder de compra.

O PSD, através dos seus autarcas, é visivelmente o responsável por esta alteração neste comportamento dos algarvios. O PS, também através dos seus autarcas, é visivelmente o responsável pela regressão da economia local, cuja consequência prática, em parte, foi a mudança.

É tudo gente séria 

Os governos que temos tido em Portugal, nomeadamente os últimos, têm sido permissivos em relação aos dirigentes dos clubes de futebol no que toca ao cumprimento das suas obrigações fiscais.
O do PS arranjou um esquema estranho através do “totonegógio” o do PSD, pelo que se lê aqui, não é capaz de cobrar as dívidas fiscais a quem paga ordenados milionários a estrelas do pontapé na bola.
Acho, como qualquer português que paga os seus impostos até ao último tostão, tudo isto intolerável.
O chefe dos chefes do futebol, Major Valentim Loureiro, apressou-se em afirmar que a culpa é da Santa Casa da Misericórdia. Nem outra coisa me passaria pela cabeça. Alguma vez os problemas de incumprimento poderiam ser da responsabilidade dos dirigentes do futebol. Nem pensar. A culpa é dos outros. Os dirigentes até querem pagar, só que não lhes são dadas as condições necessárias.
- Mas alguém tem coragem de por este pessoal na linha???

2003-12-18

O regresso da IVG 

A questão da descriminalização e despenalização da interrupção voluntária da gravidez parece estar com força suficiente para voltar a ser, pelo menos, discutida.
Nesta altura, muito mais importante do que esgrimir razões éticas, cientificas, deontológicas, humanistas ou de outra natureza, é afastar de vez o populismo e a demagogia do debate e colocar a questão ao nível que ela deve estar.
Antes de dar a minha opinião sobre o assunto, defendo que um novo referendo não faz qualquer sentido. Os deputados eleitos têm, na minha opinião, condições para legislar e resolver o assunto. Aliás, sobre referendos estou cada vez mais convencido que o povo português ainda não está preparado para participar neles. Aqueles que já se realizaram e são conhecidos, revelaram um alheamento quase generalizado da maioria dos eleitores.

Por favor 

Por favor não despeçam ainda o Eng. Fernando Santos.

2003-12-17

O Centenário da Aviação 


Hoje comemora-se o centenário da aviação, mais precisamente o dia em que os irmãos Wright voaram, pela primeira vez, com um frágil engenho. Um voo que nos dias de hoje, mais não pode ser considerado do que apenas um salto. Mas sendo apenas isso, abriu caminho a uma indústria que revolucionou o Mundo e o relacionamento do ser humano com a ciência e a imaginação de voar cada vez mais alto em distâncias maiores.
Como não poderia deixar de ser, as duas grandes guerras mundiais permitiram um desenvolvimento ainda maior de toda a tecnologia aeronáutica, neste caso colocada ao serviço dos grandes conflitos entre os povos.
No início do século, os principais feitos do Homem em matéria de aventura e desafios aos seus próprios limites foram feitos a bordo de aviões. Primeiro com a travessia do Canal da Mancha, depois com a do Atlântico Norte e a seguir a estas uma panóplia de outras viagens míticas que aos dias de hoje parecem simples e ridículas.
Nesse tempo, Charles Lindbergh, foi recebido em apoteose tanto no aeroporto Le Bourguet em Paris como nas ruas de Nova Iorque, pelo facto de ter pilotado o seu Spirit of San Louis, desde a costa leste americana até à capital francesa. Uma coisa corriqueira e normal nos nossos dias, mas uma grande aventura há 80 anos atrás.
Uma décadas mais tarde, já depois da 2ª Guerra Mundial, a aviação entrou na fase dos motores de reacção (jacto) e na possibilidade de romper a barreira do som. O mítico Mach 1 foi pela primeira vez superado pelo piloto de testes norte-americano Chuck Yeager que abriu as portas ao desenvolvimento de tecnologia supersónica, quase generalizada nos dias de hoje à aviação militar de combate.
Paralelamente ao desenvolvimento da aviação como máquina de guerra, também o transporte de passageiros foi evoluindo com os tempos. Hoje, os Dakota DC-3 são apenas peças de museu mas há uns anos atrás faziam voos de longo curso verdadeiramente impressionantes, onde nós portugueses temos muitas histórias para contar. A TAP nasceu a voar este tipo de aviões que faziam as viagens para as ex-colónias, através de uma dezena de escalas técnicas, algumas delas nos sítios mais inóspitos do continente africano. Era o tempo da navegação por observação e cálculos matemáticos feitos à mão.
Tudo isso hoje é apenas História.
Voar é um conceito absolutamente adquirido e de tão banal e massificado que se tornou, poucos são aqueles que observam com mais detalhe o desenvolvimento tecnológico aeronáutico.
No campo militar, pode-se dizer que hoje dispara-se um míssil ou larga-se uma bomba sem ter o alvo à vista e com uma grande certeza de sucesso.
No campo civil e comercial, voa-se através de sofisticados sistemas informáticos, tais como os utilizados pela Airbus nos seus aviões – fly-by-wire – cuja intervenção do factor humano é cada vez menor.
Não é para assustar ninguém que já tenha a fobia de voar, mas algumas das viagens que hoje fazemos, o avião descola e aterra “sozinho” praticamente sem a intervenção, no momento, dos pilotos. Por exemplo: em aproximações a pistas com visibilidade reduzida, provocada pelo mau tempo ou simples nevoeiro, como acontece frequentemente nas ilhas britânicas, os aviões aterram através de um sistema de aproximação, vulgarmente conhecido por ILS, no qual os pilotos se limitam a seguir o comportamento do avião através do instrumentos disponíveis no cockpit. Tudo isto, grosso modo e em linguagem simplificada. Por detrás de toda esta aparente simplicidade está uma formação técnica elevada dos pilotos e uma investigação tecnológica rigorosa dos fabricantes de aeronaves.
Ou seja, o dia que é merece esta evocação. A aviação é hoje uma das grandes conquistas do ser humano apesar de ainda ser vista com alguma reserva e desconfiança, o que é natural. Um acidente de avião é sempre uma catástrofe, nalguns casos com a perda de centenas de vidas humanas.
Na parte que me toca e com toda a honestidade, não tenho qualquer problema em afirmar: sinto-me mais seguro dentro de um aviação comercial de uma companhia com reputação internacional como a TAP, do que a viajar pelas estradas do nosso país. Parece absurdo mas é a realidade.

