2003-11-30
Espanha em transe
Os recentes acontecimentos no Iraque, deixaram a Espanha em transe. Como é natural, o mesmo pode suceder a Portugal. Calculo que isto deixe cada um de nós preocupado. Calculo também que muita demagogia subirá à superfície nessa altura. Esperemos que corra tudo bem.
O nosso grupo
Achei o grupo de Portugal para o Euro 2004, um caso muito sério. Não há uma equipa dita fácil.
A Grécia fez uma campanha para se qualificar para a fase final, verdadeiramente notável. Mostrou recentemente, num jogo a feijões, que não é para brincadeiras.
A Rússia é sempre um adversário difícil. Já não é o que era no tempo em que as suas camisolas ostentavam o famigerado CCCP, mas continua a ser um futebol duro, musculado e de grande eficácia táctica.
A Espanha é a Espanha. Apesar das dificuldades que teve, é uma selecção que marca sempre presença nas principais competições. Ainda no outro dia, mais uma vez a feijões, deu-nos um enxovalho de futebol.
Portanto, acho que este grupo não augura nada de bom, sendo certo que nesta fase não há grupos bons.
A Grécia fez uma campanha para se qualificar para a fase final, verdadeiramente notável. Mostrou recentemente, num jogo a feijões, que não é para brincadeiras.
A Rússia é sempre um adversário difícil. Já não é o que era no tempo em que as suas camisolas ostentavam o famigerado CCCP, mas continua a ser um futebol duro, musculado e de grande eficácia táctica.
A Espanha é a Espanha. Apesar das dificuldades que teve, é uma selecção que marca sempre presença nas principais competições. Ainda no outro dia, mais uma vez a feijões, deu-nos um enxovalho de futebol.
Portanto, acho que este grupo não augura nada de bom, sendo certo que nesta fase não há grupos bons.
Aviso à navegação II
O Daniel Tecelão deixou um comentário no post “Aviso à navegação” que merece uma explicação.
Não me parece que tenha sido indelicado com Ana Gomes. Se assim fosse duas coisas também seriam válidas:
1 - Ela também teria sido indelicada para toda a gente a quem se refere nas suas intervenções públicas, na medida em que cada vez que abre a boca, fá-lo num tom que nem o próprio partido aprova. Lembre-se da reunião da comissão política nacional do PS após a saída do Paulo Pedroso, nomeadamente as inúmeras críticas que a ela foram dirigidas. Não foram de agrado.
2 – A maior parte das pessoas visadas pelas análises e comentários de Ana Gomes, queixam-se de ofensas injuria e pouca educação. Melhor exemplo que o seu camarada, dela, José Lamego, não sei se haverá. O próprio Primeiro-Ministro foi envolvido em termos pouco dignificantes que mais nenhum dirigente socialista ousou, alguma vez.
Eu, como a maior parte dos portugueses, nutria uma simpatia especial pela pessoa em causa. Obviamente que este sentimento estava relacionado com o seu desempenho na questão de Timor. Achei que a sua entrada para a direcção do PS era uma mais valia. Enganei-me. Acho mesmo que muitos portugueses pensam de forma semelhante, entre os quais muitos militantes socialistas.
Nada disto tem a ver com esquerda ou direita. Como o Daniel julgo que sabe, para mim a questão esquerda/direita é já um filme a preto e branco do tempo do cinema mudo. Esse debate, para mim, está ultrapassado e não faz qualquer sentido.
Portanto o meu comentário não está relacionado com a militância de Ana Gomes e muito menos com o facto de ser de esquerda. Aliás, de outros políticos da chamada direita, tenho opiniões muito semelhantes.
Não me parece que tenha sido indelicado com Ana Gomes. Se assim fosse duas coisas também seriam válidas:
1 - Ela também teria sido indelicada para toda a gente a quem se refere nas suas intervenções públicas, na medida em que cada vez que abre a boca, fá-lo num tom que nem o próprio partido aprova. Lembre-se da reunião da comissão política nacional do PS após a saída do Paulo Pedroso, nomeadamente as inúmeras críticas que a ela foram dirigidas. Não foram de agrado.
2 – A maior parte das pessoas visadas pelas análises e comentários de Ana Gomes, queixam-se de ofensas injuria e pouca educação. Melhor exemplo que o seu camarada, dela, José Lamego, não sei se haverá. O próprio Primeiro-Ministro foi envolvido em termos pouco dignificantes que mais nenhum dirigente socialista ousou, alguma vez.
Eu, como a maior parte dos portugueses, nutria uma simpatia especial pela pessoa em causa. Obviamente que este sentimento estava relacionado com o seu desempenho na questão de Timor. Achei que a sua entrada para a direcção do PS era uma mais valia. Enganei-me. Acho mesmo que muitos portugueses pensam de forma semelhante, entre os quais muitos militantes socialistas.
Nada disto tem a ver com esquerda ou direita. Como o Daniel julgo que sabe, para mim a questão esquerda/direita é já um filme a preto e branco do tempo do cinema mudo. Esse debate, para mim, está ultrapassado e não faz qualquer sentido.
Portanto o meu comentário não está relacionado com a militância de Ana Gomes e muito menos com o facto de ser de esquerda. Aliás, de outros políticos da chamada direita, tenho opiniões muito semelhantes.
2003-11-29
Suicídio
Entre o Céu e o Fisco
O Estado que é laico prepara-se para cobrar impostos à Igreja, nomeadamente nas receitas provenientes dos donativos dos fiéis às paróquias.
Espero que este mesmo Estado, não se esqueça que tributar as “esmolas”da igreja é o mais fácil. O mais difícil é por aqueles que fogem ao fisco, de forma indiscriminada e descarado, a pagar as suas contribuições. Isso sim seria uma atitude louvável. O Governo que o fizer tem de certeza um lugar reservado no Céu.
Espero que este mesmo Estado, não se esqueça que tributar as “esmolas”da igreja é o mais fácil. O mais difícil é por aqueles que fogem ao fisco, de forma indiscriminada e descarado, a pagar as suas contribuições. Isso sim seria uma atitude louvável. O Governo que o fizer tem de certeza um lugar reservado no Céu.
Aviso à navegação
Acabou o sossego na blogosfera nacional. A partir de agora qualquer pessoa corre o risco de ser selvaticamente enxovalhada. A Dr. Ana Gomes subscreve este blogue. A julgar pela natureza das suas intervenções, junto da comunicação social, desde que ocupa um lugar de relevo na direcção do Partido Socialista, é de esperar um qualquer incidente provocado pelo destempero e pela verborreia dos seus argumentos.
Quantos às outras pessoas que a acompanham nesta aventura blogosférica, nada a dizer. O Vicente Jorge Silva é não só uma surpresa, não lhe conhecia nestes domínios, como também uma lufada de ar fresco. Gosto da maneira como escreve e da objectividade como coloca os assuntos.
Não será um blogue qualquer, sendo certo que é um blogue cor-de-rosa a dar para o vermelhusco.
A blogosfera nacional está cada vez mais interessante.
Quantos às outras pessoas que a acompanham nesta aventura blogosférica, nada a dizer. O Vicente Jorge Silva é não só uma surpresa, não lhe conhecia nestes domínios, como também uma lufada de ar fresco. Gosto da maneira como escreve e da objectividade como coloca os assuntos.
Não será um blogue qualquer, sendo certo que é um blogue cor-de-rosa a dar para o vermelhusco.
A blogosfera nacional está cada vez mais interessante.
2003-11-28
Do que se riem estes gajos?
Meu Caro Asulado
Brancanes fica entre Quelfes e Pechão. Certo?
Já agora: sabes onde fica a Mealha, o Garrobo, o Grainho, a Alcaria do Cume, o Vale João Farto, a Feiteira, os Relvais e a Cabeça Gorda?
Já agora: sabes onde fica a Mealha, o Garrobo, o Grainho, a Alcaria do Cume, o Vale João Farto, a Feiteira, os Relvais e a Cabeça Gorda?
Jornada europeia de futebol
Confesso que nem era para fazer este comentário.
Ontem à noite depois de assistir, incrédulo, ao jogo do Sporting com uma equipa turca que eu não sei escrever o nome nem o pronunciar, achei que o melhor era não dizer nada, para não sofrer do mesmo na próxima jornada europeia com o meu Benfica.
Esta manhã depois de ouvir as declarações do Drº Dias da Cunha, o tal dirigente desportivo que é de uma educação refinada e nada tem a ver com o mundo do futebol, a desejar felicidades à equipa turca, que eu não sei escrever o nome nem o pronunciar, não sendo capaz de fazer o mesmo em relação aos clubes portugueses que continuam em competição, reforcei a ideia que de facto não há nada mais puro do que o silêncio.
Fico-me por aqui sobre esta matéria e só voltarei a ela se me pedirem muito, na certeza que ninguém o fará.
Ontem à noite depois de assistir, incrédulo, ao jogo do Sporting com uma equipa turca que eu não sei escrever o nome nem o pronunciar, achei que o melhor era não dizer nada, para não sofrer do mesmo na próxima jornada europeia com o meu Benfica.
Esta manhã depois de ouvir as declarações do Drº Dias da Cunha, o tal dirigente desportivo que é de uma educação refinada e nada tem a ver com o mundo do futebol, a desejar felicidades à equipa turca, que eu não sei escrever o nome nem o pronunciar, não sendo capaz de fazer o mesmo em relação aos clubes portugueses que continuam em competição, reforcei a ideia que de facto não há nada mais puro do que o silêncio.
Fico-me por aqui sobre esta matéria e só voltarei a ela se me pedirem muito, na certeza que ninguém o fará.
2003-11-27
Uma esmolinha por favor
O post que deixei aqui em baixo, tem a importância que tem e foi um pouco em jeito de brincadeira. Porém revela uma realidade que poucas pessoas se apercebem, nomeadamente aquelas que vivem distantes, por opção, da realidade partidária. O que está a acontecer com o PS agora, já aconteceu com o PSD. É essencialmente um problema de todos os partidos, mas note-se, mais nos que disputam e exercem o Poder.
Falando de coisas objectivas.
O PS em 1999 fez uma campanha eleitoral gigantesca. Não era necessário fazê-lo mas fê-la. O PSD não tinha nem metade dos meios do seu adversário. Quem se cruzava com uma caravana socialista, ficava envergonhado perante o aparato propagandístico e a quantidade de brindes e outras bugigangas habituais nos períodos eleitorais. Gastaram, como o povo diz: à grande e à francesa. Mais houvesse mais se gastava.
Hoje, longe do Poder e sem perspectivas de o ocupar, tão cedo, está na eminência de mendigar, porque é disso que se trata, um punhado de Euros, de modo a manter o nível de intervenção a que habituou a população em geral e os seus militantes em particular. Não sabe para onde se há-de virar.
O PSD está hoje numa situação mais confortável. Apesar da rígida legislação de financiamento partidário, sabe que num momento de aflição, alguém vai aparecer para resolver. Está no Poder.
Naturalmente que a situação, um dia, vai inverter-se.
A piada que esta questão causa e o gozo de alguns comentários aqui deixados, reflectem, não só mas também, o tipo de gestão do Poder exercido pelos socialistas. São o mas perfeito exemplo da cigarra: enquanto houve, gastou-se. Agora que não há, mendiga-se.
Fátima Felgueiras, bem longe, deve estar a gozar o prato com esta situação. Outros que estiveram ligados a esquemas relacionados com Fundações que não serviam para nada e a esquemas estranhos de evasão fiscal, nomeadamente ao IVA, devem estar a recordar os bons velhos tempos em que debaixo de uma pedra, aparecia dinheiro.
Triste sina a dos partidos. Ainda por cima são geridos por pessoas que têm muito mais do que a 4ª classe e não são capazes de evitar sufocos como o PS está a viver.
Um dia alguém me questionou, indirectamente, como é que uma notícia desfavorável ao turismo a Tavira e à sua praia, tinha saído para a comunicação social. Hoje sou eu que pergunto: que raios andam a fazer estes dirigentes nacionais do PS que não são capazes de resolver estas questões de falta de liquidez sem ser na praça pública e perante o riso generalizado.
Falando de coisas objectivas.
O PS em 1999 fez uma campanha eleitoral gigantesca. Não era necessário fazê-lo mas fê-la. O PSD não tinha nem metade dos meios do seu adversário. Quem se cruzava com uma caravana socialista, ficava envergonhado perante o aparato propagandístico e a quantidade de brindes e outras bugigangas habituais nos períodos eleitorais. Gastaram, como o povo diz: à grande e à francesa. Mais houvesse mais se gastava.
Hoje, longe do Poder e sem perspectivas de o ocupar, tão cedo, está na eminência de mendigar, porque é disso que se trata, um punhado de Euros, de modo a manter o nível de intervenção a que habituou a população em geral e os seus militantes em particular. Não sabe para onde se há-de virar.
O PSD está hoje numa situação mais confortável. Apesar da rígida legislação de financiamento partidário, sabe que num momento de aflição, alguém vai aparecer para resolver. Está no Poder.
Naturalmente que a situação, um dia, vai inverter-se.
A piada que esta questão causa e o gozo de alguns comentários aqui deixados, reflectem, não só mas também, o tipo de gestão do Poder exercido pelos socialistas. São o mas perfeito exemplo da cigarra: enquanto houve, gastou-se. Agora que não há, mendiga-se.
Fátima Felgueiras, bem longe, deve estar a gozar o prato com esta situação. Outros que estiveram ligados a esquemas relacionados com Fundações que não serviam para nada e a esquemas estranhos de evasão fiscal, nomeadamente ao IVA, devem estar a recordar os bons velhos tempos em que debaixo de uma pedra, aparecia dinheiro.
Triste sina a dos partidos. Ainda por cima são geridos por pessoas que têm muito mais do que a 4ª classe e não são capazes de evitar sufocos como o PS está a viver.
Um dia alguém me questionou, indirectamente, como é que uma notícia desfavorável ao turismo a Tavira e à sua praia, tinha saído para a comunicação social. Hoje sou eu que pergunto: que raios andam a fazer estes dirigentes nacionais do PS que não são capazes de resolver estas questões de falta de liquidez sem ser na praça pública e perante o riso generalizado.
Alguém está interessado em contribuir?
Proponho uma subscrição blogosférica a ser entregue para a semana no Largo do Rato.
A propósito: o jornalista que escreveu a notícia, costuma andar por aqui.
A propósito: o jornalista que escreveu a notícia, costuma andar por aqui.
Interior
2003-11-26
A Marafadíssima Blogosfera Algarvia (calculo que isto vai dar chatice)
Correndo o risco de estar a cometer alguma injustiça, decidi lançar para a blogosfera este post.
O Asul fez o favor de me enviar, há uns dias atrás, uma listagem com cerca de trinta e poucos endereços de blogues algarvios ou relacionados com o Algarve. O motivo prende-se com o I Encontro de Blogues do Algarve, cuja hipótese coloquei à consideração da marafadíssima blogosfera algarvia.
Tomei a liberdade de percorrer, um por um e tentar perceber quando tiveram o seu início e o número de visitantes que registam.
Alguns deles não têm contador, logo a lista que a seguir disponibilizo, pode não estar correcta, sendo certo que o mais visitado, dificilmente será ultrapassado.
Correndo o risco de ter cometido algum erro de contagem ou de estar a omitir algum blogue do nosso querido Algarve, contabilizei os 10 mais visitados até ao dia de hoje (26/11/2003). A contagem terminou sensivelmente às 21 horas e pode até já não reflectir a realidade. Naturalmente, nos dias que se seguem esta contagem é susceptível de maiores alterações.
Espero que não me levem a mal a indiscrição e se detectarem algum erro, desde já me penitencio por isso. Em circunstância alguma foi meu objectivo hierarquizar a blogosfera algarvia, até porque para mim, SOMOS TODOS DIFERENTES, MAS TODOS IGUAIS e como o Abrupto não é algarvio, aqui não há estrelas.
Permitam-me apenas referir que o grande líder desta tabela é de TAVIRA.
Ah grande João. Asseca ao Poder.
(Classificados por número de visitantes)
1-Jaquinzinhos-42257
2-Lâmpada Mágica-14071
3-O Vento lá Fora-11736
4-1000e uma-8261
5-Um pouco mais de sul-4778
6-MacJete-4390
7-Local e Blogal-4304
8-Almariado-3078
9-Alcagoita-2523
10-Vialgarve-2384
O Asul fez o favor de me enviar, há uns dias atrás, uma listagem com cerca de trinta e poucos endereços de blogues algarvios ou relacionados com o Algarve. O motivo prende-se com o I Encontro de Blogues do Algarve, cuja hipótese coloquei à consideração da marafadíssima blogosfera algarvia.
Tomei a liberdade de percorrer, um por um e tentar perceber quando tiveram o seu início e o número de visitantes que registam.
Alguns deles não têm contador, logo a lista que a seguir disponibilizo, pode não estar correcta, sendo certo que o mais visitado, dificilmente será ultrapassado.
Correndo o risco de ter cometido algum erro de contagem ou de estar a omitir algum blogue do nosso querido Algarve, contabilizei os 10 mais visitados até ao dia de hoje (26/11/2003). A contagem terminou sensivelmente às 21 horas e pode até já não reflectir a realidade. Naturalmente, nos dias que se seguem esta contagem é susceptível de maiores alterações.
Espero que não me levem a mal a indiscrição e se detectarem algum erro, desde já me penitencio por isso. Em circunstância alguma foi meu objectivo hierarquizar a blogosfera algarvia, até porque para mim, SOMOS TODOS DIFERENTES, MAS TODOS IGUAIS e como o Abrupto não é algarvio, aqui não há estrelas.
Permitam-me apenas referir que o grande líder desta tabela é de TAVIRA.
Ah grande João. Asseca ao Poder.
(Classificados por número de visitantes)
1-Jaquinzinhos-42257
2-Lâmpada Mágica-14071
3-O Vento lá Fora-11736
4-1000e uma-8261
5-Um pouco mais de sul-4778
6-MacJete-4390
7-Local e Blogal-4304
8-Almariado-3078
9-Alcagoita-2523
10-Vialgarve-2384
Esqueci-me de um pormenor
A grande angústia do PS neste momento é saber que, tanto Cavaco Silva como Santana Lopes ganham de caras a António Guterres.
De novo as Presidenciais
O post que escrevi sobre as presidenciais suscitou alguns comentários, uns mais interessantes do que outros.
Naturalmente que nesta fase não podemos passar do campo das hipóteses e das previsões, mas há sinais e comportamentos que indiciam um determinado desfecho.
A minha opinião é a seguinte:
Pedro Santana Lopes é um político que aprecia gerir a sua carreira naquilo que na gíria se chama “a crista da onda”. É mediático, é um vencedor, tem capacidade de federar o voto à direita e fazer estragos à esquerda. Isto parece-me evidente. Não estão em causa nem as capacidades nem as qualidades da pessoa em si, mas as evidências demonstram que é um político da primeira linha. Goste-se ou não, parece-me ser esta a realidade.
A forma como colocou a questão das presidências, não foi a mais adequada. Peca por temporã. Eu diria mesmo, fora de tempo. Quem quer ser realmente candidato a Presidente da República com aspirações a vencer a eleição, nesta fase, reserva-se ao silêncio. Não comenta nada ou quase nada da vida política, nem deixa no ar cenários do tipo: agora não digo porque não quero. Quem tem este comportamento, fá-lo na confortável situação de não vir a disputar a eleição.