2003-12-16

Milagres de Natal 

Carlos Cruz Voltou a Acreditar no Pai Natal

2003-12-15

Isto amanhã promete 

Por hoje já chega de emoções fortes.

Para consumo local 

Fazendo fé no que diz o jornal Região Sul, o ex-líder do PS/Algarve José Apolinário afirmou, em Tavira, o seguinte: “este Governo vai ficar na história pelo despotismo, que parece também afectar o poder local em Tavira,…”
Como toda a gente sabe a palavra despotismo significa: absolutismo, ditadura, autoritarismo, tirania, opressão e prepotência.
Várias perguntas muito simples me ocorrem, sendo certo que José Apolinário não lê o Almariado mas tem amigos que o fazem:
A qual destes termos que enunciei, como significado de despotismo, se refere? A todos eles? A nenhum? Foi apenas uma chalaça? Um trocadilho? Queria dizer uma coisa e acabou dizendo outra?
O Sr. Deputado José Apolinário, que em principio deve manter, boas relações institucionais com os presidentes de câmara do Algarve, acha isto tudo do de Tavira?
Estou certo que há aqui alguma confusão. Tenho este senhor em muito boa conta. Deve ter havido aqui algum mal entendido.

Mais um Natal à porta 

O Natal é uma época especial.
A sensação de comprar prendas para a família é boa. Mas nada se compara às que se compram para um filho. É diferente. Ainda a prenda está a ser embrulhada e já começamos a imaginar a alegria do momento em que ela for aberta. Os sorrisos, a alegria e o nervoso miudinho de ter muitas mais para abrir.
No ano que passou a Rita era ainda muito bebé. Nem se apercebeu. Este ano já diz qualquer coisa parecida com Pai Natal e já sabe onde vão aparecer as prendas. Justamente por debaixo de um pinheiro artificial, colocando num dos cantos da sala e que ela já fez o favor de tentar derrubar uma dúzia de vezes.
Há muitos anos que na minha família não havia um Natal com crianças. As expectativas estão altíssimas.
Ainda assim, com mais ou menos prendas mas havendo saúde, o resto é pouco importante.

A filha de Elis 


Das boas coisas que nos vão chegando do Brasil, o disco da filha de Elis Regina, Maria Rita, é sem dúvida uma delas.
A sua versão da mítica canção cubana “Dos Gardénias” é fabulosa.
Para quem gosta do género, é altamente recomendável.

O mundo está mais limpo 

Ferro Rodrigues disse ontem que ficou satisfeito com a captura de Saddam Hussein.
Vá lá. Cheguei a temer o pior.
E agora pergunto eu: - se não tivesse havido intervenção militar no Iraque, onde estaria agora Saddam Hussein?
A resposta é simples: no seu palácio presidencial provocando o mundo inteiro, assassinando aqueles que não o seguiam e adoravam e reduzindo grande parte do seu povo à miséria em benefício da sua vida opulenta e faraónica.
É caso para dizer que finalmente foi encontrada uma arma de destruição massiva: o próprio Saddam.

2003-12-13

A República das Bananas 

1 - Há uns tempos atrás, defendi aqui no Almariado o facto de grande parte da blogosfera ser anónima. Alguns desses blogues que nasceram anónimos ou com pseudónimo, acabaram por dar a cara mas nem por isso deixaram de ter o brilho, a astúcia e a coragem de continuar a escrever o que de facto pensam.
É louvável.
Na parte que me toca, em circunstância alguma permiti que o Almariado pudesse suscitar alguma dúvida em relação ao seu autor. Não faria sentido fazê-lo e de resto não era condicente com a ideia que tenho sobre cidadania e participação cívica, no que respeita ao direito à opinião e à liberdade de expressão.
Mais tarde, instalei no Almariado o sistema de comentários. A minha ideia era e é, criar alguma inter-actividade com os leitores, alargando assim o interesse da mais salutar participação.
Regra geral, as pessoas que comentam os posts aqui deixados são quase sempre as mesmas. Umas conhecidas, outras desconhecidas e outras com a máscara cobarde da utilização de um nome inventado. Também esse é um facto que não me causa estranheza. Já toda a gente conhece aqueles que apreciam a invenção de nomes de cidadãos para enxovalhar os adversário ou fazer queixas para organismos como são os Governos Civis ou a Inspecção Geral da Administração do Território ou que se fazem passar por uma comissão de amigos que escreve cartas abertas em papel cor de laranja a poucos dias de actos eleitorais, quando o desespero e a amargura não os deixam tranquilos. São tempos que já lá vão e não deixaram saudades.
Por isso existem os Antónios Campos, os Bonifácios da Veiga, as Marias Vinagre e os Antónios da Silva. São todos conhecidos. São todos da mesma família.

2 - O Almariado tem sido um exercício muito interessante para mim por várias razões:
A primeira, pela liberdade que me dá de escrever o que bem me apetece, sem qualquer compromisso.
A segunda, pelo contacto quase permanente com grandes e bons amigos, como o Nuno e o Jorge, também autores de blogues no Algarve. Presencialmente, nem sempre temos a oportunidade de conversar, infelizmente.
A terceira, pela possibilidade de construir novas amizades, como aquelas que estão pendentes com o Jaquinzinhos, o A-Sul, o Praça da Republica, o Algarve Global, o Alcagoita, o Local e Blogal, o Daniel Tecelão, a Algarvia do Nuorte e tantos outros que frequentam e recomendam o Almariado. Faço aqui até um pequeno parêntesis para dar o exemplo do Daniel Tecelão, pessoa que nunca vi, o qual está 99,9% das vezes em desacordo comigo, mas fá-lo de forma educada, ainda que contundente. Já tive a oportunidade de lhe agradecer esse facto mais do que uma vez e penso que ele sabe que o faço com sinceridade.
A quarta, pelo gosto de escrever, como é óbvio, sem ter que dar satisfações a pessoas que estão mais interessadas em receitas de publicidade.
A quinta, pelo prazer que constitui reler as coisas que vamos escrevendo ao longo das semana, que mais não são do que a nossa memória enquanto cidadãos atentos e preocupados com a vida e o mundo.
Afinal há algum mal nisto?

3 – Para aqueles que não gostam do Almariado mas não deixam de o frequentar com assiduidade, quero dar uma muito má notícia: não tenho intenções de parar ou fechar o blogue.
Aproveito para informar aos que aqui vêm com gosto e honestidade, os quais referi no ponto 2 deste post, o seguinte: sei que vão continuar a aparecer comentários pouco sérios por aqui, ainda para mais agora. Sei de onde vêm e ao que vêm. Há quem viva com recalcamentos e traumas de infância. Quando abrem a boca são motivo de chacota e gozo generalizado. Por isso não dão a cara aqui com o seu nome verdadeiro. Por isso preferem o anonimato encoberto por uma identidade inexistente, deixando endereços de correio electrónico que não funcionam. Por isso, da minha parte não merecerão mais do que o desprezo.
Falam da liberdade e da democracia como se fossem só suas e depois é aquilo que se vê.
Devem estar convencidos que ainda vivemos na República das Bananas.

Guardando a água 


Sensatez 

Era muito mais sensato que já o tivesse feito, salvaguardando os interesses colectivos do PS que são, certamente, tão ou mais importantes que os seus.

2003-12-12

Bêbados 


Quadro "Bêbados" de José Malhoa

Mais uma Porta(s) fechada 

Começa a tornar-se repetitivo.
Paulo Portas está obcecado com Mário Soares e o contrário também se aplica.
Paulo Portas foi a um jantar partidário e repescou chavões antigos para atacar a esquerda, como os da descolonização.
Mas quem é que hoje está interessado nesse tema?
A descolonização foi mal feita, é um facto. Não defendeu os interesses dos portugueses afectados, também é verdade. Transformou-se num problema social e económico grave, também ninguém o desmente. Mas que importância isso tem nos dias de hoje para o debate político? Mas alguém ganha votos a relembrar os erros cometidos, com 30 anos de história?
Isto é o mesmo que acusar a actual Igreja pelos crimes da Santa Inquisição. Não faz sentido.
Nem o mais conservador dos conservadores, insiste neste tema. Quem o faz, é por falta de argumentos novos e por perda de razão.
Mais do que isso. Já o tinha dito anteriormente aqui no Almariado: Paulo Portas, hoje, é Ministro de Estado e da Defesa. Não pode andar enleado com comentários partidários deste calibre. Isso não o valoriza em nada e acaba por entrincheirar num terreno demasiado extremista e populista. Estará interessado nisso? Estará o Primeiro Ministro satisfeito com este comportamento?
Mas alguém é capaz de por ordem e serenidade na cabeça deste senhor?

Ciclovia Algarvia 

Fui interpolado no sentido de comentar esta notícia.
Como é óbvio trata-se de uma iniciativa absolutamente louvável, ambiciosa sem ser fácil de concretizar, aproveitando os fundos comunitários do INTERREG onde é possível atingir comparticipações financeiras relevantes.
Em Portugal, ao contrário do que já acontece noutros países, não se valoriza este tipo de infra-estruturas. É tudo voltado para a circulação automóvel e para o comodismo. Confunde-se até conforto com comodismo o que na minha opinião é errado.
Fazer uma ciclovia com tamanha dimensão a qual incluirá 70 quilómetros de costa é de tal forma espectacular que até custa a crer na sua concretização. Julgo que pode ser um excelente valor acrescentado ao nível da oferta turística do sotavento algarvio.
O envolvimento da AMAL nesta iniciativa não é de estranhar, muito pelo contrário. Posso assegurar que o seu presidente é um grande entusiasta da circulação em duas rodas sem recurso a um motor. De resto é assim que vai buscar o correio da autarquia que lidera, quase todos os dias, de manhã bem cedo.
Já o vi com os meus olhos, mais do que uma vez.

2003-12-11

É só uma opinião 

José Pacheco Pereira escreveu hoje, mais um artigo notável no Público do qual retive este parágrafo, pela importância que encerra para o futuro próximo do PSD.

Criou-se no PSD um adormecimento facilitista, tomando por adquirido que o partido não consegue maiorias sem o apoio do PP, pelo que nem sequer luta por elas e parte já menorizado para eleições. Ninguém se iluda que a situação actual, gerada por um obscurecimento da oposição devido aos erros do PS no caso Casa Pia, possa manter-se eternamente e que um adversário determinado não possa pedir nas urnas uma maioria absoluta ao eleitorado e obtê-la.