Vejam como estão os dois principais candidatos ao cargo, pelo menos para mim, Cavaco Silva e António Guterrres. Calados, serenos, sem fazer ondas, intervindo aqui ou ali mas em fóruns distantes da política nacional, ou seja fazendo uso dessa arma letal em política que é a contenção e o saber esperar.
Pedro Santana Lopes está a fazer precisamente o contrário. Fala do caso sem concretizar, lança cenários com base apenas na futurologia, relembra as imagens visionárias de Sá Carneiro e deixa a comunicação social com água na boca. Este homem, para todos os efeitos, é o primeiro vice-presidente do PSD, logo está, porque só pode estar, envolvido na lógica e na estratégia do líder do partido e eu, muito sinceramente, acho que Durão Barroso prefere de longe, Cavaco Silva como candidato. Pedro Santana Lopes sabe disto, certamente.
Por tudo isto a questão principal é esta: então porquê tanta manobra de diversão por parte do autarca de Lisboa? Porque está-lhe no sangue. Não sabe nem consegue agir de outra forma que não seja com os holofotes do mediatismo apontados sobre a sua cabeça. A seu tempo dirá aquilo que é mais sensato, isto é a sua recandidatura à Câmara Municipal de Lisboa e o apoio a Cavaco Silva como candidato a Presidente da República.
Esta é a minha opinião. Se isto não acontecer, só me restam duas coisas. Uma é admitir o erro a outra é votar em Pedro Santa Lopes, sendo certo que Cavaco Silva só será candidato não havendo mais nenhuma candidatura proveniente do PSD. Também aqui, Pedro Santana Lopes já garantiu que jamais seria candidato contra Cavaco Silva. É normal e sensato.
Naturalmente que nesta fase não podemos passar do campo das hipóteses e das previsões, mas há sinais e comportamentos que indiciam um determinado desfecho.
A minha opinião é a seguinte:
Pedro Santana Lopes é um político que aprecia gerir a sua carreira naquilo que na gíria se chama “a crista da onda”. É mediático, é um vencedor, tem capacidade de federar o voto à direita e fazer estragos à esquerda. Isto parece-me evidente. Não estão em causa nem as capacidades nem as qualidades da pessoa em si, mas as evidências demonstram que é um político da primeira linha. Goste-se ou não, parece-me ser esta a realidade.
A forma como colocou a questão das presidências, não foi a mais adequada. Peca por temporã. Eu diria mesmo, fora de tempo. Quem quer ser realmente candidato a Presidente da República com aspirações a vencer a eleição, nesta fase, reserva-se ao silêncio. Não comenta nada ou quase nada da vida política, nem deixa no ar cenários do tipo: agora não digo porque não quero. Quem tem este comportamento, fá-lo na confortável situação de não vir a disputar a eleição.
Vejam como estão os dois principais candidatos ao cargo, pelo menos para mim, Cavaco Silva e António Guterrres. Calados, serenos, sem fazer ondas, intervindo aqui ou ali mas em fóruns distantes da política nacional, ou seja fazendo uso dessa arma letal em política que é a contenção e o saber esperar.
Pedro Santana Lopes está a fazer precisamente o contrário. Fala do caso sem concretizar, lança cenários com base apenas na futurologia, relembra as imagens visionárias de Sá Carneiro e deixa a comunicação social com água na boca. Este homem, para todos os efeitos, é o primeiro vice-presidente do PSD, logo está, porque só pode estar, envolvido na lógica e na estratégia do líder do partido e eu, muito sinceramente, acho que Durão Barroso prefere de longe, Cavaco Silva como candidato. Pedro Santana Lopes sabe disto, certamente.
Por tudo isto a questão principal é esta: então porquê tanta manobra de diversão por parte do autarca de Lisboa? Porque está-lhe no sangue. Não sabe nem consegue agir de outra forma que não seja com os holofotes do mediatismo apontados sobre a sua cabeça. A seu tempo dirá aquilo que é mais sensato, isto é a sua recandidatura à Câmara Municipal de Lisboa e o apoio a Cavaco Silva como candidato a Presidente da República.
Esta é a minha opinião. Se isto não acontecer, só me restam duas coisas. Uma é admitir o erro a outra é votar em Pedro Santa Lopes, sendo certo que Cavaco Silva só será candidato não havendo mais nenhuma candidatura proveniente do PSD. Também aqui, Pedro Santana Lopes já garantiu que jamais seria candidato contra Cavaco Silva. É normal e sensato.
25 de Novembro - Uma data histórica (eu sei que foi ontem, mas não tive tempo de procurar)
2003-11-25
I Encontro de Blogues Algarvios (proposta)
A ideia que lancei à dias atrás não está esquecida. Para o efeito gostaria de fazer a seguinte proposta no sentido de começarmos a equacionar coisas mais concretas. Se existem interessados neste encontro, façam o favor de se manifestar. Julgo que é igualmente importante que cada um passe a mensagem a outros autores de blogues que possam estar interessados em participar.
Aqueles que não têm a sorte de ser algarvios, estão também convidados. Aqui ninguém discrimina ninguém. Quantos mais formos, melhor.
Data: 13 ou 20 de Dezembro ou não sendo este ano a 10, 17 ou 20 de Janeiro de 2004.
Local: Junta de Freguesia de Santiago (Temos esta sala disponível, gratuitamente, na qual é possível ligar um computador à Internet para qualquer demonstração que for necessária. Também arranjo um projector se fizer falta. A sala é climatizada.)
Programa
9:30 - 10:30 - Recepção dos Participantes
10:30 - Visita Guiada ao Centro Histórico de Tavira
11:30 – Lançamento do Livro de Paulo Querido e Luis Enes
13:00 - Almoço
15:00 - Apresentação dos participantes. (cada participante será "obrigado" a responder à seguinte questão: O que me levou a criar um blogue?
16:00 - HTML – O que necessito saber.
17:30 – Debate de um tema (aceitam-se propostas ou eventualmente convida-se alguém com um papel preponderante na criação da blogosfera nacional para falar sobre o tema)
19:00 – Encerramento (presença de um convidado especial, uma figura de relevo regional que possa falar do Algarve e dos seus principais desafios )
20:30 – Jantar
Notas:
- Constituição de uma Comissão Organizadora. Estou naturalmente disponível desde que alguém ajude.
- Proponho que seja instituído um preço de inscrição para fazer face às duas refeições a pagar no momento da chegada ou à hora do almoço.
- Tudo isto está aberto a sugestões e contributos, mas sejam rápidos. Não há tempo a perder.
Aqueles que não têm a sorte de ser algarvios, estão também convidados. Aqui ninguém discrimina ninguém. Quantos mais formos, melhor.
Data: 13 ou 20 de Dezembro ou não sendo este ano a 10, 17 ou 20 de Janeiro de 2004.
Local: Junta de Freguesia de Santiago (Temos esta sala disponível, gratuitamente, na qual é possível ligar um computador à Internet para qualquer demonstração que for necessária. Também arranjo um projector se fizer falta. A sala é climatizada.)
Programa
9:30 - 10:30 - Recepção dos Participantes
10:30 - Visita Guiada ao Centro Histórico de Tavira
11:30 – Lançamento do Livro de Paulo Querido e Luis Enes
13:00 - Almoço
15:00 - Apresentação dos participantes. (cada participante será "obrigado" a responder à seguinte questão: O que me levou a criar um blogue?
16:00 - HTML – O que necessito saber.
17:30 – Debate de um tema (aceitam-se propostas ou eventualmente convida-se alguém com um papel preponderante na criação da blogosfera nacional para falar sobre o tema)
19:00 – Encerramento (presença de um convidado especial, uma figura de relevo regional que possa falar do Algarve e dos seus principais desafios )
20:30 – Jantar
Notas:
- Constituição de uma Comissão Organizadora. Estou naturalmente disponível desde que alguém ajude.
- Proponho que seja instituído um preço de inscrição para fazer face às duas refeições a pagar no momento da chegada ou à hora do almoço.
- Tudo isto está aberto a sugestões e contributos, mas sejam rápidos. Não há tempo a perder.
Citações
Vida de Marinheiro
Faro - Capital da Cultura.
SNBPC
O ex-responsável pelo Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, Leal Martins, deu ontem uma entrevista ao Público. A única pergunta que me ocorre é esta:
- O Ministério Público vai fazer alguma coisa?
- O Ministério Público vai fazer alguma coisa?
O rio vai cheio
Ontem o rio Gilão apresentava este aspecto uma hora antes do pico máximo da maré. Hoje o cenário é completamente diferente. Para os lados do Quadrante as coisas estiveram bem piores.
2003-11-24
Soltar as amarras
Estádio do Algarve
Ontem, durante a inauguração do Estádio do Algarve, o presidente da Câmara Municipal de Faro, foi de uma sinceridade absolutamente desarmante.
- Não temos dinheiro para mais.
Tudo isto a propósito da inauguração do estádio sem uma partida de futebol, feita sem pompa nem circunstância.
O problema é esse mesmo. Não há dinheiro nem formas de o encontrar, pelo menos no curto prazo. Por isso as palavras de José Vitorino são de tal forma simbólicas, ao ponto de pouco mais poder ser acrescentado.
Alguém se lembrou que o Algarve deveria, à imagem de outras cidades no país, também ter um estádio, para não ser menos do que os outros. Esse, alguém já não tem responsabilidades políticas e funcionais neste momento. Mas é certo que a sua decisão deixou de pés e mãos atadas, dois presidentes de Câmara, eleitos nas últimas eleições que não pediram esta situação, a qual agora não lhes resta outra alternativa senão resolvê-la.
O estádio do Algarve não é igual aos outros. O do Algarve, em bom português pode dizer-se que não é carne nem é peixe. Não é de Loulé nem de Faro e sendo dos dois concelhos ao mesmo tempo, não é de nenhum. Pode dizer-se: - é da região. Tudo bem, mas a região tem um conjunto de carências das quais depende o seu desenvolvimento futuro, cujas verbas envolvidas na construção do estádio muito podiam ajudar. Dir-me-ão de seguida: mas este dinheiro era canalizado apenas para o Euro 2004 e respectivos estádios. É certo, por isso o problema é essencialmente político, ou seja de quem tomou a decisão de avançar nesta aventura de contornos tão sinuosos.
Se o Farense ou o Louletano disputassem a principal competição do futebol nacional, com uma equipa que lutasse pelos lugares acima do meio da tabela, o estádio pelo menos já tinha uma função e um destino admissível. Mas a realidade é outra. Infelizmente, nem o Louletano nem o Farense vão, nos próximos anos, alcançar semelhante situação. O Farense, como é sabido, viveu este ano o episódio mais negro da sua história e o Louletano há muitos anos que não sai da mesma divisão. Esta é a realidade futebolística nos concelhos onde foi erguido o estádio.
Eu não concordo nem com a construção de tantos estádios nem com a organização do Euro 2004 em Portugal. A razão não é retórica, nem demagógica. Estas coisas têm custos e bastante elevados. Isto é como uma família que, apesar dos fracos rendimentos auferidos, vive acima das suas possibilidades. Vai ao banco endividar-se para adquirir um conjunto de bens e serviços, os quais estão muito acima dos seus ordenados. Um dia a coisa entra numa espiral de dívidas sem controlo e a dita família acaba por perder os anéis e com um pouco de azar, até os dedos.
O país não pode orientar-se por esta lógica do compra-se e depois logo se paga…se houver dinheiro.
Antes fosse ao contrário. Antes o Estádio do Algarve tivesse sido, pelo menos, inaugurado com um jogo do Farense contra um dos três grandes de Portugal, não em jogo amigável mas a contar para a Super Liga.
- Não temos dinheiro para mais.
Tudo isto a propósito da inauguração do estádio sem uma partida de futebol, feita sem pompa nem circunstância.
O problema é esse mesmo. Não há dinheiro nem formas de o encontrar, pelo menos no curto prazo. Por isso as palavras de José Vitorino são de tal forma simbólicas, ao ponto de pouco mais poder ser acrescentado.
Alguém se lembrou que o Algarve deveria, à imagem de outras cidades no país, também ter um estádio, para não ser menos do que os outros. Esse, alguém já não tem responsabilidades políticas e funcionais neste momento. Mas é certo que a sua decisão deixou de pés e mãos atadas, dois presidentes de Câmara, eleitos nas últimas eleições que não pediram esta situação, a qual agora não lhes resta outra alternativa senão resolvê-la.
O estádio do Algarve não é igual aos outros. O do Algarve, em bom português pode dizer-se que não é carne nem é peixe. Não é de Loulé nem de Faro e sendo dos dois concelhos ao mesmo tempo, não é de nenhum. Pode dizer-se: - é da região. Tudo bem, mas a região tem um conjunto de carências das quais depende o seu desenvolvimento futuro, cujas verbas envolvidas na construção do estádio muito podiam ajudar. Dir-me-ão de seguida: mas este dinheiro era canalizado apenas para o Euro 2004 e respectivos estádios. É certo, por isso o problema é essencialmente político, ou seja de quem tomou a decisão de avançar nesta aventura de contornos tão sinuosos.
Se o Farense ou o Louletano disputassem a principal competição do futebol nacional, com uma equipa que lutasse pelos lugares acima do meio da tabela, o estádio pelo menos já tinha uma função e um destino admissível. Mas a realidade é outra. Infelizmente, nem o Louletano nem o Farense vão, nos próximos anos, alcançar semelhante situação. O Farense, como é sabido, viveu este ano o episódio mais negro da sua história e o Louletano há muitos anos que não sai da mesma divisão. Esta é a realidade futebolística nos concelhos onde foi erguido o estádio.
Eu não concordo nem com a construção de tantos estádios nem com a organização do Euro 2004 em Portugal. A razão não é retórica, nem demagógica. Estas coisas têm custos e bastante elevados. Isto é como uma família que, apesar dos fracos rendimentos auferidos, vive acima das suas possibilidades. Vai ao banco endividar-se para adquirir um conjunto de bens e serviços, os quais estão muito acima dos seus ordenados. Um dia a coisa entra numa espiral de dívidas sem controlo e a dita família acaba por perder os anéis e com um pouco de azar, até os dedos.
O país não pode orientar-se por esta lógica do compra-se e depois logo se paga…se houver dinheiro.
Antes fosse ao contrário. Antes o Estádio do Algarve tivesse sido, pelo menos, inaugurado com um jogo do Farense contra um dos três grandes de Portugal, não em jogo amigável mas a contar para a Super Liga.
O Gilão
O rio Gilão, esta tarde, vai certamente visitar as casas de algumas pessoas.
É o velho drama de quem vive paredes-meias com ele.
A maré está a encher e da serra vem uma água barrenta pouco simpática.
Mais logo, de madrugada, o cenário repete-se. Se parar de chover durante a tarde, pode ser que a noite seja tranquila. Se não…
É o velho drama de quem vive paredes-meias com ele.
A maré está a encher e da serra vem uma água barrenta pouco simpática.
Mais logo, de madrugada, o cenário repete-se. Se parar de chover durante a tarde, pode ser que a noite seja tranquila. Se não…
2003-11-23
Presidenciais
Depois do que vi e ouvi ontem, posso estar completamente enganado, mas o meu prognóstico é que Pedro Santana Lopes não será candidato a Presidente da República.
Quem quer ser candidato, nesta altura do campeonato, não fala disso.
Santana Lopes fala e continuará a falar nos próximos tempos. Isso para mim é indiciador que não será candidato.
Quem quer ser candidato, nesta altura do campeonato, não fala disso.
Santana Lopes fala e continuará a falar nos próximos tempos. Isso para mim é indiciador que não será candidato.
Ainda o terrorismo
Foram deixados alguns comentários no Almariado em relação às questões do terrorismo e dos movimentos anti-Bush e anti-EUA os quais quero agradecer e também comentar.
Alguns pontos que me parecem relevantes:
1 - O terrorismo mundial tem o seu núcleo existencial no conflito israelo-árabe, mas não só. A questão iraquiana tem contornos próprios, alguns deles perfeitamente dissociados da luta palestiniana. Acredito que o mundo islâmico seja o mais corporativo à face do planeta e que as questões pendentes e em ebulição noutros países, possam acicatar a revolta da comunidade muçulmana. Porém, a questão iraquiana pouco tinha de solidez política. Tratava-se de uma das ditaduras mais criminosas dos nossos tempos e este é um facto indisfarçável. Morreram às mãos de Saddam, milhares de pessoas. Isto só por si já merece alguma reflexão quanto à legitimidade da intervenção no Iraque. Não é possível haver paz no médio Oriente com líderes como o ex-ditador iaquiano.
2 - O Iraque é naturalmente um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Isso torna-o um país onde vários interesses económicos difusos obrigam a uma atenção especial. O Mundo, hoje, vive às custas de um “motor” que se alimenta essencialmente dos recursos petrolíferos. O Iraque, às mão de um líder como Saddam, sabia o quanto podia influenciar os preços do barril de petróleo e fez disso uma questão essencial para a manutenção do seu regime.
A minha questão e ao mesmo tempo opinião é muito simples. Quem é o menos e o mais perigoso produtor de petróleo? Até que ponto o planeta pode viver descansado se os principais níveis de produção de petróleo estiverem nas mãos de regimes ditatoriais apoiantes de movimentos terroristas?
Os EUA com todos os defeitos que têm são uma democracia, vivem com regras de respeito pela condição humana que em nada são semelhantes às do Iraque antes da intervenção que depôs Saddam.
3 - Um crime não se pune com outro crime. Estou perfeitamente de acordo. Por isso sou contra a pena de morte. Mas aqui o problema é bem mais profundo.
Os EUA foram atacados em 2001 de uma forma como mais nenhuma nação alguma vez o fora. O 11 de Setembro não encontra paralelismo na história da humanidade, até pela forma calculista e fria com tudo foi equacionado e preparado. Os EUA foram selvaticamente atacados. Foi um crime contra a Humanidade.
Quem atacou como atacou o WTC sabia as consequências desse ataque. Milhares de vítimas civis e inocentes. Isto, tenham paciência, não podia ficar impune e era merecedor de uma intervenção adequada visando punir os seus autores. Daí a intervenção no Afeganistão, também contra a vontade dos crónicos apoiantes da causa anti-Bush e anti-EUA. Isso levou ao ressurgimento de mais terrorismo? Com certeza que sim. Mas qual era a solução? Era à mesa das Nações Unidas, onde pouco ou nada se decide, os EUA pedirem às nações que albergam grupos terroristas islâmicos, para que metessem uma cunha a esses mesmos terroristas para não voltar a haver mais ataques? Mas alguém acha que essa era uma solução credível?
Os EUA fizeram o que qualquer nação faria em caso de ataque desta natureza. Reagir. Não há outra forma de proteger o seu país e os seus cidadãos.
4 - Bin Laden é um produto dos EUA. É um facto. Numa circunstância completamente diferente à de hoje. Também me parece indesmentível. Qual a mais legítima? Não sei. O que sei é apenas isto: todos os erros que cometemos ao longo das nossas vidas repercutem-se, mais cedo ou mais tarde. Uma coisa é certa: não é por Bin-Laden ter sido um produto dos americanos que os seus actos, doravante são merecedores de desculpa ou de legitimação. Não estamos a falar de crianças que se portam mal. Estamos a falar de gente capaz de matar milhares de pessoas através de formas absolutamente inimagináveis.