Estou de acordo em absoluto com o que aqui está escrito.
Antes desta questão, defendo mesmo que a formação do governo tinha uma alternativa viável a qual seria mais benéfica ao PSD, não no curto prazo, mas no médio-longo, ou seja: a constituição de um governo minoritário, forte e pequeno. Aquilo que Cavaco Silva fez em 1985 quando a situação económica do país era tão grave como a de 2002, se não mais.
A ideia instalada que a maioria absoluta só se consegue através do somatório de votos com o PP, ou por outra, na apresentação de listas conjuntas, não é de todo um dado adquirido. Acho mesmo que essa lógica prejudica mais do que beneficia o PSD.
O PP de hoje é um partido vincadamente distante da zona eleitoral onde se ganham as eleições. O chamado “centrão” e o eleitorado que por aí navega, não aprecia nem o PP nem o seu populismo e muito menos as visões estreitas e demasiado balizadas do seu líder. Isto reduz, ao PSD, o grau de acção e prejudica-o no objectivo de conseguir a maioria absoluta. Aceitar, sem que esteja devidamente provado que só é possível derrotar os partidos de esquerda num cenário de coligação, é algo que fragiliza o PSD.

O PS tem actualmente uma liderança a prazo e absolutamente transitória. Ferro Rodrigues é menor dominador comum do partido e num cenário de possível vitória e regresso ao governo, dificilmente aguentará um congresso a doer. Mas, tudo isto tem o seu tempo e Ferro Rodrigues pode vir a revelar-se um corredor de fundo, tal como foi Durão Barroso, sendo certo que dificilmente o PSD sai do governo nas condições em que o PS saiu.
O caso Casa Pia, enquanto não ficar provada a inocência de Paulo Pedroso, será uma pedra no sapato dos socialistas e se chegar a ser acusado e condenado, o PS tem “sarna” para se coçar para os próximos anos. Não seria assim se o comprometimento da estrutura dirigente, não tivesse entrada num clima de cabeça perdida na fase inicial e de euforia aquando da libertação de Paulo Pedroso. Agora é tarde demais. Ou ele é inocente e tudo bem, ou é culpado e, emocionalmente, vai preso com o agora arguido.
Não faltará no entanto, quem relembre a Ferro Rodrigues que um líder e candidato a primeiro ministro, mesmo em privado, deve guardar serenidade e moderação em relação ao edifício da Justiça, por uma razão muito simples: aquilo que fazemos em privado é a verdadeira imagem daquilo que somos. O que fazemos em público, pode ser ou não.

Por tudo isto parece-me muito relevante a visão de Pacheco Pereira, sendo certo que existem muitas variáveis no futuro político próximo, as quais podem fazer alterar por completo o cenário e a estratégia dos partidos.
Uma coisa parece-me evidente: um adversário fragilizado nem sempre é bom sinal. Um adversário forte, coeso e credível, obriga a que estejamos mais alerta e mais preparados para o enfrentar.
A lebre também nunca pensou que a tartaruga lhe pudesse vencer. Por isso foi preguiçosa e descansou a meio da corrida. Quando acordou, era tarde demais.

O homem que estava a subir depressa demais 

Ricardo Rodrigues é o tal advogado da equipa de Carlos César no governo regional dos Açores que se demitiu em consequência de boatos que o ligavam ao escândalo de pedofilia naquele arquipélago.
Na entrevista que dá hoje, não deixa de ser interessante observar duas constatações por si produzidas como forma de justificar os tais boatos.
«…deverá haver motivações políticas. O governo está bem, com obra feita…»
«Talvez porque eu tive uma ascensão muito rápida no partido, porque muitos me apontavam como um possível sucessor de Carlos César…»
Na primeira observação, fica-se com a ideia que a cabala contra si montada tem origem nos seus adversários políticos. Alguém que tenta minar o governo regional em vésperas de eleições.
Na segunda observação, fica-se com a ideia que a cabala contra si montada tem origem no seu próprio partido, motivada por ciúmes em relação à sua rápida progressão.
Então no que ficamos? Quem está a tramar o homem?
Mais à frente refere-se ao facto de ser solteiro e daí advirem mais suspeitas. Bem, se o problema fosse esse, imaginem as suspeitas que pairariam sobre milhares de pessoas por este país fora.
Não me vão dizer que um homem solteiro é um potencial pedófilo, pois não?
Por fim uma mesa de bilhar que, segundo as testemunhas, existia na casa onde eram vítimas de abusos sexuais. E a revista não está para meias medidas, coloca o homem numa pose descontraída com as mãos em cima de uma…mesa de bilhar.
Conclusão: presume-se inocente e oxalá assim seja e consiga prová-lo. Se assim não for…

Um "servo" de Deus 

Vem hoje publicada na Visão, uma fotografia do quarto do tal "Farfalha", mais conhecido por Bibi dos Açores.
Três coisas chamam a atenção de modo imediato, a saber:
- Um ursinho de peluche pindérico, daqueles que os miúdos de 16 anos oferecem às namoradas no Dia de São Valentim. Para alguém com quase 40 anos, não deixa de ser interessante.
- Um crucifixo por cima da cama, reveladora da grande fé e devoção a Deus e à igreja católica, supõe-se.
- Para reforçar o crucifixo e a fé do dito cujo, em consonância com a religiosidade do povo açoriano, uma imagem de Jesus Cristo em cima de uma mesa, ladeado por duas jarras também elas de aspecto religioso, onde certamente fazia as suas orações.
Ou seja, o homem, se é que assim pode ser chamado, é de uma fé e de uma reverência aos ensinamentos da fé católica, verdadeiramente genuínos.
Talvez a sua missão na terra seja a de proteger os desprotegidos, nomeadamente dando-lhes a possibilidade de levarem uns trocos para casa a troco de sevícias sexuais.
Talvez o seu humanismo e amor ao próximo tenham sido mal compreendidos.
Talvez a sua intenção tenha sido apenas a de amparar crianças pobres e famintas.
Talvez se lixe por, supostamente, ter "ajudado" tanta gente a troco de sabe-se lá o quê.

2003-12-10

Nota do fim de dia 

O que JPP escreveu no seu Abrupto sobre as declarações de Paulo Portas em relação a Mário Soares, diz tudo. O ministro da Defesa, revelou falta de tacto na forma como respondeu ao líder histórico do PS e acabou revelando uma confusa tremenda entre as funções de Estado e do partido. O exemplo que deu em relação ao afastamento de Maria Barroso da direcção da Cruz Vermelha Portuguesa, revela ter-se tratado de uma premeditação cujo único critério presente à decisão foi mero expediente partidário, misturado com alguma vingança pessoal.
Mais uma vez, jogou pela janela a credibilidade política que já lhe vai fazendo alguma falta.

Um dia gostava de saber fotografar como eles. 

Há umas semanas atrás, descobri, através do Jaquinzinhos, um blogue que vale a pena consultar e frequentar. O Praça da República em Beja, não só tem notícias fresquinhas da capital do Baixo Alentejo, como também o seu autor é um fotógrafo absolutamente recomendável aos amantes da boa fotografia. Neste blogue é possível aceder à galeria virtual do João Carlos Espinho na qual é possível contemplar a grande qualidade dos seus trabalhos, alguns deles de cortar a respiração.
Este é um “alentejano” dos bons. Venha para a mesa para ser degustado.

Entre a serra e o mar 


Mantorras 

O grande jogador angolano Pedro Mantorras afirmou que estará apto a jogar já em Janeiro. Não sei se é boa ideia. Com a onda de lesões que paira para os lado da Luz, na primeira oportunidade que entrar em campo está arriscado a ficar mais uns meses de baixa.
Não percebo nada disto mas deve haver responsabilidades que ultrapassam o azar, no plantel do SLB. Quase uma equipa inteira no estaleiro e outros a jogarem infiltrados, não deve ser apenas por falta de sorte.

Parabéns ao FCP 

O FCP conseguiu ontem um grande resultado. Empatou com os galácticos do futebol mundial. Mesmo com o Real Madrid a jogar a meio gás e a rodar a equipa, o que os portistas também fizeram nos últimos segundos do jogo, não deixa de ser um facto histórico para o futebol português.

A Cabala sabe nadar, Yo. 

A Cabala, farta dos mesmos ares e das mesmas paredes, resolveu sair do Largo do Rato, descer até à margem do Tejo e não teve com meias medidas: jogou-se à água.
Passou a barra em grandes braçadas, sem ligar aos barcos que por ali navegavam e qual caravela quinhentista deu largas à sua vontade, tendo o horizonte como destino.
Mais à frente avistou terra. Eram várias ilhas. Apontou a uma delas e com grande esforço e determinação nadou até à sua praia.
À chegada percebeu que a terra firme já há muito tinha sido descoberta e baptizada. São Miguel de sua graça.
Uns passos mais à frente e lá estava a comissão de honra à sua espera para receber tão nobre feito. Nada mais nada menos que o Governo Regional.

2003-12-09

Isto sim, foi um governo de esquerda. 


Mais valia ter ficado calado 

Paulo Portas perdeu mais uma oportunidade para ficar calado.
As respostas que deu a Mário Soares não são adequadas a quem é titular de um pasta tão importante para o país como é a Defesa.
Deveria deixar o actual euro deputado a falar sozinho. Como não o fez, deu azo a que continue debaixo de fogo. Por outro lado, amesquinhar a família de Soares da forma como o fez, não lhe acrescenta valor nenhum. Antes pelo contrário.
Teria sido mais correcto da sua parte não comentar as afirmações do líder histórico dos socialistas que a meu ver nem disse mentira nenhuma. Quem convida para a sua casa líderes da extrema-direita está sujeito a ouvir o que não quer e o que não gosta.

Sondagens 

Percebo por alguns comentários deixados no Almariado que já há muita gente incomodada com o facto do PSD aparecer em primeiro lugar nas sondagens e o PP em terceiro à frente do PCP.
Naturalmente que ainda é muito cedo para tirar ilações, até mesmo aquelas que aqui foram deixadas em jeito de comentário.
Como é óbvio, não falta quem diga que há sondagens boas e outras más. Tem toda a razão quem o diz. Basta ver quem as solicita e quem as paga.
Haja bom senso.

Assim era fácil 

O mesmo partido que critica a política do governo no combate à evasão fiscal, perdoou, porque é disso que se trata, o pagamento de IRS aos milionários futebolistas da nossa selecção, apenas porque não residem em Portugal.
O autor desta grande proeza, Pina Moura, não quer fazer comentários enquanto vai dizendo que já não se recorda bem do assunto.
Este é o espelho daquilo que foi a governação socialista em Portugal. Bajulação completa e quem vier atrás que feche a porta.

2003-12-07

MFL 

Tenho semanas, muitas até, que compro o jornal Expresso mais para ler os artigos do seu director, do que propriamente pelo interesse que o resto do jornal me suscita. Aliás, algumas das notícias já tive a oportunidade de as ler durante a semana nos jornais diários.
Esta, é uma dessas semanas, ou seja: só o artigo do António José Saraiva vale os quilos de papel que temos de carregar para casa aos sábados de manhã. A análise que faz ao desempenho de Manuela Ferreira Leite é das coisas mais acertadas que li nos últimos tempos sobre a pessoa em causa. Nas entre linhas está implícita razão pela qual a oposição a contesta tanto.