5 - Os ataques do 11 de Setembro foram planeados e executados com vista a ferir uma nação livre e democrática como são os EUA. Se o seu presidente fosse Al Gore em vez de Bush, desconfio que o cenário seria exactamente igual. Não é Bush que está em causa. É o conceito de nação livre e democrática, coesa e poderosa que assusta o fundamentalismo árabe. Quem vive sob a pressão de conceitos religiosos exagerados, não é capaz de manter uma boa relação com os diferentes credos e opiniões.
6 - Vão me desculpar a franqueza mas eu acho que existe muito anti-americanismo primário, mal justificado, nas cabeças dos manifestantes de Londres, bem como nas das pessoas que aqui deixaram comentários e não o digo por menor consideração, tal como não acho que sejam intelectualmente desonestos por esse facto. São contra tudo o que esteja relacionado com os EUA. Vêm perigo em tudo quanto os rodeia, esquecendo-se, na maior parte das vezes, que o perigo maior não está nos EUA mas sim nos movimentos terroristas árabes. Os EUA envolvem-se em guerras. Os terroristas estão permanentemente nelas.
Digo mais: o conflito palestiniano serve de legitimação aos árabes para poderem manter os principais braços armados contra o ocidente. Se assim não fosse não poderiam alimentar o seu fundamentalismo religioso. Precisam de ter um inimigo. Tem sido assim ao longo da história.
7 - Por fim, o Daniel Tecelão não respondeu às minhas questões apenas deixou outras questões. No entanto usou esse termo tão caro aos anti-americanos como é o «ser contra a política imperialista dos EUA». É um facto que isso não o faz apoiante do terrorismo, mas fá-lo, aparentemente, ser contra tudo o que se relacione com os EUA e a sua intervenção à escala mundial, nomeadamente quando a sua intervenção é pacificadora ou de reposição da liberdade democrática, como já tem acontecido.
Ainda bem que o 11 de Setembro não foi à nossa porta.
Alguns pontos que me parecem relevantes:
1 - O terrorismo mundial tem o seu núcleo existencial no conflito israelo-árabe, mas não só. A questão iraquiana tem contornos próprios, alguns deles perfeitamente dissociados da luta palestiniana. Acredito que o mundo islâmico seja o mais corporativo à face do planeta e que as questões pendentes e em ebulição noutros países, possam acicatar a revolta da comunidade muçulmana. Porém, a questão iraquiana pouco tinha de solidez política. Tratava-se de uma das ditaduras mais criminosas dos nossos tempos e este é um facto indisfarçável. Morreram às mãos de Saddam, milhares de pessoas. Isto só por si já merece alguma reflexão quanto à legitimidade da intervenção no Iraque. Não é possível haver paz no médio Oriente com líderes como o ex-ditador iaquiano.
2 - O Iraque é naturalmente um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Isso torna-o um país onde vários interesses económicos difusos obrigam a uma atenção especial. O Mundo, hoje, vive às custas de um “motor” que se alimenta essencialmente dos recursos petrolíferos. O Iraque, às mão de um líder como Saddam, sabia o quanto podia influenciar os preços do barril de petróleo e fez disso uma questão essencial para a manutenção do seu regime.
A minha questão e ao mesmo tempo opinião é muito simples. Quem é o menos e o mais perigoso produtor de petróleo? Até que ponto o planeta pode viver descansado se os principais níveis de produção de petróleo estiverem nas mãos de regimes ditatoriais apoiantes de movimentos terroristas?
Os EUA com todos os defeitos que têm são uma democracia, vivem com regras de respeito pela condição humana que em nada são semelhantes às do Iraque antes da intervenção que depôs Saddam.
3 - Um crime não se pune com outro crime. Estou perfeitamente de acordo. Por isso sou contra a pena de morte. Mas aqui o problema é bem mais profundo.
Os EUA foram atacados em 2001 de uma forma como mais nenhuma nação alguma vez o fora. O 11 de Setembro não encontra paralelismo na história da humanidade, até pela forma calculista e fria com tudo foi equacionado e preparado. Os EUA foram selvaticamente atacados. Foi um crime contra a Humanidade.
Quem atacou como atacou o WTC sabia as consequências desse ataque. Milhares de vítimas civis e inocentes. Isto, tenham paciência, não podia ficar impune e era merecedor de uma intervenção adequada visando punir os seus autores. Daí a intervenção no Afeganistão, também contra a vontade dos crónicos apoiantes da causa anti-Bush e anti-EUA. Isso levou ao ressurgimento de mais terrorismo? Com certeza que sim. Mas qual era a solução? Era à mesa das Nações Unidas, onde pouco ou nada se decide, os EUA pedirem às nações que albergam grupos terroristas islâmicos, para que metessem uma cunha a esses mesmos terroristas para não voltar a haver mais ataques? Mas alguém acha que essa era uma solução credível?
Os EUA fizeram o que qualquer nação faria em caso de ataque desta natureza. Reagir. Não há outra forma de proteger o seu país e os seus cidadãos.
4 - Bin Laden é um produto dos EUA. É um facto. Numa circunstância completamente diferente à de hoje. Também me parece indesmentível. Qual a mais legítima? Não sei. O que sei é apenas isto: todos os erros que cometemos ao longo das nossas vidas repercutem-se, mais cedo ou mais tarde. Uma coisa é certa: não é por Bin-Laden ter sido um produto dos americanos que os seus actos, doravante são merecedores de desculpa ou de legitimação. Não estamos a falar de crianças que se portam mal. Estamos a falar de gente capaz de matar milhares de pessoas através de formas absolutamente inimagináveis.
5 - Os ataques do 11 de Setembro foram planeados e executados com vista a ferir uma nação livre e democrática como são os EUA. Se o seu presidente fosse Al Gore em vez de Bush, desconfio que o cenário seria exactamente igual. Não é Bush que está em causa. É o conceito de nação livre e democrática, coesa e poderosa que assusta o fundamentalismo árabe. Quem vive sob a pressão de conceitos religiosos exagerados, não é capaz de manter uma boa relação com os diferentes credos e opiniões.
6 - Vão me desculpar a franqueza mas eu acho que existe muito anti-americanismo primário, mal justificado, nas cabeças dos manifestantes de Londres, bem como nas das pessoas que aqui deixaram comentários e não o digo por menor consideração, tal como não acho que sejam intelectualmente desonestos por esse facto. São contra tudo o que esteja relacionado com os EUA. Vêm perigo em tudo quanto os rodeia, esquecendo-se, na maior parte das vezes, que o perigo maior não está nos EUA mas sim nos movimentos terroristas árabes. Os EUA envolvem-se em guerras. Os terroristas estão permanentemente nelas.
Digo mais: o conflito palestiniano serve de legitimação aos árabes para poderem manter os principais braços armados contra o ocidente. Se assim não fosse não poderiam alimentar o seu fundamentalismo religioso. Precisam de ter um inimigo. Tem sido assim ao longo da história.
7 - Por fim, o Daniel Tecelão não respondeu às minhas questões apenas deixou outras questões. No entanto usou esse termo tão caro aos anti-americanos como é o «ser contra a política imperialista dos EUA». É um facto que isso não o faz apoiante do terrorismo, mas fá-lo, aparentemente, ser contra tudo o que se relacione com os EUA e a sua intervenção à escala mundial, nomeadamente quando a sua intervenção é pacificadora ou de reposição da liberdade democrática, como já tem acontecido.
Ainda bem que o 11 de Setembro não foi à nossa porta.
2003-11-22
Desonestidade intelectual
O Daniel Tecelão acusa-me de falta de honestidade intelectual.
Começam a tornar-se repetitivas as acusações. Julgo que neste caso não o fez para me ofender, ainda que o termo seja indiciador de menor consideração.
Em relação ao assunto no qual me faltou honestidade intelectual, deixo três perguntas que talvez o Daniel possa responder:
-Porque será que ocorrem no mundo mais manifestações anti-Bush do que anti-Bin Laden, anti-Saddam, anti-Al Qaeda,os seja anti terrorismo?
-Porque será que a origem dos manifestantes é quase sempre a mesma?
-Qual era a frente de guerra dos Estados Unidos da América antes do 11 de Setembro?
Perdoe-me se fui mais uma vez intelectualmente desonesto, mas se me responder com honestidade intelectual, talvez o recupere a minha.
Começam a tornar-se repetitivas as acusações. Julgo que neste caso não o fez para me ofender, ainda que o termo seja indiciador de menor consideração.
Em relação ao assunto no qual me faltou honestidade intelectual, deixo três perguntas que talvez o Daniel possa responder:
-Porque será que ocorrem no mundo mais manifestações anti-Bush do que anti-Bin Laden, anti-Saddam, anti-Al Qaeda,os seja anti terrorismo?
-Porque será que a origem dos manifestantes é quase sempre a mesma?
-Qual era a frente de guerra dos Estados Unidos da América antes do 11 de Setembro?
Perdoe-me se fui mais uma vez intelectualmente desonesto, mas se me responder com honestidade intelectual, talvez o recupere a minha.
Ao avô António
Um dia assim, cinzento e chuvoso, ao qual se junta a morte de um familiar é um convite à tristeza e à depressão.
O dia hoje, amanhã ou depois vai voltar a ficar bonito. Mas o avô António já não volta. Fechou os olhos depois de muito sofrer.
É o negro destino do ser humano.
Envelhecer, adoecer, sofrer e depois morrer. Não são todos assim mas com ele foi.
Veio morrer a casa, porque no hospital já nada havia a fazer. Era um empecilho. Ocupava uma cama. Era apenas um problema sem solução. Em casa morreu nos braços da filha quando se preparava para jantar.
Foi a última ceia que não chegou ao fim. Ele sim. Cortou a meta da vida.
Espero que tenha aquilo que merece pela vida dura que teve: o descanso eterno, algures onde se sintam bem….
Adeus avô.
O dia hoje, amanhã ou depois vai voltar a ficar bonito. Mas o avô António já não volta. Fechou os olhos depois de muito sofrer.
É o negro destino do ser humano.
Envelhecer, adoecer, sofrer e depois morrer. Não são todos assim mas com ele foi.
Veio morrer a casa, porque no hospital já nada havia a fazer. Era um empecilho. Ocupava uma cama. Era apenas um problema sem solução. Em casa morreu nos braços da filha quando se preparava para jantar.
Foi a última ceia que não chegou ao fim. Ele sim. Cortou a meta da vida.
Espero que tenha aquilo que merece pela vida dura que teve: o descanso eterno, algures onde se sintam bem….
Adeus avô.
2003-11-21
Nada de mais
Enquanto decorriam manifestações anti-Bush na cidade de Londres, em Istambul a Al-Qaeda sujava, mais uma vez, as suas mãos com sangue de gente inocente.
Mas isso não é importante. O problema é mesmo o presidente americano.
A guerra facínora sem quartel movida por terroristas fundamentalistas islâmicos, está perfeitamente legitimada pelos milhares de participantes nas manifestações londrinas e outras que decorrem por esse mundo fora. Assim vivemos todos melhor.
O problema é saber onde vai rebentar a próxima bomba. Pode ser mesmo ao pé da nossa porta.
Mas isso não é importante. O problema é mesmo o presidente americano.
A guerra facínora sem quartel movida por terroristas fundamentalistas islâmicos, está perfeitamente legitimada pelos milhares de participantes nas manifestações londrinas e outras que decorrem por esse mundo fora. Assim vivemos todos melhor.
O problema é saber onde vai rebentar a próxima bomba. Pode ser mesmo ao pé da nossa porta.
Setúbal
Este é o Governo que asfixia as autarquias locais. O outro era mais brando. Até permitia desvarios absolutos cuja consequência visível está traduzida na ruptura financeira da Câmara Municipal de Setúbal. Naturalmente que o facto de esta autarquia ter sido governada pelo PS, no mandato anterior, não é relevante para o caso. De todo…
Ao Sr. António da Silva (cordialmente e com muito mais educação)
Se acha tudo isso de mim conforme escreveu no comentário, então o que faz por estas paragens? Só vem ao Almariado quem quer. Ninguém é obrigado a “aturar-me”. Se o faz, está a dar-me uma importância que eu não mereço ou então o senhor é masoquista e aí, está tudo explicado.
Volte sempre…
P.S – Já agora, se não se importa, eu aqui escrevo o que me apetece, tenho essa liberdade. Quem não gosta, não vem cá. Mas talvez o senhor goste e não o admita. Problema seu, mais uma vez...
Volte sempre…
P.S – Já agora, se não se importa, eu aqui escrevo o que me apetece, tenho essa liberdade. Quem não gosta, não vem cá. Mas talvez o senhor goste e não o admita. Problema seu, mais uma vez...
2003-11-20
Ao JCB
Não percebi o teor do seu comentário, muito sinceramente. Acho que está a ver segundas intenções nas minhas palavras de forma voluntária. Como já deve ter percebido eu não sou de meias palavras nem de entre-linhas. O que tenho para dizer ou escrever é sempre na primeira pessoa e de forma direccionada. Aliás tem sido assim ao longo dos últimos 10 anos.
O blog da Rita Ferro Rodrigues é da mesma altura do Almariado, ou seja são apenas umas “crianças” comparados com outros mais antigos. Por acaso só agora soube da sua existência. Por isso quando diz que fui «apressado», na verdade estou atrasado. Quem mal tem isso?
Quanto ao meu «já está» é absolutamente inócuo, aliás tê-lo feito foi até por uma questão de surpresa e curiosidade e nunca por menos consideração.
Quanto ao facto «família Ferro Rodrigues» não vejo o mal da expressão que não é de forma alguma ofensiva. Compreenderá que não poderia chamar família Silva ou Fonseca, ou Ferreira ou outra qualquer. As pessoas têm nome, não há volta a dar.
Acredite nisto, porque foi assim que as coisas se passaram.
P.S.- Aproveito para dizer que gostei do blog da Rita Ferro Rodrigues.
O blog da Rita Ferro Rodrigues é da mesma altura do Almariado, ou seja são apenas umas “crianças” comparados com outros mais antigos. Por acaso só agora soube da sua existência. Por isso quando diz que fui «apressado», na verdade estou atrasado. Quem mal tem isso?
Quanto ao meu «já está» é absolutamente inócuo, aliás tê-lo feito foi até por uma questão de surpresa e curiosidade e nunca por menos consideração.
Quanto ao facto «família Ferro Rodrigues» não vejo o mal da expressão que não é de forma alguma ofensiva. Compreenderá que não poderia chamar família Silva ou Fonseca, ou Ferreira ou outra qualquer. As pessoas têm nome, não há volta a dar.
Acredite nisto, porque foi assim que as coisas se passaram.
P.S.- Aproveito para dizer que gostei do blog da Rita Ferro Rodrigues.
Novidade
All lies...
As declarações da equipa técnica e jogadores da selecção Sub-21 de futebol, sobre os acontecimentos ocorridos após o jogo com a França, fazem lembrar os discursos do Ministro da Informação Iraquiano. Apesar das evidências, nega-se tudo.
2003-11-19
Eles fizeram os dias assim...
Sinto-me cada vez mais um escravo do relógio e do dia-a-dia. Até quando isto vai durar?
As rotinas são cada vez mais rotinas. As preocupações são cada vez mais preocupações. Os problemas são cada vez mais problemas.
Não tenho, como ninguém tem, um dia igual ao outro, mas há rotinas que estão agarradas a mim como carraças. Umas são muito boas: o acordar a Rita o dar-lhe o biberão, o trajecto para a casa da avó, o ir buscá-la, o dar-lhe banho, o dar-lhe o jantar, o brincar com ela, o voltar a dar-lhe o biberão antes de dormir, o pô-la a adormecer. Vale a pena ser pai. É bom ser pai, mesmo quando isso se transforma numa rotina repetitiva e constante.
Mas depois há as outras coisas. Os problemas para os quais são pedidas as minhas opiniões e intervenções, o despachar papéis, o reunir com as pessoas, o saber o que se passa à nossa volta, o ouvir lamentos e asneiras às carradas, o entra e sai de pessoas no meu gabinete umas com problemas e outras com soluções, as constantes solicitações, as notas de imprensa a sair em cima dos fechos das edições, as horas de almoço passadas a trabalhar, os telefones que só se calam já a noite é uma senhora e tantas outras coisas simples e complicadas que animam o meu dia-a-dia.
Trabalhar numa relação de proximidade com uma figura pública tem muito que se lhe diga. Mas é um desafio. Todos os dias sou posto à prova e tenho consciência que uns dias as coisas saem bem e outros não. De manhã estive reunido com ele, de tarde ligou-me de Bruxelas a perguntar como estavam as coisas.
- As coisas estão bem chefe e aquele problema que tinha ficado pendente de manhã, já está resolvido. O programa da Antena 1 de Domingo também está praticamente alinhado no que depende de nós. Falta só um pormenor. Trato dele amanhã de manhã.
Percebo que desliga o telefone mais tranquilo.
Simplesmente não pára, nem fica almariado.
Mas amanhã cá estamos de novo. Prontos para o que der e vier. Não há outra solução para quem aceita desafios aos quais não está obrigado.
Até amanhã!
As rotinas são cada vez mais rotinas. As preocupações são cada vez mais preocupações. Os problemas são cada vez mais problemas.
Não tenho, como ninguém tem, um dia igual ao outro, mas há rotinas que estão agarradas a mim como carraças. Umas são muito boas: o acordar a Rita o dar-lhe o biberão, o trajecto para a casa da avó, o ir buscá-la, o dar-lhe banho, o dar-lhe o jantar, o brincar com ela, o voltar a dar-lhe o biberão antes de dormir, o pô-la a adormecer. Vale a pena ser pai. É bom ser pai, mesmo quando isso se transforma numa rotina repetitiva e constante.
Mas depois há as outras coisas. Os problemas para os quais são pedidas as minhas opiniões e intervenções, o despachar papéis, o reunir com as pessoas, o saber o que se passa à nossa volta, o ouvir lamentos e asneiras às carradas, o entra e sai de pessoas no meu gabinete umas com problemas e outras com soluções, as constantes solicitações, as notas de imprensa a sair em cima dos fechos das edições, as horas de almoço passadas a trabalhar, os telefones que só se calam já a noite é uma senhora e tantas outras coisas simples e complicadas que animam o meu dia-a-dia.
Trabalhar numa relação de proximidade com uma figura pública tem muito que se lhe diga. Mas é um desafio. Todos os dias sou posto à prova e tenho consciência que uns dias as coisas saem bem e outros não. De manhã estive reunido com ele, de tarde ligou-me de Bruxelas a perguntar como estavam as coisas.
- As coisas estão bem chefe e aquele problema que tinha ficado pendente de manhã, já está resolvido. O programa da Antena 1 de Domingo também está praticamente alinhado no que depende de nós. Falta só um pormenor. Trato dele amanhã de manhã.
Percebo que desliga o telefone mais tranquilo.
Simplesmente não pára, nem fica almariado.
Mas amanhã cá estamos de novo. Prontos para o que der e vier. Não há outra solução para quem aceita desafios aos quais não está obrigado.
Até amanhã!
Batam à porta...
A vergonha nacional
Raras vezes falo bem de uma coisa que até gosto bastante: o futebol.
Ontem depois de ver o jogo da selecção de esperanças, preparava-me para lançar um post de congratulação pelo resultado, pela atitude dos jogadores em campo e pela qualificação para a fase final do Campeonato da Europa. Felizmente não o fiz.