Sondagens de Outono 

Há uma frase que os políticos, de todos os quadrantes, usam para comentar sondagens. Quem nunca ouviu um político dizer: sondagens valem o que vale e há para todos os gostos.
Uma coisa é certa, as sondagens devem ser referidas sempre e interpretadas em função da conjuntura à data da sua publicação.
O PS andou, durante muito tempo feliz com a hegemonia dos resultados provenientes de várias sondagens. Agora, segundo parece, a tendência do eleitorado começa a reflectir outros resultados menos simpáticos para os socialistas. Não estarão porventura a pensar que as sondagens só são fidedignas quando lhes mostram aquilo que desejam ver. Mas se o fizerem, dificilmente se podem abstrair do facto de neste Outono a tendência ter sido claramente desfavorável ao principal partido da oposição.
Não tenho muito mais a dizer se não isto: a ser verdade e se o PSD não entrar numa qualquer espiral de loucura, tem a reeleição de Durão Barroso em muito bom rumo. Estamos, talvez, na fase mais difícil da governação e o PSD é o partido com maiores intenções de voto, sendo certo que o PP em terceiro e a CDU em quarto, acabam por ajudar à festa.
É tudo muito cedo, é certo, mas creio que o PSD, dificilmente não renovará a confiança dos portugueses.

2003-12-05

Assim não 

Para aqueles, como eu, que defendem a despenalização da Interrupção Volutária da Gravidez, deixando à mulher o direito de decidir em consciência se deseja ou não levar a sua gravidez indesejada até ao fim, este é o pior dos debates. Não só não ajuda à solução como ainda extrema mais as posições. Com culpas para ambas as partes.
Assim, ninguém se entende.

Maus exemplos 

A credibilidade e a coerência forjam-se quando somos capazes de ver e admitir as coisas menos boas que acontecem na nossa “casa”.
A cena de ontem entre o Presidente da Associação de Municípios, a Ministra das Finanças e o défice da Madeira, são episódios que não fazem qualquer sentido acontecerem e não revelam grande habilidade dos protagonistas, excepto do Presidente do Governo Regional da Madeira, claro está.
Como é óbvio o que está em causa é nada mais nada menos que a proximidade das eleições regionais e a conclusão de alguns investimentos públicos feitos pelo governo regional, em prol da população, é certo.
Como se fosse ao contrário eu estaria aqui aos gritos com a atitude dos socialistas, tenho pelo menos que referir a sensação desagradável que este episódio causa.
A crise e o controlo das públicas são como o sol: quando nasce é para todos.

Os sinos do convento 


Confesso que passei um mau bocado 

Cá em casa existem duas televisões. Uma está na sala como é natural, e a outra na cozinha. Uma é grande. A outra é pequena. A da cozinha está ligada à hora das refeições: pequeno-almoço, almoço (apenas aos fins de semana e dias feriados) e ao jantar. A da sala está ligada à noite, depois da cozinha ficar arrumada, sendo certo que nos últimos tempos há noites em que nem tem hipóteses de brilhar.
Cada uma delas está ligada à TV Cabo, apesar de cada vez ter mais dúvidas em relação à qualidade do serviço que estou a pagar todos os meses.
Por decisão minha, tomada por unanimidade e sem consultar mais ninguém, deliberei o seguinte: se por mero acaso no meio do zapping aparecer a Manuela Moura Guedes, é obrigatório mudar de canal. Avisei as minhas duas Marias aqui em casa, apesar da mais pequena não ter feito muito caso e a maior, na maioria das vezes, nem repara em quem apresenta as notícias.
Hoje, acidentalmente, a Manela apareceu no exacto momento em que me sentava para jantar. Foi uma fracção de segundos mas confesso que foi o suficiente para ter suores frios, náuseas, arritmia cardíaca, cólicas, falta de ar, enxaqueca e até mesmo uma cãibra na perna esquerda. Foi um momento de grande sofrimento e dor. Pensei que ia acontecer o pior. Ainda por cima estava sozinho em casa. Não tinha que me ajudasse.
Ainda com o comando na mão, em grande sofrimento, carreguei no botão (+) dos canais. Apareceu a SIC Notícias. Passou-me tudo. Sentei-me, respirei fundo, voltei a olhar de soslaio para a televisão para confirmar a imagem e depois, ai sim, peguei no garfo e na faca para começar a jantar tranquilamente.
Durante o jantar pensei em sintonizar outro canal no número 4 da televisão. Mas e depois os Domingos? Não abdico de ver o Professor Marcelo. Também estava convencido que não abdicava de ver o Sousa Tavares. Mas neste caso não tive alternativa e ao Domingo a Manela está de folga. Foi o mal menor. Leio as suas crónicas no Público, todas as sextas-feiras e mais nada.
Um homem não veio ao mundo para sofrer e eu nem sequer sou masoquista.
Foi então que decidi. Vou enviar uma carta ao José Eduardo Moniz a expor o meu problema. Talvez ele compreenda. Afinal, com a saúde não se brinca.