Esta manhã, quando me preparava para essa rotina diária matinal absolutamente chata como é fazer a barba, liguei o rádio que me oferece as primeiras notícias do dia e ouvi algo absolutamente desagradável. Os nossos queridos jogadores, o orgulho da nação, as esperanças do nosso futebol tinham destruído o balneário do estádio após o jogo. Acho que não podíamos ter dado imagem pior de selvajaria como esta. Digo mais, mereciam ser desqualificados de imediato por uma razão muito simples: aos piores exemplos aplicam-se medidas exemplares e os jogadores de Portugal não merecem estar na primeira linha do futebol europeu.
A atitude destes indígenas fez-me acreditar que actualmente a diferença entre os futebolistas da selecção e as claques organizadas é apenas uma: uns estão dentro do campo, os outros estão nas bancadas.
Liguei depois a televisão para o melhor canal português (SIC Notícias) e lá estava o vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol com um ar transtornado e envergonhado a pedir desculpas pelo sucedido e a assumir os custos do prejuízo.
Vou ficar por aqui porque também eu estou envergonhado e já não sei o que dizer sobre isto. Faltam-me as palavras e quando assim é, o melhor é não escrever mais nada.
Ontem depois de ver o jogo da selecção de esperanças, preparava-me para lançar um post de congratulação pelo resultado, pela atitude dos jogadores em campo e pela qualificação para a fase final do Campeonato da Europa. Felizmente não o fiz.
Esta manhã, quando me preparava para essa rotina diária matinal absolutamente chata como é fazer a barba, liguei o rádio que me oferece as primeiras notícias do dia e ouvi algo absolutamente desagradável. Os nossos queridos jogadores, o orgulho da nação, as esperanças do nosso futebol tinham destruído o balneário do estádio após o jogo. Acho que não podíamos ter dado imagem pior de selvajaria como esta. Digo mais, mereciam ser desqualificados de imediato por uma razão muito simples: aos piores exemplos aplicam-se medidas exemplares e os jogadores de Portugal não merecem estar na primeira linha do futebol europeu.
A atitude destes indígenas fez-me acreditar que actualmente a diferença entre os futebolistas da selecção e as claques organizadas é apenas uma: uns estão dentro do campo, os outros estão nas bancadas.
Liguei depois a televisão para o melhor canal português (SIC Notícias) e lá estava o vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol com um ar transtornado e envergonhado a pedir desculpas pelo sucedido e a assumir os custos do prejuízo.
Vou ficar por aqui porque também eu estou envergonhado e já não sei o que dizer sobre isto. Faltam-me as palavras e quando assim é, o melhor é não escrever mais nada.
2003-11-18
Blogues - O cubo mágico da Internet
Em Julho passado, sensivelmente, descobri que havia uma coisa na Internet chamada blogues e que também eu podia ter um. Nunca tive nada de especial na Internet. Ter um blogue já era qualquer coisa, ou pelo menos, melhor que não ter nada.
Procurei e achei o blogger.com, precisamente nesse farol da blogosfera chamado Abrupto.
Percebi que não eram necessários grandes conhecimentos informáticos. Bastava apenas preencher os campos e ser intuitivo. Depois percebi que se soubesse um pouco de html, podia acrescentar uns pequenos caprichos como são links para outros blogues, disponibilizar o meu endereço de e-mail, editar fotografias, inserir um contador para ter uma ideia das audiências entre outras coisas.
Até este dia a Internet tinha-me servido essencialmente para ver os jornais, consultar e até jogar na Bolsa, realizar operações bancárias, uso e abuso do correio electrónico, fazer downloads, nomeadamente de ficheiros para esse hobby com quase 10 anos chamado Microsoft Flight Simulator, mais recentemente umas musiquitas em mp3, fazer compras no estrangeiro e em Portugal, participar em fóruns de discussão, consultar os destinos para as tão merecidas férias e naturalmente, à imagem de 99,9% da ciber-comunidade masculina heterossexual, também já vi umas gajas nuas com mais de 18 anos e um peso entre os 45 e 70 kg, mais que não seja nos e-mails que recebo diariamente de amigos absolutamente depravados, alguns deles com problemas psíquicos de grande gravidade, a avaliar pelo tipo de fotografias que me mandam.
Ou seja, um uso diverso mas nem sempre o melhor.
Com a fundação do Almariado, algumas coisas se alteraram no uso que dou à Internet. É um facto que ainda recebo fotografias de miúdas giras, mas o tempo disponível para outras consultas é agora dedicado à leitura de blogues da mais diversa proveniência. E sabem que mais? Acho que nunca foi tão enriquecedor e interessante usar a Internet.
Naturalmente que esta febre um dia vai passar. Com o cubo mágico aconteceu o mesmo. Houve uma altura que toda a gente o tinha. Hoje, duvido que hajam muitas pessoas a entreterem-se a juntar as cores das suas faces.
Os blogues são o cubo mágico da Internet. Nasceram, estão a amadurecer, vão gerar uma outra coisa qualquer, vão envelhecer e com esse envelhecimento perder o interesse e depois morrer.
A única coisa que espero é que essa morte seja o mais tarde possível porque este é um exercício de comunicação e liberdade com potencialidades inimagináveis. Mas como tudo na vida, um dia a blogosfera vai dar lugar a outra moda qualquer.
Uma coisa é certa: pelo meio vamos ter a oportunidade de conhecer outras pessoas, fazer amigos, trocar experiências de vida, aprender que o centro do mundo não somos nós próprios e que a vida é feita de pequenos momentos de liberdade que nos ajudam a crescer e a compreender melhor o que está à nossa volta.
Por tudo isto não tenho qualquer dúvida em afirmar:
- Valeu a pena…está a valer a pena.
Procurei e achei o blogger.com, precisamente nesse farol da blogosfera chamado Abrupto.
Percebi que não eram necessários grandes conhecimentos informáticos. Bastava apenas preencher os campos e ser intuitivo. Depois percebi que se soubesse um pouco de html, podia acrescentar uns pequenos caprichos como são links para outros blogues, disponibilizar o meu endereço de e-mail, editar fotografias, inserir um contador para ter uma ideia das audiências entre outras coisas.
Até este dia a Internet tinha-me servido essencialmente para ver os jornais, consultar e até jogar na Bolsa, realizar operações bancárias, uso e abuso do correio electrónico, fazer downloads, nomeadamente de ficheiros para esse hobby com quase 10 anos chamado Microsoft Flight Simulator, mais recentemente umas musiquitas em mp3, fazer compras no estrangeiro e em Portugal, participar em fóruns de discussão, consultar os destinos para as tão merecidas férias e naturalmente, à imagem de 99,9% da ciber-comunidade masculina heterossexual, também já vi umas gajas nuas com mais de 18 anos e um peso entre os 45 e 70 kg, mais que não seja nos e-mails que recebo diariamente de amigos absolutamente depravados, alguns deles com problemas psíquicos de grande gravidade, a avaliar pelo tipo de fotografias que me mandam.
Ou seja, um uso diverso mas nem sempre o melhor.
Com a fundação do Almariado, algumas coisas se alteraram no uso que dou à Internet. É um facto que ainda recebo fotografias de miúdas giras, mas o tempo disponível para outras consultas é agora dedicado à leitura de blogues da mais diversa proveniência. E sabem que mais? Acho que nunca foi tão enriquecedor e interessante usar a Internet.
Naturalmente que esta febre um dia vai passar. Com o cubo mágico aconteceu o mesmo. Houve uma altura que toda a gente o tinha. Hoje, duvido que hajam muitas pessoas a entreterem-se a juntar as cores das suas faces.
Os blogues são o cubo mágico da Internet. Nasceram, estão a amadurecer, vão gerar uma outra coisa qualquer, vão envelhecer e com esse envelhecimento perder o interesse e depois morrer.
A única coisa que espero é que essa morte seja o mais tarde possível porque este é um exercício de comunicação e liberdade com potencialidades inimagináveis. Mas como tudo na vida, um dia a blogosfera vai dar lugar a outra moda qualquer.
Uma coisa é certa: pelo meio vamos ter a oportunidade de conhecer outras pessoas, fazer amigos, trocar experiências de vida, aprender que o centro do mundo não somos nós próprios e que a vida é feita de pequenos momentos de liberdade que nos ajudam a crescer e a compreender melhor o que está à nossa volta.
Por tudo isto não tenho qualquer dúvida em afirmar:
- Valeu a pena…está a valer a pena.
Segurança
Os socialistas de Tavira andavam nervosos devido ao encerramento da esquadra local da PSP. Não só não vai fechar como vai ser promovida a Divisão.
Depois ficaram igualmente nervosos com as condições de funcionamento do quartel da GNR e com alguma razão. De facto a GNR de Tavira está mal instalada mas no tempo do governo do PS o problema também não foi solucionado. Aliás só falaram do assunto depois de terem saído do governo.
Agora o concurso da obra do novo quartel da GNR está lançado e dentro de um ano e meio a dois anos a obra estará concluída.
Tristes como devem estar, o que irão agora inventar para lançar o fantasma da insegurança sobre o concelho de Tavira?
Já sei. Vão dizer: - Quem se mete com o PS, apanha…
Depois ficaram igualmente nervosos com as condições de funcionamento do quartel da GNR e com alguma razão. De facto a GNR de Tavira está mal instalada mas no tempo do governo do PS o problema também não foi solucionado. Aliás só falaram do assunto depois de terem saído do governo.
Agora o concurso da obra do novo quartel da GNR está lançado e dentro de um ano e meio a dois anos a obra estará concluída.
Tristes como devem estar, o que irão agora inventar para lançar o fantasma da insegurança sobre o concelho de Tavira?
Já sei. Vão dizer: - Quem se mete com o PS, apanha…
2003-11-17
Encontro de Blogues do Algarve (mais uma vez)
Porque acho que é do interesse de muita gente, deixo aqui uma mensagem que recebi no e-mail, a qual só vem reforçar o proveito de um encontro entre os autores de blogues do Algarve. Acho que não devíamos desperdiçar esta oportunidade.
Entretanto, o Asul fez a gentileza de compilar uma lista com alguns blogues do Algarve, os quais terei todo o gosto em contactar, brevemente, manifestando a vontade de nos encontrarmos um destes dias.
Caro Fernando,
Achei óptima a ideia e talvez a queiras conciliar com a nossa!!
Eu e Paulo Querido, autores do livro Blogs e blogueiros algarvios, gostaríamos
de fazer o seu lançamento no Algarve, a par de um encontro de blogs e uma
eventual jantarada.
Um abraço
Luis Ene
Entretanto, o Asul fez a gentileza de compilar uma lista com alguns blogues do Algarve, os quais terei todo o gosto em contactar, brevemente, manifestando a vontade de nos encontrarmos um destes dias.
Caro Fernando,
Achei óptima a ideia e talvez a queiras conciliar com a nossa!!
Eu e Paulo Querido, autores do livro Blogs e blogueiros algarvios, gostaríamos
de fazer o seu lançamento no Algarve, a par de um encontro de blogs e uma
eventual jantarada.
Um abraço
Luis Ene
Mais reacções
O meu post “Esquerda e Direita” continua a gerar mais comentários e reacções. Não estava à espera de tanto, mas o facto deixa-me particularmente satisfeito porque o gesto em si, de alguém concordar ou não e dizê-lo, já é um facto meritório. E isso é naturalmente um suplemento vitamínico para quem dá a sua opinião.
Alguém que assina «MM» deixou um comentário que é possível consultar no post “Reacções”. «O seu enquadramento político, a meu ver, tem tudo a ver com a Nova Democracia. Consulte o site desse partido e verá.».
Ainda não procurei o site da Nova Democracia (ND), mas na primeira oportunidade não deixarei de o consultar. Contudo, parece-me à partida difícil que a larga maioria das minhas opiniões estejam no programa da ND. Se estiverem, acredite caro leitor que isso não me fará mover um milímetro daquilo que defendo e também não fará sentir-me mais à direita daquilo que eventualmente eu possa estar. Compreenderá que também não estou a pensar mudar de partido. Mas tenho muitas dúvidas que assim seja. Não acredito que a ND defenda, por exemplo a «interrupção voluntária da gravidez por vontade da mulher, havendo razões objectivas para o fazer» ou então das «uniões de facto dos homossexuais» só para citar dois casos mais evidentes. Acredito, naturalmente, que algumas posições sejam próximas e até coincidentes. Como eu próprio disse, sou a favor de coisas que são tradicionalmente apelidadas de esquerda ou direita.
Em todo o caso agradeço o seu comentário, ainda que anónimo.
O Asul, em jeito de resposta ao anterior, lembrou-se de deixar uma mensagem que quase me fez cair da cadeira. Ele, o Asul, escreveu: «Quanto muito o enquadramento político da ND é que terá tudo a ver com o FV. Será que o que considerávamos "monteirismo" é afinal "vieguismo"?»
Caro amigo, os “ismos” não são de boa memória na política e têm atrás de si uma carga simbólica incompatível com a minha, microscópica dimensão. Fazeres a comparação que fizeste revela uma extrema simpatia, a qual agradeço, mas eu não iria tão longe.
Para acabar, uma outra opinião, do Senhor Luis António Ferreira de Lagos que foi direitinha para o e-mail e diz: «a sua cabeça é uma selva de ideias, há de tudo um pouco e muito do que há, é bonito e raro». Não satisfeito, acrescentou: «a sua atitude é muito surpreendente, até porque sei que é dirigente do PSD e dizer assim tão frontalmente que é contra a coligação com o PP, só pode revelar duas coisas: loucura ou coragem.» Eu diria que não revela nem uma coisa nem outra, apenas e só, boa memória. Para alem disso, defendo que havia uma alternativa à coligação, semelhante ao que o Prof. Cavaco Silva fez em 1985. Formava-se um governo minoritário, coeso e competente e explicava-se aos portugueses as dificuldades em que o PS deixou o país. De seguida apresentava-se um plano de acção governativa tendo em vista a recuperação financeira de Portugal bem como a sua credibilização junto da União Europeia. Quem estivesse contra isto estaria contra o país e quem fizesse cair o governo, sofreria as respectivas consequências.
O que temos actualmente é uma espécie de definição de boa saúde: é um estado transitório que não augura nada de bom.
Entretanto foram levados para o governo e para alguns lugares da administração pública, pessoas que não têm qualquer representatividade, às quais foram oferecidas possibilidades que jamais alcançariam.
Apenas isto.
Alguém que assina «MM» deixou um comentário que é possível consultar no post “Reacções”. «O seu enquadramento político, a meu ver, tem tudo a ver com a Nova Democracia. Consulte o site desse partido e verá.».
Ainda não procurei o site da Nova Democracia (ND), mas na primeira oportunidade não deixarei de o consultar. Contudo, parece-me à partida difícil que a larga maioria das minhas opiniões estejam no programa da ND. Se estiverem, acredite caro leitor que isso não me fará mover um milímetro daquilo que defendo e também não fará sentir-me mais à direita daquilo que eventualmente eu possa estar. Compreenderá que também não estou a pensar mudar de partido. Mas tenho muitas dúvidas que assim seja. Não acredito que a ND defenda, por exemplo a «interrupção voluntária da gravidez por vontade da mulher, havendo razões objectivas para o fazer» ou então das «uniões de facto dos homossexuais» só para citar dois casos mais evidentes. Acredito, naturalmente, que algumas posições sejam próximas e até coincidentes. Como eu próprio disse, sou a favor de coisas que são tradicionalmente apelidadas de esquerda ou direita.
Em todo o caso agradeço o seu comentário, ainda que anónimo.
O Asul, em jeito de resposta ao anterior, lembrou-se de deixar uma mensagem que quase me fez cair da cadeira. Ele, o Asul, escreveu: «Quanto muito o enquadramento político da ND é que terá tudo a ver com o FV. Será que o que considerávamos "monteirismo" é afinal "vieguismo"?»
Caro amigo, os “ismos” não são de boa memória na política e têm atrás de si uma carga simbólica incompatível com a minha, microscópica dimensão. Fazeres a comparação que fizeste revela uma extrema simpatia, a qual agradeço, mas eu não iria tão longe.
Para acabar, uma outra opinião, do Senhor Luis António Ferreira de Lagos que foi direitinha para o e-mail e diz: «a sua cabeça é uma selva de ideias, há de tudo um pouco e muito do que há, é bonito e raro». Não satisfeito, acrescentou: «a sua atitude é muito surpreendente, até porque sei que é dirigente do PSD e dizer assim tão frontalmente que é contra a coligação com o PP, só pode revelar duas coisas: loucura ou coragem.» Eu diria que não revela nem uma coisa nem outra, apenas e só, boa memória. Para alem disso, defendo que havia uma alternativa à coligação, semelhante ao que o Prof. Cavaco Silva fez em 1985. Formava-se um governo minoritário, coeso e competente e explicava-se aos portugueses as dificuldades em que o PS deixou o país. De seguida apresentava-se um plano de acção governativa tendo em vista a recuperação financeira de Portugal bem como a sua credibilização junto da União Europeia. Quem estivesse contra isto estaria contra o país e quem fizesse cair o governo, sofreria as respectivas consequências.
O que temos actualmente é uma espécie de definição de boa saúde: é um estado transitório que não augura nada de bom.
Entretanto foram levados para o governo e para alguns lugares da administração pública, pessoas que não têm qualquer representatividade, às quais foram oferecidas possibilidades que jamais alcançariam.
Apenas isto.
Coisas Simples 2
O Sérgio Martins deixou um comentário em jeito de desabafo ao meu post “Coisas Simples” que reflecte bem o espírito daquilo que tentei transmitir.
Na cidade, muitas vezes, não se dá o devido valor às coisas. No barrocal ou na serra, já não é bem assim.
Na cidade o grau de exigência é muito elevado. Quando se dá o mundo, pedem-nos o outro. No interior se lhes damos um pouco daquilo que precisam, não sendo tudo o que lhes faz falta, já é um motivo de satisfação.
Na cidade tudo, ou quase tudo, do que se faz, está mal feito. No interior mesmo que seja pouco, se for de boa vontade já é bem-vindo.
Na cidade há menos gratidão. No interior há mais reconhecimento.
Isto encerra em si mesmo uma análise sociológica interessante sobre a vivência das suas gentes e da forma como se relacionam com as instituições do Poder. Uma coisa está perfeitamente adquirida: o grau de exigência é diferente.
Por outro lado o Sérgio Martins faz alusão ao duro trabalho das Juntas de Freguesia. 100% de acordo. E quando são freguesias não urbanas, o problema é exponencialmente superior.
Um presidente de Junta numa freguesia urbana goza de um facto interessante. Muitas vezes os fregueses dirigem-se à Câmara Municipal e não à Junta de Freguesia, para colocar os seus problemas. Nas zonas rurais, esses mesmos problemas e outros mais complicados, são sempre direccionados para o presidente da Junta.
Alem disso os orçamentos e as transferências do Estado são sempre curtas e as Juntas de Freguesias não têm ao seu dispor, instrumentos capazes de gerar receita. Logo a dificuldade é, mais uma vez, ampliada.
Num clima de grande dificuldade económica como o que actualmente vivemos, são as Juntas de Freguesias as mais prejudicadas, pelo simples facto de se encontrarem no fim da linha.
Por tudo isto, é de prestar homenagem a muitas mulheres e homens que dão uma parte das suas vidas a minorar as dificuldades das suas populações, através da dedicação ao Poder Local, nomeadamente nos executivos da Juntas de Freguesia.
O Sérgio parece ser um deles na sua terra. Logo, independentemente do partido, até porque não é isso que está em causa, manifesto a minha compreensão pela forma como colocou a questão e o reconhecimento por esse trabalho que desenvolve.
Na cidade, muitas vezes, não se dá o devido valor às coisas. No barrocal ou na serra, já não é bem assim.
Na cidade o grau de exigência é muito elevado. Quando se dá o mundo, pedem-nos o outro. No interior se lhes damos um pouco daquilo que precisam, não sendo tudo o que lhes faz falta, já é um motivo de satisfação.
Na cidade tudo, ou quase tudo, do que se faz, está mal feito. No interior mesmo que seja pouco, se for de boa vontade já é bem-vindo.
Na cidade há menos gratidão. No interior há mais reconhecimento.
Isto encerra em si mesmo uma análise sociológica interessante sobre a vivência das suas gentes e da forma como se relacionam com as instituições do Poder. Uma coisa está perfeitamente adquirida: o grau de exigência é diferente.
Por outro lado o Sérgio Martins faz alusão ao duro trabalho das Juntas de Freguesia. 100% de acordo. E quando são freguesias não urbanas, o problema é exponencialmente superior.
Um presidente de Junta numa freguesia urbana goza de um facto interessante. Muitas vezes os fregueses dirigem-se à Câmara Municipal e não à Junta de Freguesia, para colocar os seus problemas. Nas zonas rurais, esses mesmos problemas e outros mais complicados, são sempre direccionados para o presidente da Junta.
Alem disso os orçamentos e as transferências do Estado são sempre curtas e as Juntas de Freguesias não têm ao seu dispor, instrumentos capazes de gerar receita. Logo a dificuldade é, mais uma vez, ampliada.
Num clima de grande dificuldade económica como o que actualmente vivemos, são as Juntas de Freguesias as mais prejudicadas, pelo simples facto de se encontrarem no fim da linha.
Por tudo isto, é de prestar homenagem a muitas mulheres e homens que dão uma parte das suas vidas a minorar as dificuldades das suas populações, através da dedicação ao Poder Local, nomeadamente nos executivos da Juntas de Freguesia.
O Sérgio parece ser um deles na sua terra. Logo, independentemente do partido, até porque não é isso que está em causa, manifesto a minha compreensão pela forma como colocou a questão e o reconhecimento por esse trabalho que desenvolve.
2003-11-15
Aveiro
Aveiro já tem o seu estádio. Nele jogara o Beira-Mar, antes e depois do Euro 2004. E no Estádio do Algarve? Quem jogará?
Segundo ex-libris
Esta manhã visitei as obras de recuperação do Convento da Graça, futura unidade hoteleira da Enatur, inserida na rede Pousadas de Portugal.
É uma obra notável de engenharia, mas é sobretudo o renascimento de um edifício absolutamente ligado à história da cidade.
Tavira já tinha um ex-libris muito característico: a ponte romana. Em breve, com a inauguração desta pousada terá um segundo.
E pensar que haviam pessoas contra a aquisição do imóvel por parte da Câmara Municipal. Dores de cotovelo não se curam. Aturam-se...
É uma obra notável de engenharia, mas é sobretudo o renascimento de um edifício absolutamente ligado à história da cidade.
Tavira já tinha um ex-libris muito característico: a ponte romana. Em breve, com a inauguração desta pousada terá um segundo.
E pensar que haviam pessoas contra a aquisição do imóvel por parte da Câmara Municipal. Dores de cotovelo não se curam. Aturam-se...
Coisas simples
Para quem vive no litoral, nomeadamente nos centros urbanos, nem se apercebe do que pode representar, para quem vive no interior no meio da serra, a mais de 400 metros de altitude, a construção de uma estrada asfaltada. É o suficiente para matar um borrego, encher uma mesa de comida e vinho e convidar os vizinhos mais próximos, apenas e só para comemorar alguns, poucos, quilómetros de asfalto. Os habitantes da Alcaria do Cume, um dos pontos mais altos do sotavento algarvio, estavam habituados a uma estrada de pó no Verão e de lama no Inverno. A partir de hoje, vão habituar-se ao conforto de um magnífico tapete de alcatrão.
No litoral isto é banal. Na serra algarvia isto é uma festa.
Participar nestes momentos verdadeiramente genuínos, são a principal vitamina para quem trabalha no Poder Local, ajudando a resolver alguns dos seus problemas. Assim vale a pena.
No litoral isto é banal. Na serra algarvia isto é uma festa.
Participar nestes momentos verdadeiramente genuínos, são a principal vitamina para quem trabalha no Poder Local, ajudando a resolver alguns dos seus problemas. Assim vale a pena.
2003-11-14
Força
Naturalmente muitos votos de solidariedade e de força para os jornalistas portugueses vitimados hoje no Iraque.
Reacções.
Recebi diversas manifestações, no blogue e no e-mail, ao meu post de ontem “Esquerda e Direita”.
Pelos vistos surpreendi muita gente. A mensagem mais interessante que recebi foi de um senhor que não sei quem é (pessoas com o nome José Silva de Faro devem haver às resmas) afirmando que até ao dia de ontem me achava um pouco reaccionário, até por algumas coisas que escrevi ao longo dos últimos anos na imprensa regional. Diz o senhor José Silva que afinal não sou assim tão mau quanto parecia e no fim acrescenta que, ele é «de esquerda quase radical» mas que agora até ficou a simpatizar comigo. Agradecido.
Um outro senhor de Vila Real de Santo António que se ficou por um enigmático RV, disse que não sabe o que faço num partido como o PSD onde «a maior partes dos seus militantes não têm opinião sobre quase nada». Não concordo mas é a sua opinião.
Uma outra mensagem anónima afirmou que eu não sou «carne nem peixe». Pois não, sou um ser humano com capacidade de raciocinar e ter opinião. Apenas isso.
Depois dois amigos, dos bons, (Notasoltas e Quadrante) fizeram igualmente referências simpáticas as quais agradeço.
O meu amigo virtual, por enquanto, Asul também deixou um comentário sobre o assunto, manifestando concordâncias e discordâncias sobre a matéria em apreço.
Naturalmente que faço contas de voltar a alguns dos assuntos sobre os quais manifestei a minha ultra sintética opinião, justificando e fundamentando as minhas opções.
A distinção absoluta de esquerda e direita só existe na cabeça de quem não é capaz de se libertar da ditadura do pensamento único.
Pelos vistos surpreendi muita gente. A mensagem mais interessante que recebi foi de um senhor que não sei quem é (pessoas com o nome José Silva de Faro devem haver às resmas) afirmando que até ao dia de ontem me achava um pouco reaccionário, até por algumas coisas que escrevi ao longo dos últimos anos na imprensa regional. Diz o senhor José Silva que afinal não sou assim tão mau quanto parecia e no fim acrescenta que, ele é «de esquerda quase radical» mas que agora até ficou a simpatizar comigo. Agradecido.
Um outro senhor de Vila Real de Santo António que se ficou por um enigmático RV, disse que não sabe o que faço num partido como o PSD onde «a maior partes dos seus militantes não têm opinião sobre quase nada». Não concordo mas é a sua opinião.
Uma outra mensagem anónima afirmou que eu não sou «carne nem peixe». Pois não, sou um ser humano com capacidade de raciocinar e ter opinião. Apenas isso.
Depois dois amigos, dos bons, (Notasoltas e Quadrante) fizeram igualmente referências simpáticas as quais agradeço.
O meu amigo virtual, por enquanto, Asul também deixou um comentário sobre o assunto, manifestando concordâncias e discordâncias sobre a matéria em apreço.
Naturalmente que faço contas de voltar a alguns dos assuntos sobre os quais manifestei a minha ultra sintética opinião, justificando e fundamentando as minhas opções.
A distinção absoluta de esquerda e direita só existe na cabeça de quem não é capaz de se libertar da ditadura do pensamento único.
Pelas muitas saudades que temos de ti
Amanhã, sábado dia 15 de Novembro pelas 21 horas, o palco do Cine-Teatro de Tavira estará pleno de emoções e de saudade.
Um grupo de amigos do Sérgio Mestre com o apoio da Câmara Municipal de Tavira, vão render-lhe uma muito justa homenagem pela pessoa que foi e pelo brilhante músico que Portugal perdeu.
Como não sei se poderei estar presente, deixo aqui a minha mais profunda homenagem e respeito.
Guardando o Cais
Falta de categoria
Este é o estado de alguns sectores da política nacional. Vergados ao poder do futebol e à intolerância e fanatismo que lhe está associada, esquecem-se dos mais elementares valores de solidariedade e respeito, a troco de um lugar bem sentado no estádio do FCP.
O provincianismo do dirigismo futebolístico nacional já era conhecido. Agora fica-se a saber que a política também está contaminada.
Há pessoas que não têm categoria para os cargos que ocupam.
O provincianismo do dirigismo futebolístico nacional já era conhecido. Agora fica-se a saber que a política também está contaminada.
Há pessoas que não têm categoria para os cargos que ocupam.
Assim é bonito
Prémio "Tou-me cagando..." 4
Um esclarecimento prévio sobre o Prémio em causa.
Apesar de esta frase, supostamente, ter sido dita com um sentimento de quem se está nas tintas para uma coisa qualquer em concreto, ou seja como alguém que desdenha e subestima algo, aqui no Almariado a atribuição do Prémio será sempre para situações que me envergonham e contra as quais me manifesto.
A adopção do nome prende-se essencialmente com o contexto em que ela foi dita e que identifica uma postura civicamente, pouco saudável.
Assim sendo, o Prémio “Tou-me cagando…” desta semana vai para:
Os palavrosos dirigentes do futebol português, pela postura de permanente guerrilha que mantêm com os seus adversários. Ainda não foram suficientemente inteligentes para perceber que entrevistas onde se mal tratam uns aos outros, não só não dignifica o futebol como afasta cada vez mais as pessoas moderadas e tolerantes que apenas estão interessadas em assistir a bons jogos.
Alguns destes dirigentes deveriam responder criminalmente por certos discursos que proferem, nomeadamente, porque constituem um incentivo à violência e ao ódio.
A última entrevista do Dr. Dias da Cunha é bem sintomática. Ainda dizem que ele é uma pessoa muito educada. O que faria se não fosse…
Apesar de esta frase, supostamente, ter sido dita com um sentimento de quem se está nas tintas para uma coisa qualquer em concreto, ou seja como alguém que desdenha e subestima algo, aqui no Almariado a atribuição do Prémio será sempre para situações que me envergonham e contra as quais me manifesto.
A adopção do nome prende-se essencialmente com o contexto em que ela foi dita e que identifica uma postura civicamente, pouco saudável.
Assim sendo, o Prémio “Tou-me cagando…” desta semana vai para:
Os palavrosos dirigentes do futebol português, pela postura de permanente guerrilha que mantêm com os seus adversários. Ainda não foram suficientemente inteligentes para perceber que entrevistas onde se mal tratam uns aos outros, não só não dignifica o futebol como afasta cada vez mais as pessoas moderadas e tolerantes que apenas estão interessadas em assistir a bons jogos.
Alguns destes dirigentes deveriam responder criminalmente por certos discursos que proferem, nomeadamente, porque constituem um incentivo à violência e ao ódio.
A última entrevista do Dr. Dias da Cunha é bem sintomática. Ainda dizem que ele é uma pessoa muito educada. O que faria se não fosse…
2003-11-13
Uma prenda minha
Esta fotografia da qual sou o autor, é dedicada a quem fala mal do nosso querido Rio Gilão, afirmando que ele cheira mal.
Esquerda e Direita
Existem alguns blogues que catalogam o Almariado como um blogue de direita. Não estou tão certo que assim seja.
Para mim as ideologias estão a morrer. Já não são o que eram e faço minhas as palavras de Durão Barroso na última campanha eleitoral quando se referiu à “tralha ideológica” que por aí existe que tudo atrapalha e nada resolve.
No Alamariado estão reflectidas algumas das minhas ideias, reflexões, comentários, gostos e até episódios da vida. Nunca me preocupei em, antes de escrever, situar ideologicamente os conteúdos. Limito-me a dizer o que penso.
Sou contra ou a favor de um conjunto de coisas, tradicionalmente identificadas com a esquerda ou a direita.
Sou a favor da livre iniciativa privada. Sou a favor do funcionamento do mercado e contra a intervenção do Estado no mesmo. Sou contra esquemas de subsídio dependência do tipo rendimento mínimo obrigatório. Sou a favor de quem trabalha e contra os preguiçosos. Sou a favor do pagamento de salários mais justos aos trabalhadores e sou contra a exploração do trabalho suplementar não remunerado. Sou contra o trabalho infantil. Sou contra o racismo e a xenofobia mas acho que é preciso ter cuidado com o que recebemos no nosso país e em que condições. Sou contra os neo-nazis e skin-heads bem como aquela fauna que frequenta as manifestações anti-globalização, destruindo tudo à sua volta em nome de valores de esquerda e liberdade. Sou a favor da boa música do Zeca Afonso e contra a música pimba. Sou a favor da interrupção voluntária da gravidez por vontade da mulher, havendo razões objectivas para o fazer. Sou a favor da eutanásia em situações desesperantes sem solução. Sou a favor das uniões de facto dos homossexuais mas sou contra a possibilidade de lhes ser permitida a adopção de crianças. Sou a favor da despenalização das drogas leves mas sou contra as duras. Sou a favor das salas de chuto com o objectivo de tirar da rua o tenebroso espectáculo de ver um ser humano a injectar-se, reduzindo as possibilidades de contágio. Sou a favor da legalização dos bordéis e contra a prostituição de rua. Sou contra a pedofilia e os pedófilos e a favor da castração química. Sou contra a pena de morte mas sou a favor da prisão perpétua em situações de excepção. Sou a favor da república e contra a monarquia. Sou a favor do Cavaco para Presidente da República e contra o Guterres para o mesmo cargo. Sou a favor deste governo mas contra a coligação com o PP. Sou a favor da liberdade de imprensa mas contra o facto da Manuela Moura Guedes apresentar telejornais. Sou contra os jornais que só escrevem notícias a troco de publicidade. Sou contra a mistura do futebol com a política. Sou contra a corrupção. Sou contra a Alta Autoridade para a Comunicção Social que não serve para nada. Sou contra os jornalistas que falam mal dos políticos mas que na primeira oportunidade vão para seus assessores de imprensa. Sou contra o corporativismo mas a favor do associativismo. Sou contra o facto do Big-Brother integrar o programa pedagógico da disciplina de Português. Sou a favor das mulheres na política mas contra a imposição de quotas. Sou a favor da obra literária de José Saramago mas contra grande parte das suas opiniões. Sou a favor de Cuba livre e contra o regime de Fidel Castro. Sou a favor da disciplina partidária e quem não está bem que se mude. Sou a favor do debate até à exaustão e contra soluções impostas sem ouvir ninguém. Sou contra o serviço militar obrigatório mas sou a favor da existência de umas Forças Armadas bem equipadas e operacionais. Sou a favor que Portugal tenha submarinos. Sou a favor do pagamento de impostos e contra a evasão fiscal. Sou a favor do pagamento de propinas e de portagens à excepção da Via do Infante. Sou a favor do utilizador pagador. Sou a favor de menos Estado, melhor Estado. Sou a favor da distribuição da riqueza e não da pobreza. Sou contra o marxismo-leninismo, trotskismo, estalinismo e maoismo. Sou contra o regime da Coreia do Norte e outros semelhantes. Sou a favor da liberdade religiosa mas contra a proliferação de seitas que apenas servem para extorquir dinheiro a gente pouco esclarecida e ignorante. Sou a favor da família enquanto elemento essencial na vida do ser humano. Sou a favor da Igreja e da sua obra social no mundo mas sou contra grande parte das suas concepções absolutamente ultrapassadas no tempo. Sou contra a resignação do Papa. Sou a favor dos blogues perfeitamente identificados e sou contra quem se esconde atrás do anonimato para ofender pessoas. Sou a favor do Benfica e do PSD, até morrer.
Ou seja, em várias coisas que podem ser catalogadas de esquerda ou de direita tenho ideias próprias que não obedecem a um directório pré-estabelecido.
Por isso não posso dizer abertamente que sou de esquerda ou de direita. Sou apenas eu.
Por isso o Almariado dificilmente pode ser entrincheirado à direita. Apesar disso, não me incomoda que o classifiquem dessa forma. Eu não o faria, nem o faço. Mas se acham que é assim…tudo bem, não sou a favor nem contra.
Para mim as ideologias estão a morrer. Já não são o que eram e faço minhas as palavras de Durão Barroso na última campanha eleitoral quando se referiu à “tralha ideológica” que por aí existe que tudo atrapalha e nada resolve.
No Alamariado estão reflectidas algumas das minhas ideias, reflexões, comentários, gostos e até episódios da vida. Nunca me preocupei em, antes de escrever, situar ideologicamente os conteúdos. Limito-me a dizer o que penso.
Sou contra ou a favor de um conjunto de coisas, tradicionalmente identificadas com a esquerda ou a direita.
Sou a favor da livre iniciativa privada. Sou a favor do funcionamento do mercado e contra a intervenção do Estado no mesmo. Sou contra esquemas de subsídio dependência do tipo rendimento mínimo obrigatório. Sou a favor de quem trabalha e contra os preguiçosos. Sou a favor do pagamento de salários mais justos aos trabalhadores e sou contra a exploração do trabalho suplementar não remunerado. Sou contra o trabalho infantil. Sou contra o racismo e a xenofobia mas acho que é preciso ter cuidado com o que recebemos no nosso país e em que condições. Sou contra os neo-nazis e skin-heads bem como aquela fauna que frequenta as manifestações anti-globalização, destruindo tudo à sua volta em nome de valores de esquerda e liberdade. Sou a favor da boa música do Zeca Afonso e contra a música pimba. Sou a favor da interrupção voluntária da gravidez por vontade da mulher, havendo razões objectivas para o fazer. Sou a favor da eutanásia em situações desesperantes sem solução. Sou a favor das uniões de facto dos homossexuais mas sou contra a possibilidade de lhes ser permitida a adopção de crianças. Sou a favor da despenalização das drogas leves mas sou contra as duras. Sou a favor das salas de chuto com o objectivo de tirar da rua o tenebroso espectáculo de ver um ser humano a injectar-se, reduzindo as possibilidades de contágio. Sou a favor da legalização dos bordéis e contra a prostituição de rua. Sou contra a pedofilia e os pedófilos e a favor da castração química. Sou contra a pena de morte mas sou a favor da prisão perpétua em situações de excepção. Sou a favor da república e contra a monarquia. Sou a favor do Cavaco para Presidente da República e contra o Guterres para o mesmo cargo. Sou a favor deste governo mas contra a coligação com o PP. Sou a favor da liberdade de imprensa mas contra o facto da Manuela Moura Guedes apresentar telejornais. Sou contra os jornais que só escrevem notícias a troco de publicidade. Sou contra a mistura do futebol com a política. Sou contra a corrupção. Sou contra a Alta Autoridade para a Comunicção Social que não serve para nada. Sou contra os jornalistas que falam mal dos políticos mas que na primeira oportunidade vão para seus assessores de imprensa. Sou contra o corporativismo mas a favor do associativismo. Sou contra o facto do Big-Brother integrar o programa pedagógico da disciplina de Português. Sou a favor das mulheres na política mas contra a imposição de quotas. Sou a favor da obra literária de José Saramago mas contra grande parte das suas opiniões. Sou a favor de Cuba livre e contra o regime de Fidel Castro. Sou a favor da disciplina partidária e quem não está bem que se mude. Sou a favor do debate até à exaustão e contra soluções impostas sem ouvir ninguém. Sou contra o serviço militar obrigatório mas sou a favor da existência de umas Forças Armadas bem equipadas e operacionais. Sou a favor que Portugal tenha submarinos. Sou a favor do pagamento de impostos e contra a evasão fiscal. Sou a favor do pagamento de propinas e de portagens à excepção da Via do Infante. Sou a favor do utilizador pagador. Sou a favor de menos Estado, melhor Estado. Sou a favor da distribuição da riqueza e não da pobreza. Sou contra o marxismo-leninismo, trotskismo, estalinismo e maoismo. Sou contra o regime da Coreia do Norte e outros semelhantes. Sou a favor da liberdade religiosa mas contra a proliferação de seitas que apenas servem para extorquir dinheiro a gente pouco esclarecida e ignorante. Sou a favor da família enquanto elemento essencial na vida do ser humano. Sou a favor da Igreja e da sua obra social no mundo mas sou contra grande parte das suas concepções absolutamente ultrapassadas no tempo. Sou contra a resignação do Papa. Sou a favor dos blogues perfeitamente identificados e sou contra quem se esconde atrás do anonimato para ofender pessoas. Sou a favor do Benfica e do PSD, até morrer.