O mito 

Não vi tudo mas o que vi, gostei.
Pelé é um ícone da História do século XX. Goste-se ou não de futebol.
Na entrevista que deu ontem à noite à jornalista Judite de Sousa, a estrela do futebol mundial passeou a sua simplicidade e humildade. Não sendo um comunicador por excelência no que respeita ao dom da palavra, Pelé encanta pela sua simplicidade e pela experiência de vida acumulada ao longo de todos estes anos.
Do menino que começou por jogar futebol aos 15 anos até ao homem vivido cuja experiência desportiva e notabilidade internacional o fez chegar a Ministro do Desporto no governo de Fernando Henrique Cardoso, Pelé mostrou que a condição humana vai muito alem do berço onde se nasce ou das boas escolas que se frequenta. Pele é um exemplo de vida, é um mito que nunca irá desaparecer na lembrança colectiva da humanidade.
Para mim não deixou de ser uma surpresa. Não estava à espera de tanto. Talvez porque nunca tinha assistido a uma conversa desta natureza.
Num mundo, actual, repleto de banalidades e futilidades como é o dos futebolistas, treinadores e dirigentes desportivos, Pele é uma pérola…negra, ainda por cima. A beleza o encanto e a raridade, é muito superior.

A minha homenagem 

Ontem, apenas coloquei dois posts no Almariado e todos dois em memória de Francisco Sá Carneiro. Fi-lo de propósito. Tudo o que fosse colocado a mais, retirava a importância da homenagem que tentei prestar a quem tanto deu a Portugal.
Foi a minha maneira de o lembrar.

2003-12-04

Citações 

"O Estado está ao serviço da pessoa, ou seja das liberdades em relação; não ao indivíduo descarnado e arvorado em valor absoluto, mas do ser que o homem a si próprio se vai dando no viver em relação com os outros. A sua função é transformar a liberdade metafísica em liberdade jurídica e em liberdade política. Mas essa transformação não esgota a liberdade da pessoa, que existe antes do Estado e para além dele, e que exige sempre a limitação do poder político, constituindo ela mesmo o essencial e decisivo limite. O poder político tem necessariamente de caminhar para uma intervenção (...) a fim de fazer com que as pessoas participem todas elas nos bens da comunidade (...). O acesso a todos esses bens é indispensável para que a liberdade não fique limitada a um mero conceito. "

Entrevista de Francisco Sá Carneiro ao jornal República.
In Francisco Sá Carneiro. Textos. I Vol. 1969-1973, p. 393

Francisco Sá Carneiro - 23 anos de saudade. 



Faz hoje precisamente 23 anos que Francisco Sá Carneiro desapareceu do mundo dos vivos a bordo de um Cessna que após a descolagem se despenhou sobre Camarate, ceifando a vida a todos os seus ocupantes.
Não tenho qualquer intenção de fazer aqui a apologia do atentado ou do acidente, matéria sobre a qual não estou totalmente esclarecido.
Quero antes fazer a minha modesta homenagem a uma grande estadista que Portugal teve o orgulho de ter como político e como Primeiro-Ministro.
Um visionário. Sá Carneiro foi sobretudo um visionário. Um homem cujas ideias ajudaram a formar um partido e a consolidar a democracia ao lado de outros democratas como são Mário Soares ou Freitas do Amaral, felizmente ainda vivos.
Da sua morte, ficou-me gravada até hoje na memória aquela noite após o jantar em que o país se preparava para assistir a mais um capítulo da telenovela brasileira e foi surpreendido com uma interrupção na emissão para dar a conhecer a tragédia que se abatera sobre o nosso país.
Recordo-me também das imagens do cortejo fúnebre e dos milhares de pessoas que a ele se associaram. Depois, as imagens do acidente, mil vezes repetidas ao longo destes já 23 anos.
A democracia ficou mais pobre mas soube trilhar o seu caminho até aos dias de hoje. Sá Carneiro esteja onde estiver, estará com certeza satisfeito por ver um Portugal onde as instituições democráticas funcionam e onde a liberdade de associação partidária e livre expressão é um dado adquirido.
Ele que tantas vezes necessitou de fugir debaixo de pedras e de agressões quando os seus comícios não chegavam ao fim. Hoje, muitos dos que o apedrejaram e ofenderam, têm na carteira bonitos cartões de militantes do PPD/PSD e fazem, evocações emocionadas sobre a sua vida e a sua obra.
É a ordem natural das coisas.
Os homens passam, mas a obra fica. E a de Sá Carneiro é de facto uma grande obra: a liberdade e a democracia.

2003-12-03

Fora de mão 

Já ouvi o novo disco do Luís Represas. Gostei mas não me causou demasiado entusiasmo. Mas recomenda-se aos amigos, aos que gostam, claro está.

P.S.- Mais uma vez um compositor, dito de esquerda, o qual eu muito aprecio. Mais uma vez reafirmo que a esquerda e a direita não é, ao contrário do que alguns tentam fazer crer, uma fronteira absolutamente definida onde só se gosta das coisas de um lado ou do outro.

Prognósticos antes do jogo começar 

A julgar pelos comentários deixados aqui no Almariado, se a blogosfera ainda existir em 2006, as presidenciais vão ser conversa para debate na linha da frente.
Por enquanto não podemos fazer mais do que especular sobre os candidatos a candidatos e a possibilidade de vencer um da chamada esquerda ou direita.
O meu prognóstico está feito e não esperei pelo fim do jogo: acho que os candidatos principais serão o Professor e o Engenheiro com vantagem para o primeiro. Mas lá está, eu não sou o Luís de Matos nem costumo vestir-me de negro. Se não acertar? Paciência. Acontece-me o mesmo, todas as semanas, no Totoloto e nem por isso deixo de tentar.

Isto não é um blogue, é um super-blogue. 

Tirando o panasca da primeira foto o resto é tudo material da 1ª divisão.

Olhão de Luto 

A terra onde nasci volta a ser notícia, pelas piores razões. Digo isto com a mágoa de quem vê uma senhora de idade e um jovem a sucumbirem perante a derrocada de uma casa. Provavelmente, mais uma a precisar de obras há muitos anos.