Ou seja, em várias coisas que podem ser catalogadas de esquerda ou de direita tenho ideias próprias que não obedecem a um directório pré-estabelecido.
Por isso não posso dizer abertamente que sou de esquerda ou de direita. Sou apenas eu.
Por isso o Almariado dificilmente pode ser entrincheirado à direita. Apesar disso, não me incomoda que o classifiquem dessa forma. Eu não o faria, nem o faço. Mas se acham que é assim…tudo bem, não sou a favor nem contra.
Lapsus Linguae *
Li na semana passada um artigo de opinião publicado numa revista da região, intitulado “Política Autárquica” cujo autor é um ex-presidente da Câmara Municipal de Tavira, ex-deputado e ex-governador civil.
Diz o dito senhor que: «Um dos grandes males que afectam os municípios e particularmente nos últimos anos o de Tavira prende-se com o mau urbanismo, onde o crescimento dos loteamentos é desregrado, a ditadura do betão impera e as novas construções agudizam as disfunções do planeamento urbanístico e contribuem para a especulação imobiliária.»
Surpreendente.
Quem apanha a questão desta maneira sem saber alguns contornos que estão por trás, é capaz de se indignar. Mais do que isso. É capaz de pensar que a culpa ou morre solteira ou nos braços de quem a amparou por não ter outra alternativa.
Como é sabido o licenciamento urbanístico é feito em sintonia com o Plano Director Municipal (PDM). Os indicies de construção são fixados por este instrumento de planeamento. O uso dos solos, a mesma coisa.
Sabe caro leitor quem são os responsáveis pela elaboração e aprovação do PDM de Tavira? O autor do artigo “Política Autárquica” bem como outros camaradas seus.
Então se o PDM que geraram é assim tão “criminoso” no que ao desenvolvimento urbanístico diz respeito, porque o conceberam assim?
Se ele, o PDM, proporciona a “ditadura do betão” porque o aprovaram?
Não me digam que colocaram a fasquia onde bem entenderam mas que a mesma não era para alcançar. Ninguém acredita nisso.
Depois é dito que o rio de Tavira emana periodicamente maus cheiros. O meu nariz deve andar entupido. Trabalho a cerca de 50 metros do rio e nunca dei por nada. O que vejo são mariscadores a tentar a sua sorte. Se a água estivesse poluída não estavam lá.
Alem disso não foi em Tavira que houve neste Verão, descargas de poluentes que mataram grandes quantidades de peixes. Elas existiram noutros concelhos do Algarve, mas não foi em Tavira.
Foi igualmente dito que no rio desaguam águas residuais. Certamente por descuido não foi dito que essas águas chegam ao rio já tratadas provenientes de uma ETAR construída no sítio errado, no tempo em que o autor do artigo “Política Autárquica” era presidente de Câmara. Do actual, aquilo que se conhece sobre esta matéria é que está a trabalhar para a tirar daquele local, paredes-meias com um hotel de 4 estrelas, numa zona de grande beleza paisagística.
Diz-se também que deve ser um lugar de lazer, o rio entenda-se. Claro que sim.
Por isso foi construída a Escola Fixa de Trânsito contra a vontade de muita gente, dando corpo ao Parque de Lazer do Séqua, cuja génese tem como autor o actual presidente da Câmara de Tavira. Nessa zona onde só existia lixo e mato, existe agora um jardim.
Por isso foi também construído um cais flutuante no Centro Coordenador de Transportes, para a prática da canoagem e pequena náutica de recreio, aproveitando as águas do rio para o lazer, contra a vontade de pessoas que, por não terem mais nada que fazer, divertiam-se a tentar arranjar encrencas processuais.
Por isso também está em estudo o arranjo das zonas ribeirinhas no sentido de lhes conferir uma dignidade que actualmente não têm.
Por isso foi também construído um jardim, em frente a uma grande superfície comercial, numa zona que servia de lixeira, cheia de carcaças de barcos velhos, ratos e outro tipo de bicharada.
É pelo respeito que existe pelo rio e pela mais valia que constitui que estas coisas se fizeram ou vão fazer.
Quanto aos dinheiros que a Câmara Municipal de Tavira recebeu do Governo do PS é uma pena que o ex-autarca não tenha razão. Bem que o actual presidente gostaria de ter recebido tanto dinheiro e muitos dos problemas ainda latentes, estariam já resolvidos. O problema é que daquilo que se diz ter recebido, até ao que de facto se recebeu, vai ainda uma grande distância.
Em todo o caso é de saudar este despertar abrupto. Oxalá não fique por aqui. Artigos destes fazem muita falta, mais que não seja para as pessoas ficarem a saber que da prosa à acção e à realidade, vai um passo de gigante e a memória dos homens, afinal, não é assim tão curta.
Não é meu desejo que este artigo seja lido como um exercício de picardia ou falta de consideração em relação a terceiros. Pretendo apenas colocar o debate das questões políticas ao nível a que devem estar, contribuindo assim para o esclarecimento dos leitores.
*- Artigo publicado no Algarve Região de 14/11/03
Diz o dito senhor que: «Um dos grandes males que afectam os municípios e particularmente nos últimos anos o de Tavira prende-se com o mau urbanismo, onde o crescimento dos loteamentos é desregrado, a ditadura do betão impera e as novas construções agudizam as disfunções do planeamento urbanístico e contribuem para a especulação imobiliária.»
Surpreendente.
Quem apanha a questão desta maneira sem saber alguns contornos que estão por trás, é capaz de se indignar. Mais do que isso. É capaz de pensar que a culpa ou morre solteira ou nos braços de quem a amparou por não ter outra alternativa.
Como é sabido o licenciamento urbanístico é feito em sintonia com o Plano Director Municipal (PDM). Os indicies de construção são fixados por este instrumento de planeamento. O uso dos solos, a mesma coisa.
Sabe caro leitor quem são os responsáveis pela elaboração e aprovação do PDM de Tavira? O autor do artigo “Política Autárquica” bem como outros camaradas seus.
Então se o PDM que geraram é assim tão “criminoso” no que ao desenvolvimento urbanístico diz respeito, porque o conceberam assim?
Se ele, o PDM, proporciona a “ditadura do betão” porque o aprovaram?
Não me digam que colocaram a fasquia onde bem entenderam mas que a mesma não era para alcançar. Ninguém acredita nisso.
Depois é dito que o rio de Tavira emana periodicamente maus cheiros. O meu nariz deve andar entupido. Trabalho a cerca de 50 metros do rio e nunca dei por nada. O que vejo são mariscadores a tentar a sua sorte. Se a água estivesse poluída não estavam lá.
Alem disso não foi em Tavira que houve neste Verão, descargas de poluentes que mataram grandes quantidades de peixes. Elas existiram noutros concelhos do Algarve, mas não foi em Tavira.
Foi igualmente dito que no rio desaguam águas residuais. Certamente por descuido não foi dito que essas águas chegam ao rio já tratadas provenientes de uma ETAR construída no sítio errado, no tempo em que o autor do artigo “Política Autárquica” era presidente de Câmara. Do actual, aquilo que se conhece sobre esta matéria é que está a trabalhar para a tirar daquele local, paredes-meias com um hotel de 4 estrelas, numa zona de grande beleza paisagística.
Diz-se também que deve ser um lugar de lazer, o rio entenda-se. Claro que sim.
Por isso foi construída a Escola Fixa de Trânsito contra a vontade de muita gente, dando corpo ao Parque de Lazer do Séqua, cuja génese tem como autor o actual presidente da Câmara de Tavira. Nessa zona onde só existia lixo e mato, existe agora um jardim.
Por isso foi também construído um cais flutuante no Centro Coordenador de Transportes, para a prática da canoagem e pequena náutica de recreio, aproveitando as águas do rio para o lazer, contra a vontade de pessoas que, por não terem mais nada que fazer, divertiam-se a tentar arranjar encrencas processuais.
Por isso também está em estudo o arranjo das zonas ribeirinhas no sentido de lhes conferir uma dignidade que actualmente não têm.
Por isso foi também construído um jardim, em frente a uma grande superfície comercial, numa zona que servia de lixeira, cheia de carcaças de barcos velhos, ratos e outro tipo de bicharada.
É pelo respeito que existe pelo rio e pela mais valia que constitui que estas coisas se fizeram ou vão fazer.
Quanto aos dinheiros que a Câmara Municipal de Tavira recebeu do Governo do PS é uma pena que o ex-autarca não tenha razão. Bem que o actual presidente gostaria de ter recebido tanto dinheiro e muitos dos problemas ainda latentes, estariam já resolvidos. O problema é que daquilo que se diz ter recebido, até ao que de facto se recebeu, vai ainda uma grande distância.
Em todo o caso é de saudar este despertar abrupto. Oxalá não fique por aqui. Artigos destes fazem muita falta, mais que não seja para as pessoas ficarem a saber que da prosa à acção e à realidade, vai um passo de gigante e a memória dos homens, afinal, não é assim tão curta.
Não é meu desejo que este artigo seja lido como um exercício de picardia ou falta de consideração em relação a terceiros. Pretendo apenas colocar o debate das questões políticas ao nível a que devem estar, contribuindo assim para o esclarecimento dos leitores.
*- Artigo publicado no Algarve Região de 14/11/03
Para consumo local (Aos meus "amigos de estimação")
2003-11-12
Exploração
Nunca tinha escrito sobre este assunto aqui no Almariado, mas julgo que hoje é a altura de o fazer.
Apesar de não exercer neste momento a minha profissão, continuo absolutamente solidário com a classe profissional dos bancários e associou-me nas suas justíssimas reivindicações.
Nos Bancos como nos mais diversos sectores, existem bons e maus funcionários. São, aliás, devidamente distinguidos entre uns e outros, ao contrário do que se passa na Função Pública onde a mediocridade está misturada com o mérito e é classificada ao mesmo nível. Nos Bancos não é assim.
Há de factos empregados bancários que são resistentes à mudança, não se adaptam, estão há anos nos sindicatos apenas e só com o objectivo de nada fazerem.
Estando eu, provisoriamente, fora da minha profissão para onde quero voltar um dia, estou à vontade para denunciar este laxismo que existe nalgumas franjas da profissão, até porque actualmente trabalho muito mais horas, estou muito menos tempo com a família e não tenho praticamente tempos livres. Mas não me estou a queixar. Foi a escolha que fiz.
Enquanto estive no Banco, cumpri sempre o horário de entrada e nunca o de saída. Trabalhei muitas horas sem ser compensado por isso e não estava sozinho. À generalidade dos meus colegas acontecia a mesma coisa. Não tínhamos alternativa.
O Banco, através da sua hierarquia intermédia, dizia-nos que a instituição não tinha possibilidades de nos pagar as horas que trabalhávamos a mais. Isto num dia. No outro, recebia a notícia que os lucros do Banco tinham aumentado consideravelmente em relação a períodos homólogos. Ou seja, quanto mais os funcionários trabalhavam sem receber, mais o patrão enriquecia.
O trabalho suplementar não remunerado é uma prática generalizada no sector bancário e é usado como forma de aumentar a produtividade dos funcionários sem aumentar os custos da instituição. Sendo assim, o Banco guarda para si dinheiro que não lhe pertence, retirando-o dos bolsos dos seus funcionários e dos cofres do Estado. Como é óbvio as remunerações são todas elas tributadas e é o país que perde também com esta prática.
Os funcionários são obrigados a trabalhar para alem dos seus horários. Mais do que isso. Quando aparece a Inspecção-Geral de Trabalho, os funcionários são obrigados a esconderem-se nas casas de banho ou nos economatos para que os inspectores não os descubram. Existem também situações ridículas de o livro onde se apontam as horas de trabalho suplementar estar devidamente assinado, faltando apenas colocar a data. Se a IGT aparecer, antes de lhe abrirem a porta, coloca-se a data. Se não aparecer, fica para o dia seguinte. Uma vergonha.
Isto seria mais pacífico se o esforço fosse repartido por todos. Mas não é.
Os gerentes, directores e administradores, cada um à sua escala, são devidamente remunerados com isenções de horários, cartões de crédito para despesas de representação, senhas de gasolina, telemóveis, distribuição de lucros, prémios diversos, entre outras regalias. A estes a instituição pode pagar, aos funcionários que são a base de sustentação da mesma e são aqueles que fazem a sua imagem de qualidade e credibilidade, só lhes resta trabalhar e calar.
Conheço poucas situações tão injustas como esta, em sectores tão lucrativos como a banca.
Uma coisa é pedir um esforço suplementar aos trabalhadores, quando a empresa se encontra em dificuldades, até como forma de defender os seus postos de trabalho. Outra é, em sectores de actividade onde os lucros são milionários, os mesmos serem conseguidos explorando os mais fracos.
Por aqui se vê que o combate às injustiças laborais não é uma luta da esquerda nem da direita. Eu pelo menos não tenho esse tipo de complexos.
As multas impostas pela IGT, infelizmente, não fazem recuar a progressão desta prática ilegal e criminosa. É necessário não baixar os braços e manter com regularidade as visitas aos balcões dos Bancos.
Apesar de não exercer neste momento a minha profissão, continuo absolutamente solidário com a classe profissional dos bancários e associou-me nas suas justíssimas reivindicações.
Nos Bancos como nos mais diversos sectores, existem bons e maus funcionários. São, aliás, devidamente distinguidos entre uns e outros, ao contrário do que se passa na Função Pública onde a mediocridade está misturada com o mérito e é classificada ao mesmo nível. Nos Bancos não é assim.
Há de factos empregados bancários que são resistentes à mudança, não se adaptam, estão há anos nos sindicatos apenas e só com o objectivo de nada fazerem.
Estando eu, provisoriamente, fora da minha profissão para onde quero voltar um dia, estou à vontade para denunciar este laxismo que existe nalgumas franjas da profissão, até porque actualmente trabalho muito mais horas, estou muito menos tempo com a família e não tenho praticamente tempos livres. Mas não me estou a queixar. Foi a escolha que fiz.
Enquanto estive no Banco, cumpri sempre o horário de entrada e nunca o de saída. Trabalhei muitas horas sem ser compensado por isso e não estava sozinho. À generalidade dos meus colegas acontecia a mesma coisa. Não tínhamos alternativa.
O Banco, através da sua hierarquia intermédia, dizia-nos que a instituição não tinha possibilidades de nos pagar as horas que trabalhávamos a mais. Isto num dia. No outro, recebia a notícia que os lucros do Banco tinham aumentado consideravelmente em relação a períodos homólogos. Ou seja, quanto mais os funcionários trabalhavam sem receber, mais o patrão enriquecia.
O trabalho suplementar não remunerado é uma prática generalizada no sector bancário e é usado como forma de aumentar a produtividade dos funcionários sem aumentar os custos da instituição. Sendo assim, o Banco guarda para si dinheiro que não lhe pertence, retirando-o dos bolsos dos seus funcionários e dos cofres do Estado. Como é óbvio as remunerações são todas elas tributadas e é o país que perde também com esta prática.
Os funcionários são obrigados a trabalhar para alem dos seus horários. Mais do que isso. Quando aparece a Inspecção-Geral de Trabalho, os funcionários são obrigados a esconderem-se nas casas de banho ou nos economatos para que os inspectores não os descubram. Existem também situações ridículas de o livro onde se apontam as horas de trabalho suplementar estar devidamente assinado, faltando apenas colocar a data. Se a IGT aparecer, antes de lhe abrirem a porta, coloca-se a data. Se não aparecer, fica para o dia seguinte. Uma vergonha.
Isto seria mais pacífico se o esforço fosse repartido por todos. Mas não é.
Os gerentes, directores e administradores, cada um à sua escala, são devidamente remunerados com isenções de horários, cartões de crédito para despesas de representação, senhas de gasolina, telemóveis, distribuição de lucros, prémios diversos, entre outras regalias. A estes a instituição pode pagar, aos funcionários que são a base de sustentação da mesma e são aqueles que fazem a sua imagem de qualidade e credibilidade, só lhes resta trabalhar e calar.
Conheço poucas situações tão injustas como esta, em sectores tão lucrativos como a banca.
Uma coisa é pedir um esforço suplementar aos trabalhadores, quando a empresa se encontra em dificuldades, até como forma de defender os seus postos de trabalho. Outra é, em sectores de actividade onde os lucros são milionários, os mesmos serem conseguidos explorando os mais fracos.
Por aqui se vê que o combate às injustiças laborais não é uma luta da esquerda nem da direita. Eu pelo menos não tenho esse tipo de complexos.
As multas impostas pela IGT, infelizmente, não fazem recuar a progressão desta prática ilegal e criminosa. É necessário não baixar os braços e manter com regularidade as visitas aos balcões dos Bancos.
2003-11-11
Depressão
Quando estiver deprimido, triste, irreversivelmente chateado, capaz de se suicidar. Quando achar que a vida deixou de fazer sentido porque já não consegue rir, nem sequer sorrir. Quando achar que a vida é uma paleta de cinza e negro e que os dias passam devagar. Quando achar que nos bolgues nacionais só se escrevem coisas ou muito certinhas ou completos devaneios. Quando achar que a terceira guerra mundial está para começar e por isso é melhor desaparecer e antecipar o sofrimento. Quando achar que só consegue anda mal humorado e que a boa disposição só acontece com os outros. Quando achar que os números que escolheu no totoloto não estão a ser sorteados. Quando achar que o melhor é chegar a casa e bater na mulher porque não existe mais nada de significativo para fazer no lar, doce lar.
Ou seja, quando achar que na política e na vida já está tudo esgotado e inventado e desinteressante. Então leia isto.
Ou seja, quando achar que na política e na vida já está tudo esgotado e inventado e desinteressante. Então leia isto.
Citações
Leiam, riam e divulguem
2003-11-10
World Press Photo 03 em Portimão
Começou no passado dia 8 de Novembro e estará patente ao público até ao próximo dia 30, a magnífica exposição fotográfica World Press Photo 03, em Portimão no Museu Municipal.
Não só é uma excelente iniciativa como é um pecado não a visitar.
Não só é uma excelente iniciativa como é um pecado não a visitar.
Cultura geral
Uma concorrente do Big-Brother disse que não conhecia o primeiro-ministro de Portugal. É natural. Se o conhecesse não poderia ser concorrente a este fabuloso programa que faz as delícias dos programas escolares da disciplina de Português.
O FCP deve protestar
O FCP deveria protestar o jogo de ontem. Um clube como o que é, não precisa de ajudas do árbitro para ganhar os jogos. Aquela grande penalidade que ficou por marcar é um insulto ao prestígio dos Dragões.
O meu PiPi
A sensação de chegar a uma livraria como é a Bertrand e encontrar o livro “O meu PiPi”, na estante onde estão colocadas as novidades e os mais vendidos, é verdadeiramente assombrosa.
Não tenho dúvidas que outros casos se seguirão e também não tenho dúvidas que “O meu Pipi” vai ser um sucesso de vendas para este final de ano.
Ao lado estava a segunda versão de “O homem que mordeu o cão” best-seller no ano passado. Este Natal, dificilmente será capaz de bater a literatura vernácula e pornográfica de “O meu Pipi”.
O que mais estará para acontecer na blogosfera nacional.
Não tenho dúvidas que outros casos se seguirão e também não tenho dúvidas que “O meu Pipi” vai ser um sucesso de vendas para este final de ano.
Ao lado estava a segunda versão de “O homem que mordeu o cão” best-seller no ano passado. Este Natal, dificilmente será capaz de bater a literatura vernácula e pornográfica de “O meu Pipi”.
O que mais estará para acontecer na blogosfera nacional.
Convento II
2003-11-09
Encontro de blogues algarvios - 2
O repto que lancei aos autores de blogues algarvios, parece ter alguma aceitação e pernas para andar. No entanto é necessária uma maior dinamização da questão pela blogosfera algarvia.
É necessário fazer uma recolha de contactos de blogues que estejam interessados no eventual encontro, sendo certo que alguns, por serem anónimos, vão preferir continuar com esse estatuto.
Parece-me também evidente que é necessário constituir uma comissão organizadora, na qual estou disponível para participar com a ajuda de outras pessoas.
Solicito aos interessados que se mantenham atentos e comecem já a pensar na “ordem de trabalhos” do encontro.
O local está, até à data, sem contestação visível. Por isso mantem-se a hipótese de Tavira.
É necessário fazer uma recolha de contactos de blogues que estejam interessados no eventual encontro, sendo certo que alguns, por serem anónimos, vão preferir continuar com esse estatuto.
Parece-me também evidente que é necessário constituir uma comissão organizadora, na qual estou disponível para participar com a ajuda de outras pessoas.
Solicito aos interessados que se mantenham atentos e comecem já a pensar na “ordem de trabalhos” do encontro.
O local está, até à data, sem contestação visível. Por isso mantem-se a hipótese de Tavira.
Essencial
2003-11-08
Prémio "Tou-me cagando..." 3
Um esclarecimento prévio sobre o Prémio em causa.
Apesar de esta frase, supostamente, ter sido dita com um sentimento de quem se está nas tintas para uma coisa qualquer em concreto, ou seja como alguém que desdenha e subestima algo, aqui no Almariado a atribuição do Prémio será sempre para situações que me envergonham e contra as quais me manifesto.
A adopção do nome prende-se essencialmente com o contexto em que ela foi dita e que identifica uma postura civicamente, pouco saudável.
Assim sendo, o Prémio “Tou-me cagando…” desta semana vai para:
Os “chicos-espertos” do jet-set português, convencidos que são seres divinos acima da lei e podem dar-se ao luxo de fazer tudo o que lhes apetece.
Mais do que ser apanhado com jóias e pedras preciosas não declaradas, é a publicidade que fazem a uma conduta impoluta e a uma educação refinada. No fundo não passam de vulgares prevaricadores convencidos que podem enganar tudo e todos.
Apesar de esta frase, supostamente, ter sido dita com um sentimento de quem se está nas tintas para uma coisa qualquer em concreto, ou seja como alguém que desdenha e subestima algo, aqui no Almariado a atribuição do Prémio será sempre para situações que me envergonham e contra as quais me manifesto.
A adopção do nome prende-se essencialmente com o contexto em que ela foi dita e que identifica uma postura civicamente, pouco saudável.
Assim sendo, o Prémio “Tou-me cagando…” desta semana vai para:
Os “chicos-espertos” do jet-set português, convencidos que são seres divinos acima da lei e podem dar-se ao luxo de fazer tudo o que lhes apetece.
Mais do que ser apanhado com jóias e pedras preciosas não declaradas, é a publicidade que fazem a uma conduta impoluta e a uma educação refinada. No fundo não passam de vulgares prevaricadores convencidos que podem enganar tudo e todos.
2003-11-07
Palavras para quê? É o jet-set português.
É talvez uma das notícias que mais tinta fará correr na blogosfera nacional.
O José Castelo Branco, foi preso, esta noite, na alfândega do aeroporto de Lisboa por posse de pedras preciosas e jóias encontradas nas suas bagagens, sem as declarar às autoridades.
Segundo a SIC Notícias o alegado e presumível “contrabandista” vai pernoitar numa cela do EPL, onde se encontra também detido Bibi.
Naturalmente que o única coisa que me ocorre fazer neste momento é isto:
-AHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH.
Já o estou a ver deitadinho num fabuloso colchão prisional, a tremer de medo, ou não, com a proximidade de tantos homens supostamente mal intencionados.
Deve passar a noite a pensar nas garrafas de Dom Perrignom, no caviar, nos flashes dos fotógrafos e nas capas de revistas cor-de-rosa que ali não existem e na vergonha de ter sido preso nestas circunstâncias.
Coitadinho do Castelo Branco. O país inteiro deve estar a rir às gargalhadas deste insólito episódio.
- Tão fino que és, agora aguenta-te…
O José Castelo Branco, foi preso, esta noite, na alfândega do aeroporto de Lisboa por posse de pedras preciosas e jóias encontradas nas suas bagagens, sem as declarar às autoridades.
Segundo a SIC Notícias o alegado e presumível “contrabandista” vai pernoitar numa cela do EPL, onde se encontra também detido Bibi.
Naturalmente que o única coisa que me ocorre fazer neste momento é isto:
-AHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH.
Já o estou a ver deitadinho num fabuloso colchão prisional, a tremer de medo, ou não, com a proximidade de tantos homens supostamente mal intencionados.
Deve passar a noite a pensar nas garrafas de Dom Perrignom, no caviar, nos flashes dos fotógrafos e nas capas de revistas cor-de-rosa que ali não existem e na vergonha de ter sido preso nestas circunstâncias.
Coitadinho do Castelo Branco. O país inteiro deve estar a rir às gargalhadas deste insólito episódio.
- Tão fino que és, agora aguenta-te…
2003-11-06
Li e recomendo
O Mundo do Drº Cunhal
Tenho, à imagem de muitos portugueses, um respeito intelectual e humano pelo Drº Álvaro Cunhal. Abstraindo as questões puramente ideológicas, o líder histórico do PCP é reconhecido por ter sido um resistente ao regime ditatorial de Salazar, o qual combateu sem tréguas, sofrendo na pele a consequência dessa luta.
Li o primeiro volume da sua biografia política, escrita pelo JPP e a conclusão que retiro é a de um homem que abdicou de viver em nome de um conjunto de causas nas quais acreditava e, pelos vistos, ainda acredita.
Julgo no entanto, que o pós-25 de Abril, ao contrário do que seria suposto acontecer, foi o início do declínio do comunismo em Portugal e muito em particular do Drº Álvaro Cunhal. Cristalizou-se politicamente, não se adaptou às novas realidades da sociedade, nem percebeu o rumo que o país queria levar.
Entregou o PCP aos seus sucessores já num estado de agonia que se vem agudizando, por culpa própria, de eleição em eleição. Mesmo no plano autárquico a hemorragia eleitoral do PCP é visível.
Hoje o Drº Álvaro Cunhal intervém esporadicamente e nessas intervenções nota-se que na sua cabeça, tudo está como sempre esteve. Tem esse mérito, se alguém assim o quiser classificar.
A sua mais recente análise da situação política mundial merece diversos comentários. Tudo o que diz é altamente duvidoso. Se me é permitido, eu diria mesmo que os seus comentários tentam desmentir a História, ocultando-lhe circunstâncias, absolutamente indispensáveis, as quais não podem ser de modo nenhum omitidas.
A pior de todas essas circunstâncias é esta:
Os regimes comunistas cometeram inúmeros crimes, crimes contra o espírito antes de mais nada, crimes contra a cultura universal e racional, e pior, assassínio em massa de homens, mulheres e crianças. Aqui vão alguns números;
- URSS, 20 milhões de mortos:
- China, 65 milhões de mortos:
- Vietname, 1 milhões de mortos:
- Coreia do Morte, 2 milhões de mortos;
- Camboja, 2 milhões de mortos:
- Europa oriental 1 milhões de mortos:
- Américo Latina, 150000 mortos:
- África, 17 milhões de mortos:
- Afeganistão, 1,5 milhões de mortos
Fonte: Homepage “50 Anos de Direitos Humanos”
Trabalho elaborado por Célia Lourenço e Lúcia Martins
A História é feita de factos. Os factos são obra do homem ou da natureza. O comunismo deixou este rasto ao longo da sua implementação e evolução, em vários pontos do planeta.
Antes não tivesse sido assim. Mas esta é uma realidade dificilmente negada.
Por tudo isto, a análise do Drº Álvaro Cunhal para ser levada a sério, era necessário que estes números não existissem. Existindo, era bom que alguém se penitenciasse por eles, a começar pelo próprio Drº Álvaro Cunhal. Não sendo responsável pelo número de mortos, apoiou e apoia os seus autores, isto é os regimes comunistas aqui mencionados.
Por tudo isto, a intervenção do Drº Álvaro Cunhal, vale o que vale.
Li o primeiro volume da sua biografia política, escrita pelo JPP e a conclusão que retiro é a de um homem que abdicou de viver em nome de um conjunto de causas nas quais acreditava e, pelos vistos, ainda acredita.
Julgo no entanto, que o pós-25 de Abril, ao contrário do que seria suposto acontecer, foi o início do declínio do comunismo em Portugal e muito em particular do Drº Álvaro Cunhal. Cristalizou-se politicamente, não se adaptou às novas realidades da sociedade, nem percebeu o rumo que o país queria levar.
Entregou o PCP aos seus sucessores já num estado de agonia que se vem agudizando, por culpa própria, de eleição em eleição. Mesmo no plano autárquico a hemorragia eleitoral do PCP é visível.
Hoje o Drº Álvaro Cunhal intervém esporadicamente e nessas intervenções nota-se que na sua cabeça, tudo está como sempre esteve. Tem esse mérito, se alguém assim o quiser classificar.
A sua mais recente análise da situação política mundial merece diversos comentários. Tudo o que diz é altamente duvidoso. Se me é permitido, eu diria mesmo que os seus comentários tentam desmentir a História, ocultando-lhe circunstâncias, absolutamente indispensáveis, as quais não podem ser de modo nenhum omitidas.
A pior de todas essas circunstâncias é esta:
Os regimes comunistas cometeram inúmeros crimes, crimes contra o espírito antes de mais nada, crimes contra a cultura universal e racional, e pior, assassínio em massa de homens, mulheres e crianças. Aqui vão alguns números;
- URSS, 20 milhões de mortos:
- China, 65 milhões de mortos:
- Vietname, 1 milhões de mortos:
- Coreia do Morte, 2 milhões de mortos;
- Camboja, 2 milhões de mortos:
- Europa oriental 1 milhões de mortos:
- Américo Latina, 150000 mortos:
- África, 17 milhões de mortos:
- Afeganistão, 1,5 milhões de mortos
Fonte: Homepage “50 Anos de Direitos Humanos”
Trabalho elaborado por Célia Lourenço e Lúcia Martins
A História é feita de factos. Os factos são obra do homem ou da natureza. O comunismo deixou este rasto ao longo da sua implementação e evolução, em vários pontos do planeta.
Antes não tivesse sido assim. Mas esta é uma realidade dificilmente negada.
Por tudo isto, a análise do Drº Álvaro Cunhal para ser levada a sério, era necessário que estes números não existissem. Existindo, era bom que alguém se penitenciasse por eles, a começar pelo próprio Drº Álvaro Cunhal. Não sendo responsável pelo número de mortos, apoiou e apoia os seus autores, isto é os regimes comunistas aqui mencionados.
Por tudo isto, a intervenção do Drº Álvaro Cunhal, vale o que vale.
Não há notícias como as boas notícias
Ferro Rodrigues fica na liderança do PS.
- Ufff, que alívio. Por momentos pensei que o iam mandar embora.
Fiquei mais tranquilo.
- Ufff, que alívio. Por momentos pensei que o iam mandar embora.
Fiquei mais tranquilo.
2003-11-05
Encontro de blogues algarvios
A blogosfera algarvia continua a crescer. Aqui e ali, verifico o aparecimento de novos blogues algarvios, bem identificados nas recomendações feitas e distinguidas quanto à sua origem.
Não sei se é prematura a ideia, mas acho que começa a estar na hora de nos encontrarmos um dia para falar desta «estranha forma de vida» na rede.
Um encontro que não devia ser apenas à volta de uma mesa com repasto a condizer e líquidos com um leve teor alcoólico, mas num ambiente mais tranquilo susceptível ao debate e à troca de ideias. Julgo que temos muito a aprender uns com os outros. Desde os truques mais convencionais do malfadado html, até à necessidade de escutarmos uns dos outros a razão existencial da blogosfera algarvia, passando igualmente por convidar alguém que faça alguma coisa de relevante na vida pública e tenha opinião formada sobre este tipo de necessidades opinativas.
Talvez ainda não seja totalmente perceptível neste momento, mas os blogues são um veículo de comunicação por excelência. Sem se substituírem à imprensa, constituem um espaço informativo e de debate muito interessante. Eu próprio reconheço que por vezes não são as edições electrónicas dos jornais as minhas primeiras consultas diárias. Já tem acontecido ver em primeiro lugar o que “roda” na blogosfera, antes de conhecer os novos episódios da Casa Pia, do défice, da confusão no PS, dos conflitos no interior do governo ou simplesmente da opinião de categorizados cronistas da imprensa nacional, alguns pagos a peso de ouro, ao contrário de nós que somos genuinamente voluntários.
Isto parece estar a inverter a necessidade informativa, nomeadamente em relação à origem da notícia, o que não deixa de ser interessante.
Presumo que um encontro de blogues algarvios poderá ser excessivamente masculinizado. Não tenho conhecimento de incursões femininas na blogosfera da nossa região. Se existem que se acusem e serão muito bem vindas. Se não existem, organizem-se, sejam audazes.
Por tudo isto, deixo à consideração dos autores de blogues que encalharam com este texto, a necessidade de debatermos, ao vivo e a cores, o estado e o futuro da blogosfera algarvia, dando conta disso nos seus espaços de intervenção e alargando o mais possível o alcance do repto.
Mesmo que não se discuta nada de interessante e, pelo facto de podermos vir a ser apenas homens, a conversa seja apenas futebol, gajas e carros rápidos, pelo menos ficamo-nos a conhecer uns aos outros.
Se fizer falta um local em condições, eu arranjo. Em Tavira, claro…
Não sei se é prematura a ideia, mas acho que começa a estar na hora de nos encontrarmos um dia para falar desta «estranha forma de vida» na rede.
Um encontro que não devia ser apenas à volta de uma mesa com repasto a condizer e líquidos com um leve teor alcoólico, mas num ambiente mais tranquilo susceptível ao debate e à troca de ideias. Julgo que temos muito a aprender uns com os outros. Desde os truques mais convencionais do malfadado html, até à necessidade de escutarmos uns dos outros a razão existencial da blogosfera algarvia, passando igualmente por convidar alguém que faça alguma coisa de relevante na vida pública e tenha opinião formada sobre este tipo de necessidades opinativas.
Talvez ainda não seja totalmente perceptível neste momento, mas os blogues são um veículo de comunicação por excelência. Sem se substituírem à imprensa, constituem um espaço informativo e de debate muito interessante. Eu próprio reconheço que por vezes não são as edições electrónicas dos jornais as minhas primeiras consultas diárias. Já tem acontecido ver em primeiro lugar o que “roda” na blogosfera, antes de conhecer os novos episódios da Casa Pia, do défice, da confusão no PS, dos conflitos no interior do governo ou simplesmente da opinião de categorizados cronistas da imprensa nacional, alguns pagos a peso de ouro, ao contrário de nós que somos genuinamente voluntários.
Isto parece estar a inverter a necessidade informativa, nomeadamente em relação à origem da notícia, o que não deixa de ser interessante.
Presumo que um encontro de blogues algarvios poderá ser excessivamente masculinizado. Não tenho conhecimento de incursões femininas na blogosfera da nossa região. Se existem que se acusem e serão muito bem vindas. Se não existem, organizem-se, sejam audazes.
Por tudo isto, deixo à consideração dos autores de blogues que encalharam com este texto, a necessidade de debatermos, ao vivo e a cores, o estado e o futuro da blogosfera algarvia, dando conta disso nos seus espaços de intervenção e alargando o mais possível o alcance do repto.
Mesmo que não se discuta nada de interessante e, pelo facto de podermos vir a ser apenas homens, a conversa seja apenas futebol, gajas e carros rápidos, pelo menos ficamo-nos a conhecer uns aos outros.
Se fizer falta um local em condições, eu arranjo. Em Tavira, claro…
2003-11-04
Convento
Emoção
Hoje vivi um momento de grande emoção.
Ao chegar perto da banca dos jornais, os meus olhos precipitaram-se para a capa de uma revista cor-de-rosa. A cor está relacionada com o tipo de conteúdo da mesma, ou seja assuntos sociais de grande inutilidade e não com o PS.
Nessa mesma capa estava estampada uma fotografia de Paulo Pedroso, com aquele olhar angelical de menino da escola primária, com a namorada nos braços. A imagem era de uma ternura esfusiante. Comovi-me, tive vontade de chorar. Agarrei nos óculos escuros e coloquei-os na cara para que ninguém visse a minha emoção. Era um momento único. So tinha tido uma situação semelhante uma vez na vida e foi no dia da coferência de impresa de Fátima Felgueiras, no exílio.
Sai dali o mais depressa possível, não fossem as lágrimas começar a cair.
De facto, Paulo Pedroso sabe muito bem o que tem a fazer neste período em que está em liberdade.
Ao chegar perto da banca dos jornais, os meus olhos precipitaram-se para a capa de uma revista cor-de-rosa. A cor está relacionada com o tipo de conteúdo da mesma, ou seja assuntos sociais de grande inutilidade e não com o PS.
Nessa mesma capa estava estampada uma fotografia de Paulo Pedroso, com aquele olhar angelical de menino da escola primária, com a namorada nos braços. A imagem era de uma ternura esfusiante. Comovi-me, tive vontade de chorar. Agarrei nos óculos escuros e coloquei-os na cara para que ninguém visse a minha emoção. Era um momento único. So tinha tido uma situação semelhante uma vez na vida e foi no dia da coferência de impresa de Fátima Felgueiras, no exílio.
Sai dali o mais depressa possível, não fossem as lágrimas começar a cair.
De facto, Paulo Pedroso sabe muito bem o que tem a fazer neste período em que está em liberdade.
Esclarecimento
O Sérgio Martins deixou um comentário no post “Se fosse possível, era bom”, onde afirma que o conteúdo do mesmo nada tem a ver com a liderança no PS.
No Almariado são colocados vários tipos de posts. Uns mais a sério, outros mais a brincar e ainda algumas fotografias que vou fazendo do meu concelho. Este, aqui em baixo, é nitidamente um post com ironia.