Holanda 

Hoje, uma pessoa visitou o Almariado através de um ISP holandês.
Mas que raio terá ele vindo aqui fazer?
Holandês?
Só se for um português na Holanda. Mas mesmo assim é estranho e merece a referência.

2003-12-02

Ruído de fundo 

Santana Lopes não foi a uma iniciativa da Juventude Popular, na qual o seu presidente expressou ou tentou expressar apoio à sua, eventual, candidatura presidencial.
É precisamente todo este ruído de fundo que desacreditaria uma pré-candidatura. Mesmo não indo, o autarca de Lisboa não está a salvo que outras situações do género ocorram. Isto é só, tudo o que ele não precisa neste momento e tudo o que o prejudica.
Como aqui escrevi no outro dia, quem tem ambições de chegar a Presidente da Republica, não pode andar envolvido nestes episódios cujo alcance são de tal forma reduzidos que apenas atrapalham.
O silêncio é a melhor estratégia para a circunstância actual. Por isso a minha aposta continua a ser um duelo entre Cavaco e Guterres.

Ainda o encontro da blogosfera algarvia 

Das respostas recebidas até agora sobre o I Encontro de Blogues Algarvios, retive duas questões importantes.

A primeira em relação às datas. É preferível agendarmos para Janeiro depois do Natal e Ano Novo. Dezembro é um mês difícil para todos.

A segunda prende-se com o tipo de programa. Há quem defenda um encontro mais informal o qual se resumiria apenas a um jantar para nos conhecermos uns aos outros.

Deixo estas duas notas, para que o debate continue aceso e profícuo.

Uma coisa colhe a total unanimidade: encontrarmo-nos será sem dúvida alguma um momento de boa disposição.

YES 

A companhia aérea YES, subsidiária da TAP, está hoje na maior parte dos jornais, aparentemente, pelas piores razões.
Um avião, em procedimentos de descolagem, não chegou a levantar voo e efectuou uma travagem forçada na pista, a detectar uma avaria.
Há uns dias atrás, um outro voo da YES teve de regressar a Lisboa, por duas vezes, devido a problemas técnicos. À terceira tentativa, descolou e só aterrou no Brasil.
Também eu tenho um episódio com a YES que não foi mediático, mas implicou várias horas de atraso.
À semelhança do voo deste fim-de-semana para Cancun, em Maio passado fiz a mesma viagem. Cheguei ao aeroporto de Lisboa pelas 9:00 da manhã, para apanhar um voo que iria sair às 11:00. Logo à entrada, consultei o quadro electrónico das Partidas e percebi que o avião estava com um atraso bastante grande. Ou seja, em vez das 11:00 a previsão apontava para as 16:00. Mais uma vez uma avaria, desta feita em Varadero, no alinhamento dos flaps, segundo tive a oportunidade de saber mais tarde.
Ou seja, horas e horas de espera no aeroporto.
Os aviões que a YES utiliza, são os antigos Lockheed L1011-500 da TAP (este por acaso até não era da frota da YES mas o modelo é semelhante) e as tripulações são sensivelmente as mesmas. São aviões com alguma idade, mais de 30 anos nalguns casos, mas estão em condições de operar. Caso contrário ficavam no chão.
Isto para dizer o seguinte:
Nos países civilizados onde as regras das autoridades aeronáuticas são seguidas à risca, não há nenhum avião que descole sem estar nas devidas condições. Avarias podem acontecer em qualquer momento, mas se houver a mais pequena hipótese de o avião não se encontrar operacional, ele não sai.
Isto é uma certeza e Portugal está na linha da frente no que respeita a segurança e manutenção aérea.
Naturalmente, os passageiros têm os seus medos e as suas fobias. Entrar num avião no qual ocorreu uma avaria é algo que causa dúvidas legítimas. Daí até ao alarmismo generalizado, amplificado pela comunicação social, é um passo.
Digo mais: muitas vezes acontecem avarias durante o voo às quais os passageiros nem se apercebem. Coisa tão “graves” como paragem de motores. Isto acontece.
Se estas coisas, que são normais em aviação comercial, não forem tornadas públicas ninguém chega a saber o que realmente sucedeu e o nome da companhia aérea não é posto em causa. Porque de uma coisa pode haver a mais absoluta certeza: nenhum piloto descola um avião do qual não tenha a certeza que o irá aterrar, afastando à partida a probabilidade de haver uma avaria durante o decorrer do voo.
Logo, todo este alarido em redor da YES, não faz qualquer sentido. São coisas absolutamente normais em aviação comercial, repito.

2003-12-01

Será da minha televisão? 

Dizer-se que em Portugal a televisão é má e não emite um único programa decente é demasiado redutor e injusto.
Porém, para quem trabalha e no dia seguinte tenha de acordar cedo, arrisca-se apenas a ver novelas, concursos, programas humorísticos de qualidade duvidosa e obviamente, reality shows.
Ou seja, parece que temos uma televisão feita para quem não tem mais nada para fazer se não ver televisão. Exemplos não faltam.
Até mesmo a TV Cabo está cada vez pior quando deveria ser ao contrário. Não sei se é da minha televisão, mas ao percorrer todos os quarenta e muitos canais, encontro uma dezena que são tele-compras. Não fosse a SIC Notícias e mais um ou outro canal e já estava a poupar a mensalidade para outras coisas mais interessantes, sendo certo que não subscrevo nenhum canal suplementar e aí teria mais por onde escolher.
Felizmente existe a Internet (os blogs), os livros, os CDs esquecidos ao canto da sala e outras coisas igualmente interessantes para os serões do Outono/Inverno. Mas não era mau que os canais de televisão pensassem no assunto. O que tem interesse, dá tarde. Isto parece-me evidente.

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