Naturalmente, ninguém está à espera de ver o Dr. Paulo Pedroso a candidatar-se a secretário-geral do PS, nos próximos tempos. Antes terá de resolver os seus problemas com a justiça. Isso parece-me evidente. Logo, o post é revestido da boa disposição que já vai fazendo falta na política.
Agora, para mim, é irrelevante quem seja o líder do PS. Se continuar o Dr. Ferro Rodrigues, tanto melhor, por razões que são óbvias e se prendem com a minha proximidade ao partido do Governo.
Apenas isto.
No Almariado são colocados vários tipos de posts. Uns mais a sério, outros mais a brincar e ainda algumas fotografias que vou fazendo do meu concelho. Este, aqui em baixo, é nitidamente um post com ironia.
Naturalmente, ninguém está à espera de ver o Dr. Paulo Pedroso a candidatar-se a secretário-geral do PS, nos próximos tempos. Antes terá de resolver os seus problemas com a justiça. Isso parece-me evidente. Logo, o post é revestido da boa disposição que já vai fazendo falta na política.
Agora, para mim, é irrelevante quem seja o líder do PS. Se continuar o Dr. Ferro Rodrigues, tanto melhor, por razões que são óbvias e se prendem com a minha proximidade ao partido do Governo.
Apenas isto.
Se fosse possível, era bom
O PS está na eminência de se transformar num saco de gatos à bulha.
Esta manhã acordei com a notícia, não totalmente desmentida, da intenção de João Soares em se candidatar à liderança do PS.
Esta candidatura não me entusiasma muito. Quem eu gostava, mesmo, que se candidatasse ao cargo de secretário-geral, era Paulo Pedroso, mas presumo que ele não está disponível. É pena.
Alem disso está demasiado comprometido com Ferro Rodrigues. Talvez seja só por isso que não se candidata.
Esta manhã acordei com a notícia, não totalmente desmentida, da intenção de João Soares em se candidatar à liderança do PS.
Esta candidatura não me entusiasma muito. Quem eu gostava, mesmo, que se candidatasse ao cargo de secretário-geral, era Paulo Pedroso, mas presumo que ele não está disponível. É pena.
Alem disso está demasiado comprometido com Ferro Rodrigues. Talvez seja só por isso que não se candidata.
De novo as praxes (em jeito de resposta)
Alguém que se identifica como Prometheus31 e é autor de um blogue com o mesmo nome deixou um comentário muito interessante sobre o meu post das praxes, já para não falar do outro, igualmente interessante, mas diferente no contexto, deixado pelo portista do carago Asul, responsável pela colocação de comentários no Almariado. É verdade eu de html apenas sei que é uma linguagem de programação e pouco mais. O Asul que tem a cabeça mais fresquinha para estas coisas dos blogues, ajudou-me a colocar o sistema de comentários, já saudados pelo, sempre polémico (pela positiva), Sérgio Martins.
O Prometheus31 colocou a questão da praxe na outra face da moeda. Reconheço, naturalmente, que hajam pessoas que estejam disponíveis para serem praxadas e façam disso uma festa e um modo de integração no mundo académico. Muitas acham piada, vá-se lá saber porquê, mas a verdade é que acham e a mim não me resta outra alternativa senão respeitar essa opinião.
Mas não é este voluntarismo que está em causa. A questão é outra. Não há alternativa para quem não quer ser praxado, a não ser retaliação, traduzida em praxes mais duras e violentas, ou então a não frequência das aulas durante algum tempo, até a poeira pousar.
Para mim há uma questão da qual não abdico. A praxe não é um código, nem conduta e muito menos lei. A praxe é uma coisa, da qual a sua definição não é totalmente perceptível, à luz do normal relacionamento das pessoas.
Quem não quer ser praxado deve ter, no mínimo, o mesmo direito de quem quer. Ou seja a decisão de ser praxado, ou não, deve pertencer ao caloiro e nunca ao “veterano”. Quem está disponível para se submeter às mais variadas “brincadeiras” está, quem não está, não deve ser obrigado. O Prometheus31 aceitou as regras do jogo e divertiu-se. Tudo bem, é problema dele. Mas se provavelmente, muitos dos seus colegas foram obrigados e sujeitarem-se às praxes, sem terem tido a oportunidade de demonstrar a sua vontade em não participar.
Agradeço no entanto a honestidade e a genuinidade que colocou no seu comentário, o qual recebi com muito agrado.
O Asul coloca a questão num plano mais ideológico.
Eu percebi a ideia dele, mas acho que as coisas não vão para esse campo. Para mim, na racionalidade e no respeito pelos outros não há esquerda nem direita. Ou se tem ou não se tem. Aliás, se fossem apenas os alunos de direita a praxar, esta não tinha a dimensão que tem. A vontade de praxar alguém, adquirindo o tal falso estatuto de autoridade que referi anteriormente, está muito para lá das questões ideológicas. São, sobretudo, sentimentos envoltos numa vontade de vingança pelo que foram obrigados a passar quando eram caloiros, do que outra coisa qualquer.
Já agora dou uma sugestão de praxe aos caloiros que são do Benfica. Obriguem-nos a assistir repetidamente à gravação do jogo com o Beira-Mar e aos do Sporting façam o mesmo com o do Rio Ave.
- Asul, não te rias. Cá calharás…
O Prometheus31 colocou a questão da praxe na outra face da moeda. Reconheço, naturalmente, que hajam pessoas que estejam disponíveis para serem praxadas e façam disso uma festa e um modo de integração no mundo académico. Muitas acham piada, vá-se lá saber porquê, mas a verdade é que acham e a mim não me resta outra alternativa senão respeitar essa opinião.
Mas não é este voluntarismo que está em causa. A questão é outra. Não há alternativa para quem não quer ser praxado, a não ser retaliação, traduzida em praxes mais duras e violentas, ou então a não frequência das aulas durante algum tempo, até a poeira pousar.
Para mim há uma questão da qual não abdico. A praxe não é um código, nem conduta e muito menos lei. A praxe é uma coisa, da qual a sua definição não é totalmente perceptível, à luz do normal relacionamento das pessoas.
Quem não quer ser praxado deve ter, no mínimo, o mesmo direito de quem quer. Ou seja a decisão de ser praxado, ou não, deve pertencer ao caloiro e nunca ao “veterano”. Quem está disponível para se submeter às mais variadas “brincadeiras” está, quem não está, não deve ser obrigado. O Prometheus31 aceitou as regras do jogo e divertiu-se. Tudo bem, é problema dele. Mas se provavelmente, muitos dos seus colegas foram obrigados e sujeitarem-se às praxes, sem terem tido a oportunidade de demonstrar a sua vontade em não participar.
Agradeço no entanto a honestidade e a genuinidade que colocou no seu comentário, o qual recebi com muito agrado.
O Asul coloca a questão num plano mais ideológico.
Eu percebi a ideia dele, mas acho que as coisas não vão para esse campo. Para mim, na racionalidade e no respeito pelos outros não há esquerda nem direita. Ou se tem ou não se tem. Aliás, se fossem apenas os alunos de direita a praxar, esta não tinha a dimensão que tem. A vontade de praxar alguém, adquirindo o tal falso estatuto de autoridade que referi anteriormente, está muito para lá das questões ideológicas. São, sobretudo, sentimentos envoltos numa vontade de vingança pelo que foram obrigados a passar quando eram caloiros, do que outra coisa qualquer.
Já agora dou uma sugestão de praxe aos caloiros que são do Benfica. Obriguem-nos a assistir repetidamente à gravação do jogo com o Beira-Mar e aos do Sporting façam o mesmo com o do Rio Ave.
- Asul, não te rias. Cá calharás…
2003-11-03
Churchill
Já o tinha comprado há algum tempo, mas coloquei-o na prateleira à espera da sua oportunidade. Entretanto experimentei Neruda na sua obra auto-biográfica, mas não me está a prender demasiado. “Confesso que Vivi” não me causa grande entusiasmo. Confesso que também não sou muito adepto de poesia nem de poetas. Não significa que não goste, mas prefiro outras coisas, menos metafóricas.
Eis então se não quando, olho para a estante e lá estava ele a chamar por mim.
“Churchill” de François Bédarida, edição Verbo. Não fosse o sono de ontem à noite e teria chegado mais à frente. Não perde por esperar.
Eis então se não quando, olho para a estante e lá estava ele a chamar por mim.
“Churchill” de François Bédarida, edição Verbo. Não fosse o sono de ontem à noite e teria chegado mais à frente. Não perde por esperar.
(A)guardando o polvo
Ao Sérgio Martins
Desculpa a inconfidência
A propósito de monarquia. Há uns anos atrás, era eu um jovem líder da estrutura juvenil do PSD no Algarve e tinha como colaborador próximo o JLL do Notas Soltas. Um dia, a propósito da campanha para as presidenciais, onde apoiávamos a candidatura do Prof. Cavaco Silva, manifestei aos meus companheiros mais próximos a necessidade de nos envolvermos na campanha eleitoral. O JLL virou-se para mim e disse:
- Não contes comigo.
Fiquei surpreendidíssimo, como devem imaginar. Tive vontade de o atirar pela janela.
Perguntei-lhe porquê, exigindo-lhe uma resposta rápida.
- Porque sou monárquico.
Fiquei desarmado.
Não sei se ainda é, mas na altura defendia a causa com grande convicção.
Desculpa a inconfidência, Jorge.
- Não contes comigo.
Fiquei surpreendidíssimo, como devem imaginar. Tive vontade de o atirar pela janela.
Perguntei-lhe porquê, exigindo-lhe uma resposta rápida.
- Porque sou monárquico.
Fiquei desarmado.
Não sei se ainda é, mas na altura defendia a causa com grande convicção.
Desculpa a inconfidência, Jorge.
Evolução
Já não há princesas como antigamente.
D. Filipe de Bourbon prepara-se para casar no próximo Verão com uma jornalista da TVE. A dita, não possui “sangue azul” nem qualquer grau de parentesco com a aristocracia espanhola. É apenas uma mulher de 31 anos, jornalista e divorciada. Uma entre muitas. Uma entre qualquer outra.
Aparentemente esta notícia é mais dada à blogosfera “cor de rosa” se é que ela existe, mas dou nota desta questão com a satisfação de ver a família real espanhola a abandonar essa tradição medieval de casar o herdeiro do trono com alguém proveniente de uma família real, com pedigree, entenda-se.
Assim o sonho de muitas mulheres pode um dia concretizar-se. A imagem de infância de um dia serem rainhas de uma nação, fica ao alcance de qualquer uma delas, mesmo se no passado já tenham dito, sim, a outra pessoa.
Fora de brincadeiras, acho que a monarquia espanhola deu um salto civilizacional muito importante. D. Filipe tem todo o direito de se casar com alguém que escolheu e de quem gosta. Já o pai não teve essa sorte, como é sabido.
O matrimónio é um contrato onde as partes têm que estar em total acordo, sobretudo no plano afectivo. Se assim não for…
D. Filipe de Bourbon prepara-se para casar no próximo Verão com uma jornalista da TVE. A dita, não possui “sangue azul” nem qualquer grau de parentesco com a aristocracia espanhola. É apenas uma mulher de 31 anos, jornalista e divorciada. Uma entre muitas. Uma entre qualquer outra.
Aparentemente esta notícia é mais dada à blogosfera “cor de rosa” se é que ela existe, mas dou nota desta questão com a satisfação de ver a família real espanhola a abandonar essa tradição medieval de casar o herdeiro do trono com alguém proveniente de uma família real, com pedigree, entenda-se.
Assim o sonho de muitas mulheres pode um dia concretizar-se. A imagem de infância de um dia serem rainhas de uma nação, fica ao alcance de qualquer uma delas, mesmo se no passado já tenham dito, sim, a outra pessoa.
Fora de brincadeiras, acho que a monarquia espanhola deu um salto civilizacional muito importante. D. Filipe tem todo o direito de se casar com alguém que escolheu e de quem gosta. Já o pai não teve essa sorte, como é sabido.
O matrimónio é um contrato onde as partes têm que estar em total acordo, sobretudo no plano afectivo. Se assim não for…
É excelente
É já um lugar comum. Não constitui qualquer surpresa. O último trabalho de Dulce Pontes entra directamente para a excelência da música portuguesa.
Focus não é cantado apenas em português, o que se percebe tendo em conta a notoriedade que a cantora vem almejando no estrangeiro, mas comporta um conjunto de temas magníficos onde é difícil escolher de qual se gosta mais.
Do Maestro Ennio Morricone, nada a dizer. É um MESTRE.
Juntou-se a fome à vontade de comer ou o útil ao agradável ou outra coisa qualquer cuja união de esforços produza um efeito magnífico.
É de ouvir e suspirar por mais.
Focus não é cantado apenas em português, o que se percebe tendo em conta a notoriedade que a cantora vem almejando no estrangeiro, mas comporta um conjunto de temas magníficos onde é difícil escolher de qual se gosta mais.
Do Maestro Ennio Morricone, nada a dizer. É um MESTRE.
Juntou-se a fome à vontade de comer ou o útil ao agradável ou outra coisa qualquer cuja união de esforços produza um efeito magnífico.
É de ouvir e suspirar por mais.
2003-11-02
Mais do mesmo
Os jogadores do SLB revelaram, mais uma vez, esta noite que não nutrem qualquer respeito pela camisola que envergam, o mesmo é dizer pelo clube que representam e pelos seus associados. Numa data tão bonita como a de hoje, perder daquela maneira ridícula só revela que não passam de mercenários do futebol, pagos principescamente.
Ao Sr. Luís Filipe Vieira, cuja vitória eleitoral foi absolutamente categórica, pede-se que intervenha o mais depressa possível e ponha ordem na casa, ao não ser que este seja o SLB feito à sua imagem.
O campeão da Liga deste ano está por demais encontrado. O FCP é uma equipa de outro campeonato. Pode não jogar bem, mas é eficaz. Viu-se contra o Nacional da Madeira.
O SLB e o seu rival SCP, no campeonato da vizinha Espanha, talvez lutassem para não descer de divisão. Esta é a dura realidade.
Ao Sr. Luís Filipe Vieira, cuja vitória eleitoral foi absolutamente categórica, pede-se que intervenha o mais depressa possível e ponha ordem na casa, ao não ser que este seja o SLB feito à sua imagem.
O campeão da Liga deste ano está por demais encontrado. O FCP é uma equipa de outro campeonato. Pode não jogar bem, mas é eficaz. Viu-se contra o Nacional da Madeira.
O SLB e o seu rival SCP, no campeonato da vizinha Espanha, talvez lutassem para não descer de divisão. Esta é a dura realidade.
Ao Sul
Em jeito de resposta
Após a recepção de algumas mensagens a propósito da minha opinião sobre as praxes, parece-me ser agora a altura ideal para dizer mais quatro coisas sobre o assunto, em resposta às mesmas:
1 – A praxe aproxima os alunos novos com os mais velhos.
Esta é talvez das afirmações mais ridículas que tive a oportunidade de ler. Fico com a ideia que o preço de um convívio próximo entre os caloiros e os outros é demasiado alto. E já agora: quem foi que disse que os caloiros querem ter relacionamentos de convívio próximos daqueles que os humilharam e até agrediram?
No tempo que frequentei a universidade o meu relacionamento foi sempre com os colegas das minhas turmas e pouco mais. Nunca andei a bajular ninguém que fosse mais antigo do que eu pelo facto de daí poder subtrair qualquer benefício. Alem do mais é sabido que muitos dos que praxam, não todos naturalmente, nem sempre são os melhores alunos ou pelo menos aqueles que podem prestar algum auxílio académico aos caloiros.
2 – Não compreender a praxe é não compreender o verdadeiro espírito académico.
Extraordinário. Não sabia que a ante-câmara do espírito académico era a humilhação e a tortura. Os suicidas islâmicos também pensam assim antes de cometerem os atentados. Se o fizerem vão para o céu e protegem os órgãos sexuais porque têm à sua espera uma dúzia de mulheres virgens. Com a praxe parece ser o mesmo, os caloiros sujeitam-se para poderem entrar nesse clube restrito ao qual chamam de espírito académico.
3 – Nem todas as praxes são violentas.
Claro que não. Mas a maioria delas são humilhantes, confrangedoras e também violentas. Há naturalmente brincadeiras engraçadas as quais não constituem discussão. Mas essas não interessam muito a quem as pratica, porque não lhes confere um estatuto de poder. Normalmente quem praxa exerce uma autoridade que não tem durante o resto do ano. Fá-lo naquela semana ou semanas, a troco de nos meses seguintes poder ser respeitado pelos caloiros. No fundo a praxe é uma atitude de menoridade intelectual que não prestigia nem uma parte nem a outra. É um comportamento verdadeiramente irracional e anti civilizacional.
4 – Qual a alternativa?
É simples: respeito pelos outros. Façam festas, divirtam-se conheçam-se, namorem, curtam-se mas não chateiem quem teve o mérito de entrar para a universidade e merece ser respeitado enquanto ser humano.
1 – A praxe aproxima os alunos novos com os mais velhos.
Esta é talvez das afirmações mais ridículas que tive a oportunidade de ler. Fico com a ideia que o preço de um convívio próximo entre os caloiros e os outros é demasiado alto. E já agora: quem foi que disse que os caloiros querem ter relacionamentos de convívio próximos daqueles que os humilharam e até agrediram?
No tempo que frequentei a universidade o meu relacionamento foi sempre com os colegas das minhas turmas e pouco mais. Nunca andei a bajular ninguém que fosse mais antigo do que eu pelo facto de daí poder subtrair qualquer benefício. Alem do mais é sabido que muitos dos que praxam, não todos naturalmente, nem sempre são os melhores alunos ou pelo menos aqueles que podem prestar algum auxílio académico aos caloiros.
2 – Não compreender a praxe é não compreender o verdadeiro espírito académico.
Extraordinário. Não sabia que a ante-câmara do espírito académico era a humilhação e a tortura. Os suicidas islâmicos também pensam assim antes de cometerem os atentados. Se o fizerem vão para o céu e protegem os órgãos sexuais porque têm à sua espera uma dúzia de mulheres virgens. Com a praxe parece ser o mesmo, os caloiros sujeitam-se para poderem entrar nesse clube restrito ao qual chamam de espírito académico.
3 – Nem todas as praxes são violentas.
Claro que não. Mas a maioria delas são humilhantes, confrangedoras e também violentas. Há naturalmente brincadeiras engraçadas as quais não constituem discussão. Mas essas não interessam muito a quem as pratica, porque não lhes confere um estatuto de poder. Normalmente quem praxa exerce uma autoridade que não tem durante o resto do ano. Fá-lo naquela semana ou semanas, a troco de nos meses seguintes poder ser respeitado pelos caloiros. No fundo a praxe é uma atitude de menoridade intelectual que não prestigia nem uma parte nem a outra. É um comportamento verdadeiramente irracional e anti civilizacional.
4 – Qual a alternativa?
É simples: respeito pelos outros. Façam festas, divirtam-se conheçam-se, namorem, curtam-se mas não chateiem quem teve o mérito de entrar para a universidade e merece ser respeitado enquanto ser humano.
2003-11-01
Por favor
Como social-democrata convicto e militante da causa, para além de apoiante deste Governo, gostava de pedir, por favor, a todos os militantes do PS que não corram com o Ferro. Não agora que isto está tão bom.